quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Correndo atrás (literalmente)

Depois de um ano bastante movimentado (e bota movimentado nisso), estou de volta para mais umas duas semanas de neve, esqui e competições. 

Para se ter uma idéia de como tem sido corrido esse ano, dessa vez eu JÁ estou aqui, treinando e me preparando para as provas na Áustria. Vão ser três provas, sendo duas de 10km, estilo livre, e um sprint estilo clássico. 

Além do trabalho em si, para quem não me conhece pessoalmente, esse ano foi mais do que especial. Como eu falei no post abaixo, no dia 21 de maio nasceu a minha filha, Giovanna, depois de uma temporada mais difícil do que qualquer outro esporte que eu possa ter praticado até hoje. Mais do que nunca, me parte o coração ficar sem vê-la durante tanto tempo (como foi na despedida), mas felizmente não é por muito tempo, e agradeço a minha esposa por ter sido compreensiva para ter me 'liberado' por esse tempo (obviamente deixando toda a logistica para ajudar enquanto estiver fora). E, cá entre nós, olhando a moça aqui embaixo, nao dá para deixar ela sozinha por muito tempo.

Voltando ao assunto, depois de voltar ao Brasil após as provas de janeiro, onde meu resultado foi, digamos, frustrante, procurei analisar os erros e ver aonde poderia melhorar. Se vai dar certo ou não, veremos a partir de sexta, mas procurando manter o otimismo pois, afinal de contas, pior do que Sarajevo é quase impossível.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

...e valeu cada segundo que foi gasto

Bom, confesso que nem me lembrava mais do que eu tinha escrito aqui no final de fevereiro, dizendo que "lá para Maio/Junho" eu voltaria a escrever aqui. Vida corrida, outras prioridades. Felizmente, temos sempre aqueles que ajudam na hora de lembrar de certas promessas feitas para que elas não sejam esquecidas (valeu, pai).

Como eu comentei antes, 2011 acabou sendo perdido para mim sob o ponto de vista desportivo. Parte por causa do problema do joelho, mas nao necessariamente apenas por causa dele. Não vou ficar aqui escrevendo TUDO o que aconteceu desde então, mas digamos que eu estava em um "projeto" mais do que especial, que precisou de paciência, alguns sacrifícios, um certo gasto extra, uma ajuda externa para ser feito, e que, principalmente, precisava que fosse feito apenas a dois, eu e minha esposa (OK, digamos que metade dos médicos do Rio também já sabiam, mas eu tinha que contar por necessidade).

No início, o projeto não tinha nome. Depois, morrendo de medo que desse errado, criamos um codinome para satisfazer a curiosidade de alguns, chamamos de projeto "Bernardete". Passamos por diversos problemas, negativas, perrengues, furadas, chegando até a momentos que poderiam se encaixar perfeitamente em uma comédia pastelão (sair correndo atrás do carro para não ser rebocado só é engraçado uns dois meses depois que acontece). Foi difícil, mas valeu a pena, e muito.

Portanto, aos leitores deste pequeno e familiar blog, apresento a vocês a mais nova integrante da família Ramos: Giovanna, minha filhota linda (e modestamente, não é só a opinião de pai), que nasceu no dia 21 de Maio. E quem disser que é a cara do pai ou da mãe está mentindo porque os pais ainda não sabem dizer com quem se parece mais, he, he...

Obrigado filha, por ter me proporcionado momentos tão felizes, prometo me esforçar ainda mais para você sentir orgulho do seu pai.



(Quem acompanha a moça, na época com menos de um mês de idade, é o Aster, mascote das Paraolimpíadas de Inverno de 2006)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

De onde viemos, para onde vamos...


