O que dizer quando a neve está perfeita, o tempo melhor ainda (até um calorzinho no meio da manha) e tudo está a seu favor? Exceto que nao há desculpas para o desempenho. Certo, tem a altitude (1700 metros já nao é algo que nao dá para nao sentir), mas nao explica muito do resultado.
Resumindo a prova, já que o resultado nao foi exatamente o que estava pensando. Na hora da largada estava eu, concentrado, crente que tinha feito tudo certo, com aquele "friozinho" na barriga típico de quem estava confiante. Mas durou mesmo só até a largada.
Aliás, dica número 1 para largadas: se alguem começar a correr antes de você, mesmo que ainda nao tenham gritado "zero", vá atrás. Fui bancar o honesto porque na contagem regressiva estavam falando ainda o um e os "colegas" partiram e eu refuguei achando que iam mandar voltar. Quando vi, nao abortaram largada nenhuma e tinha caído para o fundo do pelotao em menos de 10 segundos.
Mesmo assim, estava confiante, era so a largada, nao ia ficar entre os primeiros mesmo, era só manter o ritmo planejado e pronto. "Só" isso. Bom, depois da primeira reta, deu para notar que nao era bem assim. Lá fui eu ficando para trás, e mais, e mais.... de fato nao estava me sentindo bem durante a corrida e as subidas nao ajudaram muito (aliás, a corrida foi no mesmo trecho do esqui, aquele que tinha aquela subida escondida - ver post abaixo). De tal modo que, na hora da transiçao, tinha feito em um ritmo próximo do que tinha feito no ano passado, que nao tinha subidas, mas era um pouco mais longo.
Assim, fui eu pedalar na minha Mt.Bike de primeira linha. E, para a minha surpresa a neve estava um asfalto de tao dura. Parecia asfalto. Entretanto, por ser próximo ao lago, o trecho de Mt. Bike tinha muito vento, o que sem ninguém para revezar fazia diferença (e muita, dado quando o pessoal me ultrapassava eu via a diferença). Tirando um trecho pequeno onde a neve estava um pouco mais fofa, o resto passou muito rápido e saí para o esqui até me sentindo um pouco melhor, mas sabendo que estava um pouco atrás (alias, quando fui esquiar, o vencedor já tinha completado a prova).
Enfim, chegou a parte do cross country e suas subidas. Desnecessário comentar como foi as subidas. Foram três voltas bastante desgastantes. Ao menos, por conta da prova, a máquina que montou e alisou a pista fez um bom trabalho e tornou a subida (e a descida) menos perigosa, o que nao impediu que eu caísse algumas vezes.
Na chegada (bem atrás), embora novamente nao fosse o último, cheguei festejado pelos colegas, o Fabian, que ganhou no ano passado e o Daniel, italiano que dividiu o chale (junto com os outros estrangeiros) comigo. Vendo os tempos da prova, deu para notar que, independente do tempo nas duas primeiras partes, a classificaçao foi decidida mesmo na parte do esqui, o que significa que ainda tenho muito o que remar...
No fim, olhando para a prova, alguns pontos a destacar: evitar de treinar, mesmo que leve, antes da prova, ajuda (principalmente se estiver em altitude); esqui nao é só andar no plano, tem que treinar muita subida; e tentar sempre melhorar o condicionamento tanto no ciclismo quanto no mountain bike, porque nesse caso, pode fazer diferença para começar o esqui mais descansado.
Valeu pela experiência, mas bem que poderia ter ido um pouco melhor por conta das condiçoes espetaculares da prova.
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segunda-feira, 10 de setembro de 2007
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Últimos Preparativos
Com a corrida chegando, estava na hora de começar a acertar os últimos detalhes. Esqui, OK. Botas, OK. Tênis, OK. Bicicleta....é, isso ainda não. Como eu já comentei que a cidade é, aham, pequena, achar um lugar onde tivesse algo no mínimo igual a que eu andei em Ushuaia já seria muito bom.



Surpreendentemente, veio algo melhor ainda: depois de uma tentativa frustrada com um outro local que participa de provas de trenó de cachorro (em inglês, joring), o filho do motorista (aquele mesmo que me levou para Caviahue) tinha uma Merida muito acima da média. Duro foi conseguir pegá-la para treinar. Era sempre "amanhã" (os tchecos a essa altura não paravam de gozar com o "amanhã"). No final das contas, somente na quinta (a prova era no sábado) consegui dar umas voltas.
Enquanto isso, lá ia eu tentar andar o máximo com os esquis na pista, ainda não alisada, para a prova (veja na foto abaixo onde, por exemplo, seria o lugar do ciclismo, na quarta-feira). No meio do caminho encontrei meus colegas de Ushuaia, Fabian e Ricardo, que chegaram uns 2 dias antes. Desta vez, não saímos todos juntos porque eles vieram equipados de van, parte da família e treinador novo, mas foi legal revê-los.
Assim, chegou a sexta-feira, e talvez o maior susto antes da prova. Não, não foi nenhum tombo. Foi mais ou menos por volta do meio-dia. Estava eu dando um giro no que eu achava que era a volta completa de esqui. Quando cheguei para um dos organizadores e perguntei qual era o traçado. Ele foi descrevendo "sobe por ali, desce por aqui, passa por detrás do bosque, vai até o hotel....". Como assim, até o hotel? "É, vai subindo por ali e continua subindo". Resumo da história, como só montaram o traçado na véspera com o trator empurrando a neve para dentro do asfalto, alguém montou um caminho que passava por trás do bosque e ia parar no estacionamento do hotel onde estávamos (veja aonde na foto abaixo, mais para a esquerda). E como a subida é a pior parte na hora de subir E de descer, se a descida for íngreme (o que era o caso), o ideal é treinar exaustivamente o trecho. Nesse caso a subida ia até mais ao alto do que antes, e descia como se fosse uma montanha russa em dois morros, sendo que no final uma curva apertada à direita mostrava que tinha que ter um mínimo de técnica para não se esborrachar na neve. E eu teria que fazer isso 3 vezes....
Desse jeito, fomos para o congresso técnico/coletiva de imprensa, onde após algumas discussões sobre direitos militares, voltamos para o chalé, jantamos e, no meu caso, ainda tive que passar uma cera melhorzinha no meu esqui, já que qualquer coisa é melhor do que nada, o que era o caso.
E "vamos que vamos".................
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quarta-feira, 29 de agosto de 2007
Caviahue, a cidade dos turistas (literalmente)
Quando ouvi falar em Caviahue, a primeira impressão foi algo do tipo "cidade a beira de uma estação de esqui", algo como Aspen, guardadas as devidas proporções. Ao chegar lá tomei um susto: não em relação à "estação de esqui" pois, de fato, o lugar fica a beira de uma estação de esqui e vive basicamente disto, mas em relação ao "cidade".
