(Sábado, 19 de Agosto) Vou avisando logo, está longo, por isso está dividido em partes para quem quiser pular um ou outro assunto.
Antes da Prova – Dizer que estava ansioso era exagero, mas depois de quase acordar algumas vezes durante a noite, acabei saindo da cama meia hora antes do despertador tocar. Aproveitei para começar a tomar meu café-da-manhã no quarto com o que tinha comprado na véspera, porque a ordem do dia era conseguir armazenar o máximo de energia para a prova. Afinal de contas, além do esforço que eu já estava acostumado, ainda tinha o frio para aumentar o gasto de energia.
Chegando no local da prova, em Tierra Mayor, a imagem não era das melhores: quase nada estava montado e o tempo não estava nada bom para que a largada fosse feita ao meio-dia. Como tinha nevado durante quase 36 horas sem parar, a organização não conseguiu arrumar muita coisa durante a noite, pois pouco tinha sido arrumado desde quando eu saí de lá no dia anterior.
O resultado foi que houve a necessidade de atrasar em 30 minutos o horário da largada. O que foi bom por alguns motivos: 1 – Porque consegui almoçar (leia-se comer um prato de massa) com calma, as 10:30, 2 – Porque deu para fazer, com calma, uns ajustes na bicicleta para deixá-la um pouco mais parecida com uma de competição, mudando o selim que eu comprei (bem barato e foi uma ótima idéia), instalando finca-pés no pedal (boa idéia mas não deu muito certo) e botando um porta garrafa no quadro (boa idéia mas péssimo resultado, como voces vão ver abaixo) e 3 – Porque deu tempo para encerarem meus esquis, apesar da correria que foi por conta do número de esquis (não era o único que estava meio órfão em relação a cera). Para que vocês tenham uma idéia, os esquis foram encerados em um cubículo atrás da cozinha, entre uma ligação de celular e perguntas sobre aonde estava a carne. Super organizado.
A essa altura, já estava próximo do meio-dia e a neve deu um tempo, o que já não fazia muita diferença porque, apesar da máquina de compactar neve continuar sendo passada, pelo circuito, a pista ainda estava muito fofa por conta da quantidade de neve que caiu. Lembram que eu tinha dito dois posts atrás que tudo o que NÃO precisava era que caísse neve? Pois é, imaginem como eu fiquei preocupado nessa hora, faltando poucos minutos para a largada, ao tentar me aquecer na bicicleta e experimentar como estava a pista de mt. bike, quando, apesar de estar na relação de marcha mais baixa possível, eu mal conseguia me manter em pé com a bicicleta.
No link abaixo, a foto tirada momentos antes da prova (notem a cara de conteúdo).
http://www.tierradelfuego.org.ar/webcam/anteriores.php?imagen=20060819-26
O jeito foi tentar lembrar de que estava ruim para todo mundo (mas quem tinha experiência sabia se safar melhor do que eu) e tentar me aquecer no circuito da corrida a pé aonde, mesmo com a pista não tão dura, pelo menos eu tinha noção de como não afundar na neve.
Assim, pouco antes de 12:40, sem sol e pouco vento, foi dada a largada.
Corrida (8 km) – O circuito a pé era um caminho de 2 km de ida e volta que tinha que ser feito duas vezes. Logo após a largada havia uma curva para a esquerda, uma descida suave e um riacho que, por conta da neve que caiu, não estava firme o suficiente para correr sobre a neve. O resultado foi que o pessoal que saiu correndo na frente quase se afogou no riacho por conta do entusiasmo e por achar que dava para atravessar correndo. Para quem estava vendo de trás, foi muito engraçado. Aliás, esse era o principal problema durante a corrida, principalmente nos primeiros 2 km: como a neve não estava firme o suficiente, sempre ficava o medo de afundar o pé na neve e encharcar o tênis de água muito mais do que fria. E durante toda a prova, teve trechos que não tinha jeito: por mais que evitasse, não dava para não molhar os pés. Pode-se pensar que isso pode ser muito prejudicial para o resto da prova, mas como o corpo todo está quente (e eu estava ainda um pouco mais agasalhado), e os pés são um dos extremos do corpo, até que ajudava a manter a temperatura corporal menos alta e, assim, suar menos. E o problema de suar é que, por mais sintético que a roupa seja, ficar com a roupa molhada de cara para o vento é sinônimo de doença na certa.
De qualquer forma, consegui encontrar um ritmo confortável e completei a corrida de, pelo que disseram, 8 km em pouco menos de 40 minutos. Fraco se comparado ao tempo que eu faço no asfalto (uns 5 minutos a menos para a mesma distância), mas considerando as condições climáticas foi bastante razoável. Além do mais, isso não foi exclusividade minha, basta ver os tempos na classificação.
Transição 1 – Diante da torcida local (que assim como no domingo anterior também estava torcendo como se fosse morador da cidade), fui para a área de transição e pegar a bicicleta. Antes de montar, tinha que fazer um S para sair da transição e entrar no circuito propriamente dito, como em qualquer prova de triathlon. Só que, ao chegar na linha marcada o pessoal dizia “Vai empurrando”, simplesmente porque estava impraticável pedalar pelos primeiros 200 metros. Dessa forma, só consegui montar muito a frente da linha demarcada.
Ciclismo - Mountain Bike (12 km) – O problema é que, durante o primeiro quilômetro, a neve simplesmente estava muito fofa para ficar em pé. Ainda mais para quem não estava acostumado, como eu. Por isso, quando eu achava que ia aproveitar para ultrapassar alguns que estavam na minha frente, ocorreu exatamente o oposto. Como não tinham muitos atrás de mim (tinham uns 40 na prova principal, que eu participei, e uns 25 na prova ‘promocional’ que tinha distância menor) felizmente para o psicológico foi bom não ser ultrapassado muitas vezes.
O circuito de mt. bike tinha supostamente 4 km, em forma de laço (como se costuma dizer, mas como se fosse um circuito de autódromo) e um parte em subida mais tranqüila e uma descida forte. Na descida da primeira volta, vejo o campeão do ano passado, o Frederico Cícero, caminhando com a bicicleta e abandonando a prova. Menos um. Mas durante boa parte da volta, o que eu mais me preocupava era em não cair ou ter que empurrar a bicicleta. Infelizmente, não evitou que eu caísse umas duas vezes e tivesse que saltar da bicicleta outras tantas. E não eram quedas do tipo “desequilíbrio porque tentava montar/sair na bicicleta enquanto ela estava parada”, eram mais do tipo “estava andando a uma velocidade x e na hora em que a neve ficava mais fofa, a bicicleta enterrava na neve e eu era projetado para frente”. Como estava na neve, saí sem um arranhão de todas as quedas.
No final da volta, a neve estava mais compacta e dava para acelerar um pouco mas qual não foi minha surpresa de ver que demorou 20 minutos para completar 4 km, quase a mesma média a pé.
Nas duas voltas seguintes a neve firmou um pouco e criou um trilho, igual àqueles que têm na Fórmula 1, onde se saísse dele era quase certo de ter que saltar da bicicleta. Isso ainda não impediu que caísse mais algumas vezes e a corrente saltasse duas vezes, mas pelo menos as voltas foram um pouco mais rápidas (embora não tanto quanto gostaria).
