quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Mira, Maria...

Frustração passada, vamos para a segunda parte da Competição, que foi o sprint.

Dessa vez, com 4 homens e 2 mulheres, já estamos mais próximos de uma competição, já que uma bateria de uma competição dessas costuma ter 5 esquiadores (claro que homens e mulheres competem separadamente, mas só para deixar claro).

O lugar, não poderia ter sido tão bem escolhido: Tierra Mayor. Sim, onde eu comecei a esquiar. Áreas amplas, tipo de neve já conhecido, huskys siberianos e tudo mais que deixa o lugar tão legal. O lugar estava praticamente igual em relaçao à três anos atrás: os mesmos posters, as mesmas cadeiras. A única exceção foi o canil mais elaborado que fizeram.

O sprint foi feito em um percurso próximo do chalé principal, com 1,1km de extensão (pelo menos foi o que me disseram). O Martin, agora papai, foi organizador da prova, junto com a comunidade ushuaiense (ou seria ushuaiana?). E o circuito, embora fosse com bem menos curvas do que em 2006, ler aqui), tinha muita subida e descida, inclusive uma que jamais seria aprovada em qualquer prova de Copa do Mundo.

No entanto, o problema maior foi a neve, que estava muito, mas muito áspera. Conforme expliquei aqui, desse jeito a cera de tração fica quase impossível de ser usada, podendo inclusive ser usado um esqui com "escamas", que substitui a cera em casos extremos. Óbvio que, no meu enorme arsenal de 2 pares, não tenho esse modelo, mas o jeito era rezar para que a cera aguentasse, pois dessa vez não tinha ninguém como o Josef para fazer mágica.

Meu objetivo na prova era claro, ficar o mais próximo do Hélio, que ganhou em 2006 com praticamente o dobro do tempo. Os tempos eram outros, claro, mas o mais importante era tentar buscar esse objetivo.

A largada foi boa. Nos primeiros metros, basicamente usando só o bastão (também conhecido com "double pole") não fiquei muito longe do Hélio e do Leandro Lutz (o novato do grupo), enquanto o outro Leandro já tinha disparado na frente. O problema foi que o meu trilho "acabou" e, na hora de mudar de trilho acabei perdendo o embalo e, para variar, caí para último.

Na primeira subida as coisas continuavam indo razoavelmente bem, estava atrás, mas não muito longe do Leandro e do Hélio. Veio a descida "assassina" e consegui passar sem cair. Agora vai! Faltava uma subida, próxima ao chalé, para depois retornar para a região da largada, meu tempo estava razoável, apenas (obviamente) estava um pouco cansado. Aí....

Nessa subida, quem estava lá torcendo: Madame Maria Giró, minha primeira professora, que mora lá em Tierra Mayor. A anta aqui, em vez de manter a concentração e falar com ela depois da prova, resolveu dar um alô no meio da prova. Três segundos depois dessa burrada, caí na neve. Não satisfeito, ainda caí mais umas 2 ou 3 vezes. O tempo foi para o espaço e voltou tudo como estava antes.

O ponto positivo foi que, apesar do resultado, deu para ver que tem espaço para progredir. Só preciso agora de tempo para treinar.

No dia seguinte, antes de voltar para o Rio, ainda consegui fazer um bom treino na pista Jerman, que eu nunca tinha ido antes. Inclusive deu para fazer uma filmagem que está me ajudando bastante hoje.

De qualquer forma, continuo animado com o cross country. Vamos ver até onde ele pode me levar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A Maldição da MarchaBlanca (ou "Você já foi a... Rio Gallegos?")

Ola novamente,

Com algum atraso, está na hora de atualizar esse blog (que afinal de contas, só funciona quando há o que escrever, não é mesmo?).

Por conta de alguns inconvenientes e compromissos, não pude atualizar sobre o que aconteceu em agosto. Porém, como diz aquele ditado "antes tarde do que nunca".

Enfim, em agosto foi realizado mais um Campeonato Brasileiro de Cross Country. Dessa vez, voltamos para Ushuaia, onde tudo começou (inclusive para mim), para disputar a MarchaBlanca e, no dia seguinte, um sprint de clássico.

Conforme vocês podem ver aqui, minha primeira tentativa de disputar a Marcha não deu muito certo, por conta de problemas climáticos. Esse ano, no entanto, já estava nevando há muito tempo e, finalmente, iria participar da prova.

Infelizmente, por conta de algumas questões logísticas, não pude chegar mais cedo em Ushuaia, e acabei marcando a minha passagem para o sábado, véspera da prova. O objetivo, mais do que nunca, era ao menos participar, já que teríamos um recorde de participações em Brasileiros... seis atletas FIS, o dobro do ano passado, fora outros que entraram como convidados (como foi o meu caso na primeira vez). Ainda assim, depois de janeiro, achava que o resultado seria ao menos satisfatório, apesar das semanas anteriores à prova foram bastante complicadas para mim por conta do trabalho e gripes.

Enfim, lá fui eu no sábado, dia 15, feliz e contente embarcar para Ushuaia. Como sempre, tem aquela escala infeliz em Buenos Aires onde tem que trocar de aeroporto, pegar bagagem, etc... Foi tudo tão corrido que quase que perco o ônibus do transfer (com a minha bagagem lá dentro) porque precisava sacar dinheiro no Banco.

Problemas resolvidos, embarque feito e rumo a Ushuaia, dessa vez com escala em Rio Gallegos. Nunca pensei que fosse me arrepender em pegar uma escala....

Uns 30 minutos antes de pousar em Rio Gallegos, alguns passageiros ouviram um barulho estranho no fundo do avião. Seja lá o que foi, eu não ouvi, pois estava na frente, e de qualquer forma, não parecia ser nada demais (ou nem foi nada de mais grave, sei lá), mas o fato é que o avião pousou.

Pousou, mas não decolou de novo. Ficamos esperando mais ou menos uma hora quando ouvimos a declaração do comandante. "Senhoras e Senhores, em virtude de um problema na bomba de combustível, vamos ter que ficar aqui em Rio Gallegos" mais todo aquele procedimento usual que, infelizmente, eu já estou acostumado a ouvir, basta vocês lerem dois posts abaixo.