Como se descreveria um lugar onde você atravessa em 5 minutos de norte a sul ou de leste a oeste? Mercadinhos, uns 3 com muito boa vontade. Hospital, um e sabe-se lá o que tem. Caixas eletrônicos? Não, CAIXA eletrônico (e ainda assim nem sempre ele está on-line). Internet só funciona bem se (eu falei "se") as duas antenas funcionam ao mesmo tempo, senExistem mais leitos para turistas do que habitantes na cidade. Ushuaia é megalópole em relação a Caviahue. "Ovo" seria um elogio ao descrever o tamanho do lugar.
(Ia me esquecendo, a cidade mais próxima, Copahue, só funciona no verão. No inverno ela é uma cidade fantasma)
Não que a paisagem seja feia. Vejam abaixo as fotos e vocês vão ter uma idéia do que eu estou falando. Mas as araucárias... digamos que me soam familiar, geneticamente falando.
Em resumo, o lugar é bonito, quase paradisíaco (sob o ponto de vista invernal), mas falta um pouco de, digamos, "charme". Mas é o preço que se paga pelo fato dela ter somente 20 anos de existência.
O principal ponto é que, por conta disso, a estrutura para treino é bastante ruim. Uma pista para cross country não existe, e foi criada somente para a competição no meio de casas abandonadas (durante o inverno não há como construir nada, sendo obrigados a deixar tudo parado por meses). Ou seja, quem está engatinhando no esporte (meu caso) sofre, e muito, com esse tipo de dificuldade.




Mesmo assim, pode-se dizer que os treinos foram bem, já que consegui até ensaiar alguns passos em V2 (o passo básico da técnica livre é o V1). Ao menos a minha prancha deslizante do Rio serviu para alguma coisa. Aguardemos a corrida.
Como se descreveria um lugar onde você atravessa em 5 minutos de norte a sul ou de leste a oeste? Mercadinhos, uns 3 com muito boa vontade. Hospital, um e sabe-se lá o que tem. Caixas eletrônicos? Não, CAIXA eletrônico (e ainda assim nem sempre ele está on-line). Internet só funciona bem se (eu falei "se") as duas antenas funcionam ao mesmo tempo, senExistem mais leitos para turistas do que habitantes na cidade. Ushuaia é megalópole em relação a Caviahue. "Ovo" seria um elogio ao descrever o tamanho do lugar.
(Ia me esquecendo, a cidade mais próxima, Copahue, só funciona no verão. No inverno ela é uma cidade fantasma)
Não que a paisagem seja feia. Vejam abaixo as fotos e vocês vão ter uma idéia do que eu estou falando. Mas as araucárias... digamos que me soam familiar, geneticamente falando.
Em resumo, o lugar é bonito, quase paradisíaco (sob o ponto de vista invernal), mas falta um pouco de, digamos, "charme". Mas é o preço que se paga pelo fato dela ter somente 20 anos de existência.
O principal ponto é que, por conta disso, a estrutura para treino é bastante ruim. Uma pista para cross country não existe, e foi criada somente para a competição no meio de casas abandonadas (durante o inverno não há como construir nada, sendo obrigados a deixar tudo parado por meses). Ou seja, quem está engatinhando no esporte (meu caso) sofre, e muito, com esse tipo de dificuldade.
Mesmo assim, pode-se dizer que os treinos foram bem, já que consegui até ensaiar alguns passos em V2 (o passo básico da técnica livre é o V1). Ao menos a minha prancha deslizante do Rio serviu para alguma coisa. Aguardemos a corrida.
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terça-feira, 28 de agosto de 2007
Cadê a #%@#%@#% do esqui que estava aqui?
Como cheguei segunda-feira de madrugada, fácil imaginar que o resto do dia foi basicamente para descansar. Saí para correr com a Sarka por uns 30 minutos, e nem dava para fazer mais do que isso, já que o tempo estava horroroso, nevando muito, ventando muito. Valeu por experimentar meus tênis que seriam usados na corrida.
Aliás, as duas primeiras noites não foram das mais, digamos, privativas, já que fiquei dividindo o mesmo quarto com meus colegas tchecos (fazer o quê).
Na terça, o tempo melhorou e fomos os três correr de manhã. Se deu para perceber alguma coisa é que 1500 metros de altitude já são alguma coisa, principamente para quem não estava no mesmo nível de preparação dos outros. Enfim, quem está na neve é para passar frio e sofrer com a altitude e fomos no lema 'vamos que vamos'....
Antes do almoço, nos encontramos com o Daniel, o italiano que ganhou a prova de Ushuaia esse ano (atual número 5 do ranking) e que seria o nosso companheiro no chalé que a organização alugou.
À tarde, fomos todos fazer um pouco de turismo. Já que a cidade fica na boca do vulcão 'mais ou menos' adormecido (nos últimos 100 anos anda tranquilo, como da para ver na foto), fomos ver algo diferente. Para fechar com chave de ouro, levamos os esquis para fazer um enorme treino de descida. Só não seria perfeito porque fazia praticamente 1 ano que eu não botava os pés em um par de esquis, mas indo devagar e sempre, quem sabe? (ledo engano)

Assim, subimos em um pequeno trator (snow track para os que conhecem, veja foto abaixo)...


Então, para tentar adiantar a minha vida, comecei a me equipar para tentar lembrar como é que se esquiava na neve mesmo. Calcei as botas, peguei os bastões, peguei um dos esquis e.... cadê o outro? Como todos os esquis estavam do lado de fora do snow track e, o mesmo estava em subida...e o meu era o único que não tinha um prendedor (já que era alugado), um deles resolveu ficar pelo caminho.
Um misto de apavorado e preocupado comecou a tomar conta de mim e já estava pensando no prejuízo. Os outros três já começaram a descida desde o início, e eu lá no snow track, olhando para tudo quanto é canto pelo esqui desaparecido (mais um pouco e eu ia começar a gritar perguntando por ele, ao melhor estilo 'mãe do Calvin'). Lá pela metade da descida, lá estava ele, fincado na neve (os outros três tinham visto antes e deixaram bem a mostra), e finalmente consegui descer de esqui.
Nesse momento, resolvam a seguinte equação: alguém totalmente destreinado + sozinho no meio da estrada (no verão, quando a neve derrete é uma estrada) + temperatura esfriando (mais) por conta do fim do dia + se recuperando do susto da quase perda do esqui = .... Sem mais comentarios.
Claro que a descida não foi completamente sozinha. O motorista do snow track ia atrás "acompanhando" a minha descida (isso porque ele ainda teve que parar algumas vezes), mas ainda assim foi coisa meio de maluco. Se tivesse acompanhando os outros, com certeza teria um pouco mais de segurança na hora da descida, mas paciência, o intensivão serviu para me reaclimatar com o esqui. Cheguei com o sol quase se pondo (apesar de ser inverno, o sol lá se põe relativamente tarde) e todo mundo me esperando.