Vale a pena comentar que já tinha se passado mais de 90 minutos de prova e, embora estivesse com a garrafa na bicicleta, não havia hipótese de tentar tirar do quadro para me hidratar porque tinha que estar 100% concentrado na pista. Apesar de não ter me hidratado ainda não estava me sentindo exausto (como aconteceu depois) porque o fato de estar mais concentrado em não cair fazia com que eu não desse o meu esforço máximo. Isso, somado ao fato de que no frio se sente menos vontade de beber água, só me fez lembrar de que eu ainda não tinha tomado nada no final da terceira e última volta.
Transição 2 – Ao chegar na área de transição, a primeira coisa foi tirar a garrafinha da bicicleta e me hidratar. Líquido mais gelado impossível. Depois foi botar as botas e andar até a linha demarcada para montar nos esquis. Nessa hora, o fato de ter treinado essa transição alguns dias antes ajudou a evitar que eu perdesse tempo demais, mas não evitou que eu esquecesse o capacete na hora em que fui esquiar. Uma das senhoras que estava cronometrando no momento de sair com os esquis perguntou se eu queria deixar o capacete com ela e entreguei de muito bom grado e lá fui eu para a parte (supostamente) mais fácil.
Esqui Cross-Country (10 km) – O circuito de esqui era um pouco menor que o de ciclismo (3,3 km) e seguia no sentido oposto, o que significava uma subida muito forte e uma descida mais suave. Teoricamente, com a neve mais fofa, seria a parte mais fácil. Afinal de contas, passei os 10 dias anteriores treinando técnica, estava em condições de ir bem nessa etapa.
Porém, o dia não estava ajudando. Durante a parte de ciclismo, a temperatura mudou e começou a ventar mais forte. Isso fez com que a pista de esqui ficasse mais dura e torná-la muito mais parecida com gelo. No início da volta, o vento estava a favor, mas com as pernas totalmente cansadas e os esquis não respondendo ao gelo, toda a suposta técnica foi para o espaço. Logo na primeira subida eu vi que ia acabar completando a prova era na raça mesmo. E um pouco antes de completar a volta, o vento contra simplesmente me fazia parar no meio da pista.
Tentando de tudo para continuar me movendo, mudava o estilo de esquiar, usando só os bastões para tentar me cansar menos, mas os braços também já não estavam mais ajudando. No início da terceira volta resolvi parar no meio da pista para comer uma barra de cereal que eu tinha guardado em um dos bolsos para emergências, porque só assim ia conseguir completar a prova. E, inacreditavelmente, ainda ultrapassei duas pessoas durante a parte de esqui.
Enfim, depois de 2 horas e 37 minutos (mais ou menos), consegui cruzar a linha de chegada, mais morto do que vivo, mas feliz. Foi duro, muito duro, mas valeu muito a experiência.
Ah, meus colegas de hotel, o Fabian e o Ricardo, destruíram o pelotão e fizeram, com sobras, a dobradinha da prova.
segunda-feira, 21 de agosto de 2006
sexta-feira, 18 de agosto de 2006
Fim da Linha
(Sexta-feira, 18 de agosto) Faltando um dia para a prova, a última coisa que se deve fazer é treinar, muito embora até que não acharia ruim esquiar um pouco mais para 'apurar' a técnica, se é que isso é realmente possível no meu caso, mas como já estava lá fazia algum tempo, até que um dia de folga antes da prova não seria de todo ruim.
Então, aproveitando que meus colegas de quarto Fabian e Ricardo, mais o técnico deles, o Luiz, alugaram um carro para dar um giro por Ushuaia, lá fomos nós até o lugar onde a estrada acaba. Não, não é força de expressão, não é aqueles lugares onde você vai e não tem saída, porque nesses casos você pode voltar e pegar outra estrada para ir ao sul, ao norte, a leste, a qualquer outro lugar.
Isso porque a Ruta Nacional n°4, que começa lá por Buenos Aires, simplesmente acaba na Baía Lapataia, e não há como seguir adiante porque dalí para baixo só tem água. Ou seja, a Baía Lapataia é o lugar mais ao sul na Terra que uma pessoa por ir de carro. OK, tem a Antártida, mas lá só tem trator e motoneve. Para quem sempre sonhou ir sempre mais ao sul depois de chegar em Santa Catarina, não deixa de ser um sonho realizado.
Chegar lá, no entanto, é uma aventura, principalmente quando é inverno e está nevando. Sim, porque foi só desejar que não nevasse que começou a nevar de forma absurda desde de manhã. E a estrada, a partir de um certo momento, deixa de ser asfalto para virar terra, embora bem cuidada em muitos trechos.
Dentro do parque não há muitas indicações (aliás, chegar ao parque também é um pouco confuso, pelo menos só tem uma estrada), você vai andando pela estrada fora bem sozinho e vez ou outra tem uma placa dizendo "Baia Lapataia, tantos kms". As curvas no caminho, no entanto, deixam qualquer etapa do WRC (O Campeonato Mundial de Rally) morrendo de inveja, o que ajudou a passar um pouco a tensão de imaginar o que poderia acontecer se o carro quebrasse, afinal de contas, éramos nós isolados e nada mais.
Entre mortos e feridos, chegamos até a Baia Lapataia. Mas pelo visto ela não estava de bom humor. Poucos metros antes, o sol tinha aparecido, não ventava e parecia que o tempo ia melhorar (deu até para parar e tirar umas fotos do parque). Parecia. Quando chegamos (como se pode ver pelas fotos abaixo), o tempo estava muito feio, misturando vento frio com um esboço de neve. Éramos nós, algumas lebres, e o frio...ah, sim, e a placa que parecia indicar "daqui vocês não passam".
Isso fez com que nossa estada durasse pouco mais do que 15 minutos por alí, mas apesar de tudo foi muito legal. Entramos correndo no carro e voltamos para a cidade. De lá, fomos até Tierra Mayor, onde demos uma volta no percurso a pé, verificando que a neve já estava bem fofa, e vimos que o tempo não ajudou muito a organização a montar a estrutura para a prova.
Quando voltamos para a cidade, anoitecendo (e lá anoitece com extrema rapidez) a nevasca piorou muito, o que fez com que o retorno fosse a 20km/h, com MUITO cuidado e a visibilidade fosse próxima de zero, e não é força de expressão. Eu já imaginava as manchetes "Brasileiro sofre acidente contra um caminhão na Argentina". Felizmente, a estrada estava vazia e só quem realmente precisava andar lá se meteu nessa roubada. Depois, fomos ao nosso 'jantar de massas' em um restaurante local e ir para a cama, porque o dia seguinte seria bastante longo.
Então, aproveitando que meus colegas de quarto Fabian e Ricardo, mais o técnico deles, o Luiz, alugaram um carro para dar um giro por Ushuaia, lá fomos nós até o lugar onde a estrada acaba. Não, não é força de expressão, não é aqueles lugares onde você vai e não tem saída, porque nesses casos você pode voltar e pegar outra estrada para ir ao sul, ao norte, a leste, a qualquer outro lugar.
