quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Dia de Treinamento

Agora, depois de alguns dias, da para contar como e a rotina por aqui.

O dia começa cedo. OK, não e de madrugada, mas 7:30 tem que levantar para se arrumar e tomar café, que começa pontualmente as 8. As 9 temos que estar na frente do ônibus que sobe ate a estação de Horni Misecky. O tempo que demora ate chegar la serve como aquecimento.

O treino da manha dura umas duas horas. Quer dizer, tirando hoje, para mim não foi exatamente bem assim porque não tinha meu esqui comigo (de técnica do tipo skating), então fiquei treinando com outro tipo de esqui (para técnica clássica), onde basicamente treinei técnica. Quem haja que e deslizar na neve e pronto esta enganado: e um tal de equilíbrio para , peso para la, levanta o esqui, enfim não e fácil.

Como treinei técnica clássica nesses dias, digamos que eu melhorei bastante desde domingo, mas ainda falta dois pequenos "detalhes": subir e descer. Porque subindo ainda estou escorregando muito e descendo, se for muito íngreme, fica o medo de se esborrachar em uma das milhares de árvores que tem por aqui, mas estamos melhorando.

Por volta de 11:30 voltamos para o hotel onde trocamos de roupa e 12:30 tem o almoço. Pausa para um cochilo, e umas 3 da tarde voltamos para a pista, onde o treino e de técnica somente. Uma hora e meia mais ou menos e voltamos para o hotel, tomamos banho e o jantar e servido as....seis da tarde!!! Depois do jantar e horário livre, e como não da para entender nada do que passa na TV (esta tudo em alemão ou tcheco), faz-se outras coisas do tipo encerar esquis, ligar para a companhia aérea e perguntar se tem alguma previsão da minha bolsa chegar, ler um pouco. A rotina pós-jantar deve mudar um pouco a partir de agora, que vai ter palestras e massagens, mas de qualquer forma as 10 da noite estou mais do que preparado para dormir e tentar me recuperar para o dia seguinte. O Jiri, que é o coordenador do evento, colocou um painel na recepção do hotel (foto ao lado), com a programação da semana e para eventuais avisos e horarios. Tudo bem organizado e simples, como deveria ser uma série de outras coisas na vida.

Esta sendo cansativo, mas o resultado, ao menos em parte, da para notar. Agora e aperfeiçoar a outra técnica, a de skating.... assim que meu par de esquis der o ar da graça por aqui.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Um telefone, por favor!

Se tem algo que posso comentar sobre Dolni Misecky e que não há palavras para descrever o lugar. Sim, a paisagem é bonita, e daqui a pouco eu falo sobre o lugar, mas o que eu quero dizer e que eu ate agora não sei como classificar esse lugar geográfico: uma vila, uma rua, um bairro, qualquer uma das opções acima pode ser verdade, inclusive porque o endereço do hotel e Dolni Misecky 322, Vitkovice, esta ultima e uma cidade/vila um (pouco) maior.

O fato e que aqui e bem isolado, bem longe de tudo mesmo. A cidade um pouco maior fica a 20km daqui. Lojinhas, supermercados ou qualquer tipo de comercio e inexistente. 1km acima de Dolni Misecky (que quer dizer Baixo Misecky) fica Horni Misecky (ou Alto Misecky) que e uma estação de esqui onde também tem pistas de Cross Country, mas as cidades/vilas/ruas sei la o que são bastante parecidas no conceito. Nada ao redor, meia dúzia de casas, árvores e, atualmente, muita neve.

Dito isso, o lugar e bastante interessante. Fica no Parque Nacional das Montanhas Gigantes... quer dizer "Gigantes" só no nome porque a maior montanha do pais, que fica aqui na região, tem 1600 metros. Talvez tenha alguma coisa a ver com aquela coisa comunista de mania de grandeza. Mas se você andar um pouco para cima, você vê uma bela paisagem e, se o tempo estiver bom, você vê muita coisa, mais ou menos como olhar por cima da serra de Petrópolis.

O melhor de tudo é que, apesar de ser muito bonito, o lugar ainda e barato. Não estou pagando nada, mas o hotel onde estou (Hotel Idol -
http://www.hotelidol.com/) custa 350 coroas checas, ou menos de 45 reais (1 real = 8 coroas checas no momento em que escrevo) com pensão completa, onde pensão completa leia-se o prato do dia. Mas justifica as três estrelas. As fotos abaixo são do Hotel e arredores e foram tiradas com tempo bom para valorizar a paisagem.







O "destaque" do hotel não é o quarto, ou a sauna, ou qualquer outro serviço que o hotel oferece, mais dois mini-pôneis que também atendem pelo nome de cachorros. Um preto e outro branco, os dois verdadeiros "cães de armazém" porque passam o dia inteiro deitados na entrada da coisa (ocupando o corredor inteiro) e de noite ficam atazanando no corredor principal do hotel rosnando.

Só tem uma coisa que esta faltando aqui: apesar de ter internet sem fio, de onde estou escrevendo, não tem um telefone publico (alias tem um orelhão, que só funciona a base de moeda) e não tem telefone no quarto. Assim que eu conseguir funcionar o Skype do computador eu tento falar com alguém. Eu estou escrevendo em um computador em cima do bar do hotel, que fica na recepção do mesmo, como dá para ver nessa foto (onde eu não estava escrevendo), onde à noite ainda tenho que aguentar o povo fumando feito loco e vendo TV.
Enquanto isso, uma certa mala continua parada no aeroporto de Paris....

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Eu cheguei, o resto....

Ahoj,

Estou teclando a partir de um teclado checo, entao acentuacao vai para o espaco no momento.

Bom, estamos aqui em Dolni Misecky, quer dizer, mais ou menos. E impressionante como nao consigo chegar em um lugar sem ter um minimo de problemas. Tudo comecou tranquilo. Cheguei no aeroporto no horario, o aviao atrasou uns 40 minutos, sem problemas. O voo, apesar de alguns bons momentos de turbulencia, foi razoavel, inclusive dando para dormir um pouco no caminho. Em Paris, aquela correria para pegar o voo para Praga, faz parte. Cheguei em Praga, uns 20 minutos atrasado, e fui pegar minha bagagem. Ai....

Espera na esteira, todo mundo pegando as suas bagagens, felizes e contentes, e nada das minhas malas. 30 minutos depois, chega um funcionario do aeroporto para um grupo que ainda estava esperando e avisa "suas malas estao em Paris". Isso com um motorista me esperando no lado de fora. Correria para ca, correria para la, coloquei meu nome na fila de reclamacoes e sai de carro, um belo Skoda, em direcao a Dolni.....a 130 km por hora na autoestrada. E o cara ainda chegou a ir a 160 em alguns momentos.

2 horas depois cheguei aqui em Dolni, morto de cansado pela viagem, fuso, etc... e praticamente sem roupa. Felizmente trouxe parte das roupas como bagagem de mao. A noite, me disseram que minha bagagem chegaria em breve. Na manha seguinte, chega.... so a bagagem de roupas e cacarecos. A mala de esqui ficou no Charles de Gaulle, onde ate o momento permance. Parece que por conta do tempo, algo do tipo tempestade de neve, fez com que os funcionarios do aeroporto batessem cabeca e ate agora nem sinal da coitada. Felizmente, o pessoal emprestou alguns equipamentos para nao perder muito tempo, mas e algo extremamente chato.

Por enquanto e so, tenho que ir porque a fila para usar o computador e grande. Prometo tentar colocar fotos....assim que conseguir carregar a maquina porque infelizmente as tomadas aqui sao de dois pinos, so que bem profundas, de modo que o pino nao consegue entrar. Tentarei ilustrar mais tarde. Mas por aqui esta tudo bem e o tempo esta ajudando bastante.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Další zastávkou, Dolní Mísečky

É isso mesmo que esta escrito aí em cima. Como assim não entendeu? Bom, vamos explicar para aqueles que não conseguiram ler (todo mundo).

Uns 4 meses atrás, o pessoal da CBDN me perguntou se eu teria interesse em participar de um período de treinamento em Dolní Mísečky (com todos esses acentos aí). O programa faz parte do "FIS Aid & Promotion Cross Country Camp", que é um projeto da FIS para ajudar países que não tem centros de treinamento em seus respectivos países (pensei em fazer uma brincadeira com isso, mas acho que não ia ficar bem deixar em público).

Enfim, faz umas duas ou três semanas atrás me confirmaram neste centro de treinamento e lá vou eu para duas semanas que prometem, inclusive devo fazer minha estréia em competições oficiais da FIS no outro final de semana.

