sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Bancando o "soigneur"

Os dias aqui em Nové Mesto tem sido bastante repetitivos, até mesmo porque esse ERA o objetivo mesmo: acordar, treinar, comer, descansar, treinar de novo, comer, entrar na Internet, dormir, repetir tudo de novo.

O percurso da prova de Biathlon é bastante duro. Embora não tenha subidas infernais, ou descidas suicidas (embora tenha algumas rampas bastante complicadas tanto para cima quanto para baixo), o único trecho plano é na zona do estádio, onde fica também o stand de tiro. No mais, é um sobe e desce interminável, parecido com o percurso de Liberec. Só que, na pratica, o percurso tem que ser complicado mesmo, pois o lugar vai sediar o Mundial de Biathlon de 2013, logo tem que ter uma altimetria que seja desafiadora.

Logo, o que você treina em um lugar desses? Sim, subidas, o terror de todo esquiador, já que o esforço é imenso. Sempre tem um alemão ou norueguês que faz parecer fácil, mas na prática a regra é condicionamento + técnica. Como o meu primeiro está um nível abaixo dos outros e o segundo é pior ainda, lá vamos nós subindo a ladeira. Claro que não vai ser uma semana que vai resolver o meu problema, mas nos últimos dias deu para notar uma melhora na técnica, que ajuda a subir de forma mais eficiente. E tome de trazer o pé para a linha do tronco...

Hoje e amanhã estão ocorrendo as provas da IBU Cup de Biathlon. Hoje foi a de 20 km para os homens e 15 km para as mulheres. Ao contrário das provas da Copa do Mundo, as provas da IBU Cup são bem menos glamurosas pois, fazendo uma comparação rasteira, equivale a Série B do Biathlon. Digo que não é bem uma "segunda divisão" pois tem muito atleta aqui que só está disputando a IBU Cup porque está voltando de algum problema físico, ou está passando por um mal momento. Logo o nível é quase igual às provas da Copa do Mundo.

Por conta desse nível inferior, o clima e o público presente parece mesmo como o de uma partida da segunda divisão do Campeonato Carioca, conforme dá para ver na foto ao lado, embora a organização fique MUITO, mas MUITO acima das peladas que acontecem no Rio.












Além disso, o clima é bastante relaxado, dado que a pressão é menor e os atletas normalmente se dão muito bem.


Aqui no hotel, temos chilenos, argentinos, húngaros e finlandeses dividindo o espaço de forma bastante tranquila e bastante descontraída, sem cair para o nível "república de faculdade". Temos os fanáticos por internet, que são os argentinos e chilenos, que ficam plugados até tarde. Temos a turma que ainda está estudando, que são os húngaros, e assim por diante.

Enfim, todo esse texto introdutório foi para dizer que, depois de poder esquiar um pouco de manhã antes da prova masculina começar, fui bancar o "soigneur", como se fosse de uma equipe de ciclismo. Para quem não sabe, "soigneur" é uma espécie de faz-tudo na equipe de ciclismo. Uma das funções é entregar as sacolas com os alimentos para os corredores. E foi isso que fiz, não só para o pessoal do Brasil, como também para os finlandeses que estão aqui no hotel. Também fiquei responsável para tomar conta dos bastões reservas, caso algum deles quebrasse durante a prova (às vezes acontece).

E lá fui eu subir uma das ladeiras, pois é o lugar mais fácil de entregar as garrafinhas com os líquidos correspondentes. Mas não é só ficar parado com o braço levantado para entregar a garrafa, tem que correr ao lado do esquiador, para ele não perder tempo, e depois pegar a garrafa que foi jogada uns 20 metros na frente. Afinal de contas, lixo na neve não combina. Junto comigo estavam alguns "colegas" de equipes mais fortes, como os noruegueses, alemães, os checos. Não só distribuindo hidratação como também informando o tempo de cada um (eles ficam se comunicando com o pessoal que fica na área de tiro), como no caso do norueguês da foto.




Como sempre os alemães tem a equipe que parece que estão xingando os esquiadores. Talvez por isso fosse os mais rápidos a subir.....


Foi divertido, embora não pudesse sair dali para dar uma volta pela pista. Como não dava para perder a concentração, já que eles não avisam a hora que estão chegando, passou bem rápido. Teve também os momentos pastelão, como na vez onde fui entregar para o Leandro, e ele já estava começando a descer. Dei um pique e na hora que consegui entregar a garrafa para ele, tropecei e cai de cara na neve. Entrou neve em tudo quanto é lugar. Tudo bem, o negócio é levantar e fingir que nada aconteceu. "O importante é a atitude".

Amanhã, a prova será na distância sprint, que é metade da distância de hoje e, como não dura mais do que 30 minutos, não vai ser preciso entregar nada. Mas a experiência já valeu.

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