Isso porque a Ruta Nacional n°4, que começa lá por Buenos Aires, simplesmente acaba na Baía Lapataia, e não há como seguir adiante porque dalí para baixo só tem água. Ou seja, a Baía Lapataia é o lugar mais ao sul na Terra que uma pessoa por ir de carro. OK, tem a Antártida, mas lá só tem trator e motoneve. Para quem sempre sonhou ir sempre mais ao sul depois de chegar em Santa Catarina, não deixa de ser um sonho realizado.
Chegar lá, no entanto, é uma aventura, principalmente quando é inverno e está nevando. Sim, porque foi só desejar que não nevasse que começou a nevar de forma absurda desde de manhã. E a estrada, a partir de um certo momento, deixa de ser asfalto para virar terra, embora bem cuidada em muitos trechos.
Dentro do parque não há muitas indicações (aliás, chegar ao parque também é um pouco confuso, pelo menos só tem uma estrada), você vai andando pela estrada fora bem sozinho e vez ou outra tem uma placa dizendo "Baia Lapataia, tantos kms". As curvas no caminho, no entanto, deixam qualquer etapa do WRC (O Campeonato Mundial de Rally) morrendo de inveja, o que ajudou a passar um pouco a tensão de imaginar o que poderia acontecer se o carro quebrasse, afinal de contas, éramos nós isolados e nada mais.
Entre mortos e feridos, chegamos até a Baia Lapataia. Mas pelo visto ela não estava de bom humor. Poucos metros antes, o sol tinha aparecido, não ventava e parecia que o tempo ia melhorar (deu até para parar e tirar umas fotos do parque). Parecia. Quando chegamos (como se pode ver pelas fotos abaixo), o tempo estava muito feio, misturando vento frio com um esboço de neve. Éramos nós, algumas lebres, e o frio...ah, sim, e a placa que parecia indicar "daqui vocês não passam".
Isso fez com que nossa estada durasse pouco mais do que 15 minutos por alí, mas apesar de tudo foi muito legal. Entramos correndo no carro e voltamos para a cidade. De lá, fomos até Tierra Mayor, onde demos uma volta no percurso a pé, verificando que a neve já estava bem fofa, e vimos que o tempo não ajudou muito a organização a montar a estrutura para a prova.
Quando voltamos para a cidade, anoitecendo (e lá anoitece com extrema rapidez) a nevasca piorou muito, o que fez com que o retorno fosse a 20km/h, com MUITO cuidado e a visibilidade fosse próxima de zero, e não é força de expressão. Eu já imaginava as manchetes "Brasileiro sofre acidente contra um caminhão na Argentina". Felizmente, a estrada estava vazia e só quem realmente precisava andar lá se meteu nessa roubada. Depois, fomos ao nosso 'jantar de massas' em um restaurante local e ir para a cama, porque o dia seguinte seria bastante longo.
quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Mira mamá....
Antes de entrar no assunto de hoje, tinha esquecido de contar uma das atividades principais daqui de Ushuaia. Eu iria ignorar nao fosse pelo fato de que meu trabalho é exatamente sobre isso. Entao, resumindo, uma das atividades daqui é o porto, onde há o transporte de conteineres. Embora ainda nao tenha descoberto o motivo, desconfio que tem alguma coisa a ver com o fato de que a cidade fica mais ou menos na fronteira entre os Oceanos Atlântico e Pacífico. A conferir. Inclusive tem um barco brasileiro que está enferrujando a mais de três anos aqui por conta de dívidas. O navio está abandonado e chegou inclusive a ficar em deriva depois de uma tempestade.
Mas voltando a falar da corrida. Como dá para se imaginar, a cidade é bastante tranquila. Por isso, os jornais falam de qualquer evento que esteja acontecendo. E, por esse motivo, uma etapa do Campeonato Fueguino que eu participei só poderia ocupar uma página inteira (formato tablóide) em uma cidade assim. Tendo dois brasileiros disputando uma prova de esqui também é mais do que motivo para aparecer no jornal local, de modo que meu nome aparece durante a reportagem.
Isso já era esperado. O que NAO era esperado foi a notícia que apareceu no outro jornal da cidade, o "Tiempo Fueguino", sobre o triathlon de sábado. Nao só meu nome aparece, como ainda me inclue dentro das personalidades que tiveram resultados de nível mundial e que estao participando da prova, junto com a tcheca que vai participar da prova feminina e de um dos meus colegas de hotel, que ganhou várias provas na regiao. Logo eu, que mal sabia esquiar na técnica clássica quando cheguei. Enfim, já foi publicado e, felizmente, ficou só na versao impressa, porque nao aparece na internet. Fica como recordaçao.
Sobre a prova, já nao há mais o que treinar. Agora é descansar e esperar a prova, que vai ser no sábado ao meio-dia, o que significa que vou ter que almoçar lá pelas 10 da manha, mais ou menos como o pessoal do ciclismo profissional na Europa. Confesso que nao estou nervoso (se bem que essa notícia me deixou um pouco mais preocupado em nao fazer muito feio) mas espero que corra tudo bem. Nos últimos dias aproveitei para correr e pedalar um pouco na neve, para sentir a diferença. A coisa funciona mais ou menos assim: se a neve estiver fofa, correr se torna um belo sacrifício e pedalar fica impossível, se ela fica mais dura (ou compacta) fica mais ou menos como asfalto, só que com menos impacto.
Para a prova, mesmo que passem a máquina mil vezes, se estiver nevando na hora nao há muito o que fazer. Se nao nevar, nao chover e a temperatura se mantiver assim, dá para andar bem nos dois primeiros trechos, enquanto que o esqui fica parecendo estar deslizando no gelo, caso nao passem nenhuma máquina para deixar a neve um pouco menos dura.
Por isso, a expressao "preparar o terreno" tem um significado todo especial para a prova de Triathlon de Inverno. Nao sei como está o nível do resto da prova, mas se conseguir chegar no meio da classificaçao (parece que devem ter umas 60 pessoas participando), já vai ser uma grande vitória.
A próxima atualizaçao já vai ser no Rio porque o meu vôo parte umas seis horas depois do final da prova e, com calma, vai dar para contar como foi a experiência.
Mas voltando a falar da corrida. Como dá para se imaginar, a cidade é bastante tranquila. Por isso, os jornais falam de qualquer evento que esteja acontecendo. E, por esse motivo, uma etapa do Campeonato Fueguino que eu participei só poderia ocupar uma página inteira (formato tablóide) em uma cidade assim. Tendo dois brasileiros disputando uma prova de esqui também é mais do que motivo para aparecer no jornal local, de modo que meu nome aparece durante a reportagem.
Isso já era esperado. O que NAO era esperado foi a notícia que apareceu no outro jornal da cidade, o "Tiempo Fueguino", sobre o triathlon de sábado. Nao só meu nome aparece, como ainda me inclue dentro das personalidades que tiveram resultados de nível mundial e que estao participando da prova, junto com a tcheca que vai participar da prova feminina e de um dos meus colegas de hotel, que ganhou várias provas na regiao. Logo eu, que mal sabia esquiar na técnica clássica quando cheguei. Enfim, já foi publicado e, felizmente, ficou só na versao impressa, porque nao aparece na internet. Fica como recordaçao.
