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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Östersund Dezembro = Östersund Janeiro?

Antes das provas na Austria, passei alguns dias em Östersund (com trema em cima do O porque é assim que se escreve).

Porque Östersund novamente? Bom, primeiro porque é onde os demais brasileiros estão. Enquanto estava no Camp Södergren éramos eu, Leandro, Mirlene, o Capitão (para alguns também conhecido como Fabrizio) e o Fernando (eu falo sobre esse daqui a pouco). É sempre bom treinar junto com os demais, sem falar na divisão de custos. Segundo, porque aqui a estrutura é quase perfeita: cidade média (50 mil habitantes), com infraestrutura, mas sem grandes badalações, quarto do lado da pista, evitando perder tempo com carro andando para lá ou para cá. Terceiro, porque a pista é de nível internacional, com vários caminhos para escolher. Dessa forma, podemos escolher entre subidas fáceis, subidas longas, mini-paredões, descidas leves, descidas rápidas, sempre ao gosto do freguês.

Leandro, Mirlene e eu no Camp Södergren (foto tirada pelo Capitão)
E, embora neve seja "igual" a qualquer época do ano, treinar dessa vez aqui tem diferenças em relação à Janeiro. Vou tentar resumir algumas diferenças, algumas relacionada a época do ano, outras por experiência pessoal.

Inicialmente a neve, em particular a quantidade dela. Cheguei em Östersund dias depois da etapa da Copa do Mundo de Biathlon. Para se ter uma ideia, ainda estavam desmontando algumas estruturas provisórias que foram construídas para o evento. E não nevou muito antes das provas. Resultado: nem todas as pistas fora do estádio estão liberadas. Por exemplo, o meu "percurso" favorito (conforme eu comentei nesse link) está parcialmente interditado porque as máquinas que compactam a neve ainda não passaram por ali. O motivo é que não tem neve suficiente naquela parte, pois deixaram praticamente todo o excedente para as pistas das provas de Biathlon. Não que eu esteja reclamando, já que um dos problemas que eu identifiquei em Janeiro foi que eu andei demais naquela pista e deixei de lado as subidas mais íngremes e as descidas mais rápidas, o que acabou contando no resultado final (não que tenha sido exatamente isso, mas acho que teve influência sim), apenas acabou limitando um pouco as possibilidades (embora já tenha o suficiente para treinar enquanto estou aqui).

Ainda sobre clima, temos o frio. Embora ainda não tenha nevado o suficiente para cobrir todas as pistas, o frio está bem pior do que em Janeiro. Quando vim pela 1a vez, a temperatura estava algo em torno de -5o C, um pouco mais um pouco menos. Dessa vez, só no primeiro dia a temperatura deu uma trégua e ficou em -8o C, depois só -10o C para baixo. Esquiar a -17o C virou costume. Claro e óbvio que não falta roupa específica para o frio, mas ainda assim é um pouco mais sofrido. Na terça, quando estava uns -18o C, minha mão estava tão fria na hora das descidas que eu tive que abortar o treino e só fiz o treino da tarde porque comprei uma outra luva que tinha um corta-vento embutido para diminuir a sensação de frio. A boa notícia é que dificilmente na Áustria será assim.

Quanto a minha experiência na cidade, eu acabei fazendo mais coisas locais do que da outra vez porque o Leandro alugou um carro, o que simplifica bastante os deslocamentos. Uma noite nós jantamos junto com os técnicos suecos em dos restaurantes mais metidos de Östersund, o Innefickan. A comida estava ótima, o problema é que, considerando que o público-alvo era um bando de esquiadores esfomeados de treinos e mais treinos, podemos dizer que o estilo "nouvelle cousine" do restaurante não era exatamente o suficiente para satisfazer os estômagos famintos. 

Nós no Innefickan (a foto não está das melhores, apenas para registro)
Outra noite, fomos jantar em uma cidade vizinha na casa de uma brasileira, Carla, de Resende, casada com um sueco (que conheceu pela Internet) e mora na região faz 12 anos (é, eu sei, tem brasileiro em tudo quanto é canto, e ela não é a única que mora aqui). Conversamos muito, experimentamos algumas comidas locais (segundo a Carla, o problema dos suecos é a tal da "fika", algo como o lanchinho entre as refeições, que vem com tudo quanto é tipo de doce). Foi muito divertido. Ou seja, ainda que seja a mesma cidade, acabei conhecendo um outro lado dela.

Sobre a cidade em si, quase tudo igual ao que eu vi em Janeiro... exceto por um pequeno detalhe que, comparado com a foto que eu botei nesse post, todos vão notar a diferença para a foto abaixo.


Ho, Ho, Ho...
Por fim, como eu ia comentar, tem o meu colega de quarto, o Fernando. Ele é cadeirante, teve pólio na infância e participa de provas de triathlon para deficientes. Ele conheceu o Leandro enquanto treinava em São Paulo e acabou vindo parar aqui e treinar alguns dias antes de ir para Vuokati, na Finlândia, participar de uma etapa da Copa do Mundo de Esqui Cross Country para deficientes, primeira etapa para tentar ir ao Mundial e, quem sabe, as Paraolimpíadas. Além de todos os méritos de estar aqui, ainda tem bom humor: ele botou um video no Facebook dia desses e um colega dele amputado de um dos braços perguntou se ele tinha ido até la para andar de "esqui bunda", no que ele respondeu a gentileza perguntando se ele podia vir até aqui para "dar uma mãozinha".