Pequena pausa para reflexão. Na foto, um "animado" jogo de xadrez ao ar livre em Sarajevo, onde fazia algo em torno de -5° C e esfriando...
 Antes de entrar no post propriamente dito, um pequeno relato da volta para casa. A viagem de avião em si foi normal, o problema foi chegar no aeroporto em Sarajevo. Por algum motivo que até hoje não entendi, o garçom/funcionário do hotel que tinha carro chegou no hotel faltando pouco mais de 1 hora para o meu embarque. Considerando que levava uns 40 minutos só para chegar em Sarajevo, eu achei que tinha perdido o voo. Tenso pra burro, já que a viagem era longa e, se eu perdesse aquele voo, teria que esperar provavelmente mais 24 horas para poder voltar ao Brasil, botei as malas de qualquer jeito no carro e fomos na esperança que o voo atrasasse.

Tentando explicar em inglês para o tal garçom, que tinha a cara e o jeito do Mr. Bean (não o ator, mas o próprio personagem), ele disse "vamos por outro caminho". No primeiro momento eu achei que era exagero dele, depois no meio do caminho é que eu lembrei que tinham inaugurado recentemente um "atalho" que ia direto para Jahorina sem passar por Sarajevo. E, assim, ao som de Michel Teló no rádio (sim, meus caros, ele chegou até a Bosnia), fomos chegando perto do aeroporto. Lá pelas tantas, paramos em um "cruzamento", que seria normal exceto pelo fato de que, se seguissemos em frente, havia um trecho completamente esburacado, sem exagero de dizer que nem nas piores ruas que eu já passei pelo Brasil eu vi tanta cratera junta em um espaço tão pequeno (uns 200 metros se muito). Uma chance para advinhar por onde passamos...

Peço que visualissem a cena: eu, super atrasado para pegar um voo de mais de 20 horas (contando conexões) de carona com "Mr. Bean", andando em um Toyota MUITO velho e caindo aos pedaços (literalmente, já que eu acabei arrancando a maçaneta do lado de dentro da porta só de tentar fechar a mesma), quicando em uma "rua" totalmente esburacada no subúrbio de Sarajevo. Só consegui ouvir uma frase vinda da minha esquerda "Rally racing, uh?". Opa, se é...

Enfim, cheguei com pouco menos de 30 minutos de antecedência para decolar no aeroporto e saí literalmente correndo com duas das três malas a tiracolo para o balcão da empresa. Por sorte, o voo atrasou meia hora, e embarquei de volta para o Brasil.

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Falando agora sobre o balanço da viagem. Depois de algumas semanas para esfriar a cabeça, dá para pensar um pouco melhor sobre o que aconteceu e o que fazer daqui por diante.

Obviamente, pelo que deu para perceber enquanto estava lá na Europa, não estava exatamente feliz e contente com o resultado das provas. Claro, deu para descansar, treinar, etc, etc... Mas eu teria saído bem mais feliz de lá se eu tivesse feito, pelo menos, um resultado parecido com o que eu tinha feito há dois anos atrás.

O culpado no fim das contas sou eu mesmo. Existem certas decisões que você toma que acabam culminando no resultado final, logo o que vem a seguir é mais para tentar entender do que justificar. Uma série de coisas que aconteceram nesse intervalo atrapalharam o treinamento, pelo visto mais do que eu estava imaginando, e que ainda não dá para contar aqui (espero em breve). Somado a isso, talvez uma certa ansiedade, por conta de ter ficado mais de 1 ano e meio sem poder esquiar, acabou me levando a treinar de forma errada na Suécia, embora estivesse achando o contrário, fizeram com que eu chegasse na Noruega cansado e despreparado.

O legal de ter um GPS é que você vê exatamente a diferença de dificuldade entre uma pista fácil e outra difícil. Subidas curtas mais íngremes e subidas menos íngremes (se é que 10% de inclinação dá para chamar de "fácil") que são mais longas, menos tempo de descanso (leia-se trechos planos). A subida mais íngreme de Sarajevo, embora curta, tinha mais de 40% de inclinação! Vendo esses dados é que dá para concluir que faltou treinar em trechos mais difíceis em Ostersund, ao invés de dar mais atenção para treinos mais longos. Em 2010, foi o contrário: a pista de Nove Mesmo era bem mais difícil do que em Mavrovo e não dava para fugir das subidas (basicamente só tem um caminho para seguir lá).

