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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Brasileiro de Cross Country 2010: 15 km Livre - Porque a esperanca e a ultima... que chega

Depois de dias de molho, exaustao, cansaco e quedas, finalmente chegou o dia de ter uma prova que me favorecesse. Pista tranquila, neve relativamente rapida, sem possibilidade de apelar para os trilhos para andar mais rapido.

Entao, para ajudar um pouco, resolvi dar uma boa encerada nos esquis (provavelmente nao tanto quanto os outros, mas foi com o que eu tinha) e deixei tudo preparado com antecedencia para a prova. O dia estava ensolarado e estava tudo mais ou menos encaminhado.

Chegou a hora da prova, 4 voltas em um percurso com formato de oito. A primeira perna foi a mesma que corremos ontem e quase igual a de anteontem. Para chegar na segunda perna, tinhamos que atravessar no meio do caminho dos turistas e esquiadores de Cerro Castor e entrar em um trecho que foi usado na MarchaBlanca e que e bem plano.

A dificuldade, mais uma vez, ficava por conta da neve. Quando chegamos a neve estava muito dura. Voce sabe quando ela esta dura quando voce passa por ela e nao deixa nenhuma marca dos esquis. Porem, ao longo do dia, a medida em que o pessoal ia passando e o sol aquecendo a neve, ela ficou mais fofa, mais lenta e pesada. Pessoalmente nao gosto de neve que parece gelo, entao a perspectiva era boa.

A largada era individual, sendo os mais lentos largando na frente. Dessa forma, parti em disparada com a missao de nao tomar volta de ninguem. A primeira volta passou voando: 12 minutos. Estava em um bom ritmo e acho que ate daria para tentar completar abaixo dos 50 minutos, mas ai, na unica dificuldade da pista, uma descida traicoeira, aterrisei de cara para a neve e o esqui saiu do pe. Sim, aquele mesmo esqui que deu problema na MarchaBlanca. Antes que me condenem pelo relaxamento, posso me defender dizendo que levei esse par ate a loja de esquis e falei com o dono, que importa os esquis de cross country (o unico da America do Sul toda). Ele checou, usou outra bota, fez um teste para tentar arrancar a bota do esqui, mas nao achou nada. Por isso resolvi nao trocar a fixacao, mas acho que vou faze-lo enquanto estou aqui.

O problema da queda nao seria grave, exceto pelo fato de que, como a neve estava molhada, estava atrapalhando na hora de colocar a bota no esqui. Como estava no final de uma descida, os esquis nao paravam na neve e o panico foi aumentando. Uns 2 minutos depois consegui finalmente recolocar a bota nos esquis, nao sem antes derrubar com o meu bastao o Lutz, que passava na hora enquanto tentava recolocar o bastao. Enfim, parti de novo e com a esperanca de tentar forcar o maximo que dava para recuperar o tempo perdido.

O restante da prova, tirando uma queda boba no plano mas que foi rapidamente resolvida, foi em um bom ritmo. Fechei as duas ultimas voltas em 13 min e 13 min 30 seg, o que provavelmente faria com que eu fechasse a prova em 51 minutos mas, com as quedas, terminei a prova em 53 min 28 seg. Com certeza a prova mais rapida que ja fiz no percurso mais facil que ja andei. Nao tomei volta de ninguem e, se nao tivesse caido, teria brigado pela posicao na minha frente, ja que o Helio teve uma queda (rara) na terceira volta e sentiu um pouco de caibras antes de voltar a andar. Como a pista tinha varios lugares abertos, dava para ver aonde ele estava na minha frente. Essa possibilidade de brigar para valer uma posicao com alguem NUNCA havia acontecido antes, e por bem pouco todas as minhas frustracoes da minha estada aqui teriam ido embora. Assim, novamente fui o ultimo entre os atletas FIS, mas nao o ultimo entre os brasileiros.

Enfim, amanha ainda vai dar para dar um giro para soltar um pouco e aproveitar o fato de estar aqui no lugar apropriado para esquiar. Depois eu volto para fazer o saldo da viagem.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Brasileiro de Cross Country 2010: Sprint Clássico - Cumprindo Tabela

Nada como um dia após o outro. Nao, definitivamente nao tive uma performance excepcional hoje, seria algo como o Íbis ganhar o Campeonato Pernambucano, mas ao menos tive uma prova mais normal, dentro das restriçoes que tenho.

O dia hoje começou animado, as 8 da madrugada (aqui o sol nasce as 8:30 atualmente), me vem um argentino batendo na porta de falando "Marcelo... Marcelo...". Como o infeliz nao se mancava que estava batendo na porta errada, acabei levantando, abri a porta e falei: "Eu nao sou Marcelo". So consegui ouvir um sussurro de pedido de desculpas enquanto batia a porta e voltei para a cama.

Fomos para Cerro Castor e o prognostico em relaçao a ontem nao mudou muito. De fato, a pista era a mesma, a neve era a mesma e os adversários eram os mesmos. A diferença foi que, ao invés de 10 km, a prova era de categoria sprint, de menos de 1,5 km, logo o esforço seria menor. A estratégia para a prova era simples: forçar até o limite o tempo todo, já que a prova dura uns 5 minutos. Cera? Tirando uma ou outra subidinha, era tudo no braço, como ontem, e a distância ainda mais curta de hoje dispensava qualquer aplicaçao extra na base do esqui.

O resultado nao preciso falar muito, já que foi dentro do esperado (aliás, quando eu sair da incômoda última posiçao, eu aviso), mas ao menos me senti bem melhor, caí menos (e descobri o segredo de nao cair numa descida enjoada) e completei com um pouco mais de honra.

Para completar o dia, mais uma surpresa: voltando de van para o hotel (aqui as vans imperam e sao todas legalizadas para transportar turistas para os centros de esqui da regiao), o nobre motorista esqueceu de mim e foi até o outro lado da cidade quando, ao abrir a porta para que outros passageiros saltassem, ele olhou para mim e se lembrou de que tinha que ter parado no centro para me deixar antes de dar essa volta toda. A essa hora, nem estava ligando muito para isso, afinal de contas, aquilo nao ia mudar muito a minha vida mesmo.

Amanha é o último dia de provas, os 15 km livres. Dessa vez a pista me favorece. Espero que saia tudo bem amanha.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Brasileiro de Cross Country 2010: 10km Classico - Faltou um braço a mais

Depois da prova de domingo houve pouco tempo para descanso porque de hoje até sexta serao realizadas as provas do Brasileiro de Cross Country, que obviamente seria no Brasil se lá houvesse neve (no máximo daria para fazer as provas de rollerski).

Considerando que a máquina que prepara a pista da Francisco Jerman, local onde deveriam acontecer as provas, está quebrada desde a semana passada, os argentinos improvisaram uma pista de 2 km do lado do Cerro Castor e, como a matemática manda, tivemos que dar 5 voltas nela.

O percurso em si nao era difícil. De fato, quando fui fazer o reconhecimento, contaram que a pista estava verdadeiramente "cross", com direito a toco de árvore no meio da pista, que fazia você decolar. Na verdade, era uma raiz que fazia dar um leve salto, sem grandes consequências. O problema maior era a neve. Assim como aconteceu em 2009 em Liberec, a neve quase gelo fazia a cera que agarra, que é o básico para conseguir realizar a técnica clássica, ser raspada da base. Sem cera, o único jeito que você tem de locomover-se é usando a técnica de "double pole" (ainda nao consegui uma traduçao para isso, mas por enquanto fica como "bastao duplo") o que signfica ter braço, mas muito braço, coisa que eu nao tenho, infelizmente e que cheguei a essa conclusao nas últimas semanas.