Fernando Aranha, o primeiro esquiador cross-country paraolímpico do Brasil (na foto estão faltando os bastões, antes que alguem pergunte)
Se a conexão ajudar, espero falar em breve das primeiras provas em St. Ulrich. Assim que puder eu atualizo as coisas por aqui.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Correndo atrás (literalmente)

Depois de um ano bastante movimentado (e bota movimentado nisso), estou de volta para mais umas duas semanas de neve, esqui e competições. 

Para se ter uma idéia de como tem sido corrido esse ano, dessa vez eu JÁ estou aqui, treinando e me preparando para as provas na Áustria. Vão ser três provas, sendo duas de 10km, estilo livre, e um sprint estilo clássico. 

Além do trabalho em si, para quem não me conhece pessoalmente, esse ano foi mais do que especial. Como eu falei no post abaixo, no dia 21 de maio nasceu a minha filha, Giovanna, depois de uma temporada mais difícil do que qualquer outro esporte que eu possa ter praticado até hoje. Mais do que nunca, me parte o coração ficar sem vê-la durante tanto tempo (como foi na despedida), mas felizmente não é por muito tempo, e agradeço a minha esposa por ter sido compreensiva para ter me 'liberado' por esse tempo (obviamente deixando toda a logistica para ajudar enquanto estiver fora). E, cá entre nós, olhando a moça aqui embaixo, nao dá para deixar ela sozinha por muito tempo.

Voltando ao assunto, depois de voltar ao Brasil após as provas de janeiro, onde meu resultado foi, digamos, frustrante, procurei analisar os erros e ver aonde poderia melhorar. Se vai dar certo ou não, veremos a partir de sexta, mas procurando manter o otimismo pois, afinal de contas, pior do que Sarajevo é quase impossível.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

De onde viemos, para onde vamos...


Pequena pausa para reflexão. Na foto, um "animado" jogo de xadrez ao ar livre em Sarajevo, onde fazia algo em torno de -5° C e esfriando...
 Antes de entrar no post propriamente dito, um pequeno relato da volta para casa. A viagem de avião em si foi normal, o problema foi chegar no aeroporto em Sarajevo. Por algum motivo que até hoje não entendi, o garçom/funcionário do hotel que tinha carro chegou no hotel faltando pouco mais de 1 hora para o meu embarque. Considerando que levava uns 40 minutos só para chegar em Sarajevo, eu achei que tinha perdido o voo. Tenso pra burro, já que a viagem era longa e, se eu perdesse aquele voo, teria que esperar provavelmente mais 24 horas para poder voltar ao Brasil, botei as malas de qualquer jeito no carro e fomos na esperança que o voo atrasasse.

Tentando explicar em inglês para o tal garçom, que tinha a cara e o jeito do Mr. Bean (não o ator, mas o próprio personagem), ele disse "vamos por outro caminho". No primeiro momento eu achei que era exagero dele, depois no meio do caminho é que eu lembrei que tinham inaugurado recentemente um "atalho" que ia direto para Jahorina sem passar por Sarajevo. E, assim, ao som de Michel Teló no rádio (sim, meus caros, ele chegou até a Bosnia), fomos chegando perto do aeroporto. Lá pelas tantas, paramos em um "cruzamento", que seria normal exceto pelo fato de que, se seguissemos em frente, havia um trecho completamente esburacado, sem exagero de dizer que nem nas piores ruas que eu já passei pelo Brasil eu vi tanta cratera junta em um espaço tão pequeno (uns 200 metros se muito). Uma chance para advinhar por onde passamos...

Peço que visualissem a cena: eu, super atrasado para pegar um voo de mais de 20 horas (contando conexões) de carona com "Mr. Bean", andando em um Toyota MUITO velho e caindo aos pedaços (literalmente, já que eu acabei arrancando a maçaneta do lado de dentro da porta só de tentar fechar a mesma), quicando em uma "rua" totalmente esburacada no subúrbio de Sarajevo. Só consegui ouvir uma frase vinda da minha esquerda "Rally racing, uh?". Opa, se é...

Enfim, cheguei com pouco menos de 30 minutos de antecedência para decolar no aeroporto e saí literalmente correndo com duas das três malas a tiracolo para o balcão da empresa. Por sorte, o voo atrasou meia hora, e embarquei de volta para o Brasil.

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Falando agora sobre o balanço da viagem. Depois de algumas semanas para esfriar a cabeça, dá para pensar um pouco melhor sobre o que aconteceu e o que fazer daqui por diante.

Obviamente, pelo que deu para perceber enquanto estava lá na Europa, não estava exatamente feliz e contente com o resultado das provas. Claro, deu para descansar, treinar, etc, etc... Mas eu teria saído bem mais feliz de lá se eu tivesse feito, pelo menos, um resultado parecido com o que eu tinha feito há dois anos atrás.

