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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Ramsau: a Meca dos Esquiadores Nórdicos





Como eu já comentei nesse post em Janeiro, os noruegueses são fanáticos pelo esqui cross country. Porém, para eles, os esquis fazem parte da cultura, como uma forma de sair de casa sem congelar (muito) e fazer alguma atividade física no inverno. Agora, quem quiser treinar de verdade, Ramsau é o lugar, mais ou menos como Boulder é conhecido pelos triatletas. Por dois motivos: o primeiro é que no inverno tem uma estrutura de pistas fantástica, que é praticamente todo dia refeita, faça sol ou faça neve. O segundo motivo é que, quando não está nevando na cidade, tem uma geleira lá em cima que funciona o ano inteiro (quer dizer, quase o ano inteiro porque eu fui tentar ir até lá em cima pelo teleférico e descobri que está fechado durante o mês de dezembro até o Natal) onde eles montam as pistas de esquis e serve como treino para várias equipes antes de começar a temporada. Em resumo, um bom lugar para vir durante o ano todo para quem gosta de esquiar. Ah sim, estamos também a mais de 1100 metros de altitude, o que ajuda ainda mais para quem está treinando.

Nossa localização, novamente, é estratégica, embora aqui não seja lá grande vantagem, já que a estrada toda acompanha as pistas de neve. Basta cruzarmos a rua que já estamos na pista. 
Do outro lado da rua. Quem dera se fosse assim no Rio...
A única 'desvantagem', já que na vida tudo tem seu preço, é que aqui temos que pagar. Fica um senhor no meio do cruzamento das pistas com um scanner, bilhetes e troco para os "esquecidos". No primeiro dia consegui 'escapar', porque ele não me parou e eu não sabia quem ele era, mas no segundo não teve jeito. Não que eu esteja reclamando, afinal de contas aquilo que é bem cuidado merece ser pago.

A pista leva ao estádio, onde a maioria das pessoas acabam treinando porque é onde tem espaço (aliás, bastante, já que em outros lugares mal o estádio é tão pequeno que mal dá para fazer um treino decente de técnica) e uma subida mais forte (a única também) para treinar intervalos. O mais relevante de tudo é que aqui tem gente, provavelmente não igual a uma estação de esqui alpino, mas o suficiente para você não se sentir um estranho isolado de todo mundo.

Alguns "colegas" na pista
O lugar onde estamos também é legal, pois quem é o "dono" do lugar é um húngaro chamado Charlie que faz biathlon e é conhecido do pessoal. Ele alugou esse chalé de uma outra pessoa que trabalha na fábrica da Salomon (ver post abaixo) e está dando uma reformada para deixa-lo temático. O lugar se chama "Cha(r)let" (cliquem no link para ver as fotos do lugar ou vejam aqui embaixo).



















Um pouco de humor de biathlon/cross country

De minha parte, estou tentando treinar sem me matar, já que a minha prova está logo ali, então não tem porque ficar me matando. Infelizmente não posso fazer treinos muito pesados, embora o lugar seja bem propício para fazer, logo estou tentando me focar na parte técnica, onde dá para ganhar algum tempo fazendo menos esforço. Enfim, veremos como vai ser.

Em tempo: como a minha prova vai ser no sábado e de lá vai ser uma correria até chegar no Brasil na segunda de manhã, não esperem muitas atualizações por aqui até o Natal. Espero poder botar tudo em dia quando estiver em casa novamente... e espero ter boas notícias para escrever até la.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

De onde vêm os esquis?

Saímos de St. Ulrich para Ramsau, onde vamos ficar alguns dias antes da próxima prova, que até o momento de sair de St. Ulrich achávamos que era em Bad Goisern. O trajeto é bem interessante, recheado de vales, árvores que no verão devem ficar azuis de tão verdes, castelos, e outros pontos turísticos. O mais curioso durante a viagem foi ver que havia diferentes limites de velocidade nas estradas vicinais para carros, caminhões e... tanques (talvez ainda mais surpreso pelo fato de saber que os tanques podem andar a mais de 70km/h).

