Os ultimos dias tem sido bastante corridos, e voces vao ver daqui a pouco. Mas vamos ao post de hoje.
Quinta-feira, 15/1, pista de Liberec: Estava eu treinando (mal) pela pista, testando o percurso, quando encontro o Josef, que e o, digamos, treinador principal aqui do Treinamento. Ele, mais o Jiri, que e o coordenador e "assistente de treinador" do evento sao as pessoas que estao coordenando os horarios, treinamentos e demais atividades. Em um ingles basico, ele comenta "Neve muito agressiva (na verdade ele quis dizer abrasiva, mas deu para entender) mas eu sei o que fazer".
Antes de continuar, um pequeno grande parenteses. Quem quiser pule esse pedaco, mas vai ajudar a entender o resto desse post. Para um esqui andar mais rapido, coloca-se cera na base dele (o lado debaixo). Existem dois tipos de cera: a que desliza (glide wax) e a que da tracao (grip wax). O esqui do tipo skating so pode colocar a cera deslizante pois, como o nome sugere, o passo tem que ser como se estivesse patinando. Entao quanto mais deslizar (sem voce cair, claro) melhor. No esqui do tipo classico, usam as duas ceras, a que desliza nas pontas e a que da tracao no meio. Isso porque, no estilo classico, e como se a pessoa estivesse caminhando na neve. Dessa forma, para voce nao ficar deslizando com o esqui para frente e para tras sem se mexer (embora a cena deva ser engracada) na hora em que voce pisar na neve o esqui tem que segurar por um instante antes de voce poder deslizar para frente. Daria para fazer um blog inteiro falando sobre cera, mas vamos ao que interessa.
Enquanto a cera que desliza permanece mais tempo no esqui, porque ela e passada com um ferro que torna a cera liquida e penetra na base do esqui, a cera de tracao e basicamente esfregada no meio do esqui e depois passa uma especie de rolha para espalhar essa cera. Fica uma meleca, mas funciona, embora seja mais facil de sair.
O problema e que, quando a neve esta abrasiva, qualquer curva que voce tem que freiar acaba raspando essa cera que da tracao. Quando voce vai tentar andar de novo, e principalmente subir com o esqui, voce sofre porque nao tem mais essa cera e voce acaba escorregando o tempo todo.
Voltando a historia:
Sexta 16/1, Hotel Idol, Dolni Misecky - Logo apos o jantar chega o Josef para ajudar o pessoal a colocar a cera apropriada. Como a fila estava enorme, e nao tinha espaco para todo mundo colocar todas as respectivas ceras em todos os esquis, so consegui chegar a minha vez tarde da noite (quer dizer, 21 horas, tarde aqui, ja que as 17 horas ja esta escurecendo).
E la vem o Josef, acompanhado de um copo (grande) de cerveja, para me ajudar. Mexe aqui, mexe dali e chega a hora de colocar a cera de tracao no esqui de classico. O que ele faz: primeiro tira uma cera laranja que eu nunca tinha visto e passa nos esquis. E quase uma cola. Depois passa o ferro nos dois esquis e deixo o esqui do lado de fora do Hotel (onde estava -5 graus/sem vento). Ele pega os esquis ainda fora do Hotel e antes de entrar passa outra cera por cima daquela laranja. Volta para dentro, passa o ferro por cima dessa nova cera e pede para descansar. Hora de dormir.
Hoje, pista de Liberec - Meu objetivo era simpes, andar pelo menos duas voltas antes de ser eliminado. Escorregando do jeito que eu estava na quinta, nao daria de jeito nenhum. A pista, como eu falei antes, nao tem uma parte plana fora a area de largada/chegada, que é essa parte na foto logo abaixo, e as curvas em descida normalmente sao bem apertadas.
Desse jeito, la vou eu para a minha prova. Largando todo mundo junto, mas por ordem de ranking. Logo, quem nao tem ponto nenhum no ranking da FIS (meu caso), larga la tras, o que nao e de todo ruim no meu caso.

13 horas pontualmente e dada a largada. Logo na primeira subida (foto abaixo) ja fico bem para tras.
Depois vem uma descida bem rapida, com um falso plano numa ponte e logo depois dela uma curva bem inclinada para baixo, como da para ver nessa primeira foto. Depois, o percurso segue em um sobe e desce durante um tempo (foto seguinte) para depois subir até a ponte novamente.

