terça-feira, 15 de agosto de 2006

Ushuaia, a cidade do...já sei, já sei!!!

Estando aqui há uma semana, acho que dá para fazer uma análise do que é a cidade de Ushuaia.

A primeira coisa que se percebe é o marketing sobre esse negócio da cidade ser considerada a cidade mais ao sul do mundo. É um tal de "Museu do Fim do Mundo", "Trem do Fim do Mundo", "Jornal do Fim do Mundo", "Mapa do Fim do Mundo", e por aí vai. O que as más línguas dizem é que Ushuaia NAO é a cidade mais ao sul do mundo. Tem uma cidade pequena no Chile que fica mais ao sul, mas sabe como é o marketing.

A cidade tem 60 mil habitantes e é muito tranquila, basta ver as manchetes "policiais" (para os padroes brasileiros): suicídio que aconteceu há três dias atrás, acidente na estrada, jovens baderneiros roubam algumas garrafas de um bar. E só. O que nao quer dizer que seja uma cidade vibrante ou ao menos em crescimento. Tudo aqui é muito simples: as casas, as ruas, os lugares turísticos. Enfim, nao tem nada daquele negócio de ficar explorando turista.

Ushuaia começou como um presídio, assim como a Austrália, e pelos mesmos motivos (inclusive, a Austrália foi modelo para Ushuaia) mesmo que o ladrao quizesse fugir, nao tinha muito para aonde ir. A prisao foi encerrada em 1947 por conta dos maus tratos que faziam aos presos aqui (além de ser mais uma canetada política do governo Perón) e hoje tem um museu que tem tanto a história do presídio quanto sobre a fauna marinha da regiao, incluindo uma réplica do que foi o chamado "Farol do..." bom, deu para notar o padrao das coisas (mas o farol nao ficava aqui em Ushuaia). O museu é a principal atraçao da cidade (as melhores atraçoes ficam fora da cidade, como os centros invernais), que anda em um ritmo quase constante desde que cheguei aqui.

Atualmente a regiao tem uma boa receita com a exploraçao de gás (que está explicada quase em um cantinho do museu) e com o turismo (aparentemente 10 mil pessoas vivem do turismo aqui) que só nao cresce mais por um motivo insólito nos dias de hoje: o governo argentino simplesmente limitou o preço das passagens para cá. Assim, nenhuma empresa aérea, fora a Aerolíneas, que tem um número reduzido de vôos, se interessa em vir para cá. O resultado sao vôos cheios e hoteis mais ou menos vazios. Pelo visto ainda há muito o que fazer por aqui.

Como é inverno, a temperatura tem sido bastante estável e agradável. Na cidade, fica sempre em algo em torno de zero graus e quase nao venta. A neve fica a 20 kms daqui, e quando neva nao é pouca coisa. Mas o estado das ruas é meio triste: fica tudo cheio de lama nas calçadas e as ruas cheias de buracos por conta do gelo/degelo constante. Acidentes na estrada também sao frequentes. Ontem, voltando para o hotel, a van que estava a nossa frente bateu contra outra que estava no sentido contrário (a pessoa que estava na outra van tentou frear e virou o carro para que a batida fosse lateral) por conta de uma ultrapassagem perigosa. Felizmente, ninguém se feriu, fora o susto.

Como vêem, é uma cidade agradável, embora poderia estar crescendo um pouco mais rápido, nao fossem as circunstâncias. Pelo menos está sendo ideal para treinar e melhorar até a prova de sábado. De resto está tudo correndo bem. O pessoal tem sido bastante receptivo e, como sou o único brasileiro participando da prova, acaba sendo importante para dar status de "Sulamericano" para ela. Espero que esses últimos dias ajudem na hora da prova, principalmente na parte de esqui, que estou bastante animado com a melhora. Afinal de contas, faz uma semana que nao tinha idéia de como andar com o esqui sem que a gravidade ajudasse.

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