O culpado no fim das contas sou eu mesmo. Existem certas decisões que você toma que acabam culminando no resultado final, logo o que vem a seguir é mais para tentar entender do que justificar. Uma série de coisas que aconteceram nesse intervalo atrapalharam o treinamento, pelo visto mais do que eu estava imaginando, e que ainda não dá para contar aqui (espero em breve). Somado a isso, talvez uma certa ansiedade, por conta de ter ficado mais de 1 ano e meio sem poder esquiar, acabou me levando a treinar de forma errada na Suécia, embora estivesse achando o contrário, fizeram com que eu chegasse na Noruega cansado e despreparado.

O legal de ter um GPS é que você vê exatamente a diferença de dificuldade entre uma pista fácil e outra difícil. Subidas curtas mais íngremes e subidas menos íngremes (se é que 10% de inclinação dá para chamar de "fácil") que são mais longas, menos tempo de descanso (leia-se trechos planos). A subida mais íngreme de Sarajevo, embora curta, tinha mais de 40% de inclinação! Vendo esses dados é que dá para concluir que faltou treinar em trechos mais difíceis em Ostersund, ao invés de dar mais atenção para treinos mais longos. Em 2010, foi o contrário: a pista de Nove Mesmo era bem mais difícil do que em Mavrovo e não dava para fugir das subidas (basicamente só tem um caminho para seguir lá).

Outro detalhe foi que o meu problema com o joelho me deixou bastante receoso durante um bom tempo, e acabei não fazendo nenhuma prova de triathlon/duathlon/ciclismo/corrida no meu limite. Como se diz no futebol, faltou "ritmo de jogo".

Para não dizer que foi tudo "em vão", ao menos deu para entender melhor a lógica das "descidas assassinas" (já descobri que preciso superar a "barreira" psicológica dos 40km/h) e ir para a Escandinávia é certeza de poder comprar o melhor material possível de Cross Country dobrando a esquina da rua. Foi legal também ver como é morar em um lugar onde as pessoas incorporam bem o sentido do Cross Country, onde você entra no metrô e não é visto como se fosse um alienígena. Quase me senti "em casa".

Tudo na vida é aprendizado, as vezes é preciso parar e pensar um pouco na estratégia, e ter que adiar alguns sonhos (talvez de forma permanente) por conta de outras prioridades na vida. Se tudo correr bem, não vou poder ir a Argentina em Agosto (não, ninguém leu errado, é isso mesmo), então até o final do ano o negócio é pensar na estratégia (bem feita) para poder acreditar que ainda dá para melhorar considerando todas as restrições que eu tenho aqui no Brasil. Já voltei a treinar, até que bem animado, e ainda acho que tenho muito o que fazer na neve pelos próximos anos. De qualquer forma, caso não possa seguir, não posso me queixar muito do que fiz até aqui.

Se tudo correr BEM, em maio/junho eu faço um rápido post aqui contando as novidades. Caso contrário, espero voltar a escrever até o final do ano.

sábado, 21 de janeiro de 2012

As Ultimas de Ostersund

Ja estou aqui em Oslo e ja corri as provas, mas antes vamos as ultimas notas de Ostersund. Adiantando que, por enquanto, nada de fotos no blog, porque ainda nao consegui achar um lugar que aceite entrada para cartao de memoria.


-  Eu tinha comentado antes sobre as arquibancadas do estadio de Ostersund e que elas tinham uma caracteristica diferente dos estadios, digamos, "normais". E que praticamente nao ha lugares para sentar. Sim, existem degraus, mas espaco para sentar nao tem. O motivo e que ninguem e besta de sentar com o frio que faz por aqui. Falando por experiencia propria, ja que eu ja vi uma prova em 2006 "sentado" em uma arquibancada, de fato e bem melhor ver de pe e depois ir para uma tenda e sentar em um banco quentinho.


- O custo de vida na Suecia e relativamente parecido com o do Brasil. Pelo menos quem mora em Ostersund. O preco da comida, por exemplo, e mais ou menos o mesmo do que no Brasil, exetuando certos alimentos em particular (tipo frango). O que me chamou atencao foi o preco do metro quadrado em Ostersund: 4,5 mil reais. Considerando que e uma cidade de 50 mil pessoas e o que nao falta na cidade e espaco, achei caro.


- Faltou falar sobre o tal Mattias. O nome completo dele e Mattias Nilsson e, ate a temporada passada, ele era biatleta da equipe principal da Suecia. O problema foi que ele descobriu um problema cardiaco e acabou tendo que parar. Para piorar a situacao, alem de ficar sem emprego, ainda tinha acabado de ser pai. Pelos contatos com o pessoal da Suecia, o pessoal da CBDN descobriu que ele estava disponivel para treinar a turma do Brasil e, por isso, ele esta treinando a Mirlene e a Gabriela, a nova (e mais jovem) integrante da equipe brasileira. Muito gente boa, considerando a parte o jeitao sueco dele.


- Com o inverno, e de se esperar que nao haja animais andando pela floresta. De fato, durante todo o periodo na Suecia, nao vi sequer um alce perdido na floresta. Exceto uma vez de manha antes de sair, quando eu vi pegadas de um passaro. O pessoal que cuida do Camp Sodergren explicou que os passaros vao atras de lixo, mesmo com frio e tudo, por isso o recomendado era sempre jogar o lixo na lixeira, em uma casinha isolada, para que eles nao ficassem zanzando por ali. Em uma amostra do humor sueco, um tempo atras, eles falaram para a equipe chinesa de que nao era recomendavel deixar o lixo do lado de fora por causa dos ursos (que ficam bem longe dali), que ficariam remexendo no lixo. Os chineses parece que nao entenderam direito a piada e passaram a treinar o tempo todo juntos para evitar um eventual ataque de algum urso que nao esta hibernando...