Como o percurso nao era complicado, resolvi colocar a cera e nao o klister, que é uma espécie de cola que se coloca no lugar da cera de agarre. Na pior das hipóteses, ia sofrer horrores. A maioria preferiu o klister.

E lá fomos nós para a prova. Novamente fui o número 1, e dessa vez nao sei qual foi o critério. Como a largada era no sistema de intervalos, ia ser novamente ultrapassado por todo mundo. Nos primeiros metros, tudo bem, mas depois a cera se mostrou muito pouco confiável e, para piorar, estava deixando meu esqui mais lento. Antes nao tivesse botado nada, pelo menos ia deslizar mais rápido.

Embora o percurso nao fosse dificil na questao da altimetria, era muito complicado na questao largura, aliás como qualquer outro percurso daqui. Para se ter uma ideia, tinha uma seçao onde havia mao e contra-mao em algo nao maior do que 2 metros de largura. Entao, com a minha falta de jeito, nao estava conseguindo relaxar por causa do pessoal me passando e do medo que me esborrachar em uma árvore. Entao, no final da 1a volta, já havia notado que os prognósticos nao estavam a meu favor....

O que foram as outras 4 voltas? Em resumo, um sofrimento só. Tendo que usar só os bastoes, cansei bem rápido e ia sendo ultrapassado o tempo todo. Literalmente, precisava de mais um braço para andar bem. No fim, última posiçao entre os atletas FIS e o tempo final de quase 1 hora (nem quero saber o tempo exato).

Se algo positivo pode ser tirado da prova é que, de fato, como havia notado desde julho, preciso muito melhorar e fortalecer o movimento com os bastoes. Se nao, vou passar o resto da minha vida sofrendo desse jeito.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

24a MarchaBlanca - Edicao 2010, Parte 2: ...e entao Feidipides gritou "Vencemos" e....

Eu tinha a possibilidade de tomar o atalho no meio da prova porque o percurso e ao longo de um vale que vai de Tierra Mayor ate Cerro Castor. E a metade da percurso cruzava o outro lado do vale, na altura de Tierra Mayor.

Dessa forma, com todos os problemas nas costas (nao, pelo menos minhas costas estao bem, essa foi apenas uma figura de linguagem), la fui eu para 21 km de esqui. Obviamente nao ia sair desembestado, mas mesmo assim, sabia que nao ia ser facil.

A pista estava bem rapida. Isso seria apenas positivo se tivessem preparado direito a pista. So que entre maquinas quebradas (tipico daqui) e improvisacoes, a neve bem endurecida deixava a pista com um leve toque de sabao, alem de ter subidas que pareciam paredes de gelo. Como a altimetria e mais tranquila do que nas provas na Europa, dava para manter um ritmo razoavel no plano e nas subidas entraria no chamado "modo de seguranca".

Britanicamente atrasada (todo ano atrasa, dessa vez foi por causa dos discursos de inauguracao da pista municipal de cross country, que e o percurso da Marcha), as 12:05 foi dada a largada. Nao houve sustos nem bastoes quebrados nos primeiros metros, o que e algo positivo. Na prova longa, nao havia mais do que 100 pessoas competindo, o que significa que em pouco tempo estavamos todos dispersados. Alem do Helio, havia um outro brasileiro competindo, o Enrico, que mora na Noruega e veio participar da Marcha e das provas do brasileiro (mais sobre isso, mais tarde). Se conseguisse chegar entre os dois, estaria otimo, e nos primeiros quilometros estava cumprindo bem a tarefa. A pista rapida nao deixava espaco para usar a tecnica, mas ao menos no trilho para o esqui classico (que sempre tem em provas como essa), dava para andar bem rapido sem grandes esforcos.

Depois das primeiras subidas, voltamos para a regiao de Tierra Mayor e, surpresa, encontramos com o grupo bem atrasado da prova de 7,5 kms. Todos largamos juntos e nos separamos nos primeiros kms para nos reencontramos novamente nesse ponto. Nesse link voces podem ver o que estou falando. Contudo, quando eu falo em "grupo bem atrasado", eu me refiro a criancas de 3 anos acompanhadas dos pais, excursao da escola, a turma fantasiada, etc, etc... Alias, se a turma que gosta de usar fantasia para participar das corridas no Brasil souber disso aqui, vao ficar loucos para vir, porque o que nao falta e fantasia (depois eu coloco algumas fotos dos tipos). Pois esse grupo, junto com uma pista onde mal cabe um esquiador, gerou uma confusao colossal entre as duas provas, pois tinhamos que ficar driblando essa turma ao mesmo tempo que ficar concentrado na prova. Nessa altura, tentando tomar um caminho alternativo para driblar um grupo de criancas que simplesmente empacou em um morro, escorrego na neve mais dura (pois estava fora da pista) e tomo o primeiro tombo... de muitos como verao daqui a pouco.

Nessa hora, o Enrico, que estava atras de mim, me ultrapassou e foi embora. Eu tentei encostar, mas uma queda dessas tira voce de combate se voce esta acompanhando outra pessoa, pois a distancia que o adversario abre e muito grande. A moral deu uma abalada nessa hora, mas continuei.

Passamos pelo caminho sem retorno, isto e, dali em diante so tinha um caminho, que era o de ir ate a chegada. Estava cansado, mais do que deveria estar nessa hora, mas dava para seguir em frente. A segunda metade e um pouco mais complicada, principalmente porque tem subidas (e descidas) bem apertadas e chatas. A pista passa por debaixo da estrada duas vezes (os chamados "esquidutos"). O primeiro tunel fica numa curva apertada em descida. O Helio tinha me avisado da dificuldade, desci com todo cuidado e devegar mas, mesmo assim, acabei parando no barranco de neve na curva da entrada do tunel. Mas a queda nao foi o pior, o problema foi que um dos esquis saiu do meu pe e a fixacao dele rachou. Dava para continuar, so que nao dava mais para cometer qualquer erro, se nao o esqui ia sair do pe de qualquer jeito.

No km 15 chegamos na beira do Cerro Castor e voltamos em direcao a chegada. Nessa hora a pista fica plana de novo, mas tres quilometros depois vieram as paredes de gelo: subidas curtas, mas ingremes, que com a neve dura tornava a superacao bastante complicada. Foram umas tres, e nas tres eu escorreguei, cai, perdi o esqui e voltei para a base da subida. Nessa hora estava arrasado, pois minha expectativa de tempo (algo proximo de 1h32) que estava tentando manter estava indo para o espaco, fora o esforco extra de subir quase tudo de novo.

Faltando 1,5 km estava morto e ainda tinha que subir mais alguns morros antes de entrar na parte final. Fui devagar, torcendo para que acabasse logo a tortura (eu nao sabia como era o percurso antes da prova). Ja nao queria saber de tempo, so queria acabar logo e finalmente completar a prova que ha quatro anos, por diversas razoes, nao conseguia fazer (basta ler os posts dos anos anteriores) e quase ia ter que esperar mais um ano para tentar de novo.