Raiva e frustração com esses infelizes da Aerolineas foi pouco perto do que eu senti na hora. Pior: se ainda ficasse preso em uma cidade que tivesse alguma importância, vá la, mas Rio Gallegos é uma cidade praticamente fantasma. Casas visivelmente abandonadas, o tempo horroso, com vento e chuva, ninguém andando na rua (e isso era sábado a noite). Nada, absolutamente nada na cidade. O que me deixou ainda mais para baixo.

A essa altura, acho que é desnecessário contar que o único hotel razoável da cidade não deu conta da enxurrada de passageiros enfurecidos que invadiu o lugar. As garçonetes ficaram doidas. Eu só consegui comer alguma coisa depois de meia noite, mas diante de tantos problemas, esse era o de menos.

Embarcamos por volta das 14hrs em direção a Ushuaia. A essa altura, a prova já havia começado e, mais uma vez, fiquei a ver....trenós.

Mas podem deixar que um dia pego essa prova de jeito.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Só para encerrar o assunto...

Bom, as fotos estão aí, não sei se vou ter coragem de botar os vídeos (não que eu esteja fazendo algo comprometedor, mas é que a diferença de estilo é v(r)isível), mas de qualquer forma para aqueles com quem não pude conversar já deu para ter uma boa idéia do que foi o evento.

Porém o motivo do post não é esse. É que, por conta de toda a encheção da volta, esqueci de comentar um fato que aconteceu durante o treinamento que acho que vale um rápido registro, como fechamento do evento, digamos assim. Infelizmente não teve foto ou nenhum registro, mas acreditem que foi, digamos, surreal.

Para isso, gostaria de saber se vocês conseguem acertar a resposta correta para a pergunta abaixo:

Pergunta: Imagine que está passando uma competição de patinação artística na televisão. Imagine agora que, sentados, começa a se juntar um grupo de 5 homens... que começam a acompanhar a prova, comentando os principais movimentos e dando palpite nos resultados. Partindo desta cena, você acha que:

A) São pessoas, digamos, sensíveis, que admiram a plasticidade e a beleza da competição;
B) São ex-atletas que estão assistindo pelo simples fato de que até hoje gostam do esporte; ou
C) É um bando de homem que está tomando vinho, cerveja, ou qualquer coisa parecida e o que está passando na TV é uma mera desculpa para eles continuarem enchendo a cara o resto da noite, mesmo depois do final da prova, dando longas e altas risadas e falando um monte de bobagem nesse meio tempo.

Pois é, nem tudo é o que parece....

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

O Terminal, estrelando... Eu

Parece inacreditável, mas pelo visto eu e as viagens internacionais não combinamos. Deixei para escrever esse ultimo post aqui no Rio achando que ia ser apenas um texto de despedida, etc e tal. Ledo engano.

Domingo começou muito bem. O tempo em Dolni Misecky melhorou durante a manha e a neve estava espetacular. Aproveitei para soltar um pouco depois da prova do dia anterior e dar um ultimo giro pelo lugar.

Depois, tudo normal, arruma mala, viaja para o aeroporto em Praga, voo no horário, conforme o planejado. Chega no aeroporto em Paris e vamos à correria no melhor estilo "The Amazing Race", com mochila nas costas e correndo pelo meio dos terminais vazios do Charles de Gaulle. O motivo era que eu tinha apenas 50 minutos de intervalo entre um voo e outro. Felizmente, a correria foi o suficiente para chegar no outro portão de embarque com 20 minutos de antecedência. Fora o tempo de todo mundo entrar no avião, dado que era um 747-400 Jumbo.

Aí começou a chateação. Meia hora de atraso e o comandante avisa que houve um problema com os interfones do avião e, segurança em primeiro lugar, só haveria decolagem caso estivesse tudo em ordem. Tudo muito bom, mais 20 minutos e o avião começa a taxear na pista. 100 metros depois ele volta para a posição inicial. "Continuamos com problemas com a comunicação interna, o defeito voltou logo após avião se mexer, mais alguns minutos e devemos decolar". Mais 20 minutos de espera. A aeromoça então começa a falar em inglês e francês que o problema deve ser sanado logo. Quando ela vai falar em português... o interfone fica mudo de novo. Mais uma hora sentado.

Finalmente, parece que está tudo em ordem. O avião começa (realmente) a taxear pela pista, aparece o vídeo de procedimentos de segurança, tudo parecia resolvido. De repente, o avião começa a fazer o caminho de volta. "O problema voltou, nossos responsáveis em terra estão cientes do problema e vamos ver qual o procedimento a ser tomado". 10 minutos depois vêm a notícia. Desembarcamos todos e o pessoal da Air France no aeroporto iria informar sobre a atualização do voo.

A essa altura, já eram mais de 2 horas da madrugada e uma pequena multidão no balcão da empresa. Enfim, chega a notícia: o voo foi cancelado e remarcado para as 14 horas. Gritaria, chiadeira, reclamações, tudo o que se espera dessas horas acontece. Fila é algo inexistente. Os atendentes ficam doidos tentando se dividir entre as pessoas que se aglomeram sobre o balcão. Ao invés de agilizar e dar o voucher do hotel para todo mundo e, na manhã seguinte, quando tudo estivesse mais calmo, fôssemos todos para o check-in e remarcaríamos as passagens, eles resolveram remarcar tudo na hora, o que fez com que eu demorasse mais de uma hora para ser atendido (como fui um dos últimos a sair, fiquei esperando sentado no chão do aeroporto, já que em pé cansa). Uma carioca, tentando manter o bom humor, já tinha batizado o nosso grupo de "Unidos do Desolé".

Entramos todos nos ônibus e saímos, às 4 horas, para os respectivos hotéis, que rapidamente percebi que faziam parte do complexo da Eurodisney, que fica a meia hora do aeroporto. Pelo menos agora eu sei para que serve esses hotéis no inverno. Do aeroporto até entrar no quarto mais 45 minutos, quando finalmente deitei na cama.