Outro detalhe foi que o meu problema com o joelho me deixou bastante receoso durante um bom tempo, e acabei não fazendo nenhuma prova de triathlon/duathlon/ciclismo/corrida no meu limite. Como se diz no futebol, faltou "ritmo de jogo".

Para não dizer que foi tudo "em vão", ao menos deu para entender melhor a lógica das "descidas assassinas" (já descobri que preciso superar a "barreira" psicológica dos 40km/h) e ir para a Escandinávia é certeza de poder comprar o melhor material possível de Cross Country dobrando a esquina da rua. Foi legal também ver como é morar em um lugar onde as pessoas incorporam bem o sentido do Cross Country, onde você entra no metrô e não é visto como se fosse um alienígena. Quase me senti "em casa".

Tudo na vida é aprendizado, as vezes é preciso parar e pensar um pouco na estratégia, e ter que adiar alguns sonhos (talvez de forma permanente) por conta de outras prioridades na vida. Se tudo correr bem, não vou poder ir a Argentina em Agosto (não, ninguém leu errado, é isso mesmo), então até o final do ano o negócio é pensar na estratégia (bem feita) para poder acreditar que ainda dá para melhorar considerando todas as restrições que eu tenho aqui no Brasil. Já voltei a treinar, até que bem animado, e ainda acho que tenho muito o que fazer na neve pelos próximos anos. De qualquer forma, caso não possa seguir, não posso me queixar muito do que fiz até aqui.

Se tudo correr BEM, em maio/junho eu faço um rápido post aqui contando as novidades. Caso contrário, espero voltar a escrever até o final do ano.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Bem vindos a (ainda baleada)... SARAJEEEEVOOOOO!!

Obviamente que já estou de volta ao Brasil e ao batente. O único motivo pelo qual ainda não tinha botado este post no ar é por conta do 'probleminha' que teve com o cartão de memória exatamente nesse dia, que acabou perdendo algumas fotos tiradas durante esse dia. Porém, dado que não havia exatamente pressa em botar no ar, achei melhor esperar e ver se conseguia recuperar as fotos e fazer o negócio de forma correta. Vamos ao post:


Considerando que era meu último dia oficial de viagem, pois o dia seguinte era basicamente empacotar as coisas e voltar para casa, que provavelmente vai demorar vários meses antes de voltar a esquiar novamente e que provavelmente não devo voltar tão cedo para a Bósnia, especialmente depois da 'rasteira' que a federação local (nem vou tentar colocar o nome dela porque a palavra soaria muito próxima do que eu acho atualmente dela), a tentação de voltar para o Brasil com a cabeça mais zerada era grande e, de fato, acabei resolvendo visitar Sarajevo.


Embora façam 28 anos desde que Sarajevo sediou a Olimpíada de Inverno de 1984, a cidade ainda se autoproclama "cidade olímpica". Talvez porque tenha sido a última coisa de bom que aconteceu antes da Guerra da Bósnia explodir (provavelmente a única na história recente dela) mas Sarajevo ainda se denomina "Cidade Olímpica". Estádio Olímpico, Montanha Olímpica, Piscina Olímpica, etc, etc... O logo da Olimpíada e o mascote também volta e meia aparecem (aliás, o mascote Vucko gerou um pedaço do título desse post por causa do vídeo abaixo exibido durante os Jogos)


(Vai, quero ver você ver esse vídeo por três vezes e não ficar com esse bordão na sua cabeça)


Dito isso, a primeira impressão que se tem de Sarajevo é de que a cidade ainda não se recuperou da guerra, embora fazem mais de 15 anos que ela acabou. Como eu expliquei abaixo, a solução exdrúxula que encontraram para redefinir os territórios dos países provavelmente fizeram com que a recuperação dela ficasse extremamente comprometida. E os estragos ainda são aparentes nos prédios mais antigos, aqueles que ainda não foram cobertos pelos prédios mais novos na principal avenida da cidade. O fato dos sérvios terem brincado de tiro ao alvo com os prédios mais altos não colaborou muito na recuperação dos mesmos. Enquanto isso, as casas parece que passaram pela versão local do "Minha Casa, Minha Vida": todas praticamente iguais com meia dúzia de cores diferentes para dar alguma graça na cidade.