Como não levo o computador, as atualizações vão sendo de acordo com o período que puder acessar, mas sempre dêem...quer dizer deem (nova regra ortográfica) uma olhada no blog para saber as novidades. E vejam as fotos da viagem para Bariloche abaixo (cortesia de Sra. Mirlene).

Na shledanou (essa língua ainda vai me dar trabalho...)

domingo, 17 de agosto de 2008

Quando o "quase" é relativo

A prova de sprint do Brasileiro de Cross Country era para ser amanha, só que a pedido do pessoal do Centro de Esqui, ela foi antecipada. Como somos só três, é fácil alterar a data.

A prova é no estilo clássico, ou o mais antigo, onde o esqui desliza na neve para frente e nao "patina" como no estilo skating. Fazia mais de 2 anos que nao andava em um esqui clássico, a última vez foi no Campeonato de 2006 lá em Ushuaia. Logo, nao me parecia que seria algo memorável para mim. Como o Leandro nao anda muito de clássico, a disputa poderia ser um pouco mais apertada.

Antes da prova, para fazer uma rápida readaptaçao, andei um pouco no percurso, menos complicado do que em Ushuaia (que era curtinho e todo cheio de curvas), mas bem mais difícil porque tinha uma senhora subida, que também era usada no percurso de skating (aquele que eu descrevi abaixo).

De qualquer forma, pronto ou nao, lá fomos nós três (eu, Mirlene e Leandro) para 2 km de "pura adrenalina" (normalmente as provas sprint costumam ser muito disputadas pois sao em baterias com 6 esquiadores). O Leandro saiu logo na frente mas, para minha surpresa, consegui acompanhar durante algum tempo. Aí as pernas fraquejaram um pouco e, com duas quedas no meio do percurso (por conta de falta de equilíbrio nas curvas fechadas em descida) acabei ficando para trás. Porém, o resultado foi bem mais perto, já que o Leandro fechou em 7´11" e eu em 10´18", ou menos de 50% de diferença (bem melhor do que os quase 100% da prova de 15 km). Se descontar uns 30 segundos de cada queda, a diferença de performance foi ainda menor. A Mirlene chegou atrás de mim porque caiu no mesmo lugar do que eu (na segunda queda) e arrebendou a fixaçao da bota, o que fez com que ela descesse o morro sentada nos esquis para poder chegar com os dois (embora a regra permite que se chegue com apenas um).

Sim, foi por "pouco" que nao ganhei, mas fiquei bem satisfeito com o desempenho e com a minha técnica no esqui. Graças as dezenas de vídeos que eu baixei esse ano deu para copiar alguma coisa. Falta ainda para buscar a vitória, mas ao menos saí bem animado com o resultado.

Amanha começo a minha volta para casa (se a Aerolineas deixar), mas assim que conseguir as fotos com a Mirlene e com o fotógrafo do Centro, que tirou umas fotos da prova de 15 km eu coloco aqui.

Gracias y hasta luego.

sábado, 16 de agosto de 2008

Roberto, o Italiano

O hotel onde estou está a 4 km do centro de Bariloche: longe demais para caminhar, mas perto o suficiente para ir de ônibus. O problema é que, quando voltamos do Centro de Esqui, cadê a vontade de tomar banho e ir para o centro da cidade? Por isso, seguindo uma sugestao dos donos do hotel, conhecemos o restaurante italiano.... L´Italiano, que fica a uns 200 metros do hotel (metade deles em subida, por isso que as vezes vamos sem tomar banho mesmo).



O restaurante, como o nome sugere, é de um italiano, chamado Marco, mas nós o apelidamos de "Roberto" porque ele se parece com o ator Roberto Benigni, aquele do "A Vida é Bela". E nao é só na aparência que ele se parece: o cara é uma figuraça.

Ele veio de Torino (mundo pequeno esse, nao?) e montou o seu restaurante aqui em Bariloche há um ano. Ele tinha uma mercearia/açougue em Torino e, por conta de um amigo que mora em Buenos Aires, visitou Bariloche no início do ano passado. Se encantou com a cidade, vendeu o negócio dele e se mudou da Itália com toda a família (ou quase "Deixei a mae por lá", disse ele) para viver aqui em Bariloche. Segundo ele, "aqui se vive muito melhor", seja lá o que isso pode significar se tratando de Argentina e, como o negócio dele está dando certo, ele vai ficando.

De fato, nao tem como nao dar certo: ele faz quase tudo no restaurante, desde o atendimento até o marketing do restaurante. Só que ele faz mil coisas ao mesmo tempo, o que o torna a atraçao do lugar. Ele é capaz de dar "saúde" a um espirro meu, mesmo estando ele no andar debaixo do restaurante. Ou entao atender sentado para anotar os pedidos porque "por conta da cerveja artesanal que ele estava experimentando para passar a vender no lugar ele já estava meio alto". Mas, provavelmente, o sucesso dele também está no preço. Se a comida aqui já é barata, lá é ainda mais. Nao tem um prato de massa que custe mais do que 10 reais (20 pesos), embora alguns dos pratos estejam semi-prontos (aqui também existe o esquema de comprar no restaurante e comer em casa). Porém, mesmo essas comidas sao muito boas, o que faz com que mesmo em uma quinta feira à tarde tenha gente almoçando no restaurante (como nós, por exemplo). Claro que nao se pode dizer que o negócio dele decolou, mas já tem uma clientela fiel.

Nao fomos na noite em que ele comemorou o 1o aniversário do lugar, que teve música ao vivo (inclusive tocando Paralamas!!) contratada e pescados "de alta qualidade", mas parece que a noite foi boa porque no dia seguinte, quando fomos almoçar ainda estavam lavando o andar de cima porque a casa estava cheia até tarde da noite.

Enfim, tem maluco para tudo nessa vida, mas é muito divertido conhecer esses doidos ao redor do mundo. Só que, embora ele possa ser meio extravagante, a única coisa que nao se pode falar dele é que ele é bobo. Recomendo para todos que venham para cá comer no restaurante dele.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

El Director

Essa nao aconteceu exatamente comigo, mas acabei participando indiretamente, como vocês vao ver. Uma das vantagens do blog é que se pode aguardar um pouco para contar a história toda, já que até ontem nao tinha entendido nada.

Como já expliquei, além das provas do Brasileiro de Cross Country, tambem tem provas de Biathlon acontecendo aqui. Para quem nao sabe, o Biathlon junta esqui e tiro. Tiro lembra militares. Portanto, nao é surpresa que todos os praticantes de Biathlon do Chile e da Argentina (todos mesmo) sejam militares.

Logo, o Sulamericano que está acontecendo aqui conta com a participaçao de Chile, Argentina, Estados Unidos, Espanha (como convidados) e o Brasil, com o Leandro e a Mirlene, que chegaram aqui antes. Eles estavam na Escola Militar como convidados (veja fotos abaixo da Escola), participaram de um seminário, e estava fazendo tudo de acordo com o regulamento interno. Aliás, o Sulamericano por sua vez faz parte dos jogos militares de inverno, juntando o útil com o agradável.

Só que um Venezuelano (parece até que é perseguiçao, mas fazer o quê se o infeliz é de lá), que está começando a esquiar, e é todo atrapalhado, resolveu entrar na sala do diretor da Escola e começou a ameaçar com processo e tudo mais o que tem direito porque nao foi inscrito nas provas, onde a responsabilidade era dele mesmo de ter feito isso. O tal diretor, sei lá porquê, achou que o Leandro e a Mirlene também estavam reclamando, e quando o Leandro foi fazer um comentário antes da prova de 15 km de cross country (aquela que eu participei), parece que o diretor ficou uma fera (pelos comentários dos seus subalternos, ele parece ser, digamos, esquentadinho) e, para acalmar os ânimos, o pessoal da Federaçao Argentina pediu para que o Leandro fosse até ele para agradecer por poder participar das provas e que ele e a Mirlene estariam se retirando para um hotel naquela noite mesmo.

Advinhem qual foi o hotel que eles foram? Exatamente, o mesmo onde estou ficando este período. Dessa forma, o Le Charme (que parece nome de motel da Av. Brasil, mas é um hotel família, eu garanto, as fotos abaixo comprovam) acabou virando a base brasileira para as provas de Cross Country. Nao sei se é possível imaginar a minha surpresa quando, ao chegar no hotel naquela noite eu ouvi a notícia dos donos do hotel que os dois estavam indo para lá.