- 1o Mundo e outra coisa. Nada como chegar no aeroporto e ver que, no caso dos desembarques domesticos, as malas sao retiradas do lado de fora do desembarque, no corredor comum onde qualquer pessoa poderia passar e pegar a mala. Alias, outra coisa curiosa e ver que a turma que trabalha no aeroporto vai de um lado para o outro de... patinete! Homens, mulheres, jovens, senhoras, de vez em quando surge um passando de patinete do seu lado.


- Por fim, um pequeno comentario esportivo. O jornal sueco fez um quadro com favoritos a medalha na Olimpiada de Londres. Para o salto com vara feminino eles colocaram como favorita Fabiana Murer... da "Alemanha"

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Crise? Que crise?

Desde quando eu comecei a vir para cá para esquiar, por uma coincidência de datas e calendários disponíveis, só tenho ido a países que estão passando de forma mais ou menos tranquila pela crise. E olha que eu comecei a vir em 2009, logo depois que a crise financeira estourou. Primeiro foi na República Checa, depois na Macedônia, agora na Suécia, daqui a pouco na Noruega, só falta ver se a Bósnia está indo bem. Deixando um pouco a discussão econômica de lado, mas algo em comum a todos esses países é que nenhum deles adota o Euro como moeda, o que de uma certa forma dá uma pista de que alguma coisa está errada dentro da Zona do Euro. Em compensação, essas moedas diferentes para quem viaja é uma droga, porque não pode ficar com sobra nenhuma de dinheiro porque senão corre um sério risco de ficar com um mico na mão depois que voltar.

Falando especificamente da Suécia, ela vai muito bem obrigada. Sofreu um pouco no início da crise, mas agora vai crescendo com déficit equilibrado e exportando papel, ferro e máquinas pesadas como nunca. E, assim como o Brasil, vai aproveitando o crescimento chinês enquanto ele dura.


Vista do lago Storsjon, o 5o maior (de muitos) da Suécia, e a ilha de Fronson a esquerda
Dentro desse cenário, a cidade de Ostersund, vai bem obrigado. Fundada no final do século XVIII, ela sempre foi caracterizada como uma cidade de "comércio" (na verdade, o local antes de virar uma cidade de fato já era entreposto na região). Idas e vindas, hoje além do comércio, o que vai mantendo a cidade funcionando bem é o fato de que mais de 10% da população local é de... funcionários públicos. Considerando que o déficit fiscal do país não é problema no momento, não é de estranhar que a cidade esteja indo bem, já que, de fato, não tem uma fábrica perto daqui.



Típica rua residencial de Ostersund
A cidade é bastante espalhada, cheias de casas todas quase iguais as outras (mas não tão iguais quanto na República Tcheca por exemplo). Hoje fui dar um passeio pelo "Centro" da cidade, que consiste basicamente de duas ruas: a Storgatan e a Prastgatan. Dentre as duas, a segunda é A rua do comércio, onde inclusive tem um trecho fechado para carros. Nada muito chique, mas é aonde as pessoas circulam durante o dia (considerando o frio que faz é algo bastante significativo). Pelo que li na internet, o centro já foi bem mais arborizado mas, aparentemente, o progresso andou fazendo umas mudanças estruturais na cidade.

Prastgatan, a principal rua do comércio de Ostersund, parcialmente fechada para pedestre
As duas ruas ficam entre duas referências da cidade. De um lado, a praça da cidade, que sedia alguns dos eventos anuais (durante o verão principalmente), do outro, a igreja luterana, construída durante a II Guerra Mundial, que é bastante imponente. 



Stortorget, a praça da Cidade (a única)
Igreja (aqui a religião é a Igreja Luterana da Suécia)
Por fim, os outros dois marcos da cidade, já que outras atrações ao ar livre estão fechadas nessa época (ou seja, nem querendo muito da para visitar): a prefeitura e a enorme caixa d´agua. A primeira está completando 100 anos, e apesar de já ser imponente, teve um pedaço derrubado uns 40 anos atrás. A segunda, que eu já tinha comentado no post anterior, ainda está em pleno funcionamento e funciona também para aquecer a água da região. O pessoal daqui aproveitou que ela é bem alta (65 metros) e fizeram um restaurante com "vista panorâmica". Como eu falei antes, cada um tem a sua praia para mostrar...



Prefeitura (feia, não é mesmo?)



Caixa d´água recauchutada e com o restaurante no topo
As luzes vão trocando ao longo dos dias e, supostamente, deveria lembrar a aurora boreal, que passa bem longe daqui.


Outra atividade que a cidade vem desenvolvendo é exatamente os esportes de inverno. Tanto que já batizaram a cidade como a "cidade dos esportes de inverno". Inclusive já houve tentativas de organizar os Jogos Olímpicos aqui, mas sempre perderam na votação final, sendo que a mais apertada por para os Jogos de 1994, que foram para o país vizinho por dois votos. O forte daqui são os esportes de neve, mas parece que tem uma pista de patinação de velocidade oficial (coisa rara).


