Pensa que acabou? Nada. Normalmente, a prova significa o fim da viagem. Só que dessa vez nao foi o que aconteceu. Saí correndo para tomar banho, arrumar a mala e pegar o ônibus até Neuquen (numa caçada de gato e rato pela cidade que se contar ninguém acredita). Chegamos no aeroporto, ainda em reformas (parece familiar?), fizemos o check-in e aguardamos, aguardamos, aguardamos (parece mais familiar?). Quando veio a notícia: o aviao que eu ia para Buenos Aires, lá pelas 8 da noite, estava ainda chegando em Buenos Aires. Ou seja: ele ainda ia voltar para Neuquen para ir novamente para Buenos Aires.
O que se seguiu vocês adivinharam: pessoas aglomeradas no balcao da Aerolineas, reclamaçoes (xingamentos nao cheguei a ouvir, mas também nao fiquei tao perto assim), ranger de dentes, espera em um dos dois únicos lugares abertos no aeroporto (o bar/restaurante, o outro era a loja de conveniência). No final, embarque depois das 11 da noite, chegada em Buenos Aires la pela 1 da madrugada e ainda ia dormir em um albergue porque o vôo para o Brasil estava marcado para meio-dia.
Ou seja: as vezes a grama do vizinho nao está tao verde assim.
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terça-feira, 11 de setembro de 2007
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
2o Campeonato Argentino de Winter Triathlon (ou Foi tudo perfeito, exceto...)
O que dizer quando a neve está perfeita, o tempo melhor ainda (até um calorzinho no meio da manha) e tudo está a seu favor? Exceto que nao há desculpas para o desempenho. Certo, tem a altitude (1700 metros já nao é algo que nao dá para nao sentir), mas nao explica muito do resultado.
Resumindo a prova, já que o resultado nao foi exatamente o que estava pensando. Na hora da largada estava eu, concentrado, crente que tinha feito tudo certo, com aquele "friozinho" na barriga típico de quem estava confiante. Mas durou mesmo só até a largada.
Aliás, dica número 1 para largadas: se alguem começar a correr antes de você, mesmo que ainda nao tenham gritado "zero", vá atrás. Fui bancar o honesto porque na contagem regressiva estavam falando ainda o um e os "colegas" partiram e eu refuguei achando que iam mandar voltar. Quando vi, nao abortaram largada nenhuma e tinha caído para o fundo do pelotao em menos de 10 segundos.
Mesmo assim, estava confiante, era so a largada, nao ia ficar entre os primeiros mesmo, era só manter o ritmo planejado e pronto. "Só" isso. Bom, depois da primeira reta, deu para notar que nao era bem assim. Lá fui eu ficando para trás, e mais, e mais.... de fato nao estava me sentindo bem durante a corrida e as subidas nao ajudaram muito (aliás, a corrida foi no mesmo trecho do esqui, aquele que tinha aquela subida escondida - ver post abaixo). De tal modo que, na hora da transiçao, tinha feito em um ritmo próximo do que tinha feito no ano passado, que nao tinha subidas, mas era um pouco mais longo.
Assim, fui eu pedalar na minha Mt.Bike de primeira linha. E, para a minha surpresa a neve estava um asfalto de tao dura. Parecia asfalto. Entretanto, por ser próximo ao lago, o trecho de Mt. Bike tinha muito vento, o que sem ninguém para revezar fazia diferença (e muita, dado quando o pessoal me ultrapassava eu via a diferença). Tirando um trecho pequeno onde a neve estava um pouco mais fofa, o resto passou muito rápido e saí para o esqui até me sentindo um pouco melhor, mas sabendo que estava um pouco atrás (alias, quando fui esquiar, o vencedor já tinha completado a prova).
Enfim, chegou a parte do cross country e suas subidas. Desnecessário comentar como foi as subidas. Foram três voltas bastante desgastantes. Ao menos, por conta da prova, a máquina que montou e alisou a pista fez um bom trabalho e tornou a subida (e a descida) menos perigosa, o que nao impediu que eu caísse algumas vezes.
Na chegada (bem atrás), embora novamente nao fosse o último, cheguei festejado pelos colegas, o Fabian, que ganhou no ano passado e o Daniel, italiano que dividiu o chale (junto com os outros estrangeiros) comigo. Vendo os tempos da prova, deu para notar que, independente do tempo nas duas primeiras partes, a classificaçao foi decidida mesmo na parte do esqui, o que significa que ainda tenho muito o que remar...