Enfim, dois dias depois o tal diretor foi conversar com o Leandro, oferecendo novamente o quartel para voltarem a dormir por lá. Como já tinham pago o hotel antecipadamente, nao era mais preciso, mas ao menos voltamos a ir e vir com a van dos chilenos que era oferecida gratuitamente pelos militares argentinos para subirem até o Centro (por dois dias fomos de carona com outros ou tivemos que pagar para alguém nos levar até lá). Mas, mesmo assim, quando entramos no dia seguinte na van, um dos argentinos militares que estavam lá veio perguntar se o diretor tinha realmente permitido porque ele nao tinha recebido ordem alguma, pois o diretor falou diretamente com o Leandro e ninguém tinha coragem de perguntar para o tal diretor se ele realmente tinha autorizado que nós voltássemos a usar o transporte militar oficial.

Depois eles ainda se perguntam (e se lamentam) que perderam as Malvinas...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A Rotina

Nao é a primeira vez que venho a Bariloche. A primeira vez foi em 1995 e, de uma certa forma, acabou sendo uma forte influência para estar por aqui hoje. Como já conheço a regiao, nao tem lá muita graça ver tudo de novo, ainda mais sozinho. Por essas e outras, nao me "resta" muita coisa a nao ser treinar.

Os dias aqui foram e serao bastante parecidos. Acorda-se cedo (para os padroes de Bariloche, já que o sol só sai nessa época depois de 8 horas) para pegar a carona até o Centro Nórdico que fica no caminho terrestre até o Cerro Otto (a outra forma de chegar no Cerro é de teleférico). Considerando que o Cerro está a uns 1400 metros de altitude, digamos que o Centro Nórdico fique por volta dos 1300 metros, o que é uma altura considerável pelo fato de Bariloche estar por volta dos 800 metros.

O caminho até o Centro é uma estrada de terra péssima, que quando neva/chove fica impraticável (o uso de correntes nos pneus é quase obrigatório). As fotos abaixo ilustram bem a situação.



A estrada tem 6 kms desde a entrada, que fica em uma das avenidas em Bariloche (uns 3 kms do hotel) e no meio do caminho tem o Centro de Piedras Brancas, que seria uma espécie de Cerro Catedral primitivo (quem sobe até lá sabe o motivo da comparaçao), onde o foco é mais para os principiantes.

Até agora já cheguei no Centro de várias formas: táxi (que custou uma fortuna e foi quase um desperdício no primeiro dia, pois nao estava a par da complicaçao e do esquema que é feito para ir e voltar de lá), pick-up e van, este último o mais comum. Subimos junto com a delegaçao chilena que também está aqui competindo, pois a van deles tem um lugarzinho sobrando. Um consolo, como dá para ver nas fotos abaixo é que a paisagem do caminho é interessante, o que ajuda a distrair dos trancos e solavancos. O lago é o Nahuel Huapi, que fica ao lado da cidade de Bariloche (e, obviamente, também fornece água, vinda das montanhas).




Chegando lá temos por volta de duas horas para treinar, exceto quando tem provas (no próximo post eu explico melhor), quando o retorno é logo após o término das mesmas. Como a pista é muito exigente, essas duas horas acabam sendo quase ideais, porque o esforço é grande.

A volta, sempre pela estradinha de terra, esburacada e saltitante, sao mais 40 minutos até voltar ao hotel. Pode parecer pouco, mas nessa brincadeira, saindo as 8 da manha do hotel, voltamos (sim, voltamos como se verá em breve) por volta de 1 da tarde, tempo para tomar banho, almoçar e descansar um pouco. Por conta dessa localizaçao horrivel, ninguém volta a tarde para a treinar, o que às vezes é bom e outras ruim (no meu caso, seria bom se tivesse mais tempo para treinar), mas acabamos sempre nos ocupando, seja vindo ao centro (e atualizando o blog) para comprar comida, seja encerando os esquis para os dias seguintes.

Quando se vê, já está na hora de jantar e voltar para o hotel, e ver um pouco das Olimpíadas, tanto pelo canal argentino quanto pela Bandeirantes de Vitória/ES (nao perguntem o porquê, e nem quero saber como conseguem). E nao dá para dormir tarde porque no dia seguinte é tudo de novo.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

É... Completei

Se estou escrevendo isso é porque sobrevivi, na verdade até que estou me sentindo muito bem para quem passou sofrendo 1h35min. Porém, foi complicado, muito complicado.

Fazendo um pequeno resumo do que era a prova: além de ser uma prova válida pelo Brasileiro de Cross Country, essa prova faz parte dos Jogos Sulamericanos Militares de Inverno, que nao é bem uma espécie equivalente de Jogos Olímpicos porque só tem militares participando e agregados, como nós, brasileiros e civis.

Além de mim e o Leandro, tem também a Mirlene que está participando. Os dois também vieram porque nessa semana também tem as provas de Biathlon que eles competem (na verdade eu é que vim por conta do calendário deles). Por isso, as provas nao foram em Ushuaia, onde é um pouco mais plano, como descrito no post abaixo.

Dessa forma, no meio de outras 30 pessoas participando, lá fui eu com o número 23 (largada dos competidores separada por 30 segundos) para fazer os tais 15km. E o ruim de se estar um nível abaixo dos outros é que se tem que dar passagem para todo mundo que vem atrás de você. Isso em uma pista onde mal cabe um andando nela. Abaixo, uma foto minha "arrepiando" por uma das descidas da pista. Como diria um personagem da tirinha "Os Bichos" - "o que importa é a atitude".


Enfim, a prova inteira foi sofrida. O fato de ter andado só dois dias atrapalhou, claro, mas com certeza o resultado nao seria muito diferente por conta das subidas, principalmente das duas mais difíceis, onde se nao tomar cuidado você acaba descendo a ladeira, quando deveria ser o contrário. Os marcadores ao longo do percurso, para evitar espertinhos, tentavam animar o tempo todo, mas quando se está dando o máximo, fica difícil conseguir ânimo para seguir. Mas, aos trancos e barrancos, com algumas quedas (uma espetacular em descida em alta velocidade no meio da segunda volta, ainda bem que é neve e nao saí com nenhum arranhao) e ao final da segunda volta todos já tinham completado, exceto eu. E ainda tinha mais uma volta (a primeira foi feita em 30 minutos e a segunda em 32:30).

Como estava sozinho, resolvi tomar meu tempo, assim antes das piores subidas eu segurava para tomar fôlego para superar a subida e depois recuperar um pouco mais na descida. Só que as pernas já nao respondiam tanto na descida e freiar começou a ficar meio complicado. No final da última subida, um voluntário que estava no topo dela me perguntou: "Água?", no que eu respondi "3o segundos", que eram mais importante do que qualquer bebida naquele momento.

No fim, com todos me aguardando (para poder fazer a premiaçao) cheguei exausto. O que eu achei estranho é que, apesar de todo o esforço, durante o resto do dia estava bem melhor do que em outras provas que já participei (talvez ter corrido por 4 horas no X-Terra tenha me dado alguma imunidade), inclusive encerei os esquis para andar hoje.

E o pior é que, apesar de todo o sofrimento, eu ainda quero voltar lá e andar todos os dias até a volta. Como diria aquele famoso personagem "De novo!!!".

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Subidas y Bajadas

Depois de um primeiro dia onde nada deu muito certo, finalmente consegui entrar em contato com o Leandro, que também está aqui para a competiçao. A propósito, a competiçao desta terça e da próxima segunda sao válidas pelo Brasileiro de Esqui Cross Country (vejam aqui o folder da prova). Nesta terça sao 15 km estilo livre (mas que todo mundo anda em estilo "skating", como já expliquei antes) e teoricamente é algo relativamente fácil.

Teoricamente. O problema é que o circuito simplesmente nao tem trechos planos, ao contrario de Ushuaia e Caviahue. O percurso maior, de 5km é assim. Partindo de uma passarela, onde tem a casa de cronometragem (1a foto) e o stand de tiro para o pessoal do biathlon (2a foto), já tem uma subida razoável (3a foto), uma leve descida, outra leve subida, outra descida forte, com final em curva, e a segunda subida mais complicada (4a e 5a fotos), subindo uns 30 metros com algumas partes (pequenas) planas.



Chegando no topo (1a foto abaixo), começa a descida, sempre com curvas fechadas (2a e 3a fotos abaixo), até chegar a uma reta onde se ganha muita velocidade. Até aqui sao 2km.

Depois de um par de subidas e descidas curtas e em curva, tem uma subida mais forte (próximas fotos), que vira uma descida curta e, o grande desafio, uma subida monstruosa que começa um pouco mais tranquilo e vai piorando cada vez que se chega ao topo.



Chega? Nada, tem a descida até o ponto de partida, íngreme, estreita (como aliás a pista toda, mal cabe um esquiador) e cheia de curvas fechadas, daquelas em que se tem que freiar o tempo todo para quem nao esta acostumado. Assim, depois de agradáveis 5km se retorna ao ponto de partida, por esse caminho da foto abaixo.