Aqui tem o mapa da prova. Vejam que na ponte o percurso segue nos dois sentidos. Perco o controle na curva e estou indo em direcao a contramao e acabo caindo. Caindo nao, capotando. E o mais incrivel, em 5 segundos ja estava descendo normalmente curva abaixo. Uma daquelas capotagens perfeitas. Infelizmente, perco velocidade, o que significa que tenho que fazer mais forca para subir, mas a cera ate o momento responde bem. Segue a prova e mais subida, a cera vai respondendo conforme o esperado, menos quando a inclinacao fica muito forte.
Acabo a subida e ja vejo o pessoal se preparando para subir pela segunda vez. Vai dar. Chego no estadio sozinho em ultimo, mas como nao tem muito publico mesmo, so ouco a voz do narrador falar meu nome. Completo a volta sem ser ultrapassado, missao cumprida, agora so vao me parar no final da segunda volta.
Logo na primeira subida, o primeiro pelotao me ultrapassa.
Fim da linha. Agora e completar a volta. E a cera aguentando. Chega a ponte de novo, nova queda (dessa vez mais demorada), mas sigo em frente. Vai todo mundo me passando novamente nas subidas e, finalmente, completo a segunda volta e fim de prova para mim e dois indianos que estao aqui tambem em Dolni.
No final dos 48 inscritos, 2 nao largaram e 13 nao completaram. Do nosso grupo, so um dinamarques, por muito pouco conseguiu nao ser ultrapassado antes de iniciar a ultima volta (o irmao dele, 20 segundos depois nao teve a mesma sorte).
A cera, como deu para notar, aguentou bem ate o fim. Agradeci imensamente ao Josef (que tem 52 anos e muita experiencia como se da para notar) pela ajuda. Meu tempo para os 5km foi alguma coisa abaixo de 23 minutos. Os primeiros completaram o mesmo trecho em pouco mais de 12 minutos. Muita diferenca? Sim, mas fiquei bem satisfeito com o resultado. Pelo menos na proxima vou ter uma pontuacao.

13 horas pontualmente e dada a largada. Logo na primeira subida (foto abaixo) ja fico bem para tras.
Depois vem uma descida bem rapida, com um falso plano numa ponte e logo depois dela uma curva bem inclinada para baixo, como da para ver nessa primeira foto. Depois, o percurso segue em um sobe e desce durante um tempo (foto seguinte) para depois subir até a ponte novamente. 
Aqui tem o mapa da prova. Vejam que na ponte o percurso segue nos dois sentidos. Perco o controle na curva e estou indo em direcao a contramao e acabo caindo. Caindo nao, capotando. E o mais incrivel, em 5 segundos ja estava descendo normalmente curva abaixo. Uma daquelas capotagens perfeitas. Infelizmente, perco velocidade, o que significa que tenho que fazer mais forca para subir, mas a cera ate o momento responde bem. Segue a prova e mais subida, a cera vai respondendo conforme o esperado, menos quando a inclinacao fica muito forte.
Acabo a subida e ja vejo o pessoal se preparando para subir pela segunda vez. Vai dar. Chego no estadio sozinho em ultimo, mas como nao tem muito publico mesmo, so ouco a voz do narrador falar meu nome. Completo a volta sem ser ultrapassado, missao cumprida, agora so vao me parar no final da segunda volta.Logo na primeira subida, o primeiro pelotao me ultrapassa.
Fim da linha. Agora e completar a volta. E a cera aguentando. Chega a ponte de novo, nova queda (dessa vez mais demorada), mas sigo em frente. Vai todo mundo me passando novamente nas subidas e, finalmente, completo a segunda volta e fim de prova para mim e dois indianos que estao aqui tambem em Dolni.No final dos 48 inscritos, 2 nao largaram e 13 nao completaram. Do nosso grupo, so um dinamarques, por muito pouco conseguiu nao ser ultrapassado antes de iniciar a ultima volta (o irmao dele, 20 segundos depois nao teve a mesma sorte).
A cera, como deu para notar, aguentou bem ate o fim. Agradeci imensamente ao Josef (que tem 52 anos e muita experiencia como se da para notar) pela ajuda. Meu tempo para os 5km foi alguma coisa abaixo de 23 minutos. Os primeiros completaram o mesmo trecho em pouco mais de 12 minutos. Muita diferenca? Sim, mas fiquei bem satisfeito com o resultado. Pelo menos na proxima vou ter uma pontuacao.
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