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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

De onde viemos, para onde vamos...


Pequena pausa para reflexão. Na foto, um "animado" jogo de xadrez ao ar livre em Sarajevo, onde fazia algo em torno de -5° C e esfriando...
 Antes de entrar no post propriamente dito, um pequeno relato da volta para casa. A viagem de avião em si foi normal, o problema foi chegar no aeroporto em Sarajevo. Por algum motivo que até hoje não entendi, o garçom/funcionário do hotel que tinha carro chegou no hotel faltando pouco mais de 1 hora para o meu embarque. Considerando que levava uns 40 minutos só para chegar em Sarajevo, eu achei que tinha perdido o voo. Tenso pra burro, já que a viagem era longa e, se eu perdesse aquele voo, teria que esperar provavelmente mais 24 horas para poder voltar ao Brasil, botei as malas de qualquer jeito no carro e fomos na esperança que o voo atrasasse.

Tentando explicar em inglês para o tal garçom, que tinha a cara e o jeito do Mr. Bean (não o ator, mas o próprio personagem), ele disse "vamos por outro caminho". No primeiro momento eu achei que era exagero dele, depois no meio do caminho é que eu lembrei que tinham inaugurado recentemente um "atalho" que ia direto para Jahorina sem passar por Sarajevo. E, assim, ao som de Michel Teló no rádio (sim, meus caros, ele chegou até a Bosnia), fomos chegando perto do aeroporto. Lá pelas tantas, paramos em um "cruzamento", que seria normal exceto pelo fato de que, se seguissemos em frente, havia um trecho completamente esburacado, sem exagero de dizer que nem nas piores ruas que eu já passei pelo Brasil eu vi tanta cratera junta em um espaço tão pequeno (uns 200 metros se muito). Uma chance para advinhar por onde passamos...

Peço que visualissem a cena: eu, super atrasado para pegar um voo de mais de 20 horas (contando conexões) de carona com "Mr. Bean", andando em um Toyota MUITO velho e caindo aos pedaços (literalmente, já que eu acabei arrancando a maçaneta do lado de dentro da porta só de tentar fechar a mesma), quicando em uma "rua" totalmente esburacada no subúrbio de Sarajevo. Só consegui ouvir uma frase vinda da minha esquerda "Rally racing, uh?". Opa, se é...

Enfim, cheguei com pouco menos de 30 minutos de antecedência para decolar no aeroporto e saí literalmente correndo com duas das três malas a tiracolo para o balcão da empresa. Por sorte, o voo atrasou meia hora, e embarquei de volta para o Brasil.

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Falando agora sobre o balanço da viagem. Depois de algumas semanas para esfriar a cabeça, dá para pensar um pouco melhor sobre o que aconteceu e o que fazer daqui por diante.

Obviamente, pelo que deu para perceber enquanto estava lá na Europa, não estava exatamente feliz e contente com o resultado das provas. Claro, deu para descansar, treinar, etc, etc... Mas eu teria saído bem mais feliz de lá se eu tivesse feito, pelo menos, um resultado parecido com o que eu tinha feito há dois anos atrás.

O culpado no fim das contas sou eu mesmo. Existem certas decisões que você toma que acabam culminando no resultado final, logo o que vem a seguir é mais para tentar entender do que justificar. Uma série de coisas que aconteceram nesse intervalo atrapalharam o treinamento, pelo visto mais do que eu estava imaginando, e que ainda não dá para contar aqui (espero em breve). Somado a isso, talvez uma certa ansiedade, por conta de ter ficado mais de 1 ano e meio sem poder esquiar, acabou me levando a treinar de forma errada na Suécia, embora estivesse achando o contrário, fizeram com que eu chegasse na Noruega cansado e despreparado.

O legal de ter um GPS é que você vê exatamente a diferença de dificuldade entre uma pista fácil e outra difícil. Subidas curtas mais íngremes e subidas menos íngremes (se é que 10% de inclinação dá para chamar de "fácil") que são mais longas, menos tempo de descanso (leia-se trechos planos). A subida mais íngreme de Sarajevo, embora curta, tinha mais de 40% de inclinação! Vendo esses dados é que dá para concluir que faltou treinar em trechos mais difíceis em Ostersund, ao invés de dar mais atenção para treinos mais longos. Em 2010, foi o contrário: a pista de Nove Mesmo era bem mais difícil do que em Mavrovo e não dava para fugir das subidas (basicamente só tem um caminho para seguir lá).

