quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Mira, Maria...

Frustração passada, vamos para a segunda parte da Competição, que foi o sprint.

Dessa vez, com 4 homens e 2 mulheres, já estamos mais próximos de uma competição, já que uma bateria de uma competição dessas costuma ter 5 esquiadores (claro que homens e mulheres competem separadamente, mas só para deixar claro).

O lugar, não poderia ter sido tão bem escolhido: Tierra Mayor. Sim, onde eu comecei a esquiar. Áreas amplas, tipo de neve já conhecido, huskys siberianos e tudo mais que deixa o lugar tão legal. O lugar estava praticamente igual em relaçao à três anos atrás: os mesmos posters, as mesmas cadeiras. A única exceção foi o canil mais elaborado que fizeram.

O sprint foi feito em um percurso próximo do chalé principal, com 1,1km de extensão (pelo menos foi o que me disseram). O Martin, agora papai, foi organizador da prova, junto com a comunidade ushuaiense (ou seria ushuaiana?). E o circuito, embora fosse com bem menos curvas do que em 2006, ler aqui), tinha muita subida e descida, inclusive uma que jamais seria aprovada em qualquer prova de Copa do Mundo.

No entanto, o problema maior foi a neve, que estava muito, mas muito áspera. Conforme expliquei aqui, desse jeito a cera de tração fica quase impossível de ser usada, podendo inclusive ser usado um esqui com "escamas", que substitui a cera em casos extremos. Óbvio que, no meu enorme arsenal de 2 pares, não tenho esse modelo, mas o jeito era rezar para que a cera aguentasse, pois dessa vez não tinha ninguém como o Josef para fazer mágica.

Meu objetivo na prova era claro, ficar o mais próximo do Hélio, que ganhou em 2006 com praticamente o dobro do tempo. Os tempos eram outros, claro, mas o mais importante era tentar buscar esse objetivo.

A largada foi boa. Nos primeiros metros, basicamente usando só o bastão (também conhecido com "double pole") não fiquei muito longe do Hélio e do Leandro Lutz (o novato do grupo), enquanto o outro Leandro já tinha disparado na frente. O problema foi que o meu trilho "acabou" e, na hora de mudar de trilho acabei perdendo o embalo e, para variar, caí para último.

Na primeira subida as coisas continuavam indo razoavelmente bem, estava atrás, mas não muito longe do Leandro e do Hélio. Veio a descida "assassina" e consegui passar sem cair. Agora vai! Faltava uma subida, próxima ao chalé, para depois retornar para a região da largada, meu tempo estava razoável, apenas (obviamente) estava um pouco cansado. Aí....

Nessa subida, quem estava lá torcendo: Madame Maria Giró, minha primeira professora, que mora lá em Tierra Mayor. A anta aqui, em vez de manter a concentração e falar com ela depois da prova, resolveu dar um alô no meio da prova. Três segundos depois dessa burrada, caí na neve. Não satisfeito, ainda caí mais umas 2 ou 3 vezes. O tempo foi para o espaço e voltou tudo como estava antes.

O ponto positivo foi que, apesar do resultado, deu para ver que tem espaço para progredir. Só preciso agora de tempo para treinar.

No dia seguinte, antes de voltar para o Rio, ainda consegui fazer um bom treino na pista Jerman, que eu nunca tinha ido antes. Inclusive deu para fazer uma filmagem que está me ajudando bastante hoje.

De qualquer forma, continuo animado com o cross country. Vamos ver até onde ele pode me levar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A Maldição da MarchaBlanca (ou "Você já foi a... Rio Gallegos?")

Ola novamente,

Com algum atraso, está na hora de atualizar esse blog (que afinal de contas, só funciona quando há o que escrever, não é mesmo?).

Por conta de alguns inconvenientes e compromissos, não pude atualizar sobre o que aconteceu em agosto. Porém, como diz aquele ditado "antes tarde do que nunca".

Enfim, em agosto foi realizado mais um Campeonato Brasileiro de Cross Country. Dessa vez, voltamos para Ushuaia, onde tudo começou (inclusive para mim), para disputar a MarchaBlanca e, no dia seguinte, um sprint de clássico.

Conforme vocês podem ver aqui, minha primeira tentativa de disputar a Marcha não deu muito certo, por conta de problemas climáticos. Esse ano, no entanto, já estava nevando há muito tempo e, finalmente, iria participar da prova.

Infelizmente, por conta de algumas questões logísticas, não pude chegar mais cedo em Ushuaia, e acabei marcando a minha passagem para o sábado, véspera da prova. O objetivo, mais do que nunca, era ao menos participar, já que teríamos um recorde de participações em Brasileiros... seis atletas FIS, o dobro do ano passado, fora outros que entraram como convidados (como foi o meu caso na primeira vez). Ainda assim, depois de janeiro, achava que o resultado seria ao menos satisfatório, apesar das semanas anteriores à prova foram bastante complicadas para mim por conta do trabalho e gripes.

Enfim, lá fui eu no sábado, dia 15, feliz e contente embarcar para Ushuaia. Como sempre, tem aquela escala infeliz em Buenos Aires onde tem que trocar de aeroporto, pegar bagagem, etc... Foi tudo tão corrido que quase que perco o ônibus do transfer (com a minha bagagem lá dentro) porque precisava sacar dinheiro no Banco.

Problemas resolvidos, embarque feito e rumo a Ushuaia, dessa vez com escala em Rio Gallegos. Nunca pensei que fosse me arrepender em pegar uma escala....

Uns 30 minutos antes de pousar em Rio Gallegos, alguns passageiros ouviram um barulho estranho no fundo do avião. Seja lá o que foi, eu não ouvi, pois estava na frente, e de qualquer forma, não parecia ser nada demais (ou nem foi nada de mais grave, sei lá), mas o fato é que o avião pousou.

Pousou, mas não decolou de novo. Ficamos esperando mais ou menos uma hora quando ouvimos a declaração do comandante. "Senhoras e Senhores, em virtude de um problema na bomba de combustível, vamos ter que ficar aqui em Rio Gallegos" mais todo aquele procedimento usual que, infelizmente, eu já estou acostumado a ouvir, basta vocês lerem dois posts abaixo.

Raiva e frustração com esses infelizes da Aerolineas foi pouco perto do que eu senti na hora. Pior: se ainda ficasse preso em uma cidade que tivesse alguma importância, vá la, mas Rio Gallegos é uma cidade praticamente fantasma. Casas visivelmente abandonadas, o tempo horroso, com vento e chuva, ninguém andando na rua (e isso era sábado a noite). Nada, absolutamente nada na cidade. O que me deixou ainda mais para baixo.

A essa altura, acho que é desnecessário contar que o único hotel razoável da cidade não deu conta da enxurrada de passageiros enfurecidos que invadiu o lugar. As garçonetes ficaram doidas. Eu só consegui comer alguma coisa depois de meia noite, mas diante de tantos problemas, esse era o de menos.

Embarcamos por volta das 14hrs em direção a Ushuaia. A essa altura, a prova já havia começado e, mais uma vez, fiquei a ver....trenós.

Mas podem deixar que um dia pego essa prova de jeito.