Enfim, passei pelo segundo tunel e entrei no km final, em terreno conhecido. A tecnica ja tinha ido para o espaco, mas a neve estava um pouco melhor nesse trecho e deu para nao perder o ritmo. Entao, finalmente, 1h41min depois, termino a prova, encerrando a agonia. Nao fui mal no geral (fiquei na metade da lista dos que terminaram), mas cheguei tarde o suficiente para ganhar uma misera garrafa de agua, enquanto o pessoal da frente e todos os "bravos" que fizeram a prova de 7,5 km ganharam ou isotonico ou qualquer outra coisa com sabor, o que era bem melhor do que agua.

O normal depois de uma prova como essa, no frio, e entrar em algum lugar quente o mais rapido possivel. Bom, isso nao foi possivel, porque fui caminhando lentamente ate o chale de Tierra Mayor, tao utilizado nos anos anteriores pelo simples motivo que assim era o mais rapido que podia andar. Fiquei esperando pelo transporte de volta a Ushuaia meio em estado de choque, dado que mal conseguia comer e nao tinha fome nenhuma (e olha que demorou mais de duas horas para voltar para o hotel).

Enfim, nao foi a forma mais bonita de completar, nem a que estava sonhando, mas cumpri a missao e terminei essa maldita prova. Ate porque nunca se sabe quando sera a proxima vez. Amanha, temos a primeira prova do Brasileiro. Diante do que aconteceu no domingo, vai ser brincadeira.

24a MarchaBlanca - Edicao 2010, Parte 1: O Inicio do Fim da Saga

Antes de falar sobre a prova, deveria ter colocado um outro post introdutorio, como costumo fazer antes de viajar. Infelizmente, as circunstancias acabaram fazendo com que aquele que eu tinha preparado perdesse toda a sua utilidade gracas aos problemas das ultimas semanas. Teve de tudo um pouco, entao resolvi dividir o relato da prova em duas partes: primeiro falando sobre tudo que deu errado antes da prova e depois sobre a dita cuja.

Bom, ate o 1o fim de semana de julho estava tudo bem. Quer dizer, dentro da normalidade, dadas as minhas restricoes de tempo. Felizmente nao fiquei doente durante todo o semestre e consegui nao interromper o treinamento, apesar das tradicionais restricoes.

Entao, comecou tudo. Inicialmente, passei duas semanas com o trabalho me ocupando boa parte do tempo. Isso significa que treinei pouco e, principalmente, acabei nao correndo durante todo esse periodo. Porem, eu estava inscrito para a Meia da Maratona do Rio, no dia 18. Nao era a minha primeira meia, entao achei que daria para completar bem, embora ainda acima de 1h30.

No meio da prova, alias, com 2/3 dela, comecei a sentir uma dor na lateral e atras do joelho. No inicio, parecia ser apenas uma dor "tradicional", mas rapidamente se tornou numa dor muito incomoda. Comecei a reduzir o ritmo e nada. Terminei a prova trotando, frustrado e sabendo que algo tinha dado muito errado.

Nas semanas seguintes, o lema foi: "Vamos nos preservar para Ushuaia". Entao, nada de corrida (alias ate agora nao corri desde o incidente citado acima), pedal, natacao, alongamento, pilates, gelo e tudo mais o que fosse possivel para estar em condicoes minimas de estar aqui, o que deu razoavelmente certo.

Assim, destreinado e traumatizado, cheguei aqui em Ushuaia na ultima quinta-feira a noite, dia 12. O dia seguinte foi uma verdadeira sexta-feira 13 para mim: fui esquiar e depois de 30 minutos estava exausto, sem forcas, com dor de cabeca e querendo ficar com febre.

Ou seja: faltando 48 horas para a MarchaBlanca, os prognosticos nao eram muito bons. Entao, passei o sabado de molho no quarto do hotel e fui me sentindo melhor, mas achava que nao ia correr a prova por dois motivos. Primeiro, achava que as inscricoes estavam encerradas, e depois que eu nao estaria em condicoes de correr nem 1 km no dia seguinte, quanto mais 21 km. Iria para Tierra Mayor (largada e chegada da Marcha esse ano) apenas para acompanhar a largada e fazer uma rodagem leve (com esquis).

Naquela noite, conversando com o Helio, ele falou que dava ate para fazer a inscricao na hora se eu quisesse. Entao eu fiz pela internet mesmo e se me sentisse bem, pagava na hora. Nesse momento, eu achava ate que, se eu corresse, iria fazer a prova menor, de 7,5 km, mas fui dormir em duvida.

Entao, na manha seguinte, acordei melhor, embora nao 100%, fui ate Tierra Mayor, paguei a inscricao para a prova longa e fui dar um giro. Se me sentisse mal depois de 5 minutos era porque nao tinha me recuperado. Felizmente, isso nao aconteceu e eu decidi: ia largar a prova longa e se achasse que nao ia conseguir, virava na metade do percurso e pegava o atalho para a chegada.

O que aconteceu depois, vem no proximo post.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Andando no Teleférico

Bom, ja estou de volta, e o fuso já foi superado, embora talvez ainda não esteja recuperado 100% das provas da semana passada (só de horas de sono essa semana acho que diz alguma coisa).


Para começar o fechamento desta série, seguem as fotos da viagem de teleférico de Mavrovo que eu fazia todo santo dia. Vale um comentário antes das fotos. Ano passado, o pessoal que foi disse que o teleférico era, digamos, antigo. Cada cadeira só cabia uma pessoa e parecia que nada foi atualizado há pelo menos 40 anos. Dessa forma, cheguei lá com o espírito preparado, sabendo de que seria uma longa e fria viagem todos os dias.


Quando chego na entrada do teleférico, vejo que ele está todo... rosa??? É porque a Telekom alemã, que obviamente opera na Macedônia através da sua filial de celular T-Mobile, adotou o teleférico e, até hoje não entendi o porquê, a empresa usa a cor rosa. Enfim, cadeiras duplas, encosto, tudo "moderno" se comparado ao que era um ano antes, embora longe das ultra-hiper confortáveis cadeiras das estações de esqui mais famosas.


De qualquer forma, a viagem (porque realmente era uma viagem) durava 15 minutos, muitas vezes com algum vento e algumas vezes quase no breu. As fotos abaixo foram tiradas em dias diferentes, portanto não se espantem com a diferença de visual entre algumas delas.


Começando do princípio, antes de entrar no teleférico. Sempre tem um movimento no pé da montanha.




Logo no início, as máquinas de arrastar neve parece que trabalham todo dia, mesmo depois de cair uma tonelada de neve no dia anterior.




Aqui, o exemplo nos dias onde a neblina era tanta que mal dava para enxergar o que tinha na sua frente.


Essa mala aqui embaixo era onde os esquis ficavam, para facilitar o transporte até lá em cima.



Acompanhando a subida, as árvores totalmente brancas. O sol praticamente não batia nas árvores por conta da posição delas na subida, logo a neve só deve derreter mesmo lá para março.




Comparativo entre os dias de névoa e os dias de sol. Vista do lago Mavrovo.




Aqui as pistas de esqui, quando finalmente deu para tirar uma foto no caminho até o alto. Como dá para notar, a área é grande.



Finalmente, isso é o que acontece quando você deixa algo parado em um lugar onde faz frio.