A vida em Caviahue não ia ser fácil.
Aliás, as duas primeiras noites não foram das mais, digamos, privativas, já que fiquei dividindo o mesmo quarto com meus colegas tchecos (fazer o quê).
Na terça, o tempo melhorou e fomos os três correr de manhã. Se deu para perceber alguma coisa é que 1500 metros de altitude já são alguma coisa, principamente para quem não estava no mesmo nível de preparação dos outros. Enfim, quem está na neve é para passar frio e sofrer com a altitude e fomos no lema 'vamos que vamos'....
Antes do almoço, nos encontramos com o Daniel, o italiano que ganhou a prova de Ushuaia esse ano (atual número 5 do ranking) e que seria o nosso companheiro no chalé que a organização alugou.
À tarde, fomos todos fazer um pouco de turismo. Já que a cidade fica na boca do vulcão 'mais ou menos' adormecido (nos últimos 100 anos anda tranquilo, como da para ver na foto), fomos ver algo diferente. Para fechar com chave de ouro, levamos os esquis para fazer um enorme treino de descida. Só não seria perfeito porque fazia praticamente 1 ano que eu não botava os pés em um par de esquis, mas indo devagar e sempre, quem sabe? (ledo engano)
Assim, subimos em um pequeno trator (snow track para os que conhecem, veja foto abaixo)...
Então, para tentar adiantar a minha vida, comecei a me equipar para tentar lembrar como é que se esquiava na neve mesmo. Calcei as botas, peguei os bastões, peguei um dos esquis e.... cadê o outro? Como todos os esquis estavam do lado de fora do snow track e, o mesmo estava em subida...e o meu era o único que não tinha um prendedor (já que era alugado), um deles resolveu ficar pelo caminho.
Um misto de apavorado e preocupado comecou a tomar conta de mim e já estava pensando no prejuízo. Os outros três já começaram a descida desde o início, e eu lá no snow track, olhando para tudo quanto é canto pelo esqui desaparecido (mais um pouco e eu ia começar a gritar perguntando por ele, ao melhor estilo 'mãe do Calvin'). Lá pela metade da descida, lá estava ele, fincado na neve (os outros três tinham visto antes e deixaram bem a mostra), e finalmente consegui descer de esqui.
Nesse momento, resolvam a seguinte equação: alguém totalmente destreinado + sozinho no meio da estrada (no verão, quando a neve derrete é uma estrada) + temperatura esfriando (mais) por conta do fim do dia + se recuperando do susto da quase perda do esqui = .... Sem mais comentarios.
Claro que a descida não foi completamente sozinha. O motorista do snow track ia atrás "acompanhando" a minha descida (isso porque ele ainda teve que parar algumas vezes), mas ainda assim foi coisa meio de maluco. Se tivesse acompanhando os outros, com certeza teria um pouco mais de segurança na hora da descida, mas paciência, o intensivão serviu para me reaclimatar com o esqui. Cheguei com o sol quase se pondo (apesar de ser inverno, o sol lá se põe relativamente tarde) e todo mundo me esperando.
A vida em Caviahue não ia ser fácil.
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quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Proxima Parada: Caviahue
O primeiro destino deste blog será Caviahue. Uma lugar tão contramão quanto (talvez até mais do que) Ushuaia, mas também muito diferente e, segundo me contaram, até mais bonito. Isso só vendo.
A peculiaridade de Caviahue é que ela está situada próxima a um vulcão (extinto, claro) e próximo da cidade (muito pequena) fica um lago, onde vai ocorrer mais uma edição da ITU Pan-American Cup (chique, né?) de Triathlon de Inverno (ou Winter Triathlon para os chiques).
A idéia era fazer as duas etapas que vão ter na Argentina esse ano, sendo que a outra será no mesmo lugar em Ushuaia, mas por motivos de força maior só poderei estar em Caviahue, e mesmo assim tenho que voltar rapidinho, em virtude de outros compromissos.
Além do lugar, outra coisa que será novidade para mim é a altitude. Tudo bem que são alguma coisa acima dos 1.000 metros (entre 1.000 e 1.500, quando chegar lá eu descubro), mas para quem sempre correu a vida inteira no nível do mar, faz alguma diferença no rendimento, embora não signifique que vai faltar ar, como se estivesse subindo o Everest.
Enfim, quando chegar lá eu conto as novidades do lugar.
A peculiaridade de Caviahue é que ela está situada próxima a um vulcão (extinto, claro) e próximo da cidade (muito pequena) fica um lago, onde vai ocorrer mais uma edição da ITU Pan-American Cup (chique, né?) de Triathlon de Inverno (ou Winter Triathlon para os chiques).
A idéia era fazer as duas etapas que vão ter na Argentina esse ano, sendo que a outra será no mesmo lugar em Ushuaia, mas por motivos de força maior só poderei estar em Caviahue, e mesmo assim tenho que voltar rapidinho, em virtude de outros compromissos.
Além do lugar, outra coisa que será novidade para mim é a altitude. Tudo bem que são alguma coisa acima dos 1.000 metros (entre 1.000 e 1.500, quando chegar lá eu descubro), mas para quem sempre correu a vida inteira no nível do mar, faz alguma diferença no rendimento, embora não signifique que vai faltar ar, como se estivesse subindo o Everest.
Enfim, quando chegar lá eu conto as novidades do lugar.
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terça-feira, 26 de junho de 2007
Matéria Go Outside (ou o que faz o pioneirismo)
Well....não sou muito chegado a essas coisas de aparecer na mídia, mas fui entrevistado pela GO OUTSIDE (bem grande porque o título parece que está quase mandando você fazer alguma coisa fora de casa rápido) e a reportagem, até bem grande, saiu na edição de Junho/07
Como a reportagem está na íntegra no próprio site da revista, vou postá-la aqui embaixo, mas o link (para quem nao clicou no título) para a versão original da reportagem é esse:
http://gooutside.terra.com.br/Edicoes/25/artigo52271-1.asp?o=r
Bom, segue a reportagem (daqui a pouco eu boto umas fotos minhas na prova que eu achei perdidas):
TÍTULO: Branco total
PREPARE-SE PARA CORRER, PEDALAR E ESQUIAR SOBRE A NEVE NUM TIPO DE TRIATHLON QUE COMEÇA A DESPONTAR PELAS BANDAS FRIAS DO SUL, ATÉ COM BRASILEIRO NA JOGADA (MARILIN NOVAK) (OBS: O Brasileiro sou eu)
OS ATLETAS GRINGOS COSTUMAM DIZER que o clima absurdamente quente do Brasil é um entrave quando eles competem por aqui. É a mesma agonia que um brasuca sente ao competir no triathlon de inverno, uma prova que tem o percurso inteirinho sobre a neve. Mas alguns brasileiros vêm descobrindo que o frio não chega a ser um adversário invencível.