Outro detalhe foi que o meu problema com o joelho me deixou bastante receoso durante um bom tempo, e acabei não fazendo nenhuma prova de triathlon/duathlon/ciclismo/corrida no meu limite. Como se diz no futebol, faltou "ritmo de jogo".

Para não dizer que foi tudo "em vão", ao menos deu para entender melhor a lógica das "descidas assassinas" (já descobri que preciso superar a "barreira" psicológica dos 40km/h) e ir para a Escandinávia é certeza de poder comprar o melhor material possível de Cross Country dobrando a esquina da rua. Foi legal também ver como é morar em um lugar onde as pessoas incorporam bem o sentido do Cross Country, onde você entra no metrô e não é visto como se fosse um alienígena. Quase me senti "em casa".

Tudo na vida é aprendizado, as vezes é preciso parar e pensar um pouco na estratégia, e ter que adiar alguns sonhos (talvez de forma permanente) por conta de outras prioridades na vida. Se tudo correr bem, não vou poder ir a Argentina em Agosto (não, ninguém leu errado, é isso mesmo), então até o final do ano o negócio é pensar na estratégia (bem feita) para poder acreditar que ainda dá para melhorar considerando todas as restrições que eu tenho aqui no Brasil. Já voltei a treinar, até que bem animado, e ainda acho que tenho muito o que fazer na neve pelos próximos anos. De qualquer forma, caso não possa seguir, não posso me queixar muito do que fiz até aqui.

Se tudo correr BEM, em maio/junho eu faço um rápido post aqui contando as novidades. Caso contrário, espero voltar a escrever até o final do ano.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

FIS Scandinavian Cup Sprint Classico - Neve Pesada

Considerando o desempenho do dia anterior, e o fato de que a minha técnica de clássico ainda e pior do que a de skating, não estava esperando muito do resultado do sprint. Ainda dolorido do dia anterior, a boa noticia e que a prova dura menos de 10 minutos (menos de 5 para os mais rápidos . A ma e que eu tinha que participar depois do desastre do dia anterior.

Por isso, não fui com muitas expectativas. O circuito era bem mais fácil do que o do dia anterior, como da para ver aqui, mas ainda assim, não faltava emoção com umas curvinhas apertadas. Isso era mais ou menos esperado. 

O que nao se imaginava era a quantidade de neve que caiu desde a manha. O suficiente para tornar a pista bem mais lenta. Foi bom por um lado porque tornou as descidas mais lentas (e mais seguras consequentemente). Entretanto, sendo um dos últimos a partir, ia passar pela pior condição de pista possível  principalmente nas curvas, onde a neve fica uma papa tao grande que não da para saber direito para onde ir. 

Novamente, o mesmo ritual do dia anterior: chegar, preparar o esqui, aquecer e correr. Novamente não estava me sentindo bem, então entrei no "modo de segurança : nada de se matar na prova porque não ia adiantar muita coisa. 

A prova de sprint e dividida em classficação e eliminatórias  Na primeira fase, que eu participei, faz-se uma tomada de tempo. Os 30 melhores se classificam e vão disputando as eliminatórias ate a final. No meu caso, era mais do que claro que só participaria da classificatória (alias, ainda não teve um brasileiro que conseguiu chegar ate a fase eliminatória de qualquer prova FIS).

Sendo um dos últimos a largar, ao menos não tinha muita gente atras para me passar, o que tornou a vida bem mais fácil nesse ponto, mas a pista estava pesada. Tão pesada que não dava para aproveitar o deslize na neve. Era esforço o tempo todo. Considerando tudo isso, consegui passar incólume pela prova, e até que não fui mal usando apenas os bastões (movimento onde só se usa os bastões  conhecido como "double pole"), bem melhor do que na ultima prova de clássico que eu fiz em Ushuaia, mas estava tao lento que, antes de eu completar a prova eles deram a largada para a fase eliminatória feminina! Tudo para respeitar o horário programado. De qualquer forma, ninguém saiu prejudicado.

