(Sexta-feira, 18 de agosto) Faltando um dia para a prova, a última coisa que se deve fazer é treinar, muito embora até que não acharia ruim esquiar um pouco mais para 'apurar' a técnica, se é que isso é realmente possível no meu caso, mas como já estava lá fazia algum tempo, até que um dia de folga antes da prova não seria de todo ruim.
Então, aproveitando que meus colegas de quarto Fabian e Ricardo, mais o técnico deles, o Luiz, alugaram um carro para dar um giro por Ushuaia, lá fomos nós até o lugar onde a estrada acaba. Não, não é força de expressão, não é aqueles lugares onde você vai e não tem saída, porque nesses casos você pode voltar e pegar outra estrada para ir ao sul, ao norte, a leste, a qualquer outro lugar.
Isso porque a Ruta Nacional n°4, que começa lá por Buenos Aires, simplesmente acaba na Baía Lapataia, e não há como seguir adiante porque dalí para baixo só tem água. Ou seja, a Baía Lapataia é o lugar mais ao sul na Terra que uma pessoa por ir de carro. OK, tem a Antártida, mas lá só tem trator e motoneve. Para quem sempre sonhou ir sempre mais ao sul depois de chegar em Santa Catarina, não deixa de ser um sonho realizado.
Chegar lá, no entanto, é uma aventura, principalmente quando é inverno e está nevando. Sim, porque foi só desejar que não nevasse que começou a nevar de forma absurda desde de manhã. E a estrada, a partir de um certo momento, deixa de ser asfalto para virar terra, embora bem cuidada em muitos trechos.
Dentro do parque não há muitas indicações (aliás, chegar ao parque também é um pouco confuso, pelo menos só tem uma estrada), você vai andando pela estrada fora bem sozinho e vez ou outra tem uma placa dizendo "Baia Lapataia, tantos kms". As curvas no caminho, no entanto, deixam qualquer etapa do WRC (O Campeonato Mundial de Rally) morrendo de inveja, o que ajudou a passar um pouco a tensão de imaginar o que poderia acontecer se o carro quebrasse, afinal de contas, éramos nós isolados e nada mais.
Entre mortos e feridos, chegamos até a Baia Lapataia. Mas pelo visto ela não estava de bom humor. Poucos metros antes, o sol tinha aparecido, não ventava e parecia que o tempo ia melhorar (deu até para parar e tirar umas fotos do parque). Parecia. Quando chegamos (como se pode ver pelas fotos abaixo), o tempo estava muito feio, misturando vento frio com um esboço de neve. Éramos nós, algumas lebres, e o frio...ah, sim, e a placa que parecia indicar "daqui vocês não passam".
Isso fez com que nossa estada durasse pouco mais do que 15 minutos por alí, mas apesar de tudo foi muito legal. Entramos correndo no carro e voltamos para a cidade. De lá, fomos até Tierra Mayor, onde demos uma volta no percurso a pé, verificando que a neve já estava bem fofa, e vimos que o tempo não ajudou muito a organização a montar a estrutura para a prova.
Quando voltamos para a cidade, anoitecendo (e lá anoitece com extrema rapidez) a nevasca piorou muito, o que fez com que o retorno fosse a 20km/h, com MUITO cuidado e a visibilidade fosse próxima de zero, e não é força de expressão. Eu já imaginava as manchetes "Brasileiro sofre acidente contra um caminhão na Argentina". Felizmente, a estrada estava vazia e só quem realmente precisava andar lá se meteu nessa roubada. Depois, fomos ao nosso 'jantar de massas' em um restaurante local e ir para a cama, porque o dia seguinte seria bastante longo.
sexta-feira, 18 de agosto de 2006
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