Como sempre acontece nesses eventos, 9:30 já estava de pé e tomando café da manhã (aliás bem fraquinho para um hotel que coloca 4 estrelas na porta). Uma hora depois embarcamos de volta para o aeroporto, check-in, e finalmente, 14:30, embarco de volta para o Rio, chegando em casa meia noite e 14 horas depois do previsto.

Apesar deste pequeno contratempo (aliás contratempos, por conta da minha mala de esqui na ida) não tenho do que reclamar do treinamento, agradecendo a CBDN pela oportunidade de poder ir participar do evento. Espero que possa aproveitar o que aprendi e não perder as melhoras que tive durante as últimas semanas. E, sei lá quando e onde será o próximo destino, poder usar em outros eventos.

...e as fotos eu prometo que coloco ainda essa semana. Da próxima vez eu preciso levar também o cabo USB.

Ahoj (sim, oi e tchau são a mesma palavra em tcheco)

sábado, 24 de janeiro de 2009

Prova Bonus Jilemnicka 50 (25 km livre) - Passeio no Bosque

Hoje seria um dia comum de treino. Seria. Tudo começou quando o Josef perguntou se nos queríamos correr no sábado. Quando ele fez a pergunta eu já sabia exatamente que corrida era essa porque já tinha visto na Internet enquanto procurava informações sobre o lugar.

A corrida se chama Jilemnická 50, e na verdade são três corridas em um final de semana. São provas abertas ao publico, como se fosse uma corrida de rua no Aterro, logo qualquer um, pagando, pode participar. A primeira foi hoje, 25 km em técnica livre, ou seja, todo mundo andando no estilo de patinação. As outras duas vão ser amanha, 25 km e 50 km em técnica clássica. Antes que perguntem, não, não vou correr amanha, só foi hoje mesmo e já esta bom.

A distancia de 50 km equivale a distancia de maratona no esqui. Portanto, posso dizer que hoje foi uma meia-maratona. Como fiz duas a , achei que estava qualificado para fazer uma sobre esquis.

O percurso e uma volta ao redor da região onde estou. A largada/chegada e em Benecko, uns 20 minutos de carro daqui e provavelmente um pouco mais se for de esqui. Na verdade o percurso seria mais embaixo, em Jilemnice, que ,não sei o porque, mas eles mudaram para Benecko. E, infelizmente, a mudança foi para pior no sentido de mais difícil (Clicando aqui da para ver o percurso e, mais importante, clicando aqui você o perfil altimétrico da prova). Posso garantir que o outro percurso era BEM mais fácil. Depois eu vejo no meu Polar o quanto de subida que teve.

Muito bem, chega hoje de manha, zero grau, neve quase chuva caindo, tempo horroroso, condições ideais para se correr não? E, estava uma droga mesmo de tempo, vide as fotos abaixo (fotos tiradas do site do evento, não teve ter problemas de direitos autorais).

Lugar de Inscrição


Condições aprazíveis para uma contenda na neve

 
Chegamos no lugar da prova, fizemos a inscrição no final dessa casinha dessa primeira foto e, 10 horas em ponto, foi dada a largada.

Todos aguardando a largada. E nada de atrasar muito já que ficar parado não era uma opção.


E aqui ainda era o lugar onde tinha mais espaço para se mexer

Mirlene de touca laranja. Infelizmente estava mais atrás e não apareci na foto.
150 pessoas largando junto. Digamos que, por conta da pista ser um pouco estreita, houve um certo engarrafamento nos primeiros quilômetros. A reta da largada, como da para ver na foto acima, era uma avenida de 4 pistas comparado com o que veio no trecho seguinte. No meu caso, o início de prova não poderia ter sido pior porque o terreno era todo ondulado no inicio e a neve variava entre muito fofa e gelo. Entramos na parte do oito (ver mapa) e logo uma descida muito forte e rápida, que gerou a primeira queda. Ainda não tinha entrado na prova. Depois uma subida mais forte e um sobe e desce chato por conta da neve que não se definia. Assim foi até o km 20, quando veio uma descida um pouco maior, porém não muito íngreme e então deu para descansar sem sustos. No final da descida tinha um outro posto de hidratação, onde acabei tomando pouca coisa porque a moça avisou que "faltavam 3 km" para a chegada. Ótimo, dava para completar a prova um pouco acima de 2 horas. Só que, o que ela não avisou, é que esses 3 km eram praticamente todos em subida. Na neve fofa. Num caminho que mal cabia um esquiador.
Comecei a ficar preocupado achando que ia ser mais complicado do que imaginava. No grampo ao sul começou outra descida, um pouco mais suave, mas muito longa e um piso ainda escorregadio, e mais uma queda. Felizmente, depois dessa queda começou a subida e, mais felizmente ainda, comecei a achar o meu ritmo. As subidas eram loooooongas mas não tão íngremes, então dava para encontrar um ritmo mais tranquilo. Cheguei no primeiro posto de hidratação com quase 1 hora de prova e a pior parte por vir, por isso tomei meu tempo, tomei o isotônico que ofereceram, alem de tangerina, chocolate, enfim, tudo o que NÃO tem numa prova no Brasil.

E na segunda parte era tudo praticamente em subida. La fui eu no meu ritmo "um, dois" subindo a montanha, praticamente sozinho no meio das árvores. As vezes um turista passava na contramão, mas depois que eu passei alguns retardatários, era praticamente eu durante o percurso. Tinha um risco, não desprezível, que era de se perder no caminho, já que ás vezes parecia que tinha saído da prova e fui para a trilha dos turistas. Apesar disso, o lugar e muito bonito. Se estivesse ensolarado seria melhor ainda, mas não dava para apreciar muito, principalmente na subida.

Foi sofrido, mas, com 2 horas e 13 minutos, praticamente 1 hora atrás do vencedor, completei a prova. Foi mais ou menos nesse estado (não tem foto minha porque todo mundo participou da prova, então não teve como ninguém tirar foto).