Sei que a descriçao pode nao ser exatamente algo fácil de se visualizar, agora acreditem que ela é muito difícil. A perna chega totalmente bamba tanto por conta da subida quanto da descida, quando se deveria descansar. Isso sem falar no esforço da subida, onde o batimento vai lá em cima (como se fosse um treino de intervalo após o outro).

E eu vou ter que fazer isso 3 vezes!

Cadê a Imprensa?

Chegar em Bariloche teoricamente deveria ser mais fácil do que em Caviahue ou Ushuaia, mas pelo visto a Aerolineas gosta que nos tenhamos fortes emoçoes.

Depois de chegar em Buenos Aires, fazer o translado entre aeroportos e ficar 4 horas esperando pelo vôo (que saía as 5:30 da manha), assistindo as Olimpíadas, versao argentina, numa TV ligada no aeroporto (e dando umas cochiladas, sabe como é, TV, madrugada, som baixo...), embarquei no vôo para Bariloche.

5:50 o aviao decolou e estava tudo correndo como previsto. Até que, 10 minutos depois da decolagem, surge a voz do comandante que diz: "Parece que temos um problema com o trem de pouso e vamos ter que voltar ao aeroporto". 10 minutos mais tarde, eis o comandante de novo "Sobrevoamos o aeroporto e parece que o trem de pouso nao recolheu, por conta disso vamos passar 30 minutos gastando combustível (!!!!) e depois vamos pousar na pista auxiliar".

Como assim, gastando combustível?

Enfim, depois de alguns instantes tentando entender o que se passava, olhei para tras e todos estavam cansados e dormindo. O cara do meu lado estava roncando (literalmente), o aeromoço estava andando como se nada tivesse acontecido, e eu estava morto de cansado. Nessa hora eu relaxei, pelo visto nao era nada demais mesmo. E nao foi, porque pousamos como se nada tivesse acontecido (ou o comandante era MUITO bom), trocamos de aviao e finalmente embarcamos para Bariloche.

So nao entendo onde estava a imprensa, que gosta de registrar todo e qualquer problema com um aviao que tenha brasileiros (e eu nao era o único). Eu queria dar meu depoimento e registrar meus momentos "angustiantes", assim nao tem graça.

domingo, 10 de agosto de 2008

Mi Bariloche querida!!

Mais um ano e depois de uma ausência deste blog (que só é atualizado quando há assunto), estamos de volta. Como esse ano nao tem triathlon aqui na Argentina (a situaçao esta feia), temos o Brasileiro de Cross Country, que vai ser aqui em Bariloche (aliás, como dá para notar, já estou aqui). Enfim, a pista é difícil, e ainda tem muito o que falar por aqui. Vamos atualizando aos poucos, hasta luego.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Epílogo: "El Apagón"

Pensa que acabou? Nada. Normalmente, a prova significa o fim da viagem. Só que dessa vez nao foi o que aconteceu. Saí correndo para tomar banho, arrumar a mala e pegar o ônibus até Neuquen (numa caçada de gato e rato pela cidade que se contar ninguém acredita). Chegamos no aeroporto, ainda em reformas (parece familiar?), fizemos o check-in e aguardamos, aguardamos, aguardamos (parece mais familiar?). Quando veio a notícia: o aviao que eu ia para Buenos Aires, lá pelas 8 da noite, estava ainda chegando em Buenos Aires. Ou seja: ele ainda ia voltar para Neuquen para ir novamente para Buenos Aires.

O que se seguiu vocês adivinharam: pessoas aglomeradas no balcao da Aerolineas, reclamaçoes (xingamentos nao cheguei a ouvir, mas também nao fiquei tao perto assim), ranger de dentes, espera em um dos dois únicos lugares abertos no aeroporto (o bar/restaurante, o outro era a loja de conveniência). No final, embarque depois das 11 da noite, chegada em Buenos Aires la pela 1 da madrugada e ainda ia dormir em um albergue porque o vôo para o Brasil estava marcado para meio-dia.

Ou seja: as vezes a grama do vizinho nao está tao verde assim.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

2o Campeonato Argentino de Winter Triathlon (ou Foi tudo perfeito, exceto...)

O que dizer quando a neve está perfeita, o tempo melhor ainda (até um calorzinho no meio da manha) e tudo está a seu favor? Exceto que nao há desculpas para o desempenho. Certo, tem a altitude (1700 metros já nao é algo que nao dá para nao sentir), mas nao explica muito do resultado.

Resumindo a prova, já que o resultado nao foi exatamente o que estava pensando. Na hora da largada estava eu, concentrado, crente que tinha feito tudo certo, com aquele "friozinho" na barriga típico de quem estava confiante. Mas durou mesmo só até a largada.

Aliás, dica número 1 para largadas: se alguem começar a correr antes de você, mesmo que ainda nao tenham gritado "zero", vá atrás. Fui bancar o honesto porque na contagem regressiva estavam falando ainda o um e os "colegas" partiram e eu refuguei achando que iam mandar voltar. Quando vi, nao abortaram largada nenhuma e tinha caído para o fundo do pelotao em menos de 10 segundos.

Mesmo assim, estava confiante, era so a largada, nao ia ficar entre os primeiros mesmo, era só manter o ritmo planejado e pronto. "Só" isso. Bom, depois da primeira reta, deu para notar que nao era bem assim. Lá fui eu ficando para trás, e mais, e mais.... de fato nao estava me sentindo bem durante a corrida e as subidas nao ajudaram muito (aliás, a corrida foi no mesmo trecho do esqui, aquele que tinha aquela subida escondida - ver post abaixo). De tal modo que, na hora da transiçao, tinha feito em um ritmo próximo do que tinha feito no ano passado, que nao tinha subidas, mas era um pouco mais longo.

Assim, fui eu pedalar na minha Mt.Bike de primeira linha. E, para a minha surpresa a neve estava um asfalto de tao dura. Parecia asfalto. Entretanto, por ser próximo ao lago, o trecho de Mt. Bike tinha muito vento, o que sem ninguém para revezar fazia diferença (e muita, dado quando o pessoal me ultrapassava eu via a diferença). Tirando um trecho pequeno onde a neve estava um pouco mais fofa, o resto passou muito rápido e saí para o esqui até me sentindo um pouco melhor, mas sabendo que estava um pouco atrás (alias, quando fui esquiar, o vencedor já tinha completado a prova).

Enfim, chegou a parte do cross country e suas subidas. Desnecessário comentar como foi as subidas. Foram três voltas bastante desgastantes. Ao menos, por conta da prova, a máquina que montou e alisou a pista fez um bom trabalho e tornou a subida (e a descida) menos perigosa, o que nao impediu que eu caísse algumas vezes.

Na chegada (bem atrás), embora novamente nao fosse o último, cheguei festejado pelos colegas, o Fabian, que ganhou no ano passado e o Daniel, italiano que dividiu o chale (junto com os outros estrangeiros) comigo. Vendo os tempos da prova, deu para notar que, independente do tempo nas duas primeiras partes, a classificaçao foi decidida mesmo na parte do esqui, o que significa que ainda tenho muito o que remar...

No fim, olhando para a prova, alguns pontos a destacar: evitar de treinar, mesmo que leve, antes da prova, ajuda (principalmente se estiver em altitude); esqui nao é só andar no plano, tem que treinar muita subida; e tentar sempre melhorar o condicionamento tanto no ciclismo quanto no mountain bike, porque nesse caso, pode fazer diferença para começar o esqui mais descansado.

Valeu pela experiência, mas bem que poderia ter ido um pouco melhor por conta das condiçoes espetaculares da prova.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Últimos Preparativos

Com a corrida chegando, estava na hora de começar a acertar os últimos detalhes. Esqui, OK. Botas, OK. Tênis, OK. Bicicleta....é, isso ainda não. Como eu já comentei que a cidade é, aham, pequena, achar um lugar onde tivesse algo no mínimo igual a que eu andei em Ushuaia já seria muito bom.

Surpreendentemente, veio algo melhor ainda: depois de uma tentativa frustrada com um outro local que participa de provas de trenó de cachorro (em inglês, joring), o filho do motorista (aquele mesmo que me levou para Caviahue) tinha uma Merida muito acima da média. Duro foi conseguir pegá-la para treinar. Era sempre "amanhã" (os tchecos a essa altura não paravam de gozar com o "amanhã"). No final das contas, somente na quinta (a prova era no sábado) consegui dar umas voltas.

Enquanto isso, lá ia eu tentar andar o máximo com os esquis na pista, ainda não alisada, para a prova (veja na foto abaixo onde, por exemplo, seria o lugar do ciclismo, na quarta-feira). No meio do caminho encontrei meus colegas de Ushuaia, Fabian e Ricardo, que chegaram uns 2 dias antes. Desta vez, não saímos todos juntos porque eles vieram equipados de van, parte da família e treinador novo, mas foi legal revê-los.