O triathlon branco, como é chamado, nasceu na década de 1980, quando europeus e norte-americanos adaptaram as modalidades tradicionais do esporte para o terreno nevado. Há dez anos a União Internacional de Triathlon (UTI) oficializou a brincadeira, que agora tem grandes chances de fazer parte das Olimpíadas de Inverno em 2014. A primeira prova no hemisfério Sul aconteceu em 2005, em Ushuaia (Argentina).
(foto da reportagem)
ESQUENTA: São de 7 a 9 km de corrida, dependendo da quantidade de neve no dia
Um ano depois, o brasileiro Aldo Ramos decidiu aceitar o desafio, mesmo sem nenhuma experiência em cima dos esquis cross-country (menos famosos e usuais que os alpinos). Apesar de morar no calor do Rio de Janeiro, o carioca é apaixonado por esportes de neve e já trabalhou como staff em duas Olimpíadas de Inverno. Nas suas andanças geladas, ele descobriu o triathlon de inverno e dourou a idéia de correr até 2006, quando finalmente conseguiu competir. Ele chegou em 17º lugar, de 25 pessoas que largaram e apenas 20 que terminaram sem corte de percurso.
Mas antes de encarar o chão branco, o triatleta treinou na orla carioca. Isso mesmo: de roller ski nos pés (um esqui com rodinhas) ele conta ter protagonizado um dos maiores micos do verão tropical. "Quando eu colocava os esquis no aterro [do Flamengo] me sentia extremamente constrangido, de tão fora de contexto que estava." O excesso de pessoas nas ruas e a irregularidade do terreno também não colaboraram com os treinos. Para compensar, ele seguiu a dica da organização e fez um curso rápido na neve antes da largada. Segundo Christian Atance, diretor da MCD Sports, que organiza os eventos na Argentina, qualquer pessoa consegue terminar a prova se tiver aulas intensivas focadas no cross-country duas semanas antes do evento.
(foto da reportagem)
COLCHONETE: A única vantagem de pedalar na neve é que o tombo não machuca
A princípio, o percurso do triathlon de inverno parece tranqüilo - a categoria elite corre de 7 a 9 km (dependendo da quantidade de neve no dia e da geografia do terreno), depois pedala entre 12 e 14 km e por último encara a estrela da prova, o esqui cross-country, de 10 a 12 km.
Mas não se engane: o tempero da competição fica por conta do frio e da neve, que causa inevitáveis capotes. Se a neve está fofa, o biker tomba pra frente porque o chão simplesmente engole a roda dianteira. Já quando a neve está dura e lisa, bem, nem precisa explicar o show de patinação.
Se mesmo assim seus pés coçaram de vontade de topar com a neve, ainda dá tempo de se inscrever. A primeira etapa da Copa Pan- Americana de 2007 (também válida como 3ª etapa do campeonato sul-americano) acontece dia 25 de agosto, em Ushuaia (Argentina).
Uma semana depois (1º de setembro) acontece mais uma prova em Caviahue, também na Argentina. Ambas contam pontos para o ranking internacional e Aldo estará lá de novo.
Como a reportagem está na íntegra no próprio site da revista, vou postá-la aqui embaixo, mas o link (para quem nao clicou no título) para a versão original da reportagem é esse:
http://gooutside.terra.com.br/Edicoes/25/artigo52271-1.asp?o=r
Bom, segue a reportagem (daqui a pouco eu boto umas fotos minhas na prova que eu achei perdidas):
TÍTULO: Branco total
PREPARE-SE PARA CORRER, PEDALAR E ESQUIAR SOBRE A NEVE NUM TIPO DE TRIATHLON QUE COMEÇA A DESPONTAR PELAS BANDAS FRIAS DO SUL, ATÉ COM BRASILEIRO NA JOGADA (MARILIN NOVAK) (OBS: O Brasileiro sou eu)
OS ATLETAS GRINGOS COSTUMAM DIZER que o clima absurdamente quente do Brasil é um entrave quando eles competem por aqui. É a mesma agonia que um brasuca sente ao competir no triathlon de inverno, uma prova que tem o percurso inteirinho sobre a neve. Mas alguns brasileiros vêm descobrindo que o frio não chega a ser um adversário invencível.
O triathlon branco, como é chamado, nasceu na década de 1980, quando europeus e norte-americanos adaptaram as modalidades tradicionais do esporte para o terreno nevado. Há dez anos a União Internacional de Triathlon (UTI) oficializou a brincadeira, que agora tem grandes chances de fazer parte das Olimpíadas de Inverno em 2014. A primeira prova no hemisfério Sul aconteceu em 2005, em Ushuaia (Argentina).
(foto da reportagem)
ESQUENTA: São de 7 a 9 km de corrida, dependendo da quantidade de neve no dia
Um ano depois, o brasileiro Aldo Ramos decidiu aceitar o desafio, mesmo sem nenhuma experiência em cima dos esquis cross-country (menos famosos e usuais que os alpinos). Apesar de morar no calor do Rio de Janeiro, o carioca é apaixonado por esportes de neve e já trabalhou como staff em duas Olimpíadas de Inverno. Nas suas andanças geladas, ele descobriu o triathlon de inverno e dourou a idéia de correr até 2006, quando finalmente conseguiu competir. Ele chegou em 17º lugar, de 25 pessoas que largaram e apenas 20 que terminaram sem corte de percurso.
Mas antes de encarar o chão branco, o triatleta treinou na orla carioca. Isso mesmo: de roller ski nos pés (um esqui com rodinhas) ele conta ter protagonizado um dos maiores micos do verão tropical. "Quando eu colocava os esquis no aterro [do Flamengo] me sentia extremamente constrangido, de tão fora de contexto que estava." O excesso de pessoas nas ruas e a irregularidade do terreno também não colaboraram com os treinos. Para compensar, ele seguiu a dica da organização e fez um curso rápido na neve antes da largada. Segundo Christian Atance, diretor da MCD Sports, que organiza os eventos na Argentina, qualquer pessoa consegue terminar a prova se tiver aulas intensivas focadas no cross-country duas semanas antes do evento.
(foto da reportagem)
COLCHONETE: A única vantagem de pedalar na neve é que o tombo não machuca
A princípio, o percurso do triathlon de inverno parece tranqüilo - a categoria elite corre de 7 a 9 km (dependendo da quantidade de neve no dia e da geografia do terreno), depois pedala entre 12 e 14 km e por último encara a estrela da prova, o esqui cross-country, de 10 a 12 km.