Bom, como dá para notar, 15 minutos para ir e o mesmo para voltar fazem com que você realmente aprecie o que está ao seu redor. Até porque não tem nada melhor para o que fazer e se você parar para pensar o frio pega mesmo...

domingo, 24 de janeiro de 2010

FIS Race 10 km - ACABOOOOOU!!! E TETRA!!! E TETRA!!!

Finalmente, a maratona acabou. 4a prova em 5 dias, em altitude, fazem estrago.

Hoje, parecendo ate que Sao Pedro resolveu combinar, fez sol o dia inteiro. Bom, pelo menos a manha inteira, ja que de tarde eu hibernei no quarto. Mavrovo estava cheio de gente para esquiar. Nao tinha uma vaga sequer nos estacionamentos. Ainda bem, porque estavamos perguntando aqui quando e que ia encher para valer. Se nao fosse hoje, sei la quando seria.

Apesar do sol, e do leve calor (que nao deve ser entendido como ficar sem luvas, pois ainda fez muito frio), nao estava la muito animado para correr. Ainda mais se a pista estivesse pesada como ontem. Felizmente, como nao nevou e fez um belo frio de noite, a pista deu uma compactada e estava melhor, embora ainda nao estivesse rapida. Era como se a neve estivesse gemendo toda vez que voce botava o esqui nela, o que dava a impressao de que ela estivesse segurando um pouco.

Independente disso, na hora do aquecimento, bem de leve, apesar de que qualquer aquecimento subindo uma ladeira nao deve ser considerado "leve", a sensacao era de cansaco. Por isso, fui bem rapido no aquecimento e fiquei vendo a prova das mulheres, onde a Mirlene ganhou.

Por fim, chegou a minha vez. Diante do meu estado, a estrategia era obvia. Me segurar o maximo que podia para tentar chegar, nao importa o tempo. E assim foi desde o inicio. Logo na primeira volta, como aconteceu nas outras tres, o servio que sempre largou atras de mim nas provas me passou. Como sempre, ele cansou depois da primeira volta. Como aconteceu durante as provas de 5 km, ele chegou na minha frente. Como aconteceu durante as provas de 10 km ele, literalmente, morreu e parou. Dessa vez, no entanto, foi um pouco diferente, pois pela primeira vez eu passei alguem durante a prova. Isso foi logo na primeira subida da terceira volta (de 4). Isso, acreditem, acabou me dando um pouco de incentivo, pois a minha perna direita ja nao estava respondendo muito bem (talvez porque as piores curvas fossem para a direita).

Na ultima volta ja estava naquela de "e a ultima de vez", e fui do jeito que dava, de vez em quando prestando atencao na tecnica. Na ultima subida, ataquei como se fosse um sprint decisivo, pois o resto do percurso era em descida. E, finalmente, veio a chegada.

O tempo, um pouco pior do que o de quinta, acabou sendo melhor que o esperado: 38 min 32. E, a pontuacao acabou sendo a melhor das 4 provas: 580 pontos (decimos abaixo da prova de ontem). Media das 4 provas, abaixo dos 600 pontos. E, um ultimo objetivo alcancado: quem leu o blog, la em agosto de 2008 (depois boto o link aqui) talvez se lembrem de um venezuelano mala que gerou um fuzue la em Bariloche. Pois e, o cara e midiatico. Adora aparecer (inclusive porque ele tem algum carisma), tem site proprio, passa o tempo todo treinando (ou diz que treina) e se promovendo (inclusive tem patrocinio do McDonalds), mas resultado que e bom, nada. Parece que o pai dele e tao influente que ele largou em dezembro em provas da Copa do Mundo, atraves de convite, coisa que e muito dificil de alcancar na pista. Pois bem, apesar de tudo isso, ele tem hoje uns 680 pontos na lista FIS...

...e, com o resultado de hoje, fico com 660 pontos na lista FIS. Touche.

sábado, 23 de janeiro de 2010

FIS Race 5 km - Lindo de se ver... mas so de se ver

Ontem nevou. Essa frase seria algo insignificante exceto pelo fato de que "ontem" significa, literalmente, o dia inteiro. Nevou muito, embora nao o suficiente para que virasse uma tempestade.

Por conta desse pequeno detalhe, a prova de hoje, que seria facil, se tornou bastante complicada. Isso porque os organizadores somente passaram a maquina para preparar a pista hoje, a menos de duas horas da competicao. Considerando o estado da neve, isso e nada e quase a mesma coisa.

Assim, mais ou menos avisado do problema, subimos mais uma vez o teleferico para a terceira prova da semana, que seria de 10 km (enquanto amanha seria a de 5 km). Talvez sabendo do problema da pista, os organizadores avisaram ontem que iam inverter a ordem. Independente disso, ao chegar no local da prova, o sol brilhando como pouco se ve por aqui, a paisagem estava deslumbrante. Pena que as boas noticias pararam por ai.

Na hora do aquecimento, ja dava para perceber que as coisas nao seriam faceis. Nas outras vezes eu ainda dei uma volta na pista toda (de 2,5 km) para ver como estava as condicoes nas subidas. Dessa vez, nao dei nem meia volta, pois so de subir a primeira metade dava para notar que as coisas seriam bastante complicadas.

Diante desse cenario, dava para notar como foi o resumo da prova: dificil, muito dificil. Nos poucos planos e nas descidas, o esqui nao rendia. Nas subidas, principalmente a medida em que o pessoal ia passando, a neve ia ficando cada vez mais parecendo como areia. Nada rendia. A primeira volta foi perto de 10 minutos, eu nem tinha dado 100% e ja estava exausto. A segunda volta foi apenas sobreviver para completar. Tempo de prova: 22 minutos.

Entao veio a boa noticia. Como estava ruim para todo mundo, o tempo do vencedor tambem foi mais alto. Depois de fazer as contas, consegui fazer meu primeiro resultado abaixo dos 600 pontos. Mais um objetivo alcancado. So que nao precisava ser tao sofrido.

Amanha e a ultima prova. Espero que tenham mesmo passado a maquina durante a tarde, porque hoje o esforco foi acima do esperado. Ainda bem que so falta mais uma e depois direto para casa.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

FIS Balkan Cup 10 km - Vale a pena ver de novo

Ontem dei um tempo no blog, pois era a segunda prova consecutiva que fiz em dois dias. Tendo o dobro da distancia do dia anterior, no mesmo percurso, e considerando o estado que eu cheguei, tinha que mudar um pouco de estrategia.

Portanto, a largada foi um pouco mais conservadora, tentando focar um pouco mais na tecnica do que na forca. Mas nao demorou muito para ver que acabaria a primeira volta (de um total de quatro) pedindo para que fosse logo a ultima. A parcial nesse momento foi um pouco acima do que tinha feito no dia anterior, o que felizmente era o que eu queria, embora provavelmente estava acima do que eu achava que seria bom para manter um ritmo sustentavel (leia-se nao ficar com tres metros de lingua para fora faltando metade da prova terminar).