Assim, chegou a sexta-feira, e talvez o maior susto antes da prova. Não, não foi nenhum tombo. Foi mais ou menos por volta do meio-dia. Estava eu dando um giro no que eu achava que era a volta completa de esqui. Quando cheguei para um dos organizadores e perguntei qual era o traçado. Ele foi descrevendo "sobe por ali, desce por aqui, passa por detrás do bosque, vai até o hotel....". Como assim, até o hotel? "É, vai subindo por ali e continua subindo". Resumo da história, como só montaram o traçado na véspera com o trator empurrando a neve para dentro do asfalto, alguém montou um caminho que passava por trás do bosque e ia parar no estacionamento do hotel onde estávamos (veja aonde na foto abaixo, mais para a esquerda). E como a subida é a pior parte na hora de subir E de descer, se a descida for íngreme (o que era o caso), o ideal é treinar exaustivamente o trecho. Nesse caso a subida ia até mais ao alto do que antes, e descia como se fosse uma montanha russa em dois morros, sendo que no final uma curva apertada à direita mostrava que tinha que ter um mínimo de técnica para não se esborrachar na neve. E eu teria que fazer isso 3 vezes....


Desse jeito, fomos para o congresso técnico/coletiva de imprensa, onde após algumas discussões sobre direitos militares, voltamos para o chalé, jantamos e, no meu caso, ainda tive que passar uma cera melhorzinha no meu esqui, já que qualquer coisa é melhor do que nada, o que era o caso.




E "vamos que vamos".................

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Caviahue, a cidade dos turistas (literalmente)

Quando ouvi falar em Caviahue, a primeira impressão foi algo do tipo "cidade a beira de uma estação de esqui", algo como Aspen, guardadas as devidas proporções. Ao chegar lá tomei um susto: não em relação à "estação de esqui" pois, de fato, o lugar fica a beira de uma estação de esqui e vive basicamente disto, mas em relação ao "cidade".

Como se descreveria um lugar onde você atravessa em 5 minutos de norte a sul ou de leste a oeste? Mercadinhos, uns 3 com muito boa vontade. Hospital, um e sabe-se lá o que tem. Caixas eletrônicos? Não, CAIXA eletrônico (e ainda assim nem sempre ele está on-line). Internet só funciona bem se (eu falei "se") as duas antenas funcionam ao mesmo tempo, senExistem mais leitos para turistas do que habitantes na cidade. Ushuaia é megalópole em relação a Caviahue. "Ovo" seria um elogio ao descrever o tamanho do lugar.

(Ia me esquecendo, a cidade mais próxima, Copahue, só funciona no verão. No inverno ela é uma cidade fantasma)

Não que a paisagem seja feia. Vejam abaixo as fotos e vocês vão ter uma idéia do que eu estou falando. Mas as araucárias... digamos que me soam familiar, geneticamente falando.

Em resumo, o lugar é bonito, quase paradisíaco (sob o ponto de vista invernal), mas falta um pouco de, digamos, "charme". Mas é o preço que se paga pelo fato dela ter somente 20 anos de existência.

O principal ponto é que, por conta disso, a estrutura para treino é bastante ruim. Uma pista para cross country não existe, e foi criada somente para a competição no meio de casas abandonadas (durante o inverno não há como construir nada, sendo obrigados a deixar tudo parado por meses). Ou seja, quem está engatinhando no esporte (meu caso) sofre, e muito, com esse tipo de dificuldade.












Mesmo assim, pode-se dizer que os treinos foram bem, já que consegui até ensaiar alguns passos em V2 (o passo básico da técnica livre é o V1). Ao menos a minha prancha deslizante do Rio serviu para alguma coisa. Aguardemos a corrida.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Cadê a #%@#%@#% do esqui que estava aqui?

Como cheguei segunda-feira de madrugada, fácil imaginar que o resto do dia foi basicamente para descansar. Saí para correr com a Sarka por uns 30 minutos, e nem dava para fazer mais do que isso, já que o tempo estava horroroso, nevando muito, ventando muito. Valeu por experimentar meus tênis que seriam usados na corrida.

Aliás, as duas primeiras noites não foram das mais, digamos, privativas, já que fiquei dividindo o mesmo quarto com meus colegas tchecos (fazer o quê).

Na terça, o tempo melhorou e fomos os três correr de manhã. Se deu para perceber alguma coisa é que 1500 metros de altitude já são alguma coisa, principamente para quem não estava no mesmo nível de preparação dos outros. Enfim, quem está na neve é para passar frio e sofrer com a altitude e fomos no lema 'vamos que vamos'....

Antes do almoço, nos encontramos com o Daniel, o italiano que ganhou a prova de Ushuaia esse ano (atual número 5 do ranking) e que seria o nosso companheiro no chalé que a organização alugou.

À tarde, fomos todos fazer um pouco de turismo. Já que a cidade fica na boca do vulcão 'mais ou menos' adormecido (nos últimos 100 anos anda tranquilo, como da para ver na foto), fomos ver algo diferente. Para fechar com chave de ouro, levamos os esquis para fazer um enorme treino de descida. Só não seria perfeito porque fazia praticamente 1 ano que eu não botava os pés em um par de esquis, mas indo devagar e sempre, quem sabe? (ledo engano)





Assim, subimos em um pequeno trator (snow track para os que conhecem, veja foto abaixo)...

... e fomos até a região conhecida como "Las Maquinas", porque o vapor que saía da terra parece uma fábrica antiga (fotos abaixo). Lá também tem uma piscina de água quente, que eu não me aventurei porque sabia que vinha chumbo grosso para o meu lado na hora da descida, mas o lugar é muito bacana.







Então, para tentar adiantar a minha vida, comecei a me equipar para tentar lembrar como é que se esquiava na neve mesmo. Calcei as botas, peguei os bastões, peguei um dos esquis e.... cadê o outro? Como todos os esquis estavam do lado de fora do snow track e, o mesmo estava em subida...e o meu era o único que não tinha um prendedor (já que era alugado), um deles resolveu ficar pelo caminho.

Um misto de apavorado e preocupado comecou a tomar conta de mim e já estava pensando no prejuízo. Os outros três já começaram a descida desde o início, e eu lá no snow track, olhando para tudo quanto é canto pelo esqui desaparecido (mais um pouco e eu ia começar a gritar perguntando por ele, ao melhor estilo 'mãe do Calvin'). Lá pela metade da descida, lá estava ele, fincado na neve (os outros três tinham visto antes e deixaram bem a mostra), e finalmente consegui descer de esqui.

Nesse momento, resolvam a seguinte equação: alguém totalmente destreinado + sozinho no meio da estrada (no verão, quando a neve derrete é uma estrada) + temperatura esfriando (mais) por conta do fim do dia + se recuperando do susto da quase perda do esqui = .... Sem mais comentarios.

Claro que a descida não foi completamente sozinha. O motorista do snow track ia atrás "acompanhando" a minha descida (isso porque ele ainda teve que parar algumas vezes), mas ainda assim foi coisa meio de maluco. Se tivesse acompanhando os outros, com certeza teria um pouco mais de segurança na hora da descida, mas paciência, o intensivão serviu para me reaclimatar com o esqui. Cheguei com o sol quase se pondo (apesar de ser inverno, o sol lá se põe relativamente tarde) e todo mundo me esperando.

A vida em Caviahue não ia ser fácil.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

John Wayne da Patagônia

Pois é, cheguei tranquilo em Neuquen, ou melhor, no aeroporto de Neuquen, já que a cidade fica um pouco afastada (embora o que seja cidade é algo meio relativo, porque as casas são todas espalhadas). Viagem relativamente tranquila, já que não precisei mofar no aeroporto, a exceção ficou por conta do translado Ezeiza-Aeroparque, algo do tipo Galeão-Santos Dumont. Como meu vôo estava quase em cima da hora, tive que pegar um taxi para chegar com alguma folga, mas com isso consegui jantar, o que foi algo muito bom considerando as horas seguintes.

Só que, se a viagem fosse tranquila, não seria uma viagem minha. Faltava a segunda parte: a ida de carro até Caviahue.

Problema 1: Ao chegar no aeroporto, encontrei com o motorista que ia levar eu mais um casal de tchecos (Ivo e Sarka, esta última invicta nas provas de Triathlon de Inverno no Hemisfério Sul). Logo, chegamos no carro que ia nos levar: um Renault 21 para 1 motorista, 3 acompanhantes, 3 malas, 2 sacolas de esqui....e 2 malas enormes com 1 bicicleta dentro de cada uma!