Mas não se engane: o tempero da competição fica por conta do frio e da neve, que causa inevitáveis capotes. Se a neve está fofa, o biker tomba pra frente porque o chão simplesmente engole a roda dianteira. Já quando a neve está dura e lisa, bem, nem precisa explicar o show de patinação.
Se mesmo assim seus pés coçaram de vontade de topar com a neve, ainda dá tempo de se inscrever. A primeira etapa da Copa Pan- Americana de 2007 (também válida como 3ª etapa do campeonato sul-americano) acontece dia 25 de agosto, em Ushuaia (Argentina).
Uma semana depois (1º de setembro) acontece mais uma prova em Caviahue, também na Argentina. Ambas contam pontos para o ranking internacional e Aldo estará lá de novo.
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segunda-feira, 21 de agosto de 2006
2o Campeonato Sulamericano de Triathlon de Inverno – Ushuaia 2006 (ou “Aonde eu fui me meter...”)
(Sábado, 19 de Agosto) Vou avisando logo, está longo, por isso está dividido em partes para quem quiser pular um ou outro assunto.
Antes da Prova – Dizer que estava ansioso era exagero, mas depois de quase acordar algumas vezes durante a noite, acabei saindo da cama meia hora antes do despertador tocar. Aproveitei para começar a tomar meu café-da-manhã no quarto com o que tinha comprado na véspera, porque a ordem do dia era conseguir armazenar o máximo de energia para a prova. Afinal de contas, além do esforço que eu já estava acostumado, ainda tinha o frio para aumentar o gasto de energia.
Chegando no local da prova, em Tierra Mayor, a imagem não era das melhores: quase nada estava montado e o tempo não estava nada bom para que a largada fosse feita ao meio-dia. Como tinha nevado durante quase 36 horas sem parar, a organização não conseguiu arrumar muita coisa durante a noite, pois pouco tinha sido arrumado desde quando eu saí de lá no dia anterior.
O resultado foi que houve a necessidade de atrasar em 30 minutos o horário da largada. O que foi bom por alguns motivos: 1 – Porque consegui almoçar (leia-se comer um prato de massa) com calma, as 10:30, 2 – Porque deu para fazer, com calma, uns ajustes na bicicleta para deixá-la um pouco mais parecida com uma de competição, mudando o selim que eu comprei (bem barato e foi uma ótima idéia), instalando finca-pés no pedal (boa idéia mas não deu muito certo) e botando um porta garrafa no quadro (boa idéia mas péssimo resultado, como voces vão ver abaixo) e 3 – Porque deu tempo para encerarem meus esquis, apesar da correria que foi por conta do número de esquis (não era o único que estava meio órfão em relação a cera). Para que vocês tenham uma idéia, os esquis foram encerados em um cubículo atrás da cozinha, entre uma ligação de celular e perguntas sobre aonde estava a carne. Super organizado.
A essa altura, já estava próximo do meio-dia e a neve deu um tempo, o que já não fazia muita diferença porque, apesar da máquina de compactar neve continuar sendo passada, pelo circuito, a pista ainda estava muito fofa por conta da quantidade de neve que caiu. Lembram que eu tinha dito dois posts atrás que tudo o que NÃO precisava era que caísse neve? Pois é, imaginem como eu fiquei preocupado nessa hora, faltando poucos minutos para a largada, ao tentar me aquecer na bicicleta e experimentar como estava a pista de mt. bike, quando, apesar de estar na relação de marcha mais baixa possível, eu mal conseguia me manter em pé com a bicicleta.
No link abaixo, a foto tirada momentos antes da prova (notem a cara de conteúdo).
http://www.tierradelfuego.org.ar/webcam/anteriores.php?imagen=20060819-26
O jeito foi tentar lembrar de que estava ruim para todo mundo (mas quem tinha experiência sabia se safar melhor do que eu) e tentar me aquecer no circuito da corrida a pé aonde, mesmo com a pista não tão dura, pelo menos eu tinha noção de como não afundar na neve.
Assim, pouco antes de 12:40, sem sol e pouco vento, foi dada a largada.
Corrida (8 km) – O circuito a pé era um caminho de 2 km de ida e volta que tinha que ser feito duas vezes. Logo após a largada havia uma curva para a esquerda, uma descida suave e um riacho que, por conta da neve que caiu, não estava firme o suficiente para correr sobre a neve. O resultado foi que o pessoal que saiu correndo na frente quase se afogou no riacho por conta do entusiasmo e por achar que dava para atravessar correndo. Para quem estava vendo de trás, foi muito engraçado. Aliás, esse era o principal problema durante a corrida, principalmente nos primeiros 2 km: como a neve não estava firme o suficiente, sempre ficava o medo de afundar o pé na neve e encharcar o tênis de água muito mais do que fria. E durante toda a prova, teve trechos que não tinha jeito: por mais que evitasse, não dava para não molhar os pés. Pode-se pensar que isso pode ser muito prejudicial para o resto da prova, mas como o corpo todo está quente (e eu estava ainda um pouco mais agasalhado), e os pés são um dos extremos do corpo, até que ajudava a manter a temperatura corporal menos alta e, assim, suar menos. E o problema de suar é que, por mais sintético que a roupa seja, ficar com a roupa molhada de cara para o vento é sinônimo de doença na certa.
De qualquer forma, consegui encontrar um ritmo confortável e completei a corrida de, pelo que disseram, 8 km em pouco menos de 40 minutos. Fraco se comparado ao tempo que eu faço no asfalto (uns 5 minutos a menos para a mesma distância), mas considerando as condições climáticas foi bastante razoável. Além do mais, isso não foi exclusividade minha, basta ver os tempos na classificação.
Transição 1 – Diante da torcida local (que assim como no domingo anterior também estava torcendo como se fosse morador da cidade), fui para a área de transição e pegar a bicicleta. Antes de montar, tinha que fazer um S para sair da transição e entrar no circuito propriamente dito, como em qualquer prova de triathlon. Só que, ao chegar na linha marcada o pessoal dizia “Vai empurrando”, simplesmente porque estava impraticável pedalar pelos primeiros 200 metros. Dessa forma, só consegui montar muito a frente da linha demarcada.
Ciclismo - Mountain Bike (12 km) – O problema é que, durante o primeiro quilômetro, a neve simplesmente estava muito fofa para ficar em pé. Ainda mais para quem não estava acostumado, como eu. Por isso, quando eu achava que ia aproveitar para ultrapassar alguns que estavam na minha frente, ocorreu exatamente o oposto. Como não tinham muitos atrás de mim (tinham uns 40 na prova principal, que eu participei, e uns 25 na prova ‘promocional’ que tinha distância menor) felizmente para o psicológico foi bom não ser ultrapassado muitas vezes.