Não sou eu, mas poderia ser
Depois da prova, ainda tive direito a refrigerante (Coca-cola genérica checa, alias não vi nenhum lugar aqui na região vendendo Coca) e um prato de macarrão com alguma carne, que não deu para ver o que era porque eu devorei na hora, fornecida pela organização do evento cuja tenda que aparece nas fotos abaixo.


Na hora da fome, vale qualquer coisa. Mas estava bom também.
O meu tempo de fato, não foi dos melhores, mas o que me deixou feliz foi que 1) Não fui o ultimo (Aqui os resultados que, a propósito, já estavam no mural dessa próxima foto minutos depois da minha chegada) e 2) Se fosse em agosto, provavelmente teria chegado uns 15 minutos atrás. Portanto, entre mortos e feridos, não foi de todo mal. Mostra que aqui deu para ter alguma melhora.

Resultados divulgados logo depois do final da prova. Nada mal para uma prova no interior da República Tcheca. Enquanto aqui...
Agora vou morrer na cama e depois começar a arrumar a mala.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Treinamento para... Triathlon

Sim, claro, aqui o treinamento e voltado para o esqui nordico, mas isso nao significa que nao ajude para melhorar o desempenho nas provas de duathlon/aquathlon/triathlon.

Primeiro falemos de grupos musculares: segundo o pessoal daqui, quando se esquia usando a tecnica classica, usa-se o mesmo grupo muscular da corrida a pe. Faz sentido, ja que a tecnica classica e quase como se estivesse correndo. Mas o mais surpreendente e que, ao usar a tecnica de patinacao usa-se o mesmo grupo muscular do.... ciclismo!

E, para complementar, durante duas tardes fomos ate a piscina publica de Jilemnice para dar umas bracadas. Pena que a piscina nao estava exatamente quente. Obvio que tinha aquecimento, mas nao o suficiente para voce ficar boiando na piscina.

Algumas vezes, o treinamento realmente fica mais obvio. Quando estava sem esqui, acabei fazendo um treinamento de corrida. O treino era "apenas" subir um morro que comeca em Horni Misecky e sobe uns 400 metros durante uns 5km (ou seja, uma inclinacao de 8%) ate um lugar onde tem um refugio e uma estatua em homenagem a dois esquiadores locais. Daqui a pouco eu explico o motivo da homenagem.

Nesse dia o tempo estava maravilhoso. Sol, sem nuvens proximas, dia radiante, dava para ver um bom pedaco da regiao (se eu soubesse antes, teria levado a camera, ja que ficar carregando durante a corrida nao e algo pratico). Jiri, o coordenador disse que iriamos subir novamente esquiando um dia desses.

Pois bem, o dia foi hoje. E o tempo estava horrivel. Temperatura de -1 grau mas um ventinho chato, que torna a sensacao termica pior. E o Jiri dizendo "estamos no meio da nuvem, la em cima vai estar um tempo bom". Fomos nos subindo ladeira acima, e nada do tempo piorar, e o vento cada vez maior. Chegamos na regiao onde ja nao tinha mais arvore, e nada de melhorar. Por fim, 50 minutos depois, chegamos ao topo, onde ventava MUITO e nao dava para enxergar 2 metros na sua frente. A unica referencia era os postes de madeira que ficavam ao longo da estrada. Ficamos uns 5 minutos reaquecendo novamente dentro do refugio para....descer tudo. Visibilidade zero, vento gelado, maos congelando (no inicio da descida ficava mexendo os bracos para poder senti-los novamente) e posicao em V no esqui para segurar na descida.

15 minutos depois voltamos ao ponto de partida, com as pernas bambas, tremendo de frio, mas talvez por conta da altitude, estavamos todos contentes (deve ser a adrenalina). Corremos de volta para o carro e depois para o hotel (2 minutos de carro).

Portanto, depois de um treino como esse, estou pronto para correr qualquer prova de triathlon esse ano.

A proposito, a estatua no topo da montanha e em homenagem a dois esquiadores que participavam de uma prova de 50km nessa regiao no seculo passado. O tempo estava bom no inicio da prova (2 voltas de 25km), mas foi piorando e os organizadores decidiram cancelar a prova. Porem, os dois esquiadores eram tao rapidos que nao deu tempo de alcanca-los antes deles partirem para a segunda volta. Chegaram la em cima onde fomos hoje, e o tempo estava horrivel, como hoje, talvez mais frio. Cairam duros no chao proximo de onde a estatua esta hoje.

Diferente desse episodio, hoje tinha muito mais gente na estrada e, principalmente, tinham duas pessoas olhando todo mundo do grupo que esta aqui. Logo o risco era bem menor.

PS: Sobre o esquiador suico que se arrebentou ontem, ele estava treinando para a prova de downhill de Kitzbuhel, a descida mais temida da temporada de esqui alpino. Nao tem nada a ver com esqui nordico (embora meus tombos devem ser a 30 ou 40 km/h), e por casos como esse que vou continuar preferindo o cross country.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Figuracas do Acampamento

Com o fim do treinamento se aproximando, acho que da para eleger aqueles que, digamos, se destacaram com suas personalidades marcantes durante o evento. Vamos a eles

O prêmio de mais desengonçados vai para os 4 indianos que estão aqui. Honestamente, eu posso ser mais lento, ter menos equilíbrio ou não saber descer a montanha melhor do que eles, mas que grupinho mais atrapalhado. Encerar um esqui para eles e um parto, fazem uma lambança misturando os dois tipos de ceras e demoram uma vida para encerar. Durante os treinamentos, mesmo não tendo tanto fôlego quanto os outros eles teimam em ficar entre os primeiros, tornando-os verdadeiras chicanes ambulantes, principalmente para aqueles que, educadamente, respeitam a ordem de velocidade de todo mundo, como eu. Nas provas em Liberec estavam perdidos em relação a ordem de largada (largavam antes ou depois da hora, ou sequer sabiam a hora que ia largar). Na foto abaixo, mostra exatamente o momento onde a Mirlene tenta explicar para as indianas que a largada seria naquela hora.

