terça-feira, 28 de agosto de 2007

Cadê a #%@#%@#% do esqui que estava aqui?

Como cheguei segunda-feira de madrugada, fácil imaginar que o resto do dia foi basicamente para descansar. Saí para correr com a Sarka por uns 30 minutos, e nem dava para fazer mais do que isso, já que o tempo estava horroroso, nevando muito, ventando muito. Valeu por experimentar meus tênis que seriam usados na corrida.

Aliás, as duas primeiras noites não foram das mais, digamos, privativas, já que fiquei dividindo o mesmo quarto com meus colegas tchecos (fazer o quê).

Na terça, o tempo melhorou e fomos os três correr de manhã. Se deu para perceber alguma coisa é que 1500 metros de altitude já são alguma coisa, principamente para quem não estava no mesmo nível de preparação dos outros. Enfim, quem está na neve é para passar frio e sofrer com a altitude e fomos no lema 'vamos que vamos'....

Antes do almoço, nos encontramos com o Daniel, o italiano que ganhou a prova de Ushuaia esse ano (atual número 5 do ranking) e que seria o nosso companheiro no chalé que a organização alugou.

À tarde, fomos todos fazer um pouco de turismo. Já que a cidade fica na boca do vulcão 'mais ou menos' adormecido (nos últimos 100 anos anda tranquilo, como da para ver na foto), fomos ver algo diferente. Para fechar com chave de ouro, levamos os esquis para fazer um enorme treino de descida. Só não seria perfeito porque fazia praticamente 1 ano que eu não botava os pés em um par de esquis, mas indo devagar e sempre, quem sabe? (ledo engano)





Assim, subimos em um pequeno trator (snow track para os que conhecem, veja foto abaixo)...

... e fomos até a região conhecida como "Las Maquinas", porque o vapor que saía da terra parece uma fábrica antiga (fotos abaixo). Lá também tem uma piscina de água quente, que eu não me aventurei porque sabia que vinha chumbo grosso para o meu lado na hora da descida, mas o lugar é muito bacana.







Então, para tentar adiantar a minha vida, comecei a me equipar para tentar lembrar como é que se esquiava na neve mesmo. Calcei as botas, peguei os bastões, peguei um dos esquis e.... cadê o outro? Como todos os esquis estavam do lado de fora do snow track e, o mesmo estava em subida...e o meu era o único que não tinha um prendedor (já que era alugado), um deles resolveu ficar pelo caminho.

Um misto de apavorado e preocupado comecou a tomar conta de mim e já estava pensando no prejuízo. Os outros três já começaram a descida desde o início, e eu lá no snow track, olhando para tudo quanto é canto pelo esqui desaparecido (mais um pouco e eu ia começar a gritar perguntando por ele, ao melhor estilo 'mãe do Calvin'). Lá pela metade da descida, lá estava ele, fincado na neve (os outros três tinham visto antes e deixaram bem a mostra), e finalmente consegui descer de esqui.

Nesse momento, resolvam a seguinte equação: alguém totalmente destreinado + sozinho no meio da estrada (no verão, quando a neve derrete é uma estrada) + temperatura esfriando (mais) por conta do fim do dia + se recuperando do susto da quase perda do esqui = .... Sem mais comentarios.

Claro que a descida não foi completamente sozinha. O motorista do snow track ia atrás "acompanhando" a minha descida (isso porque ele ainda teve que parar algumas vezes), mas ainda assim foi coisa meio de maluco. Se tivesse acompanhando os outros, com certeza teria um pouco mais de segurança na hora da descida, mas paciência, o intensivão serviu para me reaclimatar com o esqui. Cheguei com o sol quase se pondo (apesar de ser inverno, o sol lá se põe relativamente tarde) e todo mundo me esperando.

A vida em Caviahue não ia ser fácil.

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