No fim, olhando para a prova, alguns pontos a destacar: evitar de treinar, mesmo que leve, antes da prova, ajuda (principalmente se estiver em altitude); esqui nao é só andar no plano, tem que treinar muita subida; e tentar sempre melhorar o condicionamento tanto no ciclismo quanto no mountain bike, porque nesse caso, pode fazer diferença para começar o esqui mais descansado.
Valeu pela experiência, mas bem que poderia ter ido um pouco melhor por conta das condiçoes espetaculares da prova.
Resumindo a prova, já que o resultado nao foi exatamente o que estava pensando. Na hora da largada estava eu, concentrado, crente que tinha feito tudo certo, com aquele "friozinho" na barriga típico de quem estava confiante. Mas durou mesmo só até a largada.
Aliás, dica número 1 para largadas: se alguem começar a correr antes de você, mesmo que ainda nao tenham gritado "zero", vá atrás. Fui bancar o honesto porque na contagem regressiva estavam falando ainda o um e os "colegas" partiram e eu refuguei achando que iam mandar voltar. Quando vi, nao abortaram largada nenhuma e tinha caído para o fundo do pelotao em menos de 10 segundos.
Mesmo assim, estava confiante, era so a largada, nao ia ficar entre os primeiros mesmo, era só manter o ritmo planejado e pronto. "Só" isso. Bom, depois da primeira reta, deu para notar que nao era bem assim. Lá fui eu ficando para trás, e mais, e mais.... de fato nao estava me sentindo bem durante a corrida e as subidas nao ajudaram muito (aliás, a corrida foi no mesmo trecho do esqui, aquele que tinha aquela subida escondida - ver post abaixo). De tal modo que, na hora da transiçao, tinha feito em um ritmo próximo do que tinha feito no ano passado, que nao tinha subidas, mas era um pouco mais longo.
Assim, fui eu pedalar na minha Mt.Bike de primeira linha. E, para a minha surpresa a neve estava um asfalto de tao dura. Parecia asfalto. Entretanto, por ser próximo ao lago, o trecho de Mt. Bike tinha muito vento, o que sem ninguém para revezar fazia diferença (e muita, dado quando o pessoal me ultrapassava eu via a diferença). Tirando um trecho pequeno onde a neve estava um pouco mais fofa, o resto passou muito rápido e saí para o esqui até me sentindo um pouco melhor, mas sabendo que estava um pouco atrás (alias, quando fui esquiar, o vencedor já tinha completado a prova).
Enfim, chegou a parte do cross country e suas subidas. Desnecessário comentar como foi as subidas. Foram três voltas bastante desgastantes. Ao menos, por conta da prova, a máquina que montou e alisou a pista fez um bom trabalho e tornou a subida (e a descida) menos perigosa, o que nao impediu que eu caísse algumas vezes.
Na chegada (bem atrás), embora novamente nao fosse o último, cheguei festejado pelos colegas, o Fabian, que ganhou no ano passado e o Daniel, italiano que dividiu o chale (junto com os outros estrangeiros) comigo. Vendo os tempos da prova, deu para notar que, independente do tempo nas duas primeiras partes, a classificaçao foi decidida mesmo na parte do esqui, o que significa que ainda tenho muito o que remar...
No fim, olhando para a prova, alguns pontos a destacar: evitar de treinar, mesmo que leve, antes da prova, ajuda (principalmente se estiver em altitude); esqui nao é só andar no plano, tem que treinar muita subida; e tentar sempre melhorar o condicionamento tanto no ciclismo quanto no mountain bike, porque nesse caso, pode fazer diferença para começar o esqui mais descansado.
Valeu pela experiência, mas bem que poderia ter ido um pouco melhor por conta das condiçoes espetaculares da prova.
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quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Últimos Preparativos
Com a corrida chegando, estava na hora de começar a acertar os últimos detalhes. Esqui, OK. Botas, OK. Tênis, OK. Bicicleta....é, isso ainda não. Como eu já comentei que a cidade é, aham, pequena, achar um lugar onde tivesse algo no mínimo igual a que eu andei em Ushuaia já seria muito bom.