Sobre a prova, já nao há mais o que treinar. Agora é descansar e esperar a prova, que vai ser no sábado ao meio-dia, o que significa que vou ter que almoçar lá pelas 10 da manha, mais ou menos como o pessoal do ciclismo profissional na Europa. Confesso que nao estou nervoso (se bem que essa notícia me deixou um pouco mais preocupado em nao fazer muito feio) mas espero que corra tudo bem. Nos últimos dias aproveitei para correr e pedalar um pouco na neve, para sentir a diferença. A coisa funciona mais ou menos assim: se a neve estiver fofa, correr se torna um belo sacrifício e pedalar fica impossível, se ela fica mais dura (ou compacta) fica mais ou menos como asfalto, só que com menos impacto.
Para a prova, mesmo que passem a máquina mil vezes, se estiver nevando na hora nao há muito o que fazer. Se nao nevar, nao chover e a temperatura se mantiver assim, dá para andar bem nos dois primeiros trechos, enquanto que o esqui fica parecendo estar deslizando no gelo, caso nao passem nenhuma máquina para deixar a neve um pouco menos dura.
Por isso, a expressao "preparar o terreno" tem um significado todo especial para a prova de Triathlon de Inverno. Nao sei como está o nível do resto da prova, mas se conseguir chegar no meio da classificaçao (parece que devem ter umas 60 pessoas participando), já vai ser uma grande vitória.
A próxima atualizaçao já vai ser no Rio porque o meu vôo parte umas seis horas depois do final da prova e, com calma, vai dar para contar como foi a experiência.
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terça-feira, 15 de agosto de 2006
Ushuaia, a cidade do...já sei, já sei!!!
Estando aqui há uma semana, acho que dá para fazer uma análise do que é a cidade de Ushuaia.
A primeira coisa que se percebe é o marketing sobre esse negócio da cidade ser considerada a cidade mais ao sul do mundo. É um tal de "Museu do Fim do Mundo", "Trem do Fim do Mundo", "Jornal do Fim do Mundo", "Mapa do Fim do Mundo", e por aí vai. O que as más línguas dizem é que Ushuaia NAO é a cidade mais ao sul do mundo. Tem uma cidade pequena no Chile que fica mais ao sul, mas sabe como é o marketing.
A cidade tem 60 mil habitantes e é muito tranquila, basta ver as manchetes "policiais" (para os padroes brasileiros): suicídio que aconteceu há três dias atrás, acidente na estrada, jovens baderneiros roubam algumas garrafas de um bar. E só. O que nao quer dizer que seja uma cidade vibrante ou ao menos em crescimento. Tudo aqui é muito simples: as casas, as ruas, os lugares turísticos. Enfim, nao tem nada daquele negócio de ficar explorando turista.
Ushuaia começou como um presídio, assim como a Austrália, e pelos mesmos motivos (inclusive, a Austrália foi modelo para Ushuaia) mesmo que o ladrao quizesse fugir, nao tinha muito para aonde ir. A prisao foi encerrada em 1947 por conta dos maus tratos que faziam aos presos aqui (além de ser mais uma canetada política do governo Perón) e hoje tem um museu que tem tanto a história do presídio quanto sobre a fauna marinha da regiao, incluindo uma réplica do que foi o chamado "Farol do..." bom, deu para notar o padrao das coisas (mas o farol nao ficava aqui em Ushuaia). O museu é a principal atraçao da cidade (as melhores atraçoes ficam fora da cidade, como os centros invernais), que anda em um ritmo quase constante desde que cheguei aqui.
Atualmente a regiao tem uma boa receita com a exploraçao de gás (que está explicada quase em um cantinho do museu) e com o turismo (aparentemente 10 mil pessoas vivem do turismo aqui) que só nao cresce mais por um motivo insólito nos dias de hoje: o governo argentino simplesmente limitou o preço das passagens para cá. Assim, nenhuma empresa aérea, fora a Aerolíneas, que tem um número reduzido de vôos, se interessa em vir para cá. O resultado sao vôos cheios e hoteis mais ou menos vazios. Pelo visto ainda há muito o que fazer por aqui.
Como é inverno, a temperatura tem sido bastante estável e agradável. Na cidade, fica sempre em algo em torno de zero graus e quase nao venta. A neve fica a 20 kms daqui, e quando neva nao é pouca coisa. Mas o estado das ruas é meio triste: fica tudo cheio de lama nas calçadas e as ruas cheias de buracos por conta do gelo/degelo constante. Acidentes na estrada também sao frequentes. Ontem, voltando para o hotel, a van que estava a nossa frente bateu contra outra que estava no sentido contrário (a pessoa que estava na outra van tentou frear e virou o carro para que a batida fosse lateral) por conta de uma ultrapassagem perigosa. Felizmente, ninguém se feriu, fora o susto.
Como vêem, é uma cidade agradável, embora poderia estar crescendo um pouco mais rápido, nao fossem as circunstâncias. Pelo menos está sendo ideal para treinar e melhorar até a prova de sábado. De resto está tudo correndo bem. O pessoal tem sido bastante receptivo e, como sou o único brasileiro participando da prova, acaba sendo importante para dar status de "Sulamericano" para ela. Espero que esses últimos dias ajudem na hora da prova, principalmente na parte de esqui, que estou bastante animado com a melhora. Afinal de contas, faz uma semana que nao tinha idéia de como andar com o esqui sem que a gravidade ajudasse.
A primeira coisa que se percebe é o marketing sobre esse negócio da cidade ser considerada a cidade mais ao sul do mundo. É um tal de "Museu do Fim do Mundo", "Trem do Fim do Mundo", "Jornal do Fim do Mundo", "Mapa do Fim do Mundo", e por aí vai. O que as más línguas dizem é que Ushuaia NAO é a cidade mais ao sul do mundo. Tem uma cidade pequena no Chile que fica mais ao sul, mas sabe como é o marketing.
A cidade tem 60 mil habitantes e é muito tranquila, basta ver as manchetes "policiais" (para os padroes brasileiros): suicídio que aconteceu há três dias atrás, acidente na estrada, jovens baderneiros roubam algumas garrafas de um bar. E só. O que nao quer dizer que seja uma cidade vibrante ou ao menos em crescimento. Tudo aqui é muito simples: as casas, as ruas, os lugares turísticos. Enfim, nao tem nada daquele negócio de ficar explorando turista.
Ushuaia começou como um presídio, assim como a Austrália, e pelos mesmos motivos (inclusive, a Austrália foi modelo para Ushuaia) mesmo que o ladrao quizesse fugir, nao tinha muito para aonde ir. A prisao foi encerrada em 1947 por conta dos maus tratos que faziam aos presos aqui (além de ser mais uma canetada política do governo Perón) e hoje tem um museu que tem tanto a história do presídio quanto sobre a fauna marinha da regiao, incluindo uma réplica do que foi o chamado "Farol do..." bom, deu para notar o padrao das coisas (mas o farol nao ficava aqui em Ushuaia). O museu é a principal atraçao da cidade (as melhores atraçoes ficam fora da cidade, como os centros invernais), que anda em um ritmo quase constante desde que cheguei aqui.