O resultado foi uma pontuação "milionária" (acima de 1000 pontos - eu sei, eu sei, 1.000 não e 1.000.000), mas ao menos o esforço foi menor e deu para aproveitar alguma coisa da prova. Ao menos o pessoal daqui não ridiculariza os amadores, e a turma gosta de dar apoio para os mais lentos. Nisso, a turma aqui da Noruega e campeã. O negocio agora e pegar leve e descansar (e fazer um pouco de turismo, que ninguém e de ferro).

domingo, 22 de janeiro de 2012

FIS Scandinavian Cup 15km Individual Livre - O "Monstro" do lago Nes

Enfim, depois de dois anos tentando, finalmente consegui participar de uma prova FIS. Adiantando desde agora que nao foi exatamente aquilo que eu esperava, mas paciencia, ja foi. Portanto, vamos aos detalhes:


Tudo comecou na vespera, dia 19 (quinta), quando fui junto com o Enrico, brasileiro que mora aqui em Oslo e que tambem participou das provas, ate o lugar da prova em Nes, um vilarejo que fica a uma hora de carro de Oslo que tem um lago proximo. A ideia era fazer um reconhecimento da pista que, pelo mapa, parecia inofensiva. Muitas retas, algumas subidas que talvez fossem complicadas, mas nada que no papel fosse dificil. Aqui da para ver como e o percurso (logo na primeira pagina). Tranquilo, certo?


Pois e, o problema estava nos detalhes. As subidas eram mais ou menos dentro do esperado, claro que sempre vao ser mais dificeis do que aparece no papel, mas ate ai tudo bem, o problema sao as descidas. Eram varias, mas tinham 3 que eram realmente complicadas. Vamos chama-las de A, B e C para identificar. A pior de todas era a B, que alem de rapida era cheia de lombadas no meio da descida. Imagine voce sentir ficar sem chao em uma montanha russa. Pois e, agora imagine descer sem o carrinho para te segurar enquanto voce fica quicando no meio da descida. Para piorar a situacao, TODAS as descidas acabam em curvas que subiam. Por um lado pode ser bom porque reduz a velocidade, por outro, dependendo do angulo, voce te jogar para fora da pista. Todas elas se encaixavam dessa forma, umas piores do que as outras, mas essa descida B era a pior.


Ou seja, apesar do percurso no papel nao ser sinuoso, na pratica nao dava para descansar nenhum momento, tanto na subida quanto, principalmente, na descida, quando deveria ser melhor.


Considerando o "reconhecimento", podem imaginar como foi meu sono de vespera. Para piorar, eu ainda estava me sentindo cansado e com muito pouca vontade para encarar 3 voltas naquele percurso.


A prova era valida pela Copa Escandinava, o nivel e fortissimo. Imaginem como se fosse a selecao brasileira (a dos bons tempos nao essa porcaria que esta ai). Tem tanto esquiador bom que poderia estar disputando a Copa do Mundo mas nao pode por causa do limite de atletas por pais. Entao sobra gente boa. Isso ja era esperado, o negocio era tentar melhorar o meu desempenho de dois anos atras.


No dia da prova estava frio, bem frio. Quando chegamos no estacionamento, fazia -13 graus. Depois a temperatura esquentou um pouco. Durante a prova, no lugar mais alto, fazia -8, no lugar mais baixo, -12. So mais um ingrediente para juntar aos outros. Enceramos o nosso esqui em uma casinha junto com os Finlandeses que vieram para a prova. A comparacao obviamente e inutil, mas ainda impressiona a quantidade de pares de esqui que eles levam para a prova (quando puder boto algumas fotos aqui). Fomos para o aquecimento. Na hora eu vi que a coisa ia ser sofrida. Me sentia pesado, sem coordenacao nenhuma, mas paciencia, vamos la.


No papel, a prova masculina tinha uns 200 participantes, gente para burro. Considerando que cada um larga em um intervalo de 30 segundos e voces veem que durante mais de uma hora nao para de largar gente. Os mais lentos largam primeiro, o que torna o sofrimento mais curto, evitando a longa espera para largar. Na pratica, largaram uns 130. Isso e bom para quem e mais lento porque menos gente passa por voce, o que torna tudo mais simples para os retardatarios, que sempre tem que dar espaco para os mais rapidos.


13:05, chegou a minha vez, la fui eu. O negocio era tentar sobreviver a prova sem arranjar nenhuma contusao por queda. O resultado ja era detalhe a essa hora. A prova inteira foi sofrida, mas as subidas me deixaram arrebentado (tive que parar umas duas vezes no meio da subida para me recuperar). A minha tecnica estava uma droga, totalmente sem coordenacao. Nada do que eu tinha treinado em Ostersund estava funcionando. V1, V2, V1 alternado, tudo parecia um amontado. Me sentia um principiante.