Surpreendentemente, veio algo melhor ainda: depois de uma tentativa frustrada com um outro local que participa de provas de trenó de cachorro (em inglês, joring), o filho do motorista (aquele mesmo que me levou para Caviahue) tinha uma Merida muito acima da média. Duro foi conseguir pegá-la para treinar. Era sempre "amanhã" (os tchecos a essa altura não paravam de gozar com o "amanhã"). No final das contas, somente na quinta (a prova era no sábado) consegui dar umas voltas.
Enquanto isso, lá ia eu tentar andar o máximo com os esquis na pista, ainda não alisada, para a prova (veja na foto abaixo onde, por exemplo, seria o lugar do ciclismo, na quarta-feira). No meio do caminho encontrei meus colegas de Ushuaia, Fabian e Ricardo, que chegaram uns 2 dias antes. Desta vez, não saímos todos juntos porque eles vieram equipados de van, parte da família e treinador novo, mas foi legal revê-los.
Assim, chegou a sexta-feira, e talvez o maior susto antes da prova. Não, não foi nenhum tombo. Foi mais ou menos por volta do meio-dia. Estava eu dando um giro no que eu achava que era a volta completa de esqui. Quando cheguei para um dos organizadores e perguntei qual era o traçado. Ele foi descrevendo "sobe por ali, desce por aqui, passa por detrás do bosque, vai até o hotel....". Como assim, até o hotel? "É, vai subindo por ali e continua subindo". Resumo da história, como só montaram o traçado na véspera com o trator empurrando a neve para dentro do asfalto, alguém montou um caminho que passava por trás do bosque e ia parar no estacionamento do hotel onde estávamos (veja aonde na foto abaixo, mais para a esquerda). E como a subida é a pior parte na hora de subir E de descer, se a descida for íngreme (o que era o caso), o ideal é treinar exaustivamente o trecho. Nesse caso a subida ia até mais ao alto do que antes, e descia como se fosse uma montanha russa em dois morros, sendo que no final uma curva apertada à direita mostrava que tinha que ter um mínimo de técnica para não se esborrachar na neve. E eu teria que fazer isso 3 vezes....
Desse jeito, fomos para o congresso técnico/coletiva de imprensa, onde após algumas discussões sobre direitos militares, voltamos para o chalé, jantamos e, no meu caso, ainda tive que passar uma cera melhorzinha no meu esqui, já que qualquer coisa é melhor do que nada, o que era o caso.
E "vamos que vamos".................
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Caviahue, a cidade dos turistas (literalmente)
Quando ouvi falar em Caviahue, a primeira impressão foi algo do tipo "cidade a beira de uma estação de esqui", algo como Aspen, guardadas as devidas proporções. Ao chegar lá tomei um susto: não em relação à "estação de esqui" pois, de fato, o lugar fica a beira de uma estação de esqui e vive basicamente disto, mas em relação ao "cidade".
Como se descreveria um lugar onde você atravessa em 5 minutos de norte a sul ou de leste a oeste? Mercadinhos, uns 3 com muito boa vontade. Hospital, um e sabe-se lá o que tem. Caixas eletrônicos? Não, CAIXA eletrônico (e ainda assim nem sempre ele está on-line). Internet só funciona bem se (eu falei "se") as duas antenas funcionam ao mesmo tempo, senExistem mais leitos para turistas do que habitantes na cidade. Ushuaia é megalópole em relação a Caviahue. "Ovo" seria um elogio ao descrever o tamanho do lugar.
(Ia me esquecendo, a cidade mais próxima, Copahue, só funciona no verão. No inverno ela é uma cidade fantasma)
Não que a paisagem seja feia. Vejam abaixo as fotos e vocês vão ter uma idéia do que eu estou falando. Mas as araucárias... digamos que me soam familiar, geneticamente falando.
Em resumo, o lugar é bonito, quase paradisíaco (sob o ponto de vista invernal), mas falta um pouco de, digamos, "charme". Mas é o preço que se paga pelo fato dela ter somente 20 anos de existência.
O principal ponto é que, por conta disso, a estrutura para treino é bastante ruim. Uma pista para cross country não existe, e foi criada somente para a competição no meio de casas abandonadas (durante o inverno não há como construir nada, sendo obrigados a deixar tudo parado por meses). Ou seja, quem está engatinhando no esporte (meu caso) sofre, e muito, com esse tipo de dificuldade.