Um outro ponto interessante são as "favelas" nos morros de Sarajevo. Sim, elas "existem", mas não espere nada parecido com o que tem no Rio. Nada de puxadinhos e lajes sobrepostas, mas um monte de casas uma ao lado da outra, dando uma sensação bem maior de ordem. E olha que lá seria bem melhor as casas ficarem mais próximas das outras, pois a cidade é muito fria, em parte pelo fato de que fica a mais de 1000 metros de altitude, embora fique mais ou menos no mesmo paralelo do que, por exemplo, Mônaco. A neve dura o inverno todo e a temperatura fica constantemente abaixo de zero.


A "favela" de Zetra (com um cemitério enorme embaixo). Igualzinho as do Rio...
Minha vista a Sarajevo iria durar exatas 7 horas. Isso porque, embora eu estava próximo da cidade, eu ainda tinha que ir e voltar de lá e a cidade as 18 horas já está praticamente vazia. Logo, não perguntem por restaurantes, porque não tive muito tempo de comer, e o café da manhã do hotel tinha bastante sustância para aguentar por um bom tempo. O pessoal do hotel me deu carona e ficou de me pegar no horário combinado à noite.


Já mais ou menos sabendo o que eu ia visitar, a primeira coisa foi pegar um bonde para ir até o Museu Nacional e o Museu de História. O motivo para visitá-los cedo era porque eles fechavam cedo, as 14hrs. Afinal de contas, era domingo e os funcionários tinham que descansar não é mesmo? Ironias a parte, o fato também é de que não tinham muitos turistas para visitá-los (os dois museus ficam em prédios vizinhos). Ao chegar no lugar, a primeira surpresa, o Museu Histórico estava "temporariamente fechado". Segundo a moça que trabalha no Museu Nacional "aparentemente eles estão tendo alguns problemas temporários". Pelo estado atual do museu, pelo visto vai demorar um pouco até ele sair desse "temporário".
Museu Nacional de Sarajevo, foto tirada da Internet. Tirando o dia ensolarado da foto, continua tudo igual.

Museu de História da Bósnia. Essa foto foi tirada há uns 5 anos, de lá pra cá só piorou o estado dela. Sobraram apenas uns tanques espalhados pelo jardim.


O Museu Nacional é interessante para visitar por conta da história antiga da região, além de ser barato (uns 6 reais). Muitas relíquias arquitetônicas do Império Romano e da Idade Média, animais empalhados da região, uma mostra reproduzindo uma casa típica da região no século XIX e um "Jardim Botânico" que fica um pouco a desejar ao seu irmão carioca. Para quem já está aqui, vale tirar uma hora para visitar o lugar.
Sala das relíquias do Império Romano, dentro do Museu Nacional. Foto tirada da Internet. Aqui  também está idêntico ao que eu vi no dia (maldito tombo...)

Depois dali segui de bonde até o ponto final da Linha 3 (para quem é turista é a unica linha de transporte público que realmente importa, passa toda hora e atravessa a cidade toda) e de lá peguei um taxi até o Tunel da Esperança (Tunel Spasa). Se você está sem tempo e/ou está viajando com mais de uma pessoa, o taxi é o transporte para usar em Sarajevo. Tem em quase todo lugar e mesmo se você for levemente explorado ainda sai barato. Nessa viagem até o Túnel, me cobraram 8 KM (Marcos Conversíveis, a estranha denominação da moeda local), quando provavelmente pagaria uns 6 KM. E achar o tal túnel não é simples. Ele fica em uma região super apertada, que parece um labirinto (desnecessário dizer que placa é algo em falta em Sarajevo). Aliás, foi por causa dessas ruas apertadas que os tanques sérvios não conseguiram entrar na cidade e ficaram brincando de tiro ao alvo.