No geral, a cidade é bastante agradável. Claro, a temperatura não ajuda muito, bem como muitas pessoas provavelmente iriam estranhar o sol nessa época do ano, que fica sempre de lado durante as poucas horas de luz, mas é bem organizada e tenta atrair os turistas com o que tem. Enquanto a economia do país continuar indo bem, ela parece que está bem organizada, como aliás é a fama que os suecos têm ao redor do mundo.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Esquiando à noite (mas não no escuro)

Uma semana de treino e até aqui, tudo bem. Quer dizer, tudo bem considerando que fiquei 1 ano e meio sem esquiar. Deu para recuperar e, acho, evoluir um pouco, embora só na semana que vem vai dar para fazer algum comparativo.

Para os que estão curiosos, aqui vai um resumo de como andam as coisas aqui. Basicamente treino de manhã e a tarde/noite (lembrando que aqui já é noite por volta de 15:30). A ideia é fazer algum treino aeróbico, mas focando muito mais na técnica, já que é aonde é possível fazer algum progresso em pouco tempo. Lugar para treinar é o que não falta, embora comparativamente tem lugares onde dá para variar mais o percurso. Na foto abaixo tem um mapa com todos os caminhos possíveis.


Obviamente, com tantos caminhos, o que não falta é percurso para andar


Esquiar durante o dia (seja alpino quanto cross coutnry) é algo que a maioria das pessoas já viu, logo vou dar uma ideia de como é esquiar a noite. Tem um circuito de uns 3km que fica logo acima de onde estou, que tem subidas e descidas curtas. Não é exatamente o percurso mais desafiador, mas dá para manter um bom ritmo apesar de tudo. Dependendo do estado da neve, o tempo para completar a volta demora entre 11 e 15 minutos.

Começando pela saída para o percurso, todo dia eu subo a estradinha a esquerda, encaixo a bota nos esquis e já saio descendo sem fazer muita força. Vale o comentário de que em pistas mais estreitas como essa não há mão e contramão, é apenas um sentido. Na direita, os trilhos para quem faz clássico, que é a maioria das pessoas que esquiam aqui, independente da idade (mesmo, tem gente de todas as gerações que andam). Foi aqui, tirando os esquis, que eu cruzei com Mr. Dahlie.

 

Logo depois, tem a opção de descer até o estádio ou seguir em frente, como vai dar para ver mais na frente, o que não falta é caminho para escolher. A sinalização é razoável, me dá a impressão que serve mais para os que já conhecem o lugar.



Depois de uma subida curta, tem uma opção de um atalho para voltar para o ponto inicial, com uma subida bem mais chata. É excelente para intervalos curtos e de explosão, coisa que cansa de ter nas provas da FIS. 

Seguindo em frente, a melhor parte, a descida. Um desce e sobe que, infelizmente passa muito rápido, mas o ritmo flui muito bem. Como dá para notar (especialmente para os familiares), a iluminação existe em TODO o circuito, de tal forma que a chance de uma queda por causa da luz é bem pequena.


Aqui termina a descida e começa a parte de subida. Não tem nada absurdo de difícil, mas a vida fica bem mais complicada, já que daqui em diante só tem subida.



Em alguns pontos, como na foto embaixo, não tem iluminação, mas a foto não consegue mostrar que existe uma luz no final, de tal forma que não da para se perder ou bater em uma árvore.



Aqui acaba a parte da subida mais complicada e tem um entroncamento. Para a direita, o circuito segue, para a esquerda, tem um percurso alternativo que vai dar em outro bairro da cidade (isso aí, outro bairro, dá para ir esquiando até outros lugares da cidade). Detalhe para o trator, que de vez em quando estraga a pista, até agora não sei direito o que ele faz ai.



Depois de um terreno "ondulante" como diriam os americanos, a visão do final do percurso: a caixa d´agua. Ela está toda iluminada assim porque lá em cima fizeram um restaurante com um "vistão" da cidade (nem todo mundo tem a praia de Ipanema para mostrar...).


Como falei, se escolher descer, vai parar no estádio, onde ficam as largadas e chegadas das provas aqui em Ostersund. Todo ano a cidade sedia uma etapa da Copa do Mundo de Biathlon, já foi sede do Mundial de Biathlon de 2008 e no fim do mês vai sediar os Jogos Suecos de Inverno. A direita, o pessoal de Biathlon treinando na linha de tiro. A esquerda, as arquibancadas. Elas tem um detalhe que eu mostro em outro post, crucial para quem vê um esporte de inverno ao ar livre.




Detalhe da temperatura no estádio, sempre mais fria do que diz a previsão (hoje a previsão falava em -4o C). A foto foi tirada as 16:45, o que aqui não faz a menor diferença quanto a temperatura. A noite pode fazer menos frio do que durante o dia.


No estádio tem bastante espaço plano e livre para treinar a parte de técnica. É exatamente aonde eu treino essa parte. 



Na foto abaixo, um exemplo de quantos caminhos se pode tomar para fazer diferentes percursos e curvas. De uma forma geral não dá para reclamar daqui, tem bastante opção para todos os gostos.