Mesmo assim, pode-se dizer que os treinos foram bem, já que consegui até ensaiar alguns passos em V2 (o passo básico da técnica livre é o V1). Ao menos a minha prancha deslizante do Rio serviu para alguma coisa. Aguardemos a corrida.
Como se descreveria um lugar onde você atravessa em 5 minutos de norte a sul ou de leste a oeste? Mercadinhos, uns 3 com muito boa vontade. Hospital, um e sabe-se lá o que tem. Caixas eletrônicos? Não, CAIXA eletrônico (e ainda assim nem sempre ele está on-line). Internet só funciona bem se (eu falei "se") as duas antenas funcionam ao mesmo tempo, senExistem mais leitos para turistas do que habitantes na cidade. Ushuaia é megalópole em relação a Caviahue. "Ovo" seria um elogio ao descrever o tamanho do lugar.
(Ia me esquecendo, a cidade mais próxima, Copahue, só funciona no verão. No inverno ela é uma cidade fantasma)
Não que a paisagem seja feia. Vejam abaixo as fotos e vocês vão ter uma idéia do que eu estou falando. Mas as araucárias... digamos que me soam familiar, geneticamente falando.
Em resumo, o lugar é bonito, quase paradisíaco (sob o ponto de vista invernal), mas falta um pouco de, digamos, "charme". Mas é o preço que se paga pelo fato dela ter somente 20 anos de existência.
O principal ponto é que, por conta disso, a estrutura para treino é bastante ruim. Uma pista para cross country não existe, e foi criada somente para a competição no meio de casas abandonadas (durante o inverno não há como construir nada, sendo obrigados a deixar tudo parado por meses). Ou seja, quem está engatinhando no esporte (meu caso) sofre, e muito, com esse tipo de dificuldade.
Mesmo assim, pode-se dizer que os treinos foram bem, já que consegui até ensaiar alguns passos em V2 (o passo básico da técnica livre é o V1). Ao menos a minha prancha deslizante do Rio serviu para alguma coisa. Aguardemos a corrida.
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terça-feira, 28 de agosto de 2007
Cadê a #%@#%@#% do esqui que estava aqui?
Como cheguei segunda-feira de madrugada, fácil imaginar que o resto do dia foi basicamente para descansar. Saí para correr com a Sarka por uns 30 minutos, e nem dava para fazer mais do que isso, já que o tempo estava horroroso, nevando muito, ventando muito. Valeu por experimentar meus tênis que seriam usados na corrida.
Aliás, as duas primeiras noites não foram das mais, digamos, privativas, já que fiquei dividindo o mesmo quarto com meus colegas tchecos (fazer o quê).
Na terça, o tempo melhorou e fomos os três correr de manhã. Se deu para perceber alguma coisa é que 1500 metros de altitude já são alguma coisa, principamente para quem não estava no mesmo nível de preparação dos outros. Enfim, quem está na neve é para passar frio e sofrer com a altitude e fomos no lema 'vamos que vamos'....
Antes do almoço, nos encontramos com o Daniel, o italiano que ganhou a prova de Ushuaia esse ano (atual número 5 do ranking) e que seria o nosso companheiro no chalé que a organização alugou.
À tarde, fomos todos fazer um pouco de turismo. Já que a cidade fica na boca do vulcão 'mais ou menos' adormecido (nos últimos 100 anos anda tranquilo, como da para ver na foto), fomos ver algo diferente. Para fechar com chave de ouro, levamos os esquis para fazer um enorme treino de descida. Só não seria perfeito porque fazia praticamente 1 ano que eu não botava os pés em um par de esquis, mas indo devagar e sempre, quem sabe? (ledo engano)

Assim, subimos em um pequeno trator (snow track para os que conhecem, veja foto abaixo)...


Então, para tentar adiantar a minha vida, comecei a me equipar para tentar lembrar como é que se esquiava na neve mesmo. Calcei as botas, peguei os bastões, peguei um dos esquis e.... cadê o outro? Como todos os esquis estavam do lado de fora do snow track e, o mesmo estava em subida...e o meu era o único que não tinha um prendedor (já que era alugado), um deles resolveu ficar pelo caminho.
Um misto de apavorado e preocupado comecou a tomar conta de mim e já estava pensando no prejuízo. Os outros três já começaram a descida desde o início, e eu lá no snow track, olhando para tudo quanto é canto pelo esqui desaparecido (mais um pouco e eu ia começar a gritar perguntando por ele, ao melhor estilo 'mãe do Calvin'). Lá pela metade da descida, lá estava ele, fincado na neve (os outros três tinham visto antes e deixaram bem a mostra), e finalmente consegui descer de esqui.