O circuito de mt. bike tinha supostamente 4 km, em forma de laço (como se costuma dizer, mas como se fosse um circuito de autódromo) e um parte em subida mais tranqüila e uma descida forte. Na descida da primeira volta, vejo o campeão do ano passado, o Frederico Cícero, caminhando com a bicicleta e abandonando a prova. Menos um. Mas durante boa parte da volta, o que eu mais me preocupava era em não cair ou ter que empurrar a bicicleta. Infelizmente, não evitou que eu caísse umas duas vezes e tivesse que saltar da bicicleta outras tantas. E não eram quedas do tipo “desequilíbrio porque tentava montar/sair na bicicleta enquanto ela estava parada”, eram mais do tipo “estava andando a uma velocidade x e na hora em que a neve ficava mais fofa, a bicicleta enterrava na neve e eu era projetado para frente”. Como estava na neve, saí sem um arranhão de todas as quedas.
No final da volta, a neve estava mais compacta e dava para acelerar um pouco mas qual não foi minha surpresa de ver que demorou 20 minutos para completar 4 km, quase a mesma média a pé.
Nas duas voltas seguintes a neve firmou um pouco e criou um trilho, igual àqueles que têm na Fórmula 1, onde se saísse dele era quase certo de ter que saltar da bicicleta. Isso ainda não impediu que caísse mais algumas vezes e a corrente saltasse duas vezes, mas pelo menos as voltas foram um pouco mais rápidas (embora não tanto quanto gostaria).
Vale a pena comentar que já tinha se passado mais de 90 minutos de prova e, embora estivesse com a garrafa na bicicleta, não havia hipótese de tentar tirar do quadro para me hidratar porque tinha que estar 100% concentrado na pista. Apesar de não ter me hidratado ainda não estava me sentindo exausto (como aconteceu depois) porque o fato de estar mais concentrado em não cair fazia com que eu não desse o meu esforço máximo. Isso, somado ao fato de que no frio se sente menos vontade de beber água, só me fez lembrar de que eu ainda não tinha tomado nada no final da terceira e última volta.
Transição 2 – Ao chegar na área de transição, a primeira coisa foi tirar a garrafinha da bicicleta e me hidratar. Líquido mais gelado impossível. Depois foi botar as botas e andar até a linha demarcada para montar nos esquis. Nessa hora, o fato de ter treinado essa transição alguns dias antes ajudou a evitar que eu perdesse tempo demais, mas não evitou que eu esquecesse o capacete na hora em que fui esquiar. Uma das senhoras que estava cronometrando no momento de sair com os esquis perguntou se eu queria deixar o capacete com ela e entreguei de muito bom grado e lá fui eu para a parte (supostamente) mais fácil.
Esqui Cross-Country (10 km) – O circuito de esqui era um pouco menor que o de ciclismo (3,3 km) e seguia no sentido oposto, o que significava uma subida muito forte e uma descida mais suave. Teoricamente, com a neve mais fofa, seria a parte mais fácil. Afinal de contas, passei os 10 dias anteriores treinando técnica, estava em condições de ir bem nessa etapa.
Porém, o dia não estava ajudando. Durante a parte de ciclismo, a temperatura mudou e começou a ventar mais forte. Isso fez com que a pista de esqui ficasse mais dura e torná-la muito mais parecida com gelo. No início da volta, o vento estava a favor, mas com as pernas totalmente cansadas e os esquis não respondendo ao gelo, toda a suposta técnica foi para o espaço. Logo na primeira subida eu vi que ia acabar completando a prova era na raça mesmo. E um pouco antes de completar a volta, o vento contra simplesmente me fazia parar no meio da pista.
Tentando de tudo para continuar me movendo, mudava o estilo de esquiar, usando só os bastões para tentar me cansar menos, mas os braços também já não estavam mais ajudando. No início da terceira volta resolvi parar no meio da pista para comer uma barra de cereal que eu tinha guardado em um dos bolsos para emergências, porque só assim ia conseguir completar a prova. E, inacreditavelmente, ainda ultrapassei duas pessoas durante a parte de esqui.
Enfim, depois de 2 horas e 37 minutos (mais ou menos), consegui cruzar a linha de chegada, mais morto do que vivo, mas feliz. Foi duro, muito duro, mas valeu muito a experiência.
Ah, meus colegas de hotel, o Fabian e o Ricardo, destruíram o pelotão e fizeram, com sobras, a dobradinha da prova.
Antes da Prova – Dizer que estava ansioso era exagero, mas depois de quase acordar algumas vezes durante a noite, acabei saindo da cama meia hora antes do despertador tocar. Aproveitei para começar a tomar meu café-da-manhã no quarto com o que tinha comprado na véspera, porque a ordem do dia era conseguir armazenar o máximo de energia para a prova. Afinal de contas, além do esforço que eu já estava acostumado, ainda tinha o frio para aumentar o gasto de energia.
Chegando no local da prova, em Tierra Mayor, a imagem não era das melhores: quase nada estava montado e o tempo não estava nada bom para que a largada fosse feita ao meio-dia. Como tinha nevado durante quase 36 horas sem parar, a organização não conseguiu arrumar muita coisa durante a noite, pois pouco tinha sido arrumado desde quando eu saí de lá no dia anterior.
O resultado foi que houve a necessidade de atrasar em 30 minutos o horário da largada. O que foi bom por alguns motivos: 1 – Porque consegui almoçar (leia-se comer um prato de massa) com calma, as 10:30, 2 – Porque deu para fazer, com calma, uns ajustes na bicicleta para deixá-la um pouco mais parecida com uma de competição, mudando o selim que eu comprei (bem barato e foi uma ótima idéia), instalando finca-pés no pedal (boa idéia mas não deu muito certo) e botando um porta garrafa no quadro (boa idéia mas péssimo resultado, como voces vão ver abaixo) e 3 – Porque deu tempo para encerarem meus esquis, apesar da correria que foi por conta do número de esquis (não era o único que estava meio órfão em relação a cera). Para que vocês tenham uma idéia, os esquis foram encerados em um cubículo atrás da cozinha, entre uma ligação de celular e perguntas sobre aonde estava a carne. Super organizado.
A essa altura, já estava próximo do meio-dia e a neve deu um tempo, o que já não fazia muita diferença porque, apesar da máquina de compactar neve continuar sendo passada, pelo circuito, a pista ainda estava muito fofa por conta da quantidade de neve que caiu. Lembram que eu tinha dito dois posts atrás que tudo o que NÃO precisava era que caísse neve? Pois é, imaginem como eu fiquei preocupado nessa hora, faltando poucos minutos para a largada, ao tentar me aquecer na bicicleta e experimentar como estava a pista de mt. bike, quando, apesar de estar na relação de marcha mais baixa possível, eu mal conseguia me manter em pé com a bicicleta.