O Túnel é uma espécie de orgulho local. Resumindo a história, durante a guerra da Bósnia, Sarajevo ficou sitiada por anos. A única forma de entrar alimentos (e armas) vindos do exterior era através do aeroporto, que virou território "neutro". O "neutro" é porque o pobre coitado que tentasse atravessar o aeroporto em qualquer hora do dia virava alvo móvel de caça dos atiradores sérvios. Até que alguem teve a brilhante idéia de cavar um túnel por baixo do aeroporto e poder circular alimentos (e armas) de forma um pouco mais segura.
Foto tirada da Internet do poster que ilustra o cerco a Sarajevo. O retângulo vermelho é o aeroporto, os tracinhos representam o túnel. Eu tinha batido uma igualzinha...

Terminada a guerra, a entrada do túnel, que era uma casa de uma família próxima do aeroporto, virou museu e guarda um pedaço do que foi o túnel completo. O museu é super simples, tem um vídeo de 18 minutos, onde você fica em uma espécie de bunker, sentindo frio, e vendo um vídeo mal editado sobre o túnel e imagens do bombardeio de Sarajevo, em uma espécie de "melhores momentos" das piores explosões, anda pelo trecho do túnel, olha os objetos dentro da casa e pronto. 
Foto tirada da Internet da entrada do Museu. A casa serviu como disfarce para cavarem o túnel. A família que vivia ali manteve quase tudo preservado antes de virar museu. Tirando o verde e o céu claro, a fachada é essa mesma, cheia de buracos de tiro
Ainda assim, principalmente se você fez vestibular na década de 1990, e teve que estudar sobre a Guerra da Bósnia achando que ia cair em prova (e, pelo menos no meu caso, nunca caiu) é parada obrigatória aqui em Sarajevo. Ainda mais no frio e vendo as imagens da época, dá para ter uma ideia de como foi complicado para a turma de lá passar quase 4 anos dependendo de um túnel apertado de 1,5 km para sobreviver.


(Video do YouTube do trecho do tunel que está preservado, não mudou nada desde então)


O responsável pelo museu também trabalhou na guerra dirigindo caminhões da cidade para a montanha (no trecho sob domínio dos bósnios). Uma figuraça. Ainda me deu carona de volta para Ilidza, onde fica o ponto final da Linha 3, já que ônibus naquela região no domingo não tinha. E eu aceitei de bom grado já que o tempo era bastante escasso.


A parada seguinte era Zetra. Para a grande maioria, seria um lugar como outro qualquer, mas lá é onde está o complexo Olímpico, composto pelo Estádio Olímpico e o Centro de Patinação (de velocidade e artístico). Por conta do frio, não deu para esperar o ônibus e peguei um taxi que me deixou na entrada do Centro de Patinação, onde fica o atual Museu Olímpico da cidade. Infelizmente o museu estava fechado (afinal de contas, é domingo, que turista vai visitar um lugar desses no domingo?) e o esperto aqui cometeu um erro de principiante. Tinha uma escada de uns 4 degraus baixos e uma rampa na entrada do museu. Uma ao lado da outra, uns 10 metros de comprimento no máximo, os dois com neve praticamente congelada e eu resolvi ir pela rampa. Resultado, tomei um escorregão "olímpico" que fez com que a máquina fotográfica caísse da minha mão e saísse rolando rampa abaixo. A máquina sobreviveu, o cartão de memória não. Felizmente, eu tinha acabado de trocar o cartão e, para continuar batendo mais fotos até o fim do dia, abri espaço no cartão cheio para continuar batendo fotos e seguir viagem. As fotos do dia anterior em Jahorina e as do dia antes do acidente parece que não vai dar para recuperar mesmo.