Porem, o meu foco principal eram as descidas, por uma questao de sobrevivencia. Toda vez que tinha uma o pensamento era jogar o quadril (em bom portugues, o traseiro) para frente para melhorar o equilibrio. Pequena explicacao: quando se esquia, por conta da velocidade, o centro de gravidade muda, de tal forma que voce tem que projetar o corpo para frente para manter o mesmo equilibrio. E, quando se entra em panico no esqui, a tendencia natural e jogar o corpo para tras, o que so piora a situacao. Por tanto, alem de tentar controlar a descida, o negocio era jogar o quadril para frente e torcer para que de certo.


Ao menos nesse ponto, o "intensivao" de descida serviu para alguma coisa. Nao sem os sustos. Na primeira volta, cai na descida B, a pior de todas, mas levantei e fui embora. O problema foi na 2a volta, na descida A. Como eu falei, as descidas sempre acabam em subida. Nesse momento, o esqui pegou uma neve mais fofa, perdi o equilibrio e cai de frente, batendo com o peito na neve. Fiquei sem respirar direito com o impacto por uns 10 segundos. Ate me recuperar, levantar, ir ate um ponto mais baixo para recomecar a subida e voltar para a prova demorou sei la quanto tempo (depois eu vejo no GPS o tamanho do estrago). Doi ate agora, mas parece que ficou so no susto mesmo.


Voltando para a prova, o negocio foi completar sem ter maiores quedas. E depois desse incidente, as coisas correram razoavelmente bem, exceto por uma meia queda na ultima volta, mas me recuperei rapido e fui em frente. No final, ja estava fazendo a descida C, uma sequencia de descidas que levava para o estadio, com alguma seguranca, o que significa que treinando da para melhorar nisso (o problema e fazer isso no Brasil, mas isso veremos depois).


Finalmente, mais de uma hora depois, completei a prova, dei entrevista no microfone do evento (nao passou na TV, mas tinha o pessoal que estava comentando a prova la mesmo) e voltei todo dolorido para o hotel. Definitivamente ficou muito abaixo do que eu esperava, mas agora nao tem volta, espero que la em Sarajevo tenha melhor sorte.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Psss... Não falem alto, mas eu vou esquiar de novo.

Pessoal, depois de um bom tempo, finalmente vou poder esquiar novamente. Não foi por falta de tentativas (três para ser mais exato). A primeira foi em janeiro/11 para Stowe, nos Estados Unidos, a segunda seria para Ushuaia em agosto e a última seria para Idre, na Suécia, agora em dezembro. Todas foram canceladas por motivos de força maior (e que força) e em breve eu conto aqui a história toda (OK, a história toda não que aqui é um blog de esportes, mas os melhores momentos). Felizmente, nenhum problema de saúde ou algo parecido, de tal forma que estamos indo com boas expectativas.

O único problema de demorar tanto para ir é que não há uma referência razoável sobre como estou fisicamente. Se as referências de treinos no seco dizem alguma coisa, ao menos parece que estou no mesmo nível que estava antes, porém com algumas melhoras, principalmente na parte de força na parte superior, um problema que eu reparei há algum tempo e, se não é algo que se consegue melhorar da noite para o dia, ao menos dá para tentar achar uma solução. Independente de qualquer opinião sobre o assunto, a prova dos nove só vai acontecer durante as provas.

Sim, teremos provas, e várias, e em lugares diferentes. Começando na Suécia, em Asarna*, embora fique em Ostersund durante duas semanas, depois indo para Noruega, mais especificamente para Nes, embora fique em Oslo, e, por fim, indo para Jahorina-Dvorista, próximo de Sarajevo, na Bósnia, onde fico do lado da pista.

Quanto a previsões de performance, é melhor não comentar nada agora. Tenho alguma ideia, (sem acento, pela nova grafia portuguesa) e ao longo dos dias vou contando as novidades, quando possível (alguém sabe quanto custa 30 minutos em uma lan house norueguesa?), mas o principal objetivo no momento é embarcar no avião no dia 5, coisa que já tentei três vezes, mas nunca cheguei próximo do aeroporto, e só voltar no dia 30. Se der para fazer isso, já será uma grande vitória.

*Se os engraçadinhos dos organizadores resolverem definir que prova que eles vão realizar e aonde