Atualmente a regiao tem uma boa receita com a exploraçao de gás (que está explicada quase em um cantinho do museu) e com o turismo (aparentemente 10 mil pessoas vivem do turismo aqui) que só nao cresce mais por um motivo insólito nos dias de hoje: o governo argentino simplesmente limitou o preço das passagens para cá. Assim, nenhuma empresa aérea, fora a Aerolíneas, que tem um número reduzido de vôos, se interessa em vir para cá. O resultado sao vôos cheios e hoteis mais ou menos vazios. Pelo visto ainda há muito o que fazer por aqui.
Como é inverno, a temperatura tem sido bastante estável e agradável. Na cidade, fica sempre em algo em torno de zero graus e quase nao venta. A neve fica a 20 kms daqui, e quando neva nao é pouca coisa. Mas o estado das ruas é meio triste: fica tudo cheio de lama nas calçadas e as ruas cheias de buracos por conta do gelo/degelo constante. Acidentes na estrada também sao frequentes. Ontem, voltando para o hotel, a van que estava a nossa frente bateu contra outra que estava no sentido contrário (a pessoa que estava na outra van tentou frear e virou o carro para que a batida fosse lateral) por conta de uma ultrapassagem perigosa. Felizmente, ninguém se feriu, fora o susto.
Como vêem, é uma cidade agradável, embora poderia estar crescendo um pouco mais rápido, nao fossem as circunstâncias. Pelo menos está sendo ideal para treinar e melhorar até a prova de sábado. De resto está tudo correndo bem. O pessoal tem sido bastante receptivo e, como sou o único brasileiro participando da prova, acaba sendo importante para dar status de "Sulamericano" para ela. Espero que esses últimos dias ajudem na hora da prova, principalmente na parte de esqui, que estou bastante animado com a melhora. Afinal de contas, faz uma semana que nao tinha idéia de como andar com o esqui sem que a gravidade ajudasse.
domingo, 13 de agosto de 2006
A corrida que seria, nao foi, vai ser e...já foi?
(Domingo, 13 de agosto - Dia das Crianças na Argentina) Antes de começar um comentário: aqueles que acham que esse negócio de "efeito estufa" é brincadeira vai ver um exemplo contrário agora.
O Brasileiro de Cross Country seria a MarchaBlanca, que estava marcada para hoje, dia 13. O problema é que a falta de neve na semana anterior fez com que ela fosse adiada (como é um percurso de 21 km em volta única, deveria haver neve em todos os pontos). Nao se esqueçam que estamos em agosto, inverno, e deveria ter MUITA neve por aqui. E isso seria apenas uma coincidencia se nao fosse o fato de que a prova, pelo terceiro ano consecutivo, nao possa ser realizada no dia e formato original. Ano retrasado foi cancelada, ano passado foi feito o percurso menor, de 7,5 km e esse ano foi adiada para o dia 20. O motivo? Sempre falta de neve.
Dessa maneira, como os dois únicos participantes (seriam 4, mas depois do adiamento outros 2 preferiram ficar em Bariloche para treinar para provas de biathlon), por motivos diversos, nao podem estar no dia 20 aqui, teve que haver uma improvisaçao. Ao invés da MarchaBlanca e seus 21km, o Campeonato Brasileiro de Esqui Cross Country foi uma das provas do Campeonato Fueguino de Esqui Cross Country (na planilha so precisou riscar o "Fueguino" e escrever "Brasileiro" em cima) na distância "sprint" de mais ou menos 1,5 km.
De certa maneira, até que foi bom para mim, que estou começando. Inclusive porque a prova foi na técnica clássica que, como expliquei no post embaixo, é mais fácil. A MarchaBlanca seria no estilo livre, que significa automaticamente a técnica "skating".
Sabendo disso na sexta, fui treinar sábado junto com o Hélio, o outro brasileiro que está aqui e foi o representante do país nos Jogos de Turim, em Las Cotorras, outro centro invernal, achando que seria lá a prova. Chegando lá, fiquei sabendo que seria em Llanos de Castor, um pouco antes de Las Cotorras.
Enfim, tudo é experiência essa hora. Dessa forma, lá estava eu hoje as 10 da manha em Llanos de Castor me preparando para a prova.
Considerando a experiência de um (4 anos) e de outro (4 dias), acho desnecessário contar quem ganhou. Entao, vamos contar como foi a minha prova. Larguei nervoso e com 30 segundos já cai na neve pela primeira vez. E olha que nao tinha chegado a parte mais técnica da pista (leia-se curvas). Mais duas quedas e completei a primeira volta. Na segunda, mais alguns desequilíbrios sem tombos, mas muito desajeitado em certos pontos da pista, e cheguei com o tempo de 9'30". Nao pergunte o tempo do Hélio porque foi bem menos que isso. Só nao cheguei mais cansado porque na hora de cair dava para dar uma recuperada e a prova foi curta.
O legal foi o apoio do pessoal da prova. Ao contrário de algumas pessoas que eu vi durante as Olimpíadas, ninguém ficava rindo ou fazendo comentários graciosos. Pelo contrário, incentivavam como se estivesse em primeiro porque sabiam que eu estava começando agora, o que me faz pensar que todos os argentinos malas estejam em Buenos Aires. Ah, a prova teve custo zero para os participantes. Todo mundo trabalhando na organizaçao estava como voluntário, sendo a maioria pais de esquiadores que estavam na prova (incluindo muitas maes).
No final, ainda participei da prova aberta do Campeonato Fueguino onde, embora fiquei muito atrás do Martin Bianchi, representante argentino nas Olimpíadas e que ganhou a prova, e caí mais do que na primeira prova porque o estado das trilhas estava pior (para manter os esquis paralelos na técnica clássica, faz-se uma trilha com duas linhas paralelas) nao fui o último, embora faltou pouco.
Depois, teve uma "premiaçao" onde os troféus foram só simbólicos (só foi para a foto mesmo) e depois ainda fomos andar em Las Cotorras, onde a pista estava excelente e o sol apareceu pela primeira vez desde que cheguei aqui. Dava vontade de ficar até o sol se por.
No final de contas, valeu a pena. O pessoal tem sido muito atencioso e tem ajudado bastante. Pena que a MarchaBlanca vai ficar para depois.
O Brasileiro de Cross Country seria a MarchaBlanca, que estava marcada para hoje, dia 13. O problema é que a falta de neve na semana anterior fez com que ela fosse adiada (como é um percurso de 21 km em volta única, deveria haver neve em todos os pontos). Nao se esqueçam que estamos em agosto, inverno, e deveria ter MUITA neve por aqui. E isso seria apenas uma coincidencia se nao fosse o fato de que a prova, pelo terceiro ano consecutivo, nao possa ser realizada no dia e formato original. Ano retrasado foi cancelada, ano passado foi feito o percurso menor, de 7,5 km e esse ano foi adiada para o dia 20. O motivo? Sempre falta de neve.