E, acho que como melhor exemplo do quão enrolados eles são, fica o que aconteceu com as meninas indianas (que estão longe de serem igual a Juliana Paes) em relação a visita a Praga. Primeiro disseram que iam, depois desistiram. No final das contas, quando resolveram ir, dizem as mas línguas, elas tentaram sair correndo (literalmente) atrás do ônibus para tentar alcança-lo.

A menção honrosa do prêmio vai para o irlandês que teve que voltar para casa. O sobrenome dele e Ballentine, o que fez o narrador da prova lá em Liberec fazer um comentário no alto falante de que "esse e um sobrenome interessante de se ter". E, não, ele não tem nada a ver com o uísque. Mas o que ele justifica a menção e que ele era tão desligado que toda noite ele deixava a chave do quarto dele do lado de fora da porta. Porem, apesar disso, ele era bem tranquilo e falava inglês bem, o que facilitava a comunicação.

A mais, digamos, alegre de todo o grupo e uma das meninas do Quirguistâo. A garota não para de rir um instante. De qualquer coisa. Em todo o momento (exceto quando esta treinando). Não sei o que tanto ela ri, mas o fato e que todo mundo localiza ela em qualquer lugar por conta da risada dela. Nessa foto, ela está com o treinador dela no meio da Ponte Carlos, em Praga, fazendo uma caricatura. Pensando bem, faz sentido.

Entretanto, o mais figura de todos não e nenhum esquiador. E o cozinheiro do hotel. O cara tem 2 metros de altura, não e nenhum príncipe encantado, mas alem de ser super atencioso ainda tem tempo de fazer graça. Outra noite, durante o jantar, o cara me aparece com uma peruca preta enorme e senta na mesa falando em tcheco algo que ninguém na mesa traduziu para mim porque na hora não tinha ninguém. A tal menina, claro, não parava de rir, embora não sei exatamente do que. Porem, fora isso, não tenho mais o que falar mal do cozinheiro, que ele cozinha bem demais. Voltar mais magro com certeza eu não vou.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Valei-me Sao Sebastiao de Misecky!

Rio, terça-feira, quase 40 graus - sol escaldante, (muito) calor, todos na praia de trajes de banho, muita gente reclamando do calor que esta fazendo no feriado

Dolni Misecky, terça-feira, 0 graus - nuvens, (muita) neve, todo mundo encasacado ate a alma, nem todo mundo reclamando do tempo que esta fazendo

A comparação acima mostra os dois extremos entre as duas cidades no dia do feriado de São Sebastião. Nem sempre pode se ter o que deseja. Ontem foi o primeiro dia desde que cheguei aqui que nevou cântaros na região. Ate tinha nevado antes, mas nada como o que caiu ontem. Isso levou a duas situações curiosas.

A primeira foi logo de manha, quando entramos no ónibus para ir ate a estação de esqui. Como ônibus não tem tração 4x4, o veiculo não conseguiu sair do lugar. Pior: quanto mais ele tentava, mais ele escorregava. Tentou-se vários métodos para fazer ele desempacar. Uma meia hora depois, com as mulheres no fundo do ônibus e os homens empurrando, ele conseguiu andar para frente. O problema era que o ônibus não podia parar, senão voltava para a estaca zero. Resultado: um bando de marmanjo correndo de botas de esqui (não sãoo pesadas quanto as de alpino, mas são bem desengoncadas) atrás do ônibus e entrando pela porta da frente com ele andando. Foi surreal.

A segunda foi durante a tarde. Fomos andar de clássico, que a cera usada ainda era a da competição, que era para neve abrasiva. Como a neve que acabou de cair era nova e, pior, com a temperatura próxima de zero, ela estava bem molhada, a cera de tracao usada na prova de domingo virou uma cola que agarrava toda a neve fofa embaixo. Meu esqui ficava a cada cinco minutos com duas montanhas de neve duras que saia usando o bastão para ajudar.

Essa virada de tempo aparentemente vai permanecer ate o final da semana por aqui. De certa forma, e um pouco estranho que, apesar das nuvens e tudo mais, esta mais quente do que semana passada (atualmente por volta de zero, contra 5 graus negativos semana passada com sol). Acho que, de uma certa forma, e bom para poder ver todos os tipos de temperatura e notar como os esquis e as ceras reagem a essas mudanças, mas bem que podia ao menos sair um solzinho...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Mas que Praga!


Ontem foi dia de descanso depois de dois dias de provas puxadas. Na verdade nao seria bem um dia de descanso, mas depois de algum consenso entre o pessoal que esta aqui, um dia de descanso seria bom. Entao, fomos todos conhecer Praga.

Um comentario antes de continuar: alguns posts atras eu falei que o pais era meio monotono. Continuo afirmando isso, porem existem excecoes. Aqui perto, em Jilemnice, as casas do lado da estrada sao parecidas com aquelas que eu descrevi. Porem, a praca principal da cidade tem construcoes bem mais antigas e bem mais interessantes de se ver.

Por este motivo, Praga, ou melhor ao menos a parte antiga de Praga, ja que nao vi o resto da cidade, e uma cidade muito legal de se visitar. Na verdade, o passeio acabou sendo exatamente isso: um passeio, ja que nao da para ver todas as atracoes de Praga com um grupo tao heterogeneo em tao pouco tempo. Se estivesse por conta propria dava para ver tudo em dois, no maximo tres dias. Mas a atmosfera da cidade, que parecia bastante tranquila para uma segunda-feira, e muito legal.