Acerta daqui, acerta dali, já estava vendo a hora em que eu ia espirrar do carro (inferioridade numérica). Mas, felizmente, os tchecos conseguiram entender a situação (eles estavam apavorados com um medo - compreensível - das malas cairem do carro, afinal de contas eles não estão acostumados com o 'jeitinho argentino') e lá fomos nós por volta de 10:30 da noite andar 3 horas de carro.

O trajeto é, digamos, monótono, mas a estrada ao menos é razoável. Tirando o vento, que é forte, lá fomos nós, estrada fora bem sozinhos (sem falar de apertados, eu no banco da frente com a minha mala embaixo das pernas com um movimento mínimo). E lá íamos nós, passando por uma cidade vazia, uma reta grande, outra cidade vazia, outra reta gran.., outra cidade... zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz, outra cidade vazia, outra reta grande. Enfim, deu para notar o TÉDIO que foi por quase 3 horas.

O 'quase' ficou pelos últimos 30 ou 40 minutos. O vento apertou de tal forma que numa hora começou a voar tudo quanto é tipo de natureza morta, inclusive aqueles 'rolinhos' de galhos que aparecem em filmes do Velho Oeste. No que fez o nosso motorista soltar a pérola:

- Olha só, John Wayne!!

De fato, analizando friamente (e tempo foi o que não faltou na viagem) e considerando que:

1) Estávamos no meio do nada
2) A vegetação era totalmente árida
3) A principal atividade do lugar era a extração de petróleo

De fato, só faltava o próprio John aparecer em um posto de gasolina, enquanto o carro era reabastecido.

Mas embora o vento assustasse, o que me fez entender um pouco a situação do pessoal que pedala lá em Kona, o que realmente assustou foi a subida da montanha até Caviahue. Isso porque, pela neve acumulada e pelo vento, a neve, devidamente congelada, começou a invadir a pista. E o nosso motorista andando como se estivesse quase normal, ou seja, muito mais rápido do que a prudência manda.

Já via as manchetes "Brasileiro sofre grave acidente na Argentina", "Carro desgovernado cai no meio da Argentina, brasileiro fica ferido". Enfim, lá fomos nós. Inacreditavelmente, e graças a um jogo de pneus apropriado para a situação (que só foi mostrado somente quando chegamos), chegamos a Caviahue lá pelas 2 da manhã, desejando uma cama para conseguir descansar.

E assim começou a semana...

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Proxima Parada: Caviahue

O primeiro destino deste blog será Caviahue. Uma lugar tão contramão quanto (talvez até mais do que) Ushuaia, mas também muito diferente e, segundo me contaram, até mais bonito. Isso só vendo.

A peculiaridade de Caviahue é que ela está situada próxima a um vulcão (extinto, claro) e próximo da cidade (muito pequena) fica um lago, onde vai ocorrer mais uma edição da ITU Pan-American Cup (chique, né?) de Triathlon de Inverno (ou Winter Triathlon para os chiques).

A idéia era fazer as duas etapas que vão ter na Argentina esse ano, sendo que a outra será no mesmo lugar em Ushuaia, mas por motivos de força maior só poderei estar em Caviahue, e mesmo assim tenho que voltar rapidinho, em virtude de outros compromissos.

Além do lugar, outra coisa que será novidade para mim é a altitude. Tudo bem que são alguma coisa acima dos 1.000 metros (entre 1.000 e 1.500, quando chegar lá eu descubro), mas para quem sempre correu a vida inteira no nível do mar, faz alguma diferença no rendimento, embora não signifique que vai faltar ar, como se estivesse subindo o Everest.

Enfim, quando chegar lá eu conto as novidades do lugar.

Mudança de Endereço (definitivo)

Well....Torino 2006 já é passado, Ushuaia faz quase um ano, mas as aventuras na neve ainda não acabaram, então estava na hora de fazer algo mais, digamos, genérico.

Aqui, neste blog, ficarão a partir de agora os relatos de todas as minhas viagens geladas, que espero possam ser tão boas quanto foram as do ano passado.

Como era no outro blog, este também não tem necessidade de atualização freqüente, somente sendo usado quando realmente houver algo interessante de ser escrito, o que sempre acontece em uma viagem para um lugar diferente, o que vai acontecer em breve, como veremos acima.

Bom, é isso, espero que gostem.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Atenção: Limite de Fronteira

Para cima: Suando (no) Frio
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Para baixo: Correndo no(do) Fim do Mundo - Ushuaia 2006

terça-feira, 26 de junho de 2007

Matéria Go Outside (ou o que faz o pioneirismo)

Well....não sou muito chegado a essas coisas de aparecer na mídia, mas fui entrevistado pela GO OUTSIDE (bem grande porque o título parece que está quase mandando você fazer alguma coisa fora de casa rápido) e a reportagem, até bem grande, saiu na edição de Junho/07

Como a reportagem está na íntegra no próprio site da revista, vou postá-la aqui embaixo, mas o link (para quem nao clicou no título) para a versão original da reportagem é esse:

http://gooutside.terra.com.br/Edicoes/25/artigo52271-1.asp?o=r

Bom, segue a reportagem (daqui a pouco eu boto umas fotos minhas na prova que eu achei perdidas):

TÍTULO: Branco total

PREPARE-SE PARA CORRER, PEDALAR E ESQUIAR SOBRE A NEVE NUM TIPO DE TRIATHLON QUE COMEÇA A DESPONTAR PELAS BANDAS FRIAS DO SUL, ATÉ COM BRASILEIRO NA JOGADA (MARILIN NOVAK) (OBS: O Brasileiro sou eu)

OS ATLETAS GRINGOS COSTUMAM DIZER que o clima absurdamente quente do Brasil é um entrave quando eles competem por aqui. É a mesma agonia que um brasuca sente ao competir no triathlon de inverno, uma prova que tem o percurso inteirinho sobre a neve. Mas alguns brasileiros vêm descobrindo que o frio não chega a ser um adversário invencível.
O triathlon branco, como é chamado, nasceu na década de 1980, quando europeus e norte-americanos adaptaram as modalidades tradicionais do esporte para o terreno nevado. Há dez anos a União Internacional de Triathlon (UTI) oficializou a brincadeira, que agora tem grandes chances de fazer parte das Olimpíadas de Inverno em 2014. A primeira prova no hemisfério Sul aconteceu em 2005, em Ushuaia (Argentina).

(foto da reportagem)
ESQUENTA: São de 7 a 9 km de corrida, dependendo da quantidade de neve no dia

Um ano depois, o brasileiro Aldo Ramos decidiu aceitar o desafio, mesmo sem nenhuma experiência em cima dos esquis cross-country (menos famosos e usuais que os alpinos). Apesar de morar no calor do Rio de Janeiro, o carioca é apaixonado por esportes de neve e já trabalhou como staff em duas Olimpíadas de Inverno. Nas suas andanças geladas, ele descobriu o triathlon de inverno e dourou a idéia de correr até 2006, quando finalmente conseguiu competir. Ele chegou em 17º lugar, de 25 pessoas que largaram e apenas 20 que terminaram sem corte de percurso.

Mas antes de encarar o chão branco, o triatleta treinou na orla carioca. Isso mesmo: de roller ski nos pés (um esqui com rodinhas) ele conta ter protagonizado um dos maiores micos do verão tropical. "Quando eu colocava os esquis no aterro [do Flamengo] me sentia extremamente constrangido, de tão fora de contexto que estava." O excesso de pessoas nas ruas e a irregularidade do terreno também não colaboraram com os treinos. Para compensar, ele seguiu a dica da organização e fez um curso rápido na neve antes da largada. Segundo Christian Atance, diretor da MCD Sports, que organiza os eventos na Argentina, qualquer pessoa consegue terminar a prova se tiver aulas intensivas focadas no cross-country duas semanas antes do evento.

(foto da reportagem)
COLCHONETE: A única vantagem de pedalar na neve é que o tombo não machuca

A princípio, o percurso do triathlon de inverno parece tranqüilo - a categoria elite corre de 7 a 9 km (dependendo da quantidade de neve no dia e da geografia do terreno), depois pedala entre 12 e 14 km e por último encara a estrela da prova, o esqui cross-country, de 10 a 12 km.

Mas não se engane: o tempero da competição fica por conta do frio e da neve, que causa inevitáveis capotes. Se a neve está fofa, o biker tomba pra frente porque o chão simplesmente engole a roda dianteira. Já quando a neve está dura e lisa, bem, nem precisa explicar o show de patinação.

Se mesmo assim seus pés coçaram de vontade de topar com a neve, ainda dá tempo de se inscrever. A primeira etapa da Copa Pan- Americana de 2007 (também válida como 3ª etapa do campeonato sul-americano) acontece dia 25 de agosto, em Ushuaia (Argentina).