Dessa maneira, como os dois únicos participantes (seriam 4, mas depois do adiamento outros 2 preferiram ficar em Bariloche para treinar para provas de biathlon), por motivos diversos, nao podem estar no dia 20 aqui, teve que haver uma improvisaçao. Ao invés da MarchaBlanca e seus 21km, o Campeonato Brasileiro de Esqui Cross Country foi uma das provas do Campeonato Fueguino de Esqui Cross Country (na planilha so precisou riscar o "Fueguino" e escrever "Brasileiro" em cima) na distância "sprint" de mais ou menos 1,5 km.
De certa maneira, até que foi bom para mim, que estou começando. Inclusive porque a prova foi na técnica clássica que, como expliquei no post embaixo, é mais fácil. A MarchaBlanca seria no estilo livre, que significa automaticamente a técnica "skating".
Sabendo disso na sexta, fui treinar sábado junto com o Hélio, o outro brasileiro que está aqui e foi o representante do país nos Jogos de Turim, em Las Cotorras, outro centro invernal, achando que seria lá a prova. Chegando lá, fiquei sabendo que seria em Llanos de Castor, um pouco antes de Las Cotorras.
Enfim, tudo é experiência essa hora. Dessa forma, lá estava eu hoje as 10 da manha em Llanos de Castor me preparando para a prova.
Considerando a experiência de um (4 anos) e de outro (4 dias), acho desnecessário contar quem ganhou. Entao, vamos contar como foi a minha prova. Larguei nervoso e com 30 segundos já cai na neve pela primeira vez. E olha que nao tinha chegado a parte mais técnica da pista (leia-se curvas). Mais duas quedas e completei a primeira volta. Na segunda, mais alguns desequilíbrios sem tombos, mas muito desajeitado em certos pontos da pista, e cheguei com o tempo de 9'30". Nao pergunte o tempo do Hélio porque foi bem menos que isso. Só nao cheguei mais cansado porque na hora de cair dava para dar uma recuperada e a prova foi curta.
O legal foi o apoio do pessoal da prova. Ao contrário de algumas pessoas que eu vi durante as Olimpíadas, ninguém ficava rindo ou fazendo comentários graciosos. Pelo contrário, incentivavam como se estivesse em primeiro porque sabiam que eu estava começando agora, o que me faz pensar que todos os argentinos malas estejam em Buenos Aires. Ah, a prova teve custo zero para os participantes. Todo mundo trabalhando na organizaçao estava como voluntário, sendo a maioria pais de esquiadores que estavam na prova (incluindo muitas maes).
No final, ainda participei da prova aberta do Campeonato Fueguino onde, embora fiquei muito atrás do Martin Bianchi, representante argentino nas Olimpíadas e que ganhou a prova, e caí mais do que na primeira prova porque o estado das trilhas estava pior (para manter os esquis paralelos na técnica clássica, faz-se uma trilha com duas linhas paralelas) nao fui o último, embora faltou pouco.
Depois, teve uma "premiaçao" onde os troféus foram só simbólicos (só foi para a foto mesmo) e depois ainda fomos andar em Las Cotorras, onde a pista estava excelente e o sol apareceu pela primeira vez desde que cheguei aqui. Dava vontade de ficar até o sol se por.
No final de contas, valeu a pena. O pessoal tem sido muito atencioso e tem ajudado bastante. Pena que a MarchaBlanca vai ficar para depois.
sexta-feira, 11 de agosto de 2006
Dançando (e caindo) na Neve
(Sexta-feira, 11 de agosto) Enfim, depois de muito esperar, finalmente fiz minha estréia na neve...sem a ajuda da gravidade. Minha "base" é Tierra Mayor, um dos Centros de Inverno que tem por aqui onde se faz todas as atividades ligadas a neve (caminhada, passeio de trenó, etc...) exceto o esqui alpino, porque todos esses centros ficam dentro de um vale, a uns 20kms da cidade de Ushuaia. O outro centro fora dessa área é Cerro Castor, justamente porque é o único que tem uma montanha para andar de esqui alpino e snowboard.
Esses Centro de Inverno sao todos muito simples, nada daquela agitaçao das montanhas de esqui alpino, onde as pessoas chegam a se acotovelar para conseguir um par de esquis (exemplo: Cerro Catedral, em Bariloche). Nao sao mais do que uma casa grande, ou uma estância, e alguns anexos, onde as pessoas ficam só de passagem. Aliás, por vários motivos que eu explico mais tarde, a regiao é muito tranquila no inverno para fazer qualquer coisa (nao sei como é no verao).
Em Tierra Mayor, as especialidades sao o passeio de trenó, puxado por simpáticos huskies siberianos (que nessa época se sentem literalmente em casa), os passeios com raquetes de neve, e passeios de snowmobile (aquelas motos grandes que andam na neve e em cada lugar tem um nome diferente, aqui é Snow Cats). Sim, tem também o esqui cross country (ou nórdico), o problema é que eu sou praticamente o único a andar durante o dia. Isso dentro de um vale que dá para ver a quilometros de distância. E olha que o que nao falta é professor: dos 5 filhos da família Giró, que cuida do lugar criado pelo pai, 4 já foram a Olimpíada. Infelizmente, a realidade é meio parecida em outros centros, mas ainda assim é um dos principais centros de esqui nórdico da América do Sul.
Antes de contar minha experiência, tenho que abrir um parênteses. No esqui cross country existem duas técnicas. A mais tradicional, chamada de clássica, consiste em caminhar com o esqui. Uma boa comparaçao que eu li para os leigos entenderem (sem demérito aqui) é que essa técnica parece com andar de meias em um chao encerado, deixando deslizar depois de pisar no chao. Essa é a mais simples e foi usada por séculos. Até que veio um infeliz de um americano, o Bill Koch, e inventou outra na década de 1980, mais rápida, chamada de skating que, como o nome sugere, parece que o esquiador está patinando com os esquis. Vendo gente que sabe andar nessa técnica, parece até que se está dançando na neve.
Entao vamos ao ponto principal. O primeiro dia foi só dedicado à técnica clássica. Bem simples, requer mais prática, mas os movimentos sao bem básicos. Na técnica clássica, como os esquis estao sempre em paralelo e para facilitar a vida dos esquiadores, criam-se trilhas, que sao duas faixas sendo cada uma com a largura um pouco maior do que a do esqui, para que este fique sempre dentro da trilha. Entao, apesar dos poucos tombos, ocorreu tudo bem no primeiro dia.
No dia seguinte, treinando a tarde, comecei na técnica de skating. E fico pensando o que é que aquele americano tinha na cabeça para inventar aquilo. Simplesmente porque o leque de variáveis aumenta muito mais: é o ritmo, a qualidade da neve, o equilíbrio em cima dos esquis, a posiçao dos bastoes. Um caos. Tem que ter muita paciência para encontrar o tal ritmo, isso se a neve ajudar. Quando voce acha que está melhorando, vem uma neve mais fofa e acaba com a festa. Estou procurando o ritmo até agora. Porém, como tem tempo para melhorar, ele chega.
Apesar desse probleminha, está indo tudo bem. O pessoal de Tierra Mayor tem sido muito atencioso e sabem que só com (muita) prática se chega lá. O interessante é que, apesar de ser considerado a atividade física mais intensa (mais até que a corrida), meu batimento ainda nao disparou. Só que domingo...