Finalmente, os lugares mais perigosos da pista. Essa aqui é uma descida que pode ser rápida ou extremamente rápida, como estava hoje. Tentei de manhã e não vale a pena voltar com a neve dura como está agora.


Aqui é um "S" que é usado nas provas da Copa do Mundo. Na TV parece moleza, mas ao vivo dá para ver que é muito, mas muito perigoso. Tanto é que, lá em cima, tem uma placa enorme indicando "PARE" e não encarar a descida.


Antes que perguntem, a pista não anda cheia de gente, por alguns motivos. Um é porque hoje foi uma das provas que eu ia participar esse final de semana (a outra vai ser amanhã). Como eu falei antes, sem problemas, ainda terá bastante oportunidade para correr. Dependendo do dia da semana, como na última terça, pode ficar um pouco tumultuado, mas nada que atrapalhe a vida de quem está treinando. Durante a Copa do Mundo a coisa fica bem mais tumultuada, pelo que dizem.

Eu fico por aqui treinando até quarta, quando viajo para Oslo, esperando que o treino continue sendo tão bom quanto está sendo até agora.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Ainda não somos considerados um país sério

Uma das coisas que eu sou bastante curioso é sobre a visão do estrangeiro sobre o Brasil. Talvez por isso, mesmo a milhares de quilômetros de distância de casa, tenha tanta vontade de ver sobre algo que, na prática, eu vivo todo dia.


A primeira vez que eu vi um documentário desses fora do país foi em 2009, um dia antes de voltar para casa, em Dolni Misecky (na República Tcheca), no canal alemão Vox (segundo os próprios tchecos, o país deles está tão barato que os alemães passam o final de semana só para comer e beber). O tema do programa, como era de se esperar, falava sobre favela, violência, Bope, etc, etc... e, no bloco final, talvez para mostrar a "disparidade" de classes, resolveram mostrar um dia na vida da socialite Narcisa Tamborindeguy (ou seja, há três anos atrás ela já fazia algo parecido do que o tal reality show que ela faz agora). Virando e mexendo, não sobrou muita coisa.


Pois bem, ontem passou um documentário na TV sueca sobre o Brasil. Pelo que deu a entender, foi feito no início de 2010, de tal forma que não é algo "velho" ou "desatualizado". O programa foi feito originalmente por um canal francês (cujo povo adora falar de como o Brasil é "exótico" e "diferente"), mas aqui foi narrado em sueco, enquanto as entrevistas foram mantidas em português com legendas. A especificação na frase anterior é mais para deixar claro que talvez alguma coisa tenha sido perdida na parte em sueco. Porém, pelos depoimentos feitos em bom português, não me parece que eu não tenha compreendido a mensagem.


O programa passou em um canal público e parece que faz parte de uma série sobre "cultura e moda" ao redor do mundo (se alguém quiser saber o nome eu depois acho o nome). Ficou falando boa parte do Rio e um pedaço em Salvador (novamente, coisa que francês adora, ou já viu algum visitando Porto Alegre?). Os lugares que eles visitaram foram aqueles que turista visita (praia, escola de samba e favela). Em 30 minutos, o que as pessoas daqui viram sobre o Brasil é:


1 - Tirando as pessoas entrevistadas, o país só tem negros e mulatos
2 - As mulheres só ficam de biquini na praia
3 - As mulheres só andam de Havaianas para qualquer lugar
4 - A moda carioca é baseada na Coopa-Roca e na Daspu (exemplos de referência para todas as classes)
5 - A religião baiana é basicamente o Candomblé 
6 - Os baianos ou se vestem como se fossem para a capoeira e as baianas de... baianas (vide foto abaixo)




7 - Os "homus erectus" do Rio só usam camisas de futebol para sair e, na maioria das vezes, para trabalhar e tirar um sarro dos outros quando o time deles ganha (ainda bem que o cara que pagou "alce" sueco - porque o mico mais próximo está muito longe daqui - é tricolor, porque se ele ainda fosse rubronegro seria O esteriótipo completo). Só não usam no tribunal porque "se o juiz for do time adversário ele é bem capaz de julgar a causa contrária".







8 - Tirando um leve relance dos prédios de Ipanema, só mostraram favelas, com tudo o que tem direito (inclusive porquinhos em casa)


Tudo isso entrecortado com as declarações de uma antropóloga chamada Sandra (sorte dela que não deu para lembrar o sobrenome dela), que cansou de falar um monte de chavões, do tipo "mistura de classes" e "irreverência do carioca" (se tem algo que me deixa irritado é essa tal "irreverência", que eu convivo todo dia no Rio).


Ou seja, não adianta crescer 20% ao ano, em pleno século XXI continuamos sendo vistos como "bons selvagens". Não se trata aqui de esconder a realidade, apenas de mostrar o outro lado. Por exemplo: por que não mostrar também o Fashion Rio ou a SP Fashion Week? Ou inovações na agricultura? O fato é que o país não é considerado sério para quem vê de fora, e programas como esse só ajudam o esteriótipo.


Fazendo uma ligação com o esqui (e qualquer outra coisa que não seja futebol e samba) como vocês acham que alguém enxerga um brasileiro quando está esquiando? Exatamente, como algo "exótico", quase uma "aberração". Assim foi como eu apareci no jornal tcheco em 2009 e basta procurar um pouco que acaba achando outros exemplos do gênero. Difícil parecer sério quando a imagem do seu país não ajuda.