Uma semana depois (1º de setembro) acontece mais uma prova em Caviahue, também na Argentina. Ambas contam pontos para o ranking internacional e Aldo estará lá de novo.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

2o Campeonato Sulamericano de Triathlon de Inverno – Ushuaia 2006 (ou “Aonde eu fui me meter...”)

(Sábado, 19 de Agosto) Vou avisando logo, está longo, por isso está dividido em partes para quem quiser pular um ou outro assunto.

Antes da Prova – Dizer que estava ansioso era exagero, mas depois de quase acordar algumas vezes durante a noite, acabei saindo da cama meia hora antes do despertador tocar. Aproveitei para começar a tomar meu café-da-manhã no quarto com o que tinha comprado na véspera, porque a ordem do dia era conseguir armazenar o máximo de energia para a prova. Afinal de contas, além do esforço que eu já estava acostumado, ainda tinha o frio para aumentar o gasto de energia.

Chegando no local da prova, em Tierra Mayor, a imagem não era das melhores: quase nada estava montado e o tempo não estava nada bom para que a largada fosse feita ao meio-dia. Como tinha nevado durante quase 36 horas sem parar, a organização não conseguiu arrumar muita coisa durante a noite, pois pouco tinha sido arrumado desde quando eu saí de lá no dia anterior.

O resultado foi que houve a necessidade de atrasar em 30 minutos o horário da largada. O que foi bom por alguns motivos: 1 – Porque consegui almoçar (leia-se comer um prato de massa) com calma, as 10:30, 2 – Porque deu para fazer, com calma, uns ajustes na bicicleta para deixá-la um pouco mais parecida com uma de competição, mudando o selim que eu comprei (bem barato e foi uma ótima idéia), instalando finca-pés no pedal (boa idéia mas não deu muito certo) e botando um porta garrafa no quadro (boa idéia mas péssimo resultado, como voces vão ver abaixo) e 3 – Porque deu tempo para encerarem meus esquis, apesar da correria que foi por conta do número de esquis (não era o único que estava meio órfão em relação a cera). Para que vocês tenham uma idéia, os esquis foram encerados em um cubículo atrás da cozinha, entre uma ligação de celular e perguntas sobre aonde estava a carne. Super organizado.

A essa altura, já estava próximo do meio-dia e a neve deu um tempo, o que já não fazia muita diferença porque, apesar da máquina de compactar neve continuar sendo passada, pelo circuito, a pista ainda estava muito fofa por conta da quantidade de neve que caiu. Lembram que eu tinha dito dois posts atrás que tudo o que NÃO precisava era que caísse neve? Pois é, imaginem como eu fiquei preocupado nessa hora, faltando poucos minutos para a largada, ao tentar me aquecer na bicicleta e experimentar como estava a pista de mt. bike, quando, apesar de estar na relação de marcha mais baixa possível, eu mal conseguia me manter em pé com a bicicleta.

No link abaixo, a foto tirada momentos antes da prova (notem a cara de conteúdo).

http://www.tierradelfuego.org.ar/webcam/anteriores.php?imagen=20060819-26

O jeito foi tentar lembrar de que estava ruim para todo mundo (mas quem tinha experiência sabia se safar melhor do que eu) e tentar me aquecer no circuito da corrida a pé aonde, mesmo com a pista não tão dura, pelo menos eu tinha noção de como não afundar na neve.

Assim, pouco antes de 12:40, sem sol e pouco vento, foi dada a largada.

Corrida (8 km) – O circuito a pé era um caminho de 2 km de ida e volta que tinha que ser feito duas vezes. Logo após a largada havia uma curva para a esquerda, uma descida suave e um riacho que, por conta da neve que caiu, não estava firme o suficiente para correr sobre a neve. O resultado foi que o pessoal que saiu correndo na frente quase se afogou no riacho por conta do entusiasmo e por achar que dava para atravessar correndo. Para quem estava vendo de trás, foi muito engraçado. Aliás, esse era o principal problema durante a corrida, principalmente nos primeiros 2 km: como a neve não estava firme o suficiente, sempre ficava o medo de afundar o pé na neve e encharcar o tênis de água muito mais do que fria. E durante toda a prova, teve trechos que não tinha jeito: por mais que evitasse, não dava para não molhar os pés. Pode-se pensar que isso pode ser muito prejudicial para o resto da prova, mas como o corpo todo está quente (e eu estava ainda um pouco mais agasalhado), e os pés são um dos extremos do corpo, até que ajudava a manter a temperatura corporal menos alta e, assim, suar menos. E o problema de suar é que, por mais sintético que a roupa seja, ficar com a roupa molhada de cara para o vento é sinônimo de doença na certa.

De qualquer forma, consegui encontrar um ritmo confortável e completei a corrida de, pelo que disseram, 8 km em pouco menos de 40 minutos. Fraco se comparado ao tempo que eu faço no asfalto (uns 5 minutos a menos para a mesma distância), mas considerando as condições climáticas foi bastante razoável. Além do mais, isso não foi exclusividade minha, basta ver os tempos na classificação.

Transição 1 – Diante da torcida local (que assim como no domingo anterior também estava torcendo como se fosse morador da cidade), fui para a área de transição e pegar a bicicleta. Antes de montar, tinha que fazer um S para sair da transição e entrar no circuito propriamente dito, como em qualquer prova de triathlon. Só que, ao chegar na linha marcada o pessoal dizia “Vai empurrando”, simplesmente porque estava impraticável pedalar pelos primeiros 200 metros. Dessa forma, só consegui montar muito a frente da linha demarcada.

Ciclismo - Mountain Bike (12 km) – O problema é que, durante o primeiro quilômetro, a neve simplesmente estava muito fofa para ficar em pé. Ainda mais para quem não estava acostumado, como eu. Por isso, quando eu achava que ia aproveitar para ultrapassar alguns que estavam na minha frente, ocorreu exatamente o oposto. Como não tinham muitos atrás de mim (tinham uns 40 na prova principal, que eu participei, e uns 25 na prova ‘promocional’ que tinha distância menor) felizmente para o psicológico foi bom não ser ultrapassado muitas vezes.

O circuito de mt. bike tinha supostamente 4 km, em forma de laço (como se costuma dizer, mas como se fosse um circuito de autódromo) e um parte em subida mais tranqüila e uma descida forte. Na descida da primeira volta, vejo o campeão do ano passado, o Frederico Cícero, caminhando com a bicicleta e abandonando a prova. Menos um. Mas durante boa parte da volta, o que eu mais me preocupava era em não cair ou ter que empurrar a bicicleta. Infelizmente, não evitou que eu caísse umas duas vezes e tivesse que saltar da bicicleta outras tantas. E não eram quedas do tipo “desequilíbrio porque tentava montar/sair na bicicleta enquanto ela estava parada”, eram mais do tipo “estava andando a uma velocidade x e na hora em que a neve ficava mais fofa, a bicicleta enterrava na neve e eu era projetado para frente”. Como estava na neve, saí sem um arranhão de todas as quedas.

No final da volta, a neve estava mais compacta e dava para acelerar um pouco mas qual não foi minha surpresa de ver que demorou 20 minutos para completar 4 km, quase a mesma média a pé.

Nas duas voltas seguintes a neve firmou um pouco e criou um trilho, igual àqueles que têm na Fórmula 1, onde se saísse dele era quase certo de ter que saltar da bicicleta. Isso ainda não impediu que caísse mais algumas vezes e a corrente saltasse duas vezes, mas pelo menos as voltas foram um pouco mais rápidas (embora não tanto quanto gostaria).

Vale a pena comentar que já tinha se passado mais de 90 minutos de prova e, embora estivesse com a garrafa na bicicleta, não havia hipótese de tentar tirar do quadro para me hidratar porque tinha que estar 100% concentrado na pista. Apesar de não ter me hidratado ainda não estava me sentindo exausto (como aconteceu depois) porque o fato de estar mais concentrado em não cair fazia com que eu não desse o meu esforço máximo. Isso, somado ao fato de que no frio se sente menos vontade de beber água, só me fez lembrar de que eu ainda não tinha tomado nada no final da terceira e última volta.

Transição 2 – Ao chegar na área de transição, a primeira coisa foi tirar a garrafinha da bicicleta e me hidratar. Líquido mais gelado impossível. Depois foi botar as botas e andar até a linha demarcada para montar nos esquis. Nessa hora, o fato de ter treinado essa transição alguns dias antes ajudou a evitar que eu perdesse tempo demais, mas não evitou que eu esquecesse o capacete na hora em que fui esquiar. Uma das senhoras que estava cronometrando no momento de sair com os esquis perguntou se eu queria deixar o capacete com ela e entreguei de muito bom grado e lá fui eu para a parte (supostamente) mais fácil.