Esses Centro de Inverno sao todos muito simples, nada daquela agitaçao das montanhas de esqui alpino, onde as pessoas chegam a se acotovelar para conseguir um par de esquis (exemplo: Cerro Catedral, em Bariloche). Nao sao mais do que uma casa grande, ou uma estância, e alguns anexos, onde as pessoas ficam só de passagem. Aliás, por vários motivos que eu explico mais tarde, a regiao é muito tranquila no inverno para fazer qualquer coisa (nao sei como é no verao).
Em Tierra Mayor, as especialidades sao o passeio de trenó, puxado por simpáticos huskies siberianos (que nessa época se sentem literalmente em casa), os passeios com raquetes de neve, e passeios de snowmobile (aquelas motos grandes que andam na neve e em cada lugar tem um nome diferente, aqui é Snow Cats). Sim, tem também o esqui cross country (ou nórdico), o problema é que eu sou praticamente o único a andar durante o dia. Isso dentro de um vale que dá para ver a quilometros de distância. E olha que o que nao falta é professor: dos 5 filhos da família Giró, que cuida do lugar criado pelo pai, 4 já foram a Olimpíada. Infelizmente, a realidade é meio parecida em outros centros, mas ainda assim é um dos principais centros de esqui nórdico da América do Sul.
Antes de contar minha experiência, tenho que abrir um parênteses. No esqui cross country existem duas técnicas. A mais tradicional, chamada de clássica, consiste em caminhar com o esqui. Uma boa comparaçao que eu li para os leigos entenderem (sem demérito aqui) é que essa técnica parece com andar de meias em um chao encerado, deixando deslizar depois de pisar no chao. Essa é a mais simples e foi usada por séculos. Até que veio um infeliz de um americano, o Bill Koch, e inventou outra na década de 1980, mais rápida, chamada de skating que, como o nome sugere, parece que o esquiador está patinando com os esquis. Vendo gente que sabe andar nessa técnica, parece até que se está dançando na neve.
Entao vamos ao ponto principal. O primeiro dia foi só dedicado à técnica clássica. Bem simples, requer mais prática, mas os movimentos sao bem básicos. Na técnica clássica, como os esquis estao sempre em paralelo e para facilitar a vida dos esquiadores, criam-se trilhas, que sao duas faixas sendo cada uma com a largura um pouco maior do que a do esqui, para que este fique sempre dentro da trilha. Entao, apesar dos poucos tombos, ocorreu tudo bem no primeiro dia.
No dia seguinte, treinando a tarde, comecei na técnica de skating. E fico pensando o que é que aquele americano tinha na cabeça para inventar aquilo. Simplesmente porque o leque de variáveis aumenta muito mais: é o ritmo, a qualidade da neve, o equilíbrio em cima dos esquis, a posiçao dos bastoes. Um caos. Tem que ter muita paciência para encontrar o tal ritmo, isso se a neve ajudar. Quando voce acha que está melhorando, vem uma neve mais fofa e acaba com a festa. Estou procurando o ritmo até agora. Porém, como tem tempo para melhorar, ele chega.
Apesar desse probleminha, está indo tudo bem. O pessoal de Tierra Mayor tem sido muito atencioso e sabem que só com (muita) prática se chega lá. O interessante é que, apesar de ser considerado a atividade física mais intensa (mais até que a corrida), meu batimento ainda nao disparou. Só que domingo...
quarta-feira, 9 de agosto de 2006
Quase um Amyr Klink
Bom, cheguei em Ushuaia. Como sempre, nada é fácil até chegar aqui. Nao que tenha ocorrido alguma coisa de ruim, dessa vez foi tudo normal, so que foi dureza passar 6 horas acordado no Aeroparque. Foi uma verdadeira "Noite em Buenos Aires", só que sem o tango, as mulheres.... Foi preciso muitos jogos de Sudoku e uma Placar inteira para aguentar nao pegar no sono.
Enfim, la pelas 4 horas da madrugada, o check in abriu e lá fui eu. Para melhorar a situaçao, o aviao só partiu uma hora depois do programado. Antes que perguntem, nao virei masoquista, porque era a unica forma de ir direto para cá.
Mas enfim, cheguei. Depois de me recuperar um pouco, resolvi dar uma volta pela cidade e aproveitando o horário (3 da tarde), peguei o catamara que da uma volta pelo Canal de Beagle, que é o que divide a Argentina do Chile.
Como estamos no ponto mais próximo da Antártida (algo óbvio considerando que esta é considerada a cidade mais ao Sul do mundo), encarei meu lado Amyr Klink (que aliás está organizado sua própria excursao para a Antártida) e embarquei.
O passeio é bem tranquilo (e bem apropriado para o estado que eu estava). Voce fica sentado, dentro do barco, todo fechado, e ai chega no farol que é um dos símbolos da cidade, vai para o lado de fora, tira foto, e volta para dentro. Chega na Ilha dos Pássaros (Cormoranes), e faz o mesmo, e assim por diante. O ponto alto e a tal Ilha dos Leoes Marinhos (aparentemente, como se pode perceber, o pessoal do reino animal resolveu marcar terreno faz muito tempo, e cada ¨facçao¨ tem o seu terreno). E tem lá seus motivos, pelas caras e bocas e mais alguma coisa.
Agora, tem duas coisas que ninguém avisa nos documentários na TV sobre os Leoes Marinhos:
1 - Como esses bichos se coçam. Nas cenas eles tiram os melhores momentos, mas a maior parte do tempo eles so ficam se coçando.
2 - Como esses bichos fedem!!!!!!! Se voce está do lado errado do vento (ou seja contra) o fedor é algo assustador. E olha que estamos no frio, imagina ver esses bichos no verao!
De qualquer forma, o passeio valeu. Depois de dar uma caminhada pela cidade (depois eu conto as impressoes do lugar) capotei na cama para acordar cedo e ir treinar um pouco no dia seguinte (hoje). Pelo menos as coisas aqui sao mais devagar do que em Turim, de modo que vai dar tempo de aproveitar bem a cidade. Na próxima atualizaçao, eu conto os meus primeiros passos (de verdade) no esqui nórdico.
Enfim, la pelas 4 horas da madrugada, o check in abriu e lá fui eu. Para melhorar a situaçao, o aviao só partiu uma hora depois do programado. Antes que perguntem, nao virei masoquista, porque era a unica forma de ir direto para cá.
Mas enfim, cheguei. Depois de me recuperar um pouco, resolvi dar uma volta pela cidade e aproveitando o horário (3 da tarde), peguei o catamara que da uma volta pelo Canal de Beagle, que é o que divide a Argentina do Chile.
Como estamos no ponto mais próximo da Antártida (algo óbvio considerando que esta é considerada a cidade mais ao Sul do mundo), encarei meu lado Amyr Klink (que aliás está organizado sua própria excursao para a Antártida) e embarquei.