Nesse momento, resolvam a seguinte equação: alguém totalmente destreinado + sozinho no meio da estrada (no verão, quando a neve derrete é uma estrada) + temperatura esfriando (mais) por conta do fim do dia + se recuperando do susto da quase perda do esqui = .... Sem mais comentarios.
Claro que a descida não foi completamente sozinha. O motorista do snow track ia atrás "acompanhando" a minha descida (isso porque ele ainda teve que parar algumas vezes), mas ainda assim foi coisa meio de maluco. Se tivesse acompanhando os outros, com certeza teria um pouco mais de segurança na hora da descida, mas paciência, o intensivão serviu para me reaclimatar com o esqui. Cheguei com o sol quase se pondo (apesar de ser inverno, o sol lá se põe relativamente tarde) e todo mundo me esperando.
A vida em Caviahue não ia ser fácil.
Aliás, as duas primeiras noites não foram das mais, digamos, privativas, já que fiquei dividindo o mesmo quarto com meus colegas tchecos (fazer o quê).
Na terça, o tempo melhorou e fomos os três correr de manhã. Se deu para perceber alguma coisa é que 1500 metros de altitude já são alguma coisa, principamente para quem não estava no mesmo nível de preparação dos outros. Enfim, quem está na neve é para passar frio e sofrer com a altitude e fomos no lema 'vamos que vamos'....
Antes do almoço, nos encontramos com o Daniel, o italiano que ganhou a prova de Ushuaia esse ano (atual número 5 do ranking) e que seria o nosso companheiro no chalé que a organização alugou.
À tarde, fomos todos fazer um pouco de turismo. Já que a cidade fica na boca do vulcão 'mais ou menos' adormecido (nos últimos 100 anos anda tranquilo, como da para ver na foto), fomos ver algo diferente. Para fechar com chave de ouro, levamos os esquis para fazer um enorme treino de descida. Só não seria perfeito porque fazia praticamente 1 ano que eu não botava os pés em um par de esquis, mas indo devagar e sempre, quem sabe? (ledo engano)
Assim, subimos em um pequeno trator (snow track para os que conhecem, veja foto abaixo)...
Então, para tentar adiantar a minha vida, comecei a me equipar para tentar lembrar como é que se esquiava na neve mesmo. Calcei as botas, peguei os bastões, peguei um dos esquis e.... cadê o outro? Como todos os esquis estavam do lado de fora do snow track e, o mesmo estava em subida...e o meu era o único que não tinha um prendedor (já que era alugado), um deles resolveu ficar pelo caminho.
Um misto de apavorado e preocupado comecou a tomar conta de mim e já estava pensando no prejuízo. Os outros três já começaram a descida desde o início, e eu lá no snow track, olhando para tudo quanto é canto pelo esqui desaparecido (mais um pouco e eu ia começar a gritar perguntando por ele, ao melhor estilo 'mãe do Calvin'). Lá pela metade da descida, lá estava ele, fincado na neve (os outros três tinham visto antes e deixaram bem a mostra), e finalmente consegui descer de esqui.
Nesse momento, resolvam a seguinte equação: alguém totalmente destreinado + sozinho no meio da estrada (no verão, quando a neve derrete é uma estrada) + temperatura esfriando (mais) por conta do fim do dia + se recuperando do susto da quase perda do esqui = .... Sem mais comentarios.
Claro que a descida não foi completamente sozinha. O motorista do snow track ia atrás "acompanhando" a minha descida (isso porque ele ainda teve que parar algumas vezes), mas ainda assim foi coisa meio de maluco. Se tivesse acompanhando os outros, com certeza teria um pouco mais de segurança na hora da descida, mas paciência, o intensivão serviu para me reaclimatar com o esqui. Cheguei com o sol quase se pondo (apesar de ser inverno, o sol lá se põe relativamente tarde) e todo mundo me esperando.
A vida em Caviahue não ia ser fácil.