Antes de comentar sobre o passeio, alguns comentarios curiosos sobre a cidade:

1 - Tem McDonalds em tudo quanto e lugar

2 - Tem joalheria em tudo quanto e lugar

3 - Tem tragedia em tudo quanto e lugar (e um tal de um que se queimou - foto abaixo -, outro que furaram o olho, outro que foi enforcado, e por ai vai)


Sobre o passeio em si, saimos daqui de onibus em direcao a estacao final de uma das linhas do metro. De la fomos para frente da Cor do textoentrada do Museu Nacional, que está na foto abaixo, e de la comecamos a nossa caminhada descendo em direcao ao Rio Vlatava.
No caminho, a Praca da Cidade Velha e o Relogio Astronomico (detalhe fica para a animacao ao redor do relogio a cada hora, tem que vir aqui e descobrir o porque, quem quiser advinhar veja o detalhe do relógio abaixo). O unico lugar onde realmente entramos foi a Torre onde fica o Relogio Astronomico, pois tem uma vista espetacular da cidade e o tempo estava ajudando (estava sem uma nuvem durante a manha). A foto inicial do post e lá de cima da Torre. Para subir até o topo é um tal de subir escadas, primeiro subindo pelos andares do prédio, e depois pela torre, que pode causar problemas de labiritite para os mais desavisados, como essa foto mostra muito bem. É quase uma ilusão ótica.

Cruzando o Rio Vlatava, temos a Ponte Carlos, com suas 30 estátuas de Santos. Infelizmente a ponte estava em reformas, até porque as estátuas estavam bem sujas (como aliás boa parte dos edifícios), mas inteligentemente eles estão reformando por partes, logo da para atravessar pela ponte sem grandes problemas.

Cruzando a Ponte subimos ate o Castelo de Praga (primeira foto abaixo)demos uma volta pelo lugar onde, alem das igrejas (em particular a de Sao Vito. foto seguinte, onde passamos) que tem trocentas coisas diferentes para visitar. É um enorme complexo, que também serve de sede de governo para o presidente tcheco (última foto).
Porem, por conta do horario, ja era 4 da tarde e tinhamos que voltar para pegar o onibus e voltar para ca (sao duas horas de viagem). Todos os lugares muito agradaveis e relativamente bem cuidados (um pouco sujos de fuligem e poeira, mas sem pichacoes ou vandalismos). De modo que ficou o gostinho de visitar e, quem sabe, voltar novamente para conhecer melhor a cidade.

PS: Durante a viagem, o Jiri recebeu uma mensagem de que meu nome apareceu ontem em um dos jornais de circulacao nacional em uma reportagem sobre a prova de domingo. O tema era algo do tipo atletas "Jamaica abaixo de zero". Ha, ha, muito engracado, todo mundo rindo do pato.... Deixa eles, pelo menos nao foi na televisao, para quem quiser tentar traduzir, o link esta aqui: http://sport.idnes.cz/bauer-o-vikendu-zavody-nejel-mel-knedlik-v-krku-fli-/lyzovani.asp?c=A090119_104319_lyzovani_kal

domingo, 18 de janeiro de 2009

FIS Slavic Cup 10km Individual Classico - O Numero 1 ou "O primeiro a largar e o ultimo a chegar?"

Chegando no Hotel apos a prova de sabado, o negocio foi tomar banho, jantar e... preparar o esqui de novo para a prova de hoje. Sim, e meio repetitivo, mas cada dia a temperatura muda e a cera muda tambem.

A prova de hoje tem um formato diferente do de ontem. A prova de perseguicao, antigamente feita em duas partes, tem largada unica, enquanto a prova individual e do tipo contra-relogio. Ou seja, larga um por um a cada 30 segundos e quem faz o melhor tempo, vence.

A ordem de largada e feita de acordo com a sua posicao no ranking da FIS. Dessa forma, quem nao tem pontos larga na frente. Meu caso. E, complementando, hoje ainda fui o primeiro a largar. E meu objetivo na minha primeira prova que eu iria completar, salvo algum acidente de percurso era simples: nao ser o ultimo a chegar e fazer um tempo para me dar uma pontuacao abaixo de 800 pontos.

A pontuacao de cada corrida e calculada da seguinte prova: divide o seu tempo pelo tempo do primeiro colocado, multiplica esse resultado por um fator pre-determinado e depois soma uma penalidade que normalmente e igual a media de tres dos cinco melhores colocados na prova. Esse fator na prova de hoje era de 800.

Alem disso, tinha um outro objetivo. Lembram do venezuelano de Bariloche? Pois e, ele, atabalhoado que so, sem comprar um par de esqui, tinha como melhor pontuacao proxima de 860 pontos, e isso em uma prova mais fraca. Nao podia de forma nenhuma ficar pior do que ele.
Diante deste cenario, chegamos a Liberec as 8:30 da manha e fomos para o nossa sala para ficar aquecidos (foto ao lado da entrada do conteiner que servia para base e para ficar um pouco mais aquecido) e colocar a cera de tracao, como dá para notar na foto abaixo onde eu estou colocando uma camada de cera no esqui de teste. E importante deixar para colocar a ultima camada da cera de tracao na hora porque a temperatura da neve pode aumentar ou diminuir, o que torna a cera colocada anteriormente inutil.

E de fato, foi o que aconteceu, logo apos a prova das mulheres, fomos colocar a cera e o resultado nao foi muito bom. Embora o esqui estivesse andando bem, nas subidas estava horrivel porque a cera de tracao nao estava pegando na neve. Entao, la foi o Josef (que alias tambem participou da prova de hoje) colocar outra cera por cima. E, novamente deu certo e fui para a area de largada.

Larguei pontualmente as 11:30:30 da manha, sabendo que seria ultrapassado por bastante gente. Comecei bem, principalmente na parte que tinha andado no sabado. Nao cai na curva da ponte e estava em um bom ritmo. Porem, quando entrei na parte que nao tinha andado, acabei caindo algumas vezes, o que atrapalhou um pouco.

Quando estava terminando a primeira volta, vi o pessoal ainda largando, numero 49. Bom sinal. Tinham 60 na linha de partida e tinha uma certa margem.
Fui para a segunda volta um pouco mais cansado, e com mais gente na pista, mais gente me passava, o que tambem atrapalhava um pouco. O problema de ser ultrapassado é que você é obrigado a dar passagem ao que está vindo mais rápido. Como só tinha um trilho para você andar em todo o percurso, a pessoa tem que sair do trilho, andar na neve não preparada (que normalmente é mais lenta) e voltar para o trilho. Com isso, perde-se um tempo razoável e, quem não está muito acostumado, como eu, perde mais tempo ainda.
Fui para o trecho final olhando os numeros que iam me passando: 32, 34, 36. Estava folgado, quer dizer folgado uma virgula, ja que estava pregado com a segunda corrida em dois dias seguidos. Fiz a ultima descida, me passa o numero 45. Vai dar.