Esqui Cross-Country (10 km) – O circuito de esqui era um pouco menor que o de ciclismo (3,3 km) e seguia no sentido oposto, o que significava uma subida muito forte e uma descida mais suave. Teoricamente, com a neve mais fofa, seria a parte mais fácil. Afinal de contas, passei os 10 dias anteriores treinando técnica, estava em condições de ir bem nessa etapa.

Porém, o dia não estava ajudando. Durante a parte de ciclismo, a temperatura mudou e começou a ventar mais forte. Isso fez com que a pista de esqui ficasse mais dura e torná-la muito mais parecida com gelo. No início da volta, o vento estava a favor, mas com as pernas totalmente cansadas e os esquis não respondendo ao gelo, toda a suposta técnica foi para o espaço. Logo na primeira subida eu vi que ia acabar completando a prova era na raça mesmo. E um pouco antes de completar a volta, o vento contra simplesmente me fazia parar no meio da pista.

Tentando de tudo para continuar me movendo, mudava o estilo de esquiar, usando só os bastões para tentar me cansar menos, mas os braços também já não estavam mais ajudando. No início da terceira volta resolvi parar no meio da pista para comer uma barra de cereal que eu tinha guardado em um dos bolsos para emergências, porque só assim ia conseguir completar a prova. E, inacreditavelmente, ainda ultrapassei duas pessoas durante a parte de esqui.


Enfim, depois de 2 horas e 37 minutos (mais ou menos), consegui cruzar a linha de chegada, mais morto do que vivo, mas feliz. Foi duro, muito duro, mas valeu muito a experiência.

Ah, meus colegas de hotel, o Fabian e o Ricardo, destruíram o pelotão e fizeram, com sobras, a dobradinha da prova.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Fim da Linha

(Sexta-feira, 18 de agosto) Faltando um dia para a prova, a última coisa que se deve fazer é treinar, muito embora até que não acharia ruim esquiar um pouco mais para 'apurar' a técnica, se é que isso é realmente possível no meu caso, mas como já estava lá fazia algum tempo, até que um dia de folga antes da prova não seria de todo ruim.

Então, aproveitando que meus colegas de quarto Fabian e Ricardo, mais o técnico deles, o Luiz, alugaram um carro para dar um giro por Ushuaia, lá fomos nós até o lugar onde a estrada acaba. Não, não é força de expressão, não é aqueles lugares onde você vai e não tem saída, porque nesses casos você pode voltar e pegar outra estrada para ir ao sul, ao norte, a leste, a qualquer outro lugar.

Isso porque a Ruta Nacional n°4, que começa lá por Buenos Aires, simplesmente acaba na Baía Lapataia, e não há como seguir adiante porque dalí para baixo só tem água. Ou seja, a Baía Lapataia é o lugar mais ao sul na Terra que uma pessoa por ir de carro. OK, tem a Antártida, mas lá só tem trator e motoneve. Para quem sempre sonhou ir sempre mais ao sul depois de chegar em Santa Catarina, não deixa de ser um sonho realizado.

Chegar lá, no entanto, é uma aventura, principalmente quando é inverno e está nevando. Sim, porque foi só desejar que não nevasse que começou a nevar de forma absurda desde de manhã. E a estrada, a partir de um certo momento, deixa de ser asfalto para virar terra, embora bem cuidada em muitos trechos.

Dentro do parque não há muitas indicações (aliás, chegar ao parque também é um pouco confuso, pelo menos só tem uma estrada), você vai andando pela estrada fora bem sozinho e vez ou outra tem uma placa dizendo "Baia Lapataia, tantos kms". As curvas no caminho, no entanto, deixam qualquer etapa do WRC (O Campeonato Mundial de Rally) morrendo de inveja, o que ajudou a passar um pouco a tensão de imaginar o que poderia acontecer se o carro quebrasse, afinal de contas, éramos nós isolados e nada mais.

Entre mortos e feridos, chegamos até a Baia Lapataia. Mas pelo visto ela não estava de bom humor. Poucos metros antes, o sol tinha aparecido, não ventava e parecia que o tempo ia melhorar (deu até para parar e tirar umas fotos do parque). Parecia. Quando chegamos (como se pode ver pelas fotos abaixo), o tempo estava muito feio, misturando vento frio com um esboço de neve. Éramos nós, algumas lebres, e o frio...ah, sim, e a placa que parecia indicar "daqui vocês não passam".

Isso fez com que nossa estada durasse pouco mais do que 15 minutos por alí, mas apesar de tudo foi muito legal. Entramos correndo no carro e voltamos para a cidade. De lá, fomos até Tierra Mayor, onde demos uma volta no percurso a pé, verificando que a neve já estava bem fofa, e vimos que o tempo não ajudou muito a organização a montar a estrutura para a prova.

Quando voltamos para a cidade, anoitecendo (e lá anoitece com extrema rapidez) a nevasca piorou muito, o que fez com que o retorno fosse a 20km/h, com MUITO cuidado e a visibilidade fosse próxima de zero, e não é força de expressão. Eu já imaginava as manchetes "Brasileiro sofre acidente contra um caminhão na Argentina". Felizmente, a estrada estava vazia e só quem realmente precisava andar lá se meteu nessa roubada. Depois, fomos ao nosso 'jantar de massas' em um restaurante local e ir para a cama, porque o dia seguinte seria bastante longo.

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Mira mamá....

Antes de entrar no assunto de hoje, tinha esquecido de contar uma das atividades principais daqui de Ushuaia. Eu iria ignorar nao fosse pelo fato de que meu trabalho é exatamente sobre isso. Entao, resumindo, uma das atividades daqui é o porto, onde há o transporte de conteineres. Embora ainda nao tenha descoberto o motivo, desconfio que tem alguma coisa a ver com o fato de que a cidade fica mais ou menos na fronteira entre os Oceanos Atlântico e Pacífico. A conferir. Inclusive tem um barco brasileiro que está enferrujando a mais de três anos aqui por conta de dívidas. O navio está abandonado e chegou inclusive a ficar em deriva depois de uma tempestade.

Mas voltando a falar da corrida. Como dá para se imaginar, a cidade é bastante tranquila. Por isso, os jornais falam de qualquer evento que esteja acontecendo. E, por esse motivo, uma etapa do Campeonato Fueguino que eu participei só poderia ocupar uma página inteira (formato tablóide) em uma cidade assim. Tendo dois brasileiros disputando uma prova de esqui também é mais do que motivo para aparecer no jornal local, de modo que meu nome aparece durante a reportagem.

Isso já era esperado. O que NAO era esperado foi a notícia que apareceu no outro jornal da cidade, o "Tiempo Fueguino", sobre o triathlon de sábado. Nao só meu nome aparece, como ainda me inclue dentro das personalidades que tiveram resultados de nível mundial e que estao participando da prova, junto com a tcheca que vai participar da prova feminina e de um dos meus colegas de hotel, que ganhou várias provas na regiao. Logo eu, que mal sabia esquiar na técnica clássica quando cheguei. Enfim, já foi publicado e, felizmente, ficou só na versao impressa, porque nao aparece na internet. Fica como recordaçao.

Sobre a prova, já nao há mais o que treinar. Agora é descansar e esperar a prova, que vai ser no sábado ao meio-dia, o que significa que vou ter que almoçar lá pelas 10 da manha, mais ou menos como o pessoal do ciclismo profissional na Europa. Confesso que nao estou nervoso (se bem que essa notícia me deixou um pouco mais preocupado em nao fazer muito feio) mas espero que corra tudo bem. Nos últimos dias aproveitei para correr e pedalar um pouco na neve, para sentir a diferença. A coisa funciona mais ou menos assim: se a neve estiver fofa, correr se torna um belo sacrifício e pedalar fica impossível, se ela fica mais dura (ou compacta) fica mais ou menos como asfalto, só que com menos impacto.

Para a prova, mesmo que passem a máquina mil vezes, se estiver nevando na hora nao há muito o que fazer. Se nao nevar, nao chover e a temperatura se mantiver assim, dá para andar bem nos dois primeiros trechos, enquanto que o esqui fica parecendo estar deslizando no gelo, caso nao passem nenhuma máquina para deixar a neve um pouco menos dura.

Por isso, a expressao "preparar o terreno" tem um significado todo especial para a prova de Triathlon de Inverno. Nao sei como está o nível do resto da prova, mas se conseguir chegar no meio da classificaçao (parece que devem ter umas 60 pessoas participando), já vai ser uma grande vitória.

A próxima atualizaçao já vai ser no Rio porque o meu vôo parte umas seis horas depois do final da prova e, com calma, vai dar para contar como foi a experiência.