No meio do caminho, fizemos uma parada estratégica em Alternmarkt, onde fica a fábrica das marcas Atomic e Salomon. O motivo era que o Leandro renovou o estoque de esquis dele e comprou 10 pares novos, 5 de skating e 5 de clássico. Comprando na fábrica, depois de alguns contatos, o precinho é mais camarada (ainda assim não saiu barato, acreditem).


Infelizmente não pudemos entrar para ver como são feitos os esquis, mas pelo que me foi dito não perdi lá grande coisa. Ficamos na parte do depósito e finalização dos esquis. Essa parte de finalização é o que faz com que se tenha uma quantidade infinita de esquis para cada esquiador, pois a quantidade de bases não são muitas (4 ou 5 no máximo). Esses aparelhos verdes embaixo fazem o tal do "grinding", ou seja, para uma mesma base do esqui, é possível fazer microranhuras no esqui para que ele fique adaptado para neve dura, neve fofa, neve abaixo de -10o C, neve entre -10o e -7oC (por exemplo), neve nova, neve "velha", etc, etc, etc... É só fazer uma combinação simples entre alguns desses fatores e é possível ver porque existe um arsenal de esquis para cada esquiador profissional de nível internacional.

Local onde é feito o "grinding" ou preparação da base para várias condições de neve
Local onde aparentemente é feito o teste de peso dos esquis

Só uma amostra do que estava no depósito. Infelizmente não dão amostras grátis.
Ter um esqui desses é inútil se não houver uma fixação para você encaixar a bota. E todos os esquis do Leandro estavam sem fixação. Então, o representante da fábrica disse que ele poderia botar todas as fixações nos esquis novos sem custo, mas a princípio seria ele que teria que montar todas as fixações. Depois do tempo gasto pelo Leandro para tentar botar a fixação em um dos esquis (seriam 20 montagens), o rapaz viu que nós só sairíamos dali lá pelas 7 da noite e acabou fazendo o resto em menos de 30 minutos.

Leandro montando a fixação no esqui. Foi a única que ele fez.
Tudo pronto, esquis prontos, levamos os esquis novos para o carro, onde surgiu um pequeno problema (na verdade nós já sabíamos desde que saímos de St. Ulrich): onde botar mais 10 pares de esqui em um carro que já estava lotado. O problema começou quando o carro foi alugado. Foi pedido que tivesse um rack para poder botar os esquis em cima, abrindo (bastante) espaço para botar o resto da bagagem. Porém, como sempre, o pessoal da locadora (Hertz, só para o registro) disse que o carro não estava disponível, e acabamos por andar em um outro sem esse bagageiro de cima. Considerando que os esquis são bastante compridos, a ponto de avançar pelo banco de trás, vejam como ficou a situação do porta-malas. Gostaria de lembrar que haviam três pessoas no carro.

Acho que ficou cheio...
O resultado foi que, tirando o motorista, os outros dois andaram durante uns 30 minutos com duas bolsas enormes no colo. O mais curioso é que, no início da viagem, quando fomos comprar o selo para botar no carro (que funciona como pedágio na Áustria) a moça perguntou se nós tínhamos o colete fluorescente que é obrigatório de ter durante em todos os carros na Europa, sendo que corríamos o risco de ser multado caso fôssemos parados por algum policial. Não fazíamos a menor ideia se tinha dentro do carro ou não, agora imaginem o trabalho que ia dar para tirar tudo isso só para ver se o colete estava lá...

Fim de viagem, chegamos em Ramsau, tiramos tudo do carro, checamos o e-mail e... fomos informados de que a prova de Bad Goisern foi cancelada e transferida para outro lugar. Uma chance para tentarem advinhar aonde vai ser a prova de sábado?