Entrei na reta de chegada com o resto de energia que tinha e so parei na linha de chegada. Com 5 minutos de folga para o ultimo que chegou. Tempo um pouco abaixo dos 50 minutos (ver resultado aqui), enquanto o primeiro fez um pouco acima dos 25 minutos. Pontuacao FIS: 780 pontos aproximadamente. Nada mal para estreia, embora longe mesmo do penultimo colocado. Mas melhor que o venezuelano!!

Agora estou meio moido, mas satisfeito, e ainda tem mais uma semana por aqui.

sábado, 17 de janeiro de 2009

FIS Slavic Cup - 15km Perseguicao: Josef, o mago

Os ultimos dias tem sido bastante corridos, e voces vao ver daqui a pouco. Mas vamos ao post de hoje.

Quinta-feira, 15/1, pista de Liberec: Estava eu treinando (mal) pela pista, testando o percurso, quando encontro o Josef, que e o, digamos, treinador principal aqui do Treinamento. Ele, mais o Jiri, que e o coordenador e "assistente de treinador" do evento sao as pessoas que estao coordenando os horarios, treinamentos e demais atividades. Em um ingles basico, ele comenta "Neve muito agressiva (na verdade ele quis dizer abrasiva, mas deu para entender) mas eu sei o que fazer".

Antes de continuar, um pequeno grande parenteses. Quem quiser pule esse pedaco, mas vai ajudar a entender o resto desse post. Para um esqui andar mais rapido, coloca-se cera na base dele (o lado debaixo). Existem dois tipos de cera: a que desliza (glide wax) e a que da tracao (grip wax). O esqui do tipo skating so pode colocar a cera deslizante pois, como o nome sugere, o passo tem que ser como se estivesse patinando. Entao quanto mais deslizar (sem voce cair, claro) melhor. No esqui do tipo classico, usam as duas ceras, a que desliza nas pontas e a que da tracao no meio. Isso porque, no estilo classico, e como se a pessoa estivesse caminhando na neve. Dessa forma, para voce nao ficar deslizando com o esqui para frente e para tras sem se mexer (embora a cena deva ser engracada) na hora em que voce pisar na neve o esqui tem que segurar por um instante antes de voce poder deslizar para frente. Daria para fazer um blog inteiro falando sobre cera, mas vamos ao que interessa.

Enquanto a cera que desliza permanece mais tempo no esqui, porque ela e passada com um ferro que torna a cera liquida e penetra na base do esqui, a cera de tracao e basicamente esfregada no meio do esqui e depois passa uma especie de rolha para espalhar essa cera. Fica uma meleca, mas funciona, embora seja mais facil de sair.

O problema e que, quando a neve esta abrasiva, qualquer curva que voce tem que freiar acaba raspando essa cera que da tracao. Quando voce vai tentar andar de novo, e principalmente subir com o esqui, voce sofre porque nao tem mais essa cera e voce acaba escorregando o tempo todo.

Voltando a historia:

Sexta 16/1, Hotel Idol, Dolni Misecky - Logo apos o jantar chega o Josef para ajudar o pessoal a colocar a cera apropriada. Como a fila estava enorme, e nao tinha espaco para todo mundo colocar todas as respectivas ceras em todos os esquis, so consegui chegar a minha vez tarde da noite (quer dizer, 21 horas, tarde aqui, ja que as 17 horas ja esta escurecendo).

E la vem o Josef, acompanhado de um copo (grande) de cerveja, para me ajudar. Mexe aqui, mexe dali e chega a hora de colocar a cera de tracao no esqui de classico. O que ele faz: primeiro tira uma cera laranja que eu nunca tinha visto e passa nos esquis. E quase uma cola. Depois passa o ferro nos dois esquis e deixo o esqui do lado de fora do Hotel (onde estava -5 graus/sem vento). Ele pega os esquis ainda fora do Hotel e antes de entrar passa outra cera por cima daquela laranja. Volta para dentro, passa o ferro por cima dessa nova cera e pede para descansar. Hora de dormir.

Hoje, pista de Liberec - Meu objetivo era simpes, andar pelo menos duas voltas antes de ser eliminado. Escorregando do jeito que eu estava na quinta, nao daria de jeito nenhum. A pista, como eu falei antes, nao tem uma parte plana fora a area de largada/chegada, que é essa parte na foto logo abaixo, e as curvas em descida normalmente sao bem apertadas.

Desse jeito, la vou eu para a minha prova. Largando todo mundo junto, mas por ordem de ranking. Logo, quem nao tem ponto nenhum no ranking da FIS (meu caso), larga la tras, o que nao e de todo ruim no meu caso.


13 horas pontualmente e dada a largada. Logo na primeira subida (foto abaixo) ja fico bem para tras.

Depois vem uma descida bem rapida, com um falso plano numa ponte e logo depois dela uma curva bem inclinada para baixo, como da para ver nessa primeira foto. Depois, o percurso segue em um sobe e desce durante um tempo (foto seguinte) para depois subir até a ponte novamente.

Aqui tem o mapa da prova. Vejam que na ponte o percurso segue nos dois sentidos. Perco o controle na curva e estou indo em direcao a contramao e acabo caindo. Caindo nao, capotando. E o mais incrivel, em 5 segundos ja estava descendo normalmente curva abaixo. Uma daquelas capotagens perfeitas. Infelizmente, perco velocidade, o que significa que tenho que fazer mais forca para subir, mas a cera ate o momento responde bem. Segue a prova e mais subida, a cera vai respondendo conforme o esperado, menos quando a inclinacao fica muito forte.