Depois do susto, fui olhar o Estádio Olímpico. Ele parece igual ao que estava há quase 30 anos. Escavado na rocha, é um daqueles estádios antigos que não parece em nada com as "arenas" de hoje, onde a entrada das arquibancadas dá direto para a rua. Vi no YouTube que alguem tinha conseguido entrar dentro do estádio. Embora eu tivesse tentado, não tive a mesma sorte. Mas dá para ver do alto do morro a visão do Estádio e do Complexo todo. Dá pena de ver o estado em que se encontra, principalmente porque, da forma como feito, o projeto parece todo compacto e funcional. Mas valeu a pena ver o famoso Estádio Olímpico (principalmente quem gosta de Olimpíada, como eu).


A Pira Olímpica continua lá, imóvel há 28 anos
A vista do Estádio Olímpico de Zetra, com o Centro de Patinação Artística ao fundo. Notem o carro passando do lado da entrada do estádio.
Portões Fechados, mas se fosse outro estádio não ia dar nem para chegar perto

O dia já estava ficando tarde e fui para a ultima parte da cidade, que é com certeza a mais interessante de caminhar, conhecida como "Cidade Velha". Ao contrario do resto da cidade, a região central de Sarajevo continua mais ou menos preservada. Prédios baixos, ruas apertadas, igrejas, mesquitas, enfim, tudo mais ou menos compactado em uma distância de 1km, no máximo.


Começando pelo lado de "fora" da cidade velha, está provavelmente o ponto mais conhecido mundialmente da cidade, ainda que as pessoas não se lembrem disso (meu caso). É a Ponte Latina, construída, reconstruída  e re-reconstruída algumas vezes. Seria mais uma ponte qualquer, exceto pelo fato de que ali aconteceu o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando (em inglês Franz Ferdinand, que deu nome a banda de rock), herdeiro do Império Austro-Húngaro, por um sérvio integrante de um grupo que lutava pela reunificação da Sérvia como país (como se vê, já não é de hoje que a turma da Sérvia anda obcecada por esse negócio de nação única), e esse assassinato foi considerado o "estopim" da I Guerra Mundial. Quem passa por lá é capaz de andar e nem saber do que acontece.


Ponte Latina
Embora as fotos não mostrem, o piso da ponte não está lá essas coisas. Um dos motivos é o fato de que o piso dela não foi feito para carros, mas ainda assim tem uma turma que resolve cortar caminho por ela de carro (digamos que nunca andam de forma suave por cima dela).


Embora fechado (afinal de contas, era domingo) ao lado da ponte tem um museu que parece ser bastante interessante que trata da história de Sarajevo entre 1878 e 1918. Do lado de fora tem algumas fotos que falam do assassinato (inclusive com fotos momentos antes e depois do ocorrido). Mais apropriado, impossível.


A Ponte Latina e o Museu Sarajevo 1878-1918 ao fundo


Outra coisa interessante da cidade velha é a mistura de religiões em um espaço tão curto. Tem igreja católica, ortodoxa, sinagoga e mesquitas praticamente uma do lado da outra. Como sempre, tem uma que gosta de aparecer mais do que as outras. Nesse caso, eu estou falando dos islâmicos e a sua tradição de botar alto-falantes do lado de fora das mesquitas para, durante o momento em que estão rezando, o resto da cidade possa ouvir a cantoria deles, queiram os habitantes de Sarajevo ou não, 5 vezes ao dia. Na minha terra, isso se chama falta de educação.

Catedral Metropolitana, Igreja Ortodoxa


Catedral, da Igreja Católica Apostólica Romana. Sim, foi inspirada na de Notre Dame

A "Mesquita do Imperador", a 1a de Sarajevo, sec XV
Pode ter sido uma questão de amostra ruim, mas o pessoal do hotel também não é muito chegado na turma dos islâmicos (e é melhor não discorrer muito sobre o que eu ouvi) e ficaram felizes em saber que não tinham muitas mesquitas no Rio. Ainda assim, a presença árabe na região é tão forte que a Al-Jazeera tem um sinal regional para o pessoal que mora ali nos Balcãs.