No link abaixo, a foto tirada momentos antes da prova (notem a cara de conteúdo).
http://www.tierradelfuego.org.ar/webcam/anteriores.php?imagen=20060819-26
O jeito foi tentar lembrar de que estava ruim para todo mundo (mas quem tinha experiência sabia se safar melhor do que eu) e tentar me aquecer no circuito da corrida a pé aonde, mesmo com a pista não tão dura, pelo menos eu tinha noção de como não afundar na neve.
Assim, pouco antes de 12:40, sem sol e pouco vento, foi dada a largada.
Corrida (8 km) – O circuito a pé era um caminho de 2 km de ida e volta que tinha que ser feito duas vezes. Logo após a largada havia uma curva para a esquerda, uma descida suave e um riacho que, por conta da neve que caiu, não estava firme o suficiente para correr sobre a neve. O resultado foi que o pessoal que saiu correndo na frente quase se afogou no riacho por conta do entusiasmo e por achar que dava para atravessar correndo. Para quem estava vendo de trás, foi muito engraçado. Aliás, esse era o principal problema durante a corrida, principalmente nos primeiros 2 km: como a neve não estava firme o suficiente, sempre ficava o medo de afundar o pé na neve e encharcar o tênis de água muito mais do que fria. E durante toda a prova, teve trechos que não tinha jeito: por mais que evitasse, não dava para não molhar os pés. Pode-se pensar que isso pode ser muito prejudicial para o resto da prova, mas como o corpo todo está quente (e eu estava ainda um pouco mais agasalhado), e os pés são um dos extremos do corpo, até que ajudava a manter a temperatura corporal menos alta e, assim, suar menos. E o problema de suar é que, por mais sintético que a roupa seja, ficar com a roupa molhada de cara para o vento é sinônimo de doença na certa.
De qualquer forma, consegui encontrar um ritmo confortável e completei a corrida de, pelo que disseram, 8 km em pouco menos de 40 minutos. Fraco se comparado ao tempo que eu faço no asfalto (uns 5 minutos a menos para a mesma distância), mas considerando as condições climáticas foi bastante razoável. Além do mais, isso não foi exclusividade minha, basta ver os tempos na classificação.
Transição 1 – Diante da torcida local (que assim como no domingo anterior também estava torcendo como se fosse morador da cidade), fui para a área de transição e pegar a bicicleta. Antes de montar, tinha que fazer um S para sair da transição e entrar no circuito propriamente dito, como em qualquer prova de triathlon. Só que, ao chegar na linha marcada o pessoal dizia “Vai empurrando”, simplesmente porque estava impraticável pedalar pelos primeiros 200 metros. Dessa forma, só consegui montar muito a frente da linha demarcada.
Ciclismo - Mountain Bike (12 km) – O problema é que, durante o primeiro quilômetro, a neve simplesmente estava muito fofa para ficar em pé. Ainda mais para quem não estava acostumado, como eu. Por isso, quando eu achava que ia aproveitar para ultrapassar alguns que estavam na minha frente, ocorreu exatamente o oposto. Como não tinham muitos atrás de mim (tinham uns 40 na prova principal, que eu participei, e uns 25 na prova ‘promocional’ que tinha distância menor) felizmente para o psicológico foi bom não ser ultrapassado muitas vezes.
O circuito de mt. bike tinha supostamente 4 km, em forma de laço (como se costuma dizer, mas como se fosse um circuito de autódromo) e um parte em subida mais tranqüila e uma descida forte. Na descida da primeira volta, vejo o campeão do ano passado, o Frederico Cícero, caminhando com a bicicleta e abandonando a prova. Menos um. Mas durante boa parte da volta, o que eu mais me preocupava era em não cair ou ter que empurrar a bicicleta. Infelizmente, não evitou que eu caísse umas duas vezes e tivesse que saltar da bicicleta outras tantas. E não eram quedas do tipo “desequilíbrio porque tentava montar/sair na bicicleta enquanto ela estava parada”, eram mais do tipo “estava andando a uma velocidade x e na hora em que a neve ficava mais fofa, a bicicleta enterrava na neve e eu era projetado para frente”. Como estava na neve, saí sem um arranhão de todas as quedas.
No final da volta, a neve estava mais compacta e dava para acelerar um pouco mas qual não foi minha surpresa de ver que demorou 20 minutos para completar 4 km, quase a mesma média a pé.
Nas duas voltas seguintes a neve firmou um pouco e criou um trilho, igual àqueles que têm na Fórmula 1, onde se saísse dele era quase certo de ter que saltar da bicicleta. Isso ainda não impediu que caísse mais algumas vezes e a corrente saltasse duas vezes, mas pelo menos as voltas foram um pouco mais rápidas (embora não tanto quanto gostaria).
Vale a pena comentar que já tinha se passado mais de 90 minutos de prova e, embora estivesse com a garrafa na bicicleta, não havia hipótese de tentar tirar do quadro para me hidratar porque tinha que estar 100% concentrado na pista. Apesar de não ter me hidratado ainda não estava me sentindo exausto (como aconteceu depois) porque o fato de estar mais concentrado em não cair fazia com que eu não desse o meu esforço máximo. Isso, somado ao fato de que no frio se sente menos vontade de beber água, só me fez lembrar de que eu ainda não tinha tomado nada no final da terceira e última volta.
Transição 2 – Ao chegar na área de transição, a primeira coisa foi tirar a garrafinha da bicicleta e me hidratar. Líquido mais gelado impossível. Depois foi botar as botas e andar até a linha demarcada para montar nos esquis. Nessa hora, o fato de ter treinado essa transição alguns dias antes ajudou a evitar que eu perdesse tempo demais, mas não evitou que eu esquecesse o capacete na hora em que fui esquiar. Uma das senhoras que estava cronometrando no momento de sair com os esquis perguntou se eu queria deixar o capacete com ela e entreguei de muito bom grado e lá fui eu para a parte (supostamente) mais fácil.
Esqui Cross-Country (10 km) – O circuito de esqui era um pouco menor que o de ciclismo (3,3 km) e seguia no sentido oposto, o que significava uma subida muito forte e uma descida mais suave. Teoricamente, com a neve mais fofa, seria a parte mais fácil. Afinal de contas, passei os 10 dias anteriores treinando técnica, estava em condições de ir bem nessa etapa.
Porém, o dia não estava ajudando. Durante a parte de ciclismo, a temperatura mudou e começou a ventar mais forte. Isso fez com que a pista de esqui ficasse mais dura e torná-la muito mais parecida com gelo. No início da volta, o vento estava a favor, mas com as pernas totalmente cansadas e os esquis não respondendo ao gelo, toda a suposta técnica foi para o espaço. Logo na primeira subida eu vi que ia acabar completando a prova era na raça mesmo. E um pouco antes de completar a volta, o vento contra simplesmente me fazia parar no meio da pista.