Logo no final da primeira subida da segunda volta, vejo novamente o Leandro chegando para me ultrapassar. Considerando que largamos com os mesmos numeros, assim como todos os que estavam na prova, era meio obvio que ele me alcancasse no mesmo ponto. Dessa vez, ao contrario do dia anterior, ele me passou no mesmo lugar sem que os dois, literalmente, batessem. Alias, durante a primeira metade da prova parecia que tudo estava acontecendo praticamente da mesma forma do que no dia anterior. O que nao impediu de, ao longo da prova, ser atropelado por alguns colegas, digamos, apressadinhos, mesmo que eu tivesse deixado um monte de espaco do lado esquerdo para eles ultrapassassem. Enfim, sempre vou encontrar gente assim enquanto estiver andando mais lento.

E as voltas foram passando, e a cada vez que pegava a pior subida ficava torcendo para acabar logo, porque a altitude ja estava fazendo bastante efeito. As descidas estavam bem rapidas (e meus esquis tambem, cheguei ate a ultrapassar um numa delas), logo o tempo de descanso era bem rapido. Dessa vez certamente seria o ultimo a chegar, mas ja nao estava nem mais ligando para isso, pois o que queria era que acabasse logo. Finalmente, veio a ultima subida e ainda sobrou forca (ou seria vontade de chegar mais cedo) de atacar a subida.

Veio a descida final e, finalmente, a chegada. Achava que tinha feito mais de 40 minutos facil, dado o meu estado nas duas ultimas voltas. Olho para o relogio e tomo um susto: 38 min 10 seg. A pista encurtou? Considerando o tempo do dia anterior, proporcionalmente ficou exatamente dentro do previsto. Enfim, abaixo de 40 minutos, como eu gostaria de ter feito. Estava bom demais. Nem liguei muito para o fato de ainda nao ter feito abaixo dos tais 600 pontos. Para quem, 18 meses atras, tinha feito uma media de 10 km/h, chegar a 15 km/h, embora ainda longe, bem longe dos primeiros, ja esta de bom tamanho.

A noite vi alguns videos da prova e notei, para variar, que nao estava usando bem a tecnica para subir (e para descer, e para andar no plano, etc...). Por isso, hoje pela manha, fiz um treino bem leve com a posicao mais correta e, aparentemente, funciona. So nao posso esquecer disso quando estiver la pelo meio da 3a volta.

PS. Bati algumas fotos, mas ainda nao consegui um espaco para carregar no site. Assim que puder eu coloco.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

FIS Balkan Cup - 5 km Individual: Primeiro objetivo alcançado

A primeira das quatro provas da semana, bem como a de amanhã, faz parte da Balkan Cup. Assim como ano passado, quando eu passei da Slavic Cup, essa é uma competição regional, que junta vários países vizinhos, tais como Bulgária, Sérvia, Turquia. O que não impede de outras nações, tais como o Brasil, de participarem, ainda que não participemos da classificação da Copa.

Hoje, finalmente, o sol apareceu. Quer dizer, mais ou menos, já que o dia amanheceu tímido, com a névoa que já estava acostumando a ver todas as manhãs. A estação de esqui, que não está cheia, embora seja alta temporada, continua funcionando independente do tempo. Pelo que deu para notar, a "cidade" (pois aqui é quase um vilarejo), vive em torno da estação de esqui, onde os ricos e famosos vem passar seus dias de férias. Fico com a sensação de ser fotografado a qualquer momento pela "Caras" macedônica. Porém, apesar disso, quem veio aqui para Mavrovo, e não está participando das provas, ou seja a maioria das pessoas, nem viu a prova. E não foi por causa da névoa. A razão é que a pista fica um pouco deslocada das descidas de esqui alpino, logo a prova foi assistida basicamente pelos técnicos e organizadores.

Meu objetivo hoje era 'simples': fazer abaixo de 20 min e 600 pontos. A primeira razão é simples: esse tempo equivale a média de 15 km/h. Essa média eu não consigo, ainda, correr para esse tempo, mas eu deveria fazer esse tempo no esqui pois, teoricamente, alguem esquiando anda mais rápido do que alguém que está correndo. Basta ver os melhores tempos para ambas as provas. A segunda é consequencia da primeira. Com essa média, e os tempos do ano passado, dava para atingir essa pontuação. Lembrando que, no esqui, quanto menor a pontuação, melhor, e ano passado minha pontuação na corrida foi um pouco abaixo dos 800 pontos.

Enfim, com isso na cabeça, minha idéia era só ver meu tempo na chegada. Tinha receio de me influenciar com o resultado da primeira volta (o circuito tinha 2,5 km), mas larguei com tudo. O início foi promissor, estava indo bem, embora já estava me sentindo cansado. Fechei a primeira volta e vi que ainda tinha gente largando. Não deu para não fazer a conta: 8min30. Estava "voando", mas estava pregado. A segunda volta ia ser de matar. Logo na primeira subida, estava exausto. Então terminei a subida e ia fazer a curva, logo a mais chata, porque tinha algumas pedras no caminho, quando me surge o Leandro, que tinha largado mais tarde. Quando eu o vi, era tarde demais. Tentei abrir passagem pela direita, mas os esquis engancharam e 5 segundos depois estava estatelado no chão.

Levantei e segui adiante. A técnica já tinha ido para o espaço, mas pela parcial dava para chegar abaixo dos 20 min. Era passado pelos outros competidores, o que estava começando a me preocupar. Mas na última subida, fui com tudo e quando vi já estava terminando a prova. 18min 40. Objetivo alcançado, mas acima dos 600 pontos. Se não tivesse caído teria chegado lá, mas tudo bem, amanhã tem mais e é mais um objetivo a ser atingido.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Pequena Miss "Snowflake"


Essa daí é a van que eu andei na semana passada, estacionada no hotel em Praga, onde vai ficar pelos próximos 7 dias.

Ela merece uma menção honrosa porque me levou no mínimo uma vez por dia até a pista de esqui em Nove Mesto. E depois de ouvir as histórias por onde ela andou antes de eu chegar, vale a pena dedicar algumas linhas a ela.

Primeiro vamos as explicações: essa van foi alugada pela IBU para que a equipe do Brasil de biathlon viajasse pela Europa durante as etapas da IBU Cup. A IBU faz isso não só com os brasileiros, mas com todas as equipes que estão em desenvolvimento, diminuindo os custos com translados (a gasolina é paga pela equipe). Aliás, em comparação com a FIS (que cuida dos assuntos de esqui), a IBU é uma mãe: dá um monte de equipamentos de esqui, faz vários acampamentos para treinamento, aluguel de carro... Enfim, é melhor para as comparações por aí.

Eu, como já tinha falado antes, fui de carona durante uma semana nela, mas o trecho que eu fui nem se compara com o que ela já andou por toda a Europa. Ficou entalada no meio da rua de uma cidade velha na Itália. Foi se esgueirando até conseguir achar um estacionamento perto da igreja onde ia ter a Missa do Galo numa cidade na Aústria. Foi parar até dentro de um ferry boat para ir até a Suécia. Encarou neve, gelo, lama. Além de ser bastante dinâmica, pois toda hora a composiçao dos integrantes da van muda. Finalmente, ainda anda bem a danada. Se deixar passa dos 100km/h fácil.

Por tudo isso, agora ela está descansando por uma semana, antes de continuar a sua jornada que, por enquanto, está sendo cumpirida com maestria, até pelo menos a metade de fevereiro .

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Conhece aquela do pontinho preto?