No fim, fica a pergunta: por que continuamos a ser vistos assim? Das duas uma (ou as duas): ou continuamos nos vendendo dessa forma, ou as pessoas daqui só querem prestar atenção no que é "diferente" e "exótico" já que aqui não tem essas coisas que aparecem na TV (algumas por razões óbvias).


Bom, amanhã voltamos a falar mais sobre a vida aqui, já basta falar do que acontece aí.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Eu e "O" Cara

Ostersund é um lugar bastante procurado pelos esquiadores nórdicos, tanto de cross country e biathlon. Um dos motivos é que o lugar tem bastante gente ligada ao esporte. Quando fui pegar as minhas malas (sim, elas estão comigo desde domingo à noite), o Mattias deu carona para um colega dele que tinha participado da Copa do Mundo de Biathlon, no revezamento, na Alemanha, dias antes. Uns dias atras, o Emil Jonsson, sueco considerado o esquiador mais rápido em provas curtas, postou no Twitter que estava vindo para cá. E por aí vai.

Uma das vantagens é que a pista é iluminada noite toda. Com o detalhe de que a "noite" aqui começa as 15:30 e vai até as 9 da manhã. Por esse motivo, quando o frio dá uma aliviada, o que significa mais ou menos algo em torno de uns 6 graus negativos, o pessoal lota o estacionamento da pista a partir das 18 horas da 'noite', algo mais ou menos como se fossem todos para o Aterro do Flamengo (se tivesse segurança) depois do trabalho para correr.



E isso porque a temperatura estava "apenas" -6o C
Muito bem, estava eu fazendo meu segundo treino do dia, 15 km relativamente tranquilos e estava me preparando para tirar a bota da fixação do esqui, quando um grupo subia a ladeira para começar o treinamento do dia. Até aí, nada demais, porque é o que eu mais tinha visto ontem: crianças, atletas de clubes, enfim, pessoas de todas as idades estavam na pista treinando. Na hora em que eu estava abaixando para tirar as botas, veio uma pessoa e falou (em sueco/norueguês):

Kan du ta en bild av oss? (ou algo do gênero, nada que um tradutor on-line não ajude nessa hora)

Vendo que eu não respondia, ele perguntou:

- Você fala inglês?
- Sim
- Pode tirar uma foto nossa?
- Claro

Nessa hora eu olhei para ele e pensei "eu conheço esse cara", mas confesso que fiquei com vergonha de perguntar algo do tipo "você é o fulano de tal?"

Enfim, papo vai, papo vem, ele pergunta de onde eu sou, quanto tempo eu esquio, se eu era o campeão brasileiro ("longe disso", respondi). Eu perguntei de onde ele era, ele respondeu que era norueguês e o grupo era sueco, aparentemente treinando para a Vasaloppet (uma maratona de 90km sobre esquis). E continuava encucado. Não podia ser, o que diabos ele estaria fazendo aqui?

Bom, bati a foto, mas não ia ficar com essa dúvida para sempre. Meio na cara de pau, falei:

- Prazer em conhece-lo, seu nome é?
- Bjorn....Bjorn Dahlie, talvez você tenha ouvido falar de mim.

Pausa. Se você faz parte dos 99,999999% da população brasileira que não faz ideia de quem seja ele, continue lendo. Se você sabe, pode pular a linha pontilhada.

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Bjorn Dahlie é simplesmente o maior medalhista olímpico de inverno de todos os tempos, com 8 medalhas de ouro, mais 9 Mundiais, 29 medalhas em Olimpíadas e Mundiais. Considerando o maior atleta olímpico de inverno até hoje. Tem o maior VO2 registrado de todos os tempos (96 ml/kg/min, e fora de temporada!!!!). E só não ganhou mais porque teve um acidente de roller ski que forçou ele a abandonar o esporte competitivo. Hoje tem uma linha de equipamento esportivo com o nome dele e é idolatrado na Noruega.

"Só" isso.

Se você ainda não esta convencido de quem ele é, imagine que você está jogando futebol em um centro de treinamento e, de repente, chega o Pelé com um grupo para dar umas aulas de futebol.

Convencidos o suficiente? Voltemos ao diálogo.
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- Sim, ouvi muito e tenho visto muitos vídeos sobre você.

Nessa hora, tudo o que eu pensava é "não fale nada estúpido, não fale nada estúpido". Acho que nessa parte me saí bem.

Bom, nos despedimos e eu desci até o meu chalé, uns 50 metros depois. Foi quando eu parei e pensei "sua anta, você podia ter pedido para ele esperar e pegar a câmera para bater uma foto com ele!!!". Mas era tarde demais.

Enfim, não sei se um dia vou encontrar de novo com ele, vai que ele volta ainda essa semana, mas paciência. De qualquer forma, da próxima vez (se houver) é melhor respirar uns 10 segundos antes de ir embora sem uma foto com "O" Cara.

...mas eu continuo me achando um retardado por não ter pensado em bater uma foto na hora.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Neve... aqui me tens de regresso!