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segunda-feira, 27 de agosto de 2007
John Wayne da Patagônia
Pois é, cheguei tranquilo em Neuquen, ou melhor, no aeroporto de Neuquen, já que a cidade fica um pouco afastada (embora o que seja cidade é algo meio relativo, porque as casas são todas espalhadas). Viagem relativamente tranquila, já que não precisei mofar no aeroporto, a exceção ficou por conta do translado Ezeiza-Aeroparque, algo do tipo Galeão-Santos Dumont. Como meu vôo estava quase em cima da hora, tive que pegar um taxi para chegar com alguma folga, mas com isso consegui jantar, o que foi algo muito bom considerando as horas seguintes.
Só que, se a viagem fosse tranquila, não seria uma viagem minha. Faltava a segunda parte: a ida de carro até Caviahue.
Problema 1: Ao chegar no aeroporto, encontrei com o motorista que ia levar eu mais um casal de tchecos (Ivo e Sarka, esta última invicta nas provas de Triathlon de Inverno no Hemisfério Sul). Logo, chegamos no carro que ia nos levar: um Renault 21 para 1 motorista, 3 acompanhantes, 3 malas, 2 sacolas de esqui....e 2 malas enormes com 1 bicicleta dentro de cada uma!
Acerta daqui, acerta dali, já estava vendo a hora em que eu ia espirrar do carro (inferioridade numérica). Mas, felizmente, os tchecos conseguiram entender a situação (eles estavam apavorados com um medo - compreensível - das malas cairem do carro, afinal de contas eles não estão acostumados com o 'jeitinho argentino') e lá fomos nós por volta de 10:30 da noite andar 3 horas de carro.
O trajeto é, digamos, monótono, mas a estrada ao menos é razoável. Tirando o vento, que é forte, lá fomos nós, estrada fora bem sozinhos (sem falar de apertados, eu no banco da frente com a minha mala embaixo das pernas com um movimento mínimo). E lá íamos nós, passando por uma cidade vazia, uma reta grande, outra cidade vazia, outra reta gran.., outra cidade... zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz, outra cidade vazia, outra reta grande. Enfim, deu para notar o TÉDIO que foi por quase 3 horas.
O 'quase' ficou pelos últimos 30 ou 40 minutos. O vento apertou de tal forma que numa hora começou a voar tudo quanto é tipo de natureza morta, inclusive aqueles 'rolinhos' de galhos que aparecem em filmes do Velho Oeste. No que fez o nosso motorista soltar a pérola:
- Olha só, John Wayne!!
De fato, analizando friamente (e tempo foi o que não faltou na viagem) e considerando que:
1) Estávamos no meio do nada
2) A vegetação era totalmente árida
3) A principal atividade do lugar era a extração de petróleo
De fato, só faltava o próprio John aparecer em um posto de gasolina, enquanto o carro era reabastecido.
Mas embora o vento assustasse, o que me fez entender um pouco a situação do pessoal que pedala lá em Kona, o que realmente assustou foi a subida da montanha até Caviahue. Isso porque, pela neve acumulada e pelo vento, a neve, devidamente congelada, começou a invadir a pista. E o nosso motorista andando como se estivesse quase normal, ou seja, muito mais rápido do que a prudência manda.
Já via as manchetes "Brasileiro sofre grave acidente na Argentina", "Carro desgovernado cai no meio da Argentina, brasileiro fica ferido". Enfim, lá fomos nós. Inacreditavelmente, e graças a um jogo de pneus apropriado para a situação (que só foi mostrado somente quando chegamos), chegamos a Caviahue lá pelas 2 da manhã, desejando uma cama para conseguir descansar.
E assim começou a semana...
Só que, se a viagem fosse tranquila, não seria uma viagem minha. Faltava a segunda parte: a ida de carro até Caviahue.
Problema 1: Ao chegar no aeroporto, encontrei com o motorista que ia levar eu mais um casal de tchecos (Ivo e Sarka, esta última invicta nas provas de Triathlon de Inverno no Hemisfério Sul). Logo, chegamos no carro que ia nos levar: um Renault 21 para 1 motorista, 3 acompanhantes, 3 malas, 2 sacolas de esqui....e 2 malas enormes com 1 bicicleta dentro de cada uma!
Acerta daqui, acerta dali, já estava vendo a hora em que eu ia espirrar do carro (inferioridade numérica). Mas, felizmente, os tchecos conseguiram entender a situação (eles estavam apavorados com um medo - compreensível - das malas cairem do carro, afinal de contas eles não estão acostumados com o 'jeitinho argentino') e lá fomos nós por volta de 10:30 da noite andar 3 horas de carro.