Depois de nos estabelecermos aqui em Mavrovo, fomos reconhecer a pista. Embora a cidade fique a beira do lago, a pista fica laaaaa em cima do morro. Para isso, precisamos pegar o teleferico, que e usado para aqueles que vao fazer esqui alpino.

Dizer que e uma subida longa e pouco. Sao 15 minutos subindo direto, ate chegar a base da montanha, que esta a 1650 metros de altitude (Mavrovo esta a 1200). Ontem a noite comecou a nevar e so parou hoje pela manha, mas a neblina nao foi embora. O que significa que a subida ainda foi meio no breu, embora fossem 9:30 da manha.

Depois de subir uma eternidade, fomos achar a pista. Sim, achar, porque por conta da nevoa, mal dava para enxergar um palmo na sua frente. O Leandro e a Mirlene, que ja vieram ano passado, mais ou menos conheciam o caminho, mas ao chegar no "lugar", nao tinha pista preparada, nao tinha marcacao, nao tinha ponto de referencia, nao tinha arvore, pedra, so uns miseros arbustos e os morros que so dava para ver chegando perto. Em resumo, nao tinha nada para enxergar. Exceto uma imensa nevoa branca, que ja comecava a dar dor de cabeca.

Depois de uns 30 minutos tateando o caminho, encontramos o presidente da Federacao de Esqui da Macedonia, e ex-esquiador. Ele foi o personagem de uma cena curiosa em um Mundial de Esqui de uns 20 anos atras. Como ele ficou muito para tras durante a prova, na hora em que ele estava completando os 50 km, os primeiros colocados estavam recebendo a premiacao. Entao, os tres primeiros fizeram com que ele subisse no podio ali mesmo, do jeito que estava, para delirio do publico.

Junto com ele, tinham mais alguns esquiadores locais, que tambem foram reconhecer a pista. Como eles ja tinham uma nocao melhor, fomos seguindo eles. Ate um momento em que cai numa curva, porque mal via 10 metros na minha frente, e fiquei para tras. Olho para frente, o pessoal ja tinha ido. Olho para tras, nao vinha ninguem. Era o proprio pontinho preto e azul no meio do fundo branco. Se o urso branco e o coelho albino passassem na minha frente, eu nao conseguiria ve-los. Tive que seguir os rastros dos outros ate voltar para o ponto de partida.

A partir de entao, felizmente, as coisas ficaram um pouco mais claras. Nao muito, mas o suficiente para me referenciar no meio daquele branco todo. O equipamento da equipe da Macedonia ficou parado em um lugar e a maquina que vai preparar a pista comecou a andar pela imensidao branca. A partir dai, de forma bastante cuidadosa, fui fazendo o reconhecimento da pista, embora aquilo ainda nao pode ser chamado de pista.

Amanha vai ser um dia bem leve, porque a partir de quarta comeca a maratona: 4 provas em 5 dias, duas de 5 km e duas de 10 km. Vamos ver o que vai acontecer.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Bem Vindos à República da Macedônia (do Paraguai

Então... você acha que sabe alguma coisa sobre a Macedônia. Pois bem, assim como eu achava há duas semanas, na verdade você não sabe nada sobre a Macedônia.

Sabe o tal do Alexandre, o Grande? Pois bem, embora tenha batizado o nome do aeroporto (ahem, base militar adaptada de aeroporto civil) internacional de Skopje, ele NÃO nasceu na região onde fica o país Macedônia. Na verdade, o tal do Reino da Macedônia antiga fica na Grécia, a capital do antigo Reino é Pella, que está na Grécia, e a única justificativa para o nome é o fato de que a região onde esta o país Macedônia foi conquistada pelo sr. Alexandre quando ele resolveu dar uma volta para alargar as suas fronteiras.

Confuso(a)? Pois é só o começo. Para evitar que houvesse confusão entre a Macedônia antiga e a atual, os gregos "pediram" para mudar o nome do país, quando ele se tornou independente, sendo dessa forma batizado, temporariamente (embora esse temporário está durando quase 20 anos) de Antiga República Iugoslava da Macedônia, evitando também algumas pressões do tipo "bom, já que a região da Macedônia antiga fica na Grécia, vamos anexar esse pedaço dentro do nosso país e chamar tudo de Macedônia?"

A solução aceita pelos gregos, mas ainda não acordada, é que o país se chame "República da Macedônia do Norte". Hum, acho que já vi essa solução em algum outro país, para certos estados. Enfim, a confusão continua. Porém, para fechar o assunto, fica o seguinte fato: mesmo com todo o imbroglio diplomático, advinhem qual é um dos países que mais investe aqui? Resumo da história: inimigos, inimigos, negócios a parte.

As primeiras impressões do país são de contrastes. Sim, tem alguns mais óbvios, daqueles que todo mundo fala do Brasil, por exemplo. Só que, após ler alguma coisa sobre o país e ver pela estrada o que acontece na prática levanta algumas questões intrigantes.

Por exemplo: a impressão que passa pela estrada é de um país meio abandonado (claro, quem passa pela Linha Vermelha deve achar algo muito parecido do Rio). Aliás, é curioso que, a primeira placa que aparece assim que se sai do aeroporto é a que mostra que falta "apenas" 730km até Atenas. Muito sugestivo. Só que depois de 2 horas só vendo as casas mal cuidadas (além das mesquitas que lembram os templos da Universal de tão grandes), fica aquela sensação de que a guerra da Iugoslávia passou por aqui em algum momento. Entretanto, ao ler sobre a história do país, descobre-se que a Macedônia passou incólume pela guerra da Bósnia e pegou só um respaldo de Kosovo, porque os albaneses correram para cá fugindo da guerra. Ou seja, muito pouca tragédia para deixar as casas nesse estado lastimável.

Nessa hora você deve pensar: "então esse país deve ser muito atrasado". Só que se voce olhar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país e comparar com o Brasil você vai ver que.... eles têm o mesmo índice.


E tem mais: andando pela autoestrada, razoavemente bem cuidada, só tem carro novo rodando. Um ou outro carro comunista passa, mas o resto é tudo importado. Isso é um dos resultados da abertura do país, que liberou geral e privatizou tudo o que pode.

Mais ainda: o PIB do país, mostra que mais da metade da economia vive de serviços. Porém, andando pela estrada, só se vê campos de terra cultivada (só deu para reconhecer alguns de trigo) ou nem isso.

Uma das respostas para essa última pergunta está aqui em Mavrovo. Depois de ver tudo meio largado durante uma hora e meia, você chega aqui na cidade, que fica literalmente ao redor do lago, e parece que mudou de país. Todas as casas bem cuidadas, alguns barzinhos, restaurantes com algum estilo arquitetônico, hoteis de boa qualidade. Só acho que deveriam ter pelo menos umas 20 Mavrovos ao redor do país para dizer que o turismo é uma das maiores fontes de renda.

E por conta de casos como o de Mavrovo, as coisas começam a se encaixar: a desigualdade salarial é muito pior do que no Brasil, o índice de desemprego é altíssimo (mais de 35% da população ativa) e a corrupção é uma das piores do mundo. Nessa hora, você percebe que, mesmo com todo o esforço dos últimos anos e do crescimento econômico relativamente sustentável que eles conseguiram nos últimos 15 anos, ainda falta MUITO para eles fazerem aquele upgrade no país desde que conseguiram a tão sonhada independência.