Tentando de tudo para continuar me movendo, mudava o estilo de esquiar, usando só os bastões para tentar me cansar menos, mas os braços também já não estavam mais ajudando. No início da terceira volta resolvi parar no meio da pista para comer uma barra de cereal que eu tinha guardado em um dos bolsos para emergências, porque só assim ia conseguir completar a prova. E, inacreditavelmente, ainda ultrapassei duas pessoas durante a parte de esqui.
Enfim, depois de 2 horas e 37 minutos (mais ou menos), consegui cruzar a linha de chegada, mais morto do que vivo, mas feliz. Foi duro, muito duro, mas valeu muito a experiência.
Ah, meus colegas de hotel, o Fabian e o Ricardo, destruíram o pelotão e fizeram, com sobras, a dobradinha da prova.
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quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Mira mamá....
Antes de entrar no assunto de hoje, tinha esquecido de contar uma das atividades principais daqui de Ushuaia. Eu iria ignorar nao fosse pelo fato de que meu trabalho é exatamente sobre isso. Entao, resumindo, uma das atividades daqui é o porto, onde há o transporte de conteineres. Embora ainda nao tenha descoberto o motivo, desconfio que tem alguma coisa a ver com o fato de que a cidade fica mais ou menos na fronteira entre os Oceanos Atlântico e Pacífico. A conferir. Inclusive tem um barco brasileiro que está enferrujando a mais de três anos aqui por conta de dívidas. O navio está abandonado e chegou inclusive a ficar em deriva depois de uma tempestade.
Mas voltando a falar da corrida. Como dá para se imaginar, a cidade é bastante tranquila. Por isso, os jornais falam de qualquer evento que esteja acontecendo. E, por esse motivo, uma etapa do Campeonato Fueguino que eu participei só poderia ocupar uma página inteira (formato tablóide) em uma cidade assim. Tendo dois brasileiros disputando uma prova de esqui também é mais do que motivo para aparecer no jornal local, de modo que meu nome aparece durante a reportagem.
Isso já era esperado. O que NAO era esperado foi a notícia que apareceu no outro jornal da cidade, o "Tiempo Fueguino", sobre o triathlon de sábado. Nao só meu nome aparece, como ainda me inclue dentro das personalidades que tiveram resultados de nível mundial e que estao participando da prova, junto com a tcheca que vai participar da prova feminina e de um dos meus colegas de hotel, que ganhou várias provas na regiao. Logo eu, que mal sabia esquiar na técnica clássica quando cheguei. Enfim, já foi publicado e, felizmente, ficou só na versao impressa, porque nao aparece na internet. Fica como recordaçao.
Sobre a prova, já nao há mais o que treinar. Agora é descansar e esperar a prova, que vai ser no sábado ao meio-dia, o que significa que vou ter que almoçar lá pelas 10 da manha, mais ou menos como o pessoal do ciclismo profissional na Europa. Confesso que nao estou nervoso (se bem que essa notícia me deixou um pouco mais preocupado em nao fazer muito feio) mas espero que corra tudo bem. Nos últimos dias aproveitei para correr e pedalar um pouco na neve, para sentir a diferença. A coisa funciona mais ou menos assim: se a neve estiver fofa, correr se torna um belo sacrifício e pedalar fica impossível, se ela fica mais dura (ou compacta) fica mais ou menos como asfalto, só que com menos impacto.
Para a prova, mesmo que passem a máquina mil vezes, se estiver nevando na hora nao há muito o que fazer. Se nao nevar, nao chover e a temperatura se mantiver assim, dá para andar bem nos dois primeiros trechos, enquanto que o esqui fica parecendo estar deslizando no gelo, caso nao passem nenhuma máquina para deixar a neve um pouco menos dura.
Por isso, a expressao "preparar o terreno" tem um significado todo especial para a prova de Triathlon de Inverno. Nao sei como está o nível do resto da prova, mas se conseguir chegar no meio da classificaçao (parece que devem ter umas 60 pessoas participando), já vai ser uma grande vitória.
A próxima atualizaçao já vai ser no Rio porque o meu vôo parte umas seis horas depois do final da prova e, com calma, vai dar para contar como foi a experiência.
Mas voltando a falar da corrida. Como dá para se imaginar, a cidade é bastante tranquila. Por isso, os jornais falam de qualquer evento que esteja acontecendo. E, por esse motivo, uma etapa do Campeonato Fueguino que eu participei só poderia ocupar uma página inteira (formato tablóide) em uma cidade assim. Tendo dois brasileiros disputando uma prova de esqui também é mais do que motivo para aparecer no jornal local, de modo que meu nome aparece durante a reportagem.
Isso já era esperado. O que NAO era esperado foi a notícia que apareceu no outro jornal da cidade, o "Tiempo Fueguino", sobre o triathlon de sábado. Nao só meu nome aparece, como ainda me inclue dentro das personalidades que tiveram resultados de nível mundial e que estao participando da prova, junto com a tcheca que vai participar da prova feminina e de um dos meus colegas de hotel, que ganhou várias provas na regiao. Logo eu, que mal sabia esquiar na técnica clássica quando cheguei. Enfim, já foi publicado e, felizmente, ficou só na versao impressa, porque nao aparece na internet. Fica como recordaçao.
Sobre a prova, já nao há mais o que treinar. Agora é descansar e esperar a prova, que vai ser no sábado ao meio-dia, o que significa que vou ter que almoçar lá pelas 10 da manha, mais ou menos como o pessoal do ciclismo profissional na Europa. Confesso que nao estou nervoso (se bem que essa notícia me deixou um pouco mais preocupado em nao fazer muito feio) mas espero que corra tudo bem. Nos últimos dias aproveitei para correr e pedalar um pouco na neve, para sentir a diferença. A coisa funciona mais ou menos assim: se a neve estiver fofa, correr se torna um belo sacrifício e pedalar fica impossível, se ela fica mais dura (ou compacta) fica mais ou menos como asfalto, só que com menos impacto.
Para a prova, mesmo que passem a máquina mil vezes, se estiver nevando na hora nao há muito o que fazer. Se nao nevar, nao chover e a temperatura se mantiver assim, dá para andar bem nos dois primeiros trechos, enquanto que o esqui fica parecendo estar deslizando no gelo, caso nao passem nenhuma máquina para deixar a neve um pouco menos dura.
Por isso, a expressao "preparar o terreno" tem um significado todo especial para a prova de Triathlon de Inverno. Nao sei como está o nível do resto da prova, mas se conseguir chegar no meio da classificaçao (parece que devem ter umas 60 pessoas participando), já vai ser uma grande vitória.
A próxima atualizaçao já vai ser no Rio porque o meu vôo parte umas seis horas depois do final da prova e, com calma, vai dar para contar como foi a experiência.
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