O passeio é bem tranquilo (e bem apropriado para o estado que eu estava). Voce fica sentado, dentro do barco, todo fechado, e ai chega no farol que é um dos símbolos da cidade, vai para o lado de fora, tira foto, e volta para dentro. Chega na Ilha dos Pássaros (Cormoranes), e faz o mesmo, e assim por diante. O ponto alto e a tal Ilha dos Leoes Marinhos (aparentemente, como se pode perceber, o pessoal do reino animal resolveu marcar terreno faz muito tempo, e cada ¨facçao¨ tem o seu terreno). E tem lá seus motivos, pelas caras e bocas e mais alguma coisa.
Agora, tem duas coisas que ninguém avisa nos documentários na TV sobre os Leoes Marinhos:
1 - Como esses bichos se coçam. Nas cenas eles tiram os melhores momentos, mas a maior parte do tempo eles so ficam se coçando.
2 - Como esses bichos fedem!!!!!!! Se voce está do lado errado do vento (ou seja contra) o fedor é algo assustador. E olha que estamos no frio, imagina ver esses bichos no verao!
De qualquer forma, o passeio valeu. Depois de dar uma caminhada pela cidade (depois eu conto as impressoes do lugar) capotei na cama para acordar cedo e ir treinar um pouco no dia seguinte (hoje). Pelo menos as coisas aqui sao mais devagar do que em Turim, de modo que vai dar tempo de aproveitar bem a cidade. Na próxima atualizaçao, eu conto os meus primeiros passos (de verdade) no esqui nórdico.
terça-feira, 1 de agosto de 2006
E lá vamos nós de novo...
Bom, devido ao "estrondoso" sucesso do blog anterior, estamos lançando o novo blog, com endereço velho, mas título novo. OK, não sei quem estará lendo desta vez, mas o que importa para mim é que quem eu gostaria que lesse irá acompanhar esse novamente, assim como aconteceu a um tempo atrás. Então, sejam bem-vindos novamente.
Para justificar o trabalho de escrever novamente um blog, desta vez não irei para acompanhar um evento, mas sim participar do evento. É uma idéia antiga, mas que somente nas últimas semanas tomou forma. Serão dois eventos: a MarchaBlanca, uma competição de 21km em esqui cross-country, e o Triathlon de Inverno, em finais de semana diferentes (13 e 19 de Agosto). Com essas duas competições, dá para se autojustificar despencar para a quina do continente durante quase 2 semanas.
Para quem leu o blog anterior, sabe o que é o esqui cross-country (os que não sabem voltem ao início do blog para entender um pouco mais), mas poucos (muito poucos mesmo) sabem o que é o Triathlon de Inverno. Ao contrário do que alguns possam imaginar, aliás de forma legítima, NÃO TEM NATAÇÃO EM ÁGUAS GELADAS, esta parte é substituída pelo esqui cross-country. Inclusive, a ordem das competições é invertida: começa pela corrida, passa pelo ciclismo (em Mountain Bike), e acaba no esqui cross-country (que, daqui em diante, será tratado apenas como esqui, a menos que seja preciso diferenciar do esqui alpino).
As regras deste blog são semelhante ao anterior, com pequenos ajustes, a saber:
1 - Como a viagem será mais curta, haverá ainda menos posts e
2 - Pretendo atualizar a cada 48 horas, só que como deve ter menos eventos emocionantes (afinal de contas, para treinar não muda tanto no Rio quanto em Ushuaia), provavelmente não será dividido em posts diários, ou seja, será um pouco menos rígido. Inclusive fica menos cansativo e estressante, porque a pessoa que não tem um computador sempre à vista, como foi em Torino, acaba ficando meio obsecada em encontrar uma conexão para atualizar o blog. Acho que vai ficar melhor assim.
Enfim, espero que gostem deste blog também e que a viagem seja tão inesquecível quanto foi a de Torino. Detalhes de como foi o planejamento podem ser adicionados ao longo dos posts, caso valha a pena descrever.
Adiós
PS: Ia me esquecendo, nao criei um blog separado por dois motivos. Primeiro, preguiça, segundo, já é difícil avisar as pessoas de um blog, se ficar criando um a cada 6 meses (ou mudando o nome) ninguém volta. Assim, aqueles que não leram aproveitam e vêem como foi a outra viagem.
PS2: (escrito beeeeem mais tarde do que o post original) Deixei de ser preguiçoso e criei um novo blog. Como o processo de separação/fusão dos post de Ushuaia, que eram do outro blog, demorou para acontecer, deixei esse primeiro PS como recordação de que, um dia, os post de Ushuaia fizeram parte do blog Torino 2006. Afinal de contas, depois de Ushuaia já aconteceu tanta coisa que justificava fazer essa rearrumação.
Para justificar o trabalho de escrever novamente um blog, desta vez não irei para acompanhar um evento, mas sim participar do evento. É uma idéia antiga, mas que somente nas últimas semanas tomou forma. Serão dois eventos: a MarchaBlanca, uma competição de 21km em esqui cross-country, e o Triathlon de Inverno, em finais de semana diferentes (13 e 19 de Agosto). Com essas duas competições, dá para se autojustificar despencar para a quina do continente durante quase 2 semanas.
Para quem leu o blog anterior, sabe o que é o esqui cross-country (os que não sabem voltem ao início do blog para entender um pouco mais), mas poucos (muito poucos mesmo) sabem o que é o Triathlon de Inverno. Ao contrário do que alguns possam imaginar, aliás de forma legítima, NÃO TEM NATAÇÃO EM ÁGUAS GELADAS, esta parte é substituída pelo esqui cross-country. Inclusive, a ordem das competições é invertida: começa pela corrida, passa pelo ciclismo (em Mountain Bike), e acaba no esqui cross-country (que, daqui em diante, será tratado apenas como esqui, a menos que seja preciso diferenciar do esqui alpino).
As regras deste blog são semelhante ao anterior, com pequenos ajustes, a saber:
1 - Como a viagem será mais curta, haverá ainda menos posts e
2 - Pretendo atualizar a cada 48 horas, só que como deve ter menos eventos emocionantes (afinal de contas, para treinar não muda tanto no Rio quanto em Ushuaia), provavelmente não será dividido em posts diários, ou seja, será um pouco menos rígido. Inclusive fica menos cansativo e estressante, porque a pessoa que não tem um computador sempre à vista, como foi em Torino, acaba ficando meio obsecada em encontrar uma conexão para atualizar o blog. Acho que vai ficar melhor assim.
Enfim, espero que gostem deste blog também e que a viagem seja tão inesquecível quanto foi a de Torino. Detalhes de como foi o planejamento podem ser adicionados ao longo dos posts, caso valha a pena descrever.
Adiós
PS: Ia me esquecendo, nao criei um blog separado por dois motivos. Primeiro, preguiça, segundo, já é difícil avisar as pessoas de um blog, se ficar criando um a cada 6 meses (ou mudando o nome) ninguém volta. Assim, aqueles que não leram aproveitam e vêem como foi a outra viagem.
PS2: (escrito beeeeem mais tarde do que o post original) Deixei de ser preguiçoso e criei um novo blog. Como o processo de separação/fusão dos post de Ushuaia, que eram do outro blog, demorou para acontecer, deixei esse primeiro PS como recordação de que, um dia, os post de Ushuaia fizeram parte do blog Torino 2006. Afinal de contas, depois de Ushuaia já aconteceu tanta coisa que justificava fazer essa rearrumação.
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