Bom, não gosto de soar repetitivo, ainda mais considerando que eu não viajo com tanta frequência assim, mas mais uma vez eu cheguei, mas as minhas malas ficaram pelo caminho, como aconteceu algum tempo atrás. Não é exatamente a melhor coisa do mundo, mas para resumir o problema, aparentemente houve uma grande confusão envolvendo a TAP, o cara do check-in do Galeão e as empresas aéreas. Além do fato das malas (ou uma delas, até agora ninguém explicou direito, embora agora isso não tem a menor importância) terem ficado em Lisboa, eu ainda teria que ter feito o check-in das malas quando eu cheguei em Estocolmo, embora eu tivesse recebido a confirmação de que as malas iriam direto para Ostersund. Enfim, parece que as malas estão no aeroporto daqui, mas estou tentando confirmar com o Mattias (explico mais tarde quem é ele) quando dá para ir pegar, já que o taxi que me trouxe do aeroporto custou a modica quantia de 90 reais, o que significa que para pegar e voltar as malas custaria quase 200 reais.


Enquanto isso, vamos de material emprestado. Nesse momento vai quebrando o galho, embora não seja exatamente o ideal. O importante agora é ganhar rodagem, principalmente porque não vou fazer as primeiras duas provas em Asarna. Novamente resumindo a história: a prova seria no dia 14 e 15 em Asarna. Por algum motivo que eu não entendi, eles anteciparam para esse final de semana e para outra cidade. Porém, a natureza castiga, e teve um temporal na outra cidade que deixou o lugar impraticável. Então eles retornaram a prova para a data original, mas com provas diferentes. Não é motivo para lamentar não, considerando que estou num lugar bom para treinar e ainda tem mais 4 outras provas para fazer.


Não conheço muito a cidade ainda, mas considerando que é uma cidade sueca, me parece bem simpática, ao menos do caminho entre o Aeroporto e o lugar onde eu estou, que fica colado no estádio. Para os curiosos, o site é esse aqui: www.campsodergren.se. É uma espécie de apart-hotel que foi feito para quem esquia (no esquema ski-in/ski-out, que significa que dá para sair de bota direto para pista), com um supermercado (grande) há 10 minutos de distância. Ou seja, o lugar é bacana. Assim que estiver assentado com todas as minhas coisas eu boto as fotos aqui.


A temperatura está fria, bem fria para os meus padrões. Não venta muito, mas hoje de manhã no estádio, o termômetro registrava -13 graus. Temperatura bem baixa para qualquer padrão. Felizmente, algo que eu comprei ano passado e que está salvando a pátria é um negócio chamado Buff, um pano que você bota no pescoço que tem 1001 utilidades e tem o vídeo de demonstração mais rápido e bizarro que eu ja vi. Não sou de fazer propaganda, mas quando algo ajuda você a não congelar o rosto, vale a referência. Ah sim, a pista aqui tem dificuldades variadas, mas em relação ao que aparece na TV durante a Copa do Mundo de Biathlon, as subidas e descidas do percurso são bem piores ao vivo (porque eu achava que tinha umas curvas que seriam fáceis de serem feitas, ledo engano).


Espero no próximo post falar mais sobre o lugar, mas assim que as minhas malas chegarem.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Psss... Não falem alto, mas eu vou esquiar de novo.

Pessoal, depois de um bom tempo, finalmente vou poder esquiar novamente. Não foi por falta de tentativas (três para ser mais exato). A primeira foi em janeiro/11 para Stowe, nos Estados Unidos, a segunda seria para Ushuaia em agosto e a última seria para Idre, na Suécia, agora em dezembro. Todas foram canceladas por motivos de força maior (e que força) e em breve eu conto aqui a história toda (OK, a história toda não que aqui é um blog de esportes, mas os melhores momentos). Felizmente, nenhum problema de saúde ou algo parecido, de tal forma que estamos indo com boas expectativas.

O único problema de demorar tanto para ir é que não há uma referência razoável sobre como estou fisicamente. Se as referências de treinos no seco dizem alguma coisa, ao menos parece que estou no mesmo nível que estava antes, porém com algumas melhoras, principalmente na parte de força na parte superior, um problema que eu reparei há algum tempo e, se não é algo que se consegue melhorar da noite para o dia, ao menos dá para tentar achar uma solução. Independente de qualquer opinião sobre o assunto, a prova dos nove só vai acontecer durante as provas.

Sim, teremos provas, e várias, e em lugares diferentes. Começando na Suécia, em Asarna*, embora fique em Ostersund durante duas semanas, depois indo para Noruega, mais especificamente para Nes, embora fique em Oslo, e, por fim, indo para Jahorina-Dvorista, próximo de Sarajevo, na Bósnia, onde fico do lado da pista.

Quanto a previsões de performance, é melhor não comentar nada agora. Tenho alguma ideia, (sem acento, pela nova grafia portuguesa) e ao longo dos dias vou contando as novidades, quando possível (alguém sabe quanto custa 30 minutos em uma lan house norueguesa?), mas o principal objetivo no momento é embarcar no avião no dia 5, coisa que já tentei três vezes, mas nunca cheguei próximo do aeroporto, e só voltar no dia 30. Se der para fazer isso, já será uma grande vitória.

*Se os engraçadinhos dos organizadores resolverem definir que prova que eles vão realizar e aonde