Uma semana de treino e até aqui, tudo bem. Quer dizer, tudo bem considerando que fiquei 1 ano e meio sem esquiar. Deu para recuperar e, acho, evoluir um pouco, embora só na semana que vem vai dar para fazer algum comparativo.
Para os que estão curiosos, aqui vai um resumo de como andam as coisas aqui. Basicamente treino de manhã e a tarde/noite (lembrando que aqui já é noite por volta de 15:30). A ideia é fazer algum treino aeróbico, mas focando muito mais na técnica, já que é aonde é possível fazer algum progresso em pouco tempo. Lugar para treinar é o que não falta, embora comparativamente tem lugares onde dá para variar mais o percurso. Na foto abaixo tem um mapa com todos os caminhos possíveis.
Obviamente, com tantos caminhos, o que não falta é percurso para andar
Esquiar durante o dia (seja alpino quanto cross coutnry) é algo que a maioria das pessoas já viu, logo vou dar uma ideia de como é esquiar a noite. Tem um circuito de uns 3km que fica logo acima de onde estou, que tem subidas e descidas curtas. Não é exatamente o percurso mais desafiador, mas dá para manter um bom ritmo apesar de tudo. Dependendo do estado da neve, o tempo para completar a volta demora entre 11 e 15 minutos.
Começando pela saída para o percurso, todo dia eu subo a estradinha a esquerda, encaixo a bota nos esquis e já saio descendo sem fazer muita força. Vale o comentário de que em pistas mais estreitas como essa não há mão e contramão, é apenas um sentido. Na direita, os trilhos para quem faz clássico, que é a maioria das pessoas que esquiam aqui, independente da idade (mesmo, tem gente de todas as gerações que andam). Foi aqui, tirando os esquis, que eu cruzei com Mr. Dahlie.
Logo depois, tem a opção de descer até o estádio ou seguir em frente, como vai dar para ver mais na frente, o que não falta é caminho para escolher. A sinalização é razoável, me dá a impressão que serve mais para os que já conhecem o lugar.
Depois de uma subida curta, tem uma opção de um atalho para voltar para o ponto inicial, com uma subida bem mais chata. É excelente para intervalos curtos e de explosão, coisa que cansa de ter nas provas da FIS.
Seguindo em frente, a melhor parte, a descida. Um desce e sobe que, infelizmente passa muito rápido, mas o ritmo flui muito bem. Como dá para notar (especialmente para os familiares), a iluminação existe em TODO o circuito, de tal forma que a chance de uma queda por causa da luz é bem pequena.
Aqui termina a descida e começa a parte de subida. Não tem nada absurdo de difícil, mas a vida fica bem mais complicada, já que daqui em diante só tem subida.
Em alguns pontos, como na foto embaixo, não tem iluminação, mas a foto não consegue mostrar que existe uma luz no final, de tal forma que não da para se perder ou bater em uma árvore.
Aqui acaba a parte da subida mais complicada e tem um entroncamento. Para a direita, o circuito segue, para a esquerda, tem um percurso alternativo que vai dar em outro bairro da cidade (isso aí, outro bairro, dá para ir esquiando até outros lugares da cidade). Detalhe para o trator, que de vez em quando estraga a pista, até agora não sei direito o que ele faz ai.
Depois de um terreno "ondulante" como diriam os americanos, a visão do final do percurso: a caixa d´agua. Ela está toda iluminada assim porque lá em cima fizeram um restaurante com um "vistão" da cidade (nem todo mundo tem a praia de Ipanema para mostrar...).
Como falei, se escolher descer, vai parar no estádio, onde ficam as largadas e chegadas das provas aqui em Ostersund. Todo ano a cidade sedia uma etapa da Copa do Mundo de Biathlon, já foi sede do Mundial de Biathlon de 2008 e no fim do mês vai sediar os Jogos Suecos de Inverno. A direita, o pessoal de Biathlon treinando na linha de tiro. A esquerda, as arquibancadas. Elas tem um detalhe que eu mostro em outro post, crucial para quem vê um esporte de inverno ao ar livre.
Detalhe da temperatura no estádio, sempre mais fria do que diz a previsão (hoje a previsão falava em -4o C). A foto foi tirada as 16:45, o que aqui não faz a menor diferença quanto a temperatura. A noite pode fazer menos frio do que durante o dia.
No estádio tem bastante espaço plano e livre para treinar a parte de técnica. É exatamente aonde eu treino essa parte.
Na foto abaixo, um exemplo de quantos caminhos se pode tomar para fazer diferentes percursos e curvas. De uma forma geral não dá para reclamar daqui, tem bastante opção para todos os gostos.
Finalmente, os lugares mais perigosos da pista. Essa aqui é uma descida que pode ser rápida ou extremamente rápida, como estava hoje. Tentei de manhã e não vale a pena voltar com a neve dura como está agora.
Aqui é um "S" que é usado nas provas da Copa do Mundo. Na TV parece moleza, mas ao vivo dá para ver que é muito, mas muito perigoso. Tanto é que, lá em cima, tem uma placa enorme indicando "PARE" e não encarar a descida.
Antes que perguntem, a pista não anda cheia de gente, por alguns motivos. Um é porque hoje foi uma das provas que eu ia participar esse final de semana (a outra vai ser amanhã). Como eu falei antes, sem problemas, ainda terá bastante oportunidade para correr. Dependendo do dia da semana, como na última terça, pode ficar um pouco tumultuado, mas nada que atrapalhe a vida de quem está treinando. Durante a Copa do Mundo a coisa fica bem mais tumultuada, pelo que dizem.
Eu fico por aqui treinando até quarta, quando viajo para Oslo, esperando que o treino continue sendo tão bom quanto está sendo até agora.
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