No mais, o lugar deve ser lindo. Digo "deve" porque o tempo nublado continua me perseguindo. Ontem, durante algumas horas lá em Nové Mesto, o sol saiu, mas desde então nem no avião dá para ver o céu. Talvez amanhã dê para tirar fotos decentes. E a TV macedônica tem uns programas toscos que parece que foram feitos na CNT.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Perdido na Tradução

Quando se está em um país com tradições e costumes diferentes, é óbvio que teremos aquelas situações curiosas. Por exemplo, do lado do hotel tem um ponto de internet de graça... só que ele fica ao ar livre (foto ao lado). Ou seja, nesse frio, parece até que a prefeitura local está sendo masoquista com os seus habitantes, dada que as condições que ela oferece esse serviço são, no mínimo, duvidosas.

A mesma coisa acontece quando a língua é muito diferente da sua. Sempre vão existir aquelas “coincidências lingüísticas”. Normalmente, você releva e passa adiante. Ano passado, não me lembro de nada que merecesse lembrança. Dessa vez, no caminho para Nové Mesto, vejo um anúncio enorme escrito “POHODA”. Bom, tudo bem, você releva e vai adiante.





Aí, você chega no hotel, no meio do restaurante, e vê o café “Gaviota”, vindo diretamente do Porto de Santos. Pelo menos é isso o que eu acho que entendi do anúncio em checo.




OK, talvez alguém tenha pensado que era um nome diferente, já que no Brasil tem aquelas pessoas que gostam de dar nomes franceses e ingleses para um monte de coisa. Apesar disso, sei de uma pessoa que vai entender o porquê desse nome ter me chamado a atenção (a origem de tudo isso, embora não tenha a história completa, está no final DESTE post). Mas você dá de ombros e segue a sua vida.

Entretanto, ao ver essa propaganda, no bar ao lado do hotel (atenção especial para a última linha), fica a pergunta...



... alguém por favor me explica/traduz exatamente o que eles querem dizer com isso?


Respostas na parte de comentários, por favor.

Bancando o "soigneur"

Os dias aqui em Nové Mesto tem sido bastante repetitivos, até mesmo porque esse ERA o objetivo mesmo: acordar, treinar, comer, descansar, treinar de novo, comer, entrar na Internet, dormir, repetir tudo de novo.

O percurso da prova de Biathlon é bastante duro. Embora não tenha subidas infernais, ou descidas suicidas (embora tenha algumas rampas bastante complicadas tanto para cima quanto para baixo), o único trecho plano é na zona do estádio, onde fica também o stand de tiro. No mais, é um sobe e desce interminável, parecido com o percurso de Liberec. Só que, na pratica, o percurso tem que ser complicado mesmo, pois o lugar vai sediar o Mundial de Biathlon de 2013, logo tem que ter uma altimetria que seja desafiadora.

Logo, o que você treina em um lugar desses? Sim, subidas, o terror de todo esquiador, já que o esforço é imenso. Sempre tem um alemão ou norueguês que faz parecer fácil, mas na prática a regra é condicionamento + técnica. Como o meu primeiro está um nível abaixo dos outros e o segundo é pior ainda, lá vamos nós subindo a ladeira. Claro que não vai ser uma semana que vai resolver o meu problema, mas nos últimos dias deu para notar uma melhora na técnica, que ajuda a subir de forma mais eficiente. E tome de trazer o pé para a linha do tronco...

Hoje e amanhã estão ocorrendo as provas da IBU Cup de Biathlon. Hoje foi a de 20 km para os homens e 15 km para as mulheres. Ao contrário das provas da Copa do Mundo, as provas da IBU Cup são bem menos glamurosas pois, fazendo uma comparação rasteira, equivale a Série B do Biathlon. Digo que não é bem uma "segunda divisão" pois tem muito atleta aqui que só está disputando a IBU Cup porque está voltando de algum problema físico, ou está passando por um mal momento. Logo o nível é quase igual às provas da Copa do Mundo.

Por conta desse nível inferior, o clima e o público presente parece mesmo como o de uma partida da segunda divisão do Campeonato Carioca, conforme dá para ver na foto ao lado, embora a organização fique MUITO, mas MUITO acima das peladas que acontecem no Rio.












Além disso, o clima é bastante relaxado, dado que a pressão é menor e os atletas normalmente se dão muito bem.


Aqui no hotel, temos chilenos, argentinos, húngaros e finlandeses dividindo o espaço de forma bastante tranquila e bastante descontraída, sem cair para o nível "república de faculdade". Temos os fanáticos por internet, que são os argentinos e chilenos, que ficam plugados até tarde. Temos a turma que ainda está estudando, que são os húngaros, e assim por diante.

Enfim, todo esse texto introdutório foi para dizer que, depois de poder esquiar um pouco de manhã antes da prova masculina começar, fui bancar o "soigneur", como se fosse de uma equipe de ciclismo. Para quem não sabe, "soigneur" é uma espécie de faz-tudo na equipe de ciclismo. Uma das funções é entregar as sacolas com os alimentos para os corredores. E foi isso que fiz, não só para o pessoal do Brasil, como também para os finlandeses que estão aqui no hotel. Também fiquei responsável para tomar conta dos bastões reservas, caso algum deles quebrasse durante a prova (às vezes acontece).

E lá fui eu subir uma das ladeiras, pois é o lugar mais fácil de entregar as garrafinhas com os líquidos correspondentes. Mas não é só ficar parado com o braço levantado para entregar a garrafa, tem que correr ao lado do esquiador, para ele não perder tempo, e depois pegar a garrafa que foi jogada uns 20 metros na frente. Afinal de contas, lixo na neve não combina. Junto comigo estavam alguns "colegas" de equipes mais fortes, como os noruegueses, alemães, os checos. Não só distribuindo hidratação como também informando o tempo de cada um (eles ficam se comunicando com o pessoal que fica na área de tiro), como no caso do norueguês da foto.




Como sempre os alemães tem a equipe que parece que estão xingando os esquiadores. Talvez por isso fosse os mais rápidos a subir.....


Foi divertido, embora não pudesse sair dali para dar uma volta pela pista. Como não dava para perder a concentração, já que eles não avisam a hora que estão chegando, passou bem rápido. Teve também os momentos pastelão, como na vez onde fui entregar para o Leandro, e ele já estava começando a descer. Dei um pique e na hora que consegui entregar a garrafa para ele, tropecei e cai de cara na neve. Entrou neve em tudo quanto é lugar. Tudo bem, o negócio é levantar e fingir que nada aconteceu. "O importante é a atitude".

Amanhã, a prova será na distância sprint, que é metade da distância de hoje e, como não dura mais do que 30 minutos, não vai ser preciso entregar nada. Mas a experiência já valeu.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Venha antes do aumento!


Responda rápido: aonde você pode pagar cerca de 30 reais por um hotel, com direito a pensão completa e internet sem fio de graça? (resposta na foto acima) Com certeza, qualquer coisa parecida no Brasil seria de qualidade duvidosa. Aqui, felizmente, as coisas são baratas. Um dos motivos é que o país ainda não converteu a sua moeda para o Euro. Isso não impede que o custo de vida em Praga, por exemplo, seja um pouco maior, vide os preços dos restaurantes no centro. Mas no interior, com certeza, as coisas são bastante baratas. Exemplos do supermercado aqui da esquina:

- Litro de água: 40 centavos (de real)
- Kg da Banana (importada): cerca de 2 reais
- Suco de Laranja: 1,20 real o litro (100% da fruta)
- Kg do salmão: menos de 20 reais

Enfim, a lista segue. Claro que tem coisas mais caras do que no Brasil, mas lembrem-se que muita coisa não é produzida aqui, apesar de ter algumas fábricas na região. O custo de vida, em relação ao resto da Europa é tão barato que os alemães, que moram aqui do lado, costumam vir apenas para comer e beber barato.