O trajeto é, digamos, monótono, mas a estrada ao menos é razoável. Tirando o vento, que é forte, lá fomos nós, estrada fora bem sozinhos (sem falar de apertados, eu no banco da frente com a minha mala embaixo das pernas com um movimento mínimo). E lá íamos nós, passando por uma cidade vazia, uma reta grande, outra cidade vazia, outra reta gran.., outra cidade... zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz, outra cidade vazia, outra reta grande. Enfim, deu para notar o TÉDIO que foi por quase 3 horas.
O 'quase' ficou pelos últimos 30 ou 40 minutos. O vento apertou de tal forma que numa hora começou a voar tudo quanto é tipo de natureza morta, inclusive aqueles 'rolinhos' de galhos que aparecem em filmes do Velho Oeste. No que fez o nosso motorista soltar a pérola:
- Olha só, John Wayne!!
De fato, analizando friamente (e tempo foi o que não faltou na viagem) e considerando que:
1) Estávamos no meio do nada
2) A vegetação era totalmente árida
3) A principal atividade do lugar era a extração de petróleo
De fato, só faltava o próprio John aparecer em um posto de gasolina, enquanto o carro era reabastecido.
Mas embora o vento assustasse, o que me fez entender um pouco a situação do pessoal que pedala lá em Kona, o que realmente assustou foi a subida da montanha até Caviahue. Isso porque, pela neve acumulada e pelo vento, a neve, devidamente congelada, começou a invadir a pista. E o nosso motorista andando como se estivesse quase normal, ou seja, muito mais rápido do que a prudência manda.
Já via as manchetes "Brasileiro sofre grave acidente na Argentina", "Carro desgovernado cai no meio da Argentina, brasileiro fica ferido". Enfim, lá fomos nós. Inacreditavelmente, e graças a um jogo de pneus apropriado para a situação (que só foi mostrado somente quando chegamos), chegamos a Caviahue lá pelas 2 da manhã, desejando uma cama para conseguir descansar.
E assim começou a semana...
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Proxima Parada: Caviahue
O primeiro destino deste blog será Caviahue. Uma lugar tão contramão quanto (talvez até mais do que) Ushuaia, mas também muito diferente e, segundo me contaram, até mais bonito. Isso só vendo.
A peculiaridade de Caviahue é que ela está situada próxima a um vulcão (extinto, claro) e próximo da cidade (muito pequena) fica um lago, onde vai ocorrer mais uma edição da ITU Pan-American Cup (chique, né?) de Triathlon de Inverno (ou Winter Triathlon para os chiques).
A idéia era fazer as duas etapas que vão ter na Argentina esse ano, sendo que a outra será no mesmo lugar em Ushuaia, mas por motivos de força maior só poderei estar em Caviahue, e mesmo assim tenho que voltar rapidinho, em virtude de outros compromissos.
Além do lugar, outra coisa que será novidade para mim é a altitude. Tudo bem que são alguma coisa acima dos 1.000 metros (entre 1.000 e 1.500, quando chegar lá eu descubro), mas para quem sempre correu a vida inteira no nível do mar, faz alguma diferença no rendimento, embora não signifique que vai faltar ar, como se estivesse subindo o Everest.
Enfim, quando chegar lá eu conto as novidades do lugar.
A peculiaridade de Caviahue é que ela está situada próxima a um vulcão (extinto, claro) e próximo da cidade (muito pequena) fica um lago, onde vai ocorrer mais uma edição da ITU Pan-American Cup (chique, né?) de Triathlon de Inverno (ou Winter Triathlon para os chiques).
A idéia era fazer as duas etapas que vão ter na Argentina esse ano, sendo que a outra será no mesmo lugar em Ushuaia, mas por motivos de força maior só poderei estar em Caviahue, e mesmo assim tenho que voltar rapidinho, em virtude de outros compromissos.
Além do lugar, outra coisa que será novidade para mim é a altitude. Tudo bem que são alguma coisa acima dos 1.000 metros (entre 1.000 e 1.500, quando chegar lá eu descubro), mas para quem sempre correu a vida inteira no nível do mar, faz alguma diferença no rendimento, embora não signifique que vai faltar ar, como se estivesse subindo o Everest.
Enfim, quando chegar lá eu conto as novidades do lugar.
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