Acabo a subida e ja vejo o pessoal se preparando para subir pela segunda vez. Vai dar. Chego no estadio sozinho em ultimo, mas como nao tem muito publico mesmo, so ouco a voz do narrador falar meu nome. Completo a volta sem ser ultrapassado, missao cumprida, agora so vao me parar no final da segunda volta.

Logo na primeira subida, o primeiro pelotao me ultrapassa.

Fim da linha. Agora e completar a volta. E a cera aguentando. Chega a ponte de novo, nova queda (dessa vez mais demorada), mas sigo em frente. Vai todo mundo me passando novamente nas subidas e, finalmente, completo a segunda volta e fim de prova para mim e dois indianos que estao aqui tambem em Dolni.

No final dos 48 inscritos, 2 nao largaram e 13 nao completaram. Do nosso grupo, so um dinamarques, por muito pouco conseguiu nao ser ultrapassado antes de iniciar a ultima volta (o irmao dele, 20 segundos depois nao teve a mesma sorte).

A cera, como deu para notar, aguentou bem ate o fim. Agradeci imensamente ao Josef (que tem 52 anos e muita experiencia como se da para notar) pela ajuda. Meu tempo para os 5km foi alguma coisa abaixo de 23 minutos. Os primeiros completaram o mesmo trecho em pouco mais de 12 minutos. Muita diferenca? Sim, mas fiquei bem satisfeito com o resultado. Pelo menos na proxima vou ter uma pontuacao.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

A Grande Familia Babel

Aqui no Campo de Treinamento tem gente de tudo quanto e tipo. Latinos os do Brasil, embora ano passado tenha vindo gente da Argentina também. Mas essas duas semanas são basicamente para os chamados "países pequenos" (small nations), que não tem centro de treinamento e/ou treinador ou simplesmente grana suficiente para mandar todo mundo fazer intercâmbio.

Então aqui em Dolni tem gente da Índia, Irlanda, Dinamarca, Hungria, Quirguistao, Lituânia e Bósnia. Todo mundo em busca de alguma ajuda. Alguns ate trazem o treinador junto, em especial o pessoal que traz os esquiadores juniores, mas a maior parte esta por conta própria. Mas de uma certa forma, aqui parece um pouco o "Centro de Treinamento da Mãe Joana", porque e um tal de entra e sai, e e grego que desiste de vir, arménio que não consegue visto, dinamarquês que aparece de ultima hora. Uma doideira.

Por esse motivo, aqui e uma verdadeira Torre de Babel, da mesma forma que se pode falar português a 30 cm de outra pessoa sem que esta entenda qualquer coisa do que você esta falando, o inverso também e verdadeiro. Isso sem falar na língua daqui, que e algo bem complicado de entender. Ao mesmo tempo, como todo mundo toma café da manha junto, almoça junto, janta junto, participa das atividades pós-treino junto e treina (quase) todo mundo junto, fica uma família bem estranha, mas funcional, onde o inglês acaba sendo meio que a língua comum (exceto para os países do Leste Europeu, que não são muito chegados na língua bretã).

Mas talvez nada consiga bater o que aconteceu ano passado. Dois atletas se encontraram e começaram a se cumprimentar efusivamente, porque tinham participado de uma mesma competição anteriormente. que, como eram de países totalmente diferentes (Mongólia e Índia) e nenhum dos dois sabia a língua do outro, eles ficaram no "Hei!", "Hei!" e não conseguiram trocar uma frase qualquer. Pena que eu perdi essa.

Amanha vai ser a minha 1a prova. Não precisam me desejar sorte nessa porque com certeza vou tomar uma volta e ser eliminado da prova. Deixem para a prova de domingo.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Todos a Liberec!

Hoje fomos todos a Liberec, onde será realizado o Campeonato Mundial de Esqui Nórdico em um mês. O motivo da viagem (porque dura umas duas horas) e que no sábado e no domingo vamos participar das provas preparatórias para o Mundial. Mais ou menos como um ensaio geral para a festa.

A viagem confirmou algo que tinha notado no caminho de Praga para . Sendo o primeiro membro deste galho da família Ramos a visitar um pais do chamado Leste Europeu (desculpem o trocadilho infame) sempre fica uma certa curiosidade sobre como era um pais sob governo comunista. E de fato, mesmo quase 20 anos após a queda do Muro (que alias começou por aqui entre os tchecos), o pais e bastante, digamos, monótono: construções muito parecidas sem nenhuma criatividade arquitetônica. E uma casa branca, outra bege, outra amarela, uma construção grande bege, uma casa branca, e por ai vai. Some isso a uma enorme quantidade de neve e um tempinho bem nublado e temos a explicação do porque do pessoal daqui chegar no Rio e achar tudo lindo e maravilhoso. Caso consiga visitar Praga, espero encontrar algumas coisas mais interessantes. O lado positivo e que praticamente não tem propaganda pelas estradas/ruas. O Kassab ia adorar.

Voltando ao "passeio", fomos a Liberec para ver como e a pista que vai ser usada no final de semana. Como dá para notar nas fotos, não estava muito agradável para se fazer um reconhecimento. E, resumindo em uma palavra sobre como é a pista, pode-se dizer, com toda certeza: difícil. Um sobe e desce interminável com umas curvas em descida bem apertadas (descendo a 30km/h ou mais da medo). Porem, ao menos sei o que me espera. E vai ser beeeeemmm duro.

Sobre as provas, vai ser uma no formato "perseguição" e outra com largada intervalada. Na prova de perseguição, larga todo mundo junto usando a técnica clássica e, na metade da prova, troca-se o esqui para o estilo livre (onde todos usam a técnica de skating). O ruim desta prova e que, se você toma uma volta você e eliminado. Portanto, e bem provável que a minha primeira prova FIS seja um abandono forcado. A segunda larga um esquiador a cada 30 segundos e ganha quem fizer o menor tempo. Neste caso não eliminação, mas será bastante dura mesmo assim.

Amanha e dia mais tranquilo, mas ainda sim dia de treino leve, depois veremos.

A propósito, depois de 4 dias da sua estada em Paris, a minha mala de esqui finalmente chegou, agora as coisas estão se normalizando.