Não custa lembrar que, como o estilo de vida aqui é bem mais simples, não tem tanto penduricalho como o pessoal das grandes cidades usam, mas de uma forma geral aqui ainda é mais barato.

Apesar dos elogios todos, claro que esse custo baixo tem alguns inconvenientes. Pegamos o hotel onde estou por exemplo. Barato, sim, muito, mas a comida é a que servem no dia. Ontem, por exemplo, teve pizza no jantar. Algo não muito saudável para quem está treinando. Sabonete só liquido, pregado no banheiro, onde se lê "body and hands". Troca de roupa de cama? Ainda não sei o que é isso. Toalha de banho só se pedir, senão a de rosto serve para tudo. Enfim, nada muito sofisticado, mas quebra um bom galho para quem está aqui.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Deixa a trilha me levar...

Continuamos aqui em Nove Mesto, o frio continua o mesmo e o tempo fechado também. Felizmente parece que a neve vai ficar boa até o final da semana, o que vai ser bom para quem vai correr, e para quem vai treinar, como eu. Afinal de contas, não há nada tão ruim quanto neve dura.

Hoje, depois de um pequeno "choque de realidade" de manhã, fui andar de clássico a tarde. No Biathlon, não existe provas que usam a técnica clássica, logo não há pistas apropriadas para isso. Então, quando saí com meus esquis, fiquei vendo onde poderia ir em um lugar com uma trilha de clássico (que são as duas valetas paralelas onde os esquis deslizam). Olha daqui, olha dali, vi um esboço de trilha logo depois do stand de tiro. Bom, já é um começo. De repente, a trilha continua indo, indo, indo... e estou no meio do nada. Ok, tem uma casinha aqui e ali, mas no mais são morros e mais morros de caminhos brancos. Resolvi explorar.

No caminho, cruzo com alguns esquiadores fazendo o seu "esqui" vespertino (porque jogging aqui só se for para chegar rápido em alguma casa). No fim, percebo que as trilhas foram feitas alguns dias atrás, como se fossem ciclovias, pois os caminhos iam até o teleférico onde fica a descida de esqui alpino, até uma casa, etc... Uma paz só. Se não estivesse nublado, como está desde que chegamos aqui, seria uma bela vista da região. Só não deu para ficar mais tempo andando porque já eram mais de 4 da tarde e aqui escurece antes das cinco. Ou seja, era melhor voltar para onde tinha luz por segurança.

Depois, foi voltar para o percurso marcado, dar umas voltas no circuito grande (de 4km, com umas subidas BEM complicadas), mesmo anoitecendo já que tem alguns pontos que são iluminados e voltar para casa.

Posso estar filosofando um pouco (é já estou), mas acho que um pouco do espírito do esqui cross-country é, como o nome diz, exatamente poder explorar meio sem rumo pelo descampado, sem pressa, sem correria.... mas não pode estar ventando nem nevando muito, porque senão toda esse cenário lindo vira um senhor programa de índio.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Até que enfim...

Estou aqui em Nové Mesto e a notícia é que, até agora, não há notícias. É verdade, acreditem, dessa vez a minha bagagem chegou em Praga, são e salva. Tudo bem que houveram algumas menções honrosas, tipo o engarrafamento na Linha Vermelha (em Janeiro?), o ar condicionado pifado antes do avião decolar no Galeão, que deixou todo mundo literalmente pingando de suor dentro do avião (e eles logo depois ligaram o ar condicionado para todo mundo pegar um resfriado), e os poucos momentos de tensão no aeroporto de Praga esperando a mala com os esquis serem liberadas. Fora isso, correu tudo bem. O pernoite em Praga foi tranquilo e, ontem, já estava a caminho de Nové Mesto dentro da van fornecida pela IBU, onde eu entrei de "carona".

A viagem de carro foi um pouco conturbada por conta da neve na estrada. Cuidado redobrado, já que parece que todo o país está debaixo de uns 30 cm de neve. Aliás, ao desembarcar em Praga já dava para notar a quantidade de neve na pista.

Enfim, estamos aqui em Nové Mesto. Na verdade, a cidade se chama Nové Město na Moravě, ou "Nova Cidade de Morave", porque aqui na Rep. Checa tem umas 10 cidades (e um pedaço de Praga) que se chamam Nove Mesto. Ao contrário de Dolni Mizecky, aqui é uma cidade mesmo, com supermercado, farmácia, comércio, até árvore de Natal na praça (parece que esqueceram de tirar a decoração...).


E, também ao contrário de Horny Mizecky, o centro de biathlon não tem turistas andando, é só para os que realmente vão competir na IBU Cup desse final de semana (lembrando que eu NÃO vou participar dessa prova). Hoje já deu para fazer um bom treino, ainda que a pista não esteja definitivamente arrumada, pois o trator passava enquanto estávamos treinando. Amanhã, a pista vai ficar mais tumultuada, pois o pessoal que ainda estava em Altenberg, participando da outra etapa da IBU Cup, deve aparecer para treinar, deixando o lugar com mais cara de competição. Hoje estava tudo sendo montado.

De minha parte, pelo que deu para andar hoje, as perspectivas estão boas para a semana que vem. Veremos.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Adeus Vancouver, olá... Nove Mesto, Mavrovo e Krusevo?

Prezados, tenho uma boa e uma má notícia para dar. A má notícia é que, infelizmente, não vou para Vancouver. Quer dizer, como voluntário, já que essa seria a minha única forma de ir para lá. Apesar de ter preenchido o formulário, e ter esperado, esperado e esperado mais um pouco, o pessoal da organização ficou me enrolando dizendo que eu teria que ter uma acomodação garantida para que pudessem me chamar. Como se fosse “simples” pagar uma grana de adiantamento, mais passagem aérea para, quem sabe, darem uma chance de ter o “privilégio” de fazer parte dos voluntários de Vancouver. Pelo visto está sobrando gente no Canadá para ser voluntário.

O que mais lamento é porque tão cedo não vou ter a oportunidade de trabalhar em uma Olimpíada, já que as responsabilidades vão aumentando ao longo do tempo... e meu russo não está lá essas coisas, mas paciência, pelo menos já tive a oportunidade de estar no meio daquela festa toda.

A boa notícia é que, para compensar em parte essa perda, estou indo participar de mais provas FIS nas próximas semanas. Primeiro, vou treinar junto com o pessoal que já está por lá em Nove Mesto na Morave, na República Tcheca. Depois, mais tarde, vamos para a Macedônia participar de 4 provas em 5 dias, duas em Mavrovo e duas em Krusevo. Vai ser bom, muito bom, fazer esse intensivão, principalmente porque, ao contrário de Ushuaia, vou ter um tempinho de aclimatação antes da prova.

Enfim, lá vamos nós de novo, semana que vem o blog volta novamente a ativa.