Mesquita de Bey, uma das mais importantes da cidade. E uma das mais eloquentes durante as rezas

Por fim, a visita termina no ponto onde eu comecei, as 18 horas e um frio um pouco mais desconfortável do que eu esperava, no chafariz que é um dos símbolos da cidade, chamado de Sebilj Brunnen, ponto turístico e também de referência. Foi um presente de um mecenas de origem árabe da região para a cidade de Sarajevo. Aliás, pela foto pode-se notar que nem precisava advinhar que tinha um dedo árabe no chafariz, pelo próprio estilo arquitetônico dele.


Sebilj Brunnen, o chafariz ponto de encontro em Sarajevo. Os pontos brancos é neve mesmo que começou a cair na hora

Em torno dela fica a Bašèaršija (Bascarsija, sem os acentos), uma espécie de réplica de mercado árabe, sem os árabes, já que o frio que fazia não era muito propício para ninguém ficar do lado de fora. Nesse trecho, são verdadeiras ruelas que formam um grande labirinto e onde estão todas as lojas de turistas. É um lugar que deve ser bem agradável no verão, mas no inverno já estava quase tudo fechado a essa hora. Caminhar por ali é bem legal, principalmente se você ainda não visitou um legítimo mercado árabe.


Uma das ruas da Cidade Velha
Depois de meia hora sofrendo no frio enquanto o motorista/garçom do hotel procurava um lugar para estacionar, voltei para o hotel e comecei a fazer as malas para a volta para casa. 


No geral, achei a cidade melhor do que eu esperava. Não viajaria apenas para conhecê-la, mas valeu a visita relâmpago (dois dias daria para ver com mais calma), ainda mais que tinha uma motivação esportiva envolvida. Se tiver que fazer uma parada em Sarajevo, vale a pena dar um giro pela cidade. Pena que ainda não conseguiu se recuperar totalmente da Guerra (e parece que vai demorar bastante) mas ainda assim tem algum charme.


No próximo post, eu faço uma avaliação da viagem e o que fazer daqui por diante.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Jahorina, eternamente a Montanha Olimpica

(OBS: Embora tenha tirado varias fotos no dia, um "pequeno acidente" no dia seguinte fez com que o cartão de memória ficasse praticamente inutilizado. Se eu conseguir recuperar as fotos eu coloco aqui.)


Decidido a curar a ressaca da prova do dia anterior, o objetivo principal quando acordei no último sábado era esquecer o resultado ruim e voltar para o Brasil com a cabeça descansada. Pensando nisso, e considerando o fato de que a outra alternativa era ver a re-reprise de "Passione" (sim, a novela) na TV da Albânia, não foi preciso pensar muito para optar em ir até Jahorina, onde tem uma estação de esqui alpino, para me distrair um pouco. 


Embora também seja um esporte que envolva esquis, a dinâmica do alpino é totalmente diferente. Para começar, você praticamente não faz esforço com os braços e tudo o que é preciso é a ajuda da gravidade para ir para baixo. Minha última visita a uma estação de esqui (para fazer alpino, já que outras vezes as pistas de cross country também ficavam próximas de estações de esqui) tinha sido em 2006, em Turim, e desde aquele dia só tinha esquiado fazendo força na horizontal. Uma mudança de ares seria bom.


Sendo assim, perguntei para o pessoal do hotel qual era a distância dalí até Jahorina. Me disseram que era uns "4 ou 5 km" (medindo agora pelo GPS, se eu fosse caminhar o trecho todo dava quase 6 km) e que a pessoa com o carro só viria a tarde. Considerando a minha total falta de opção (lembrem-se era caminhar até Jahorina ou ficar no hotel vendo a re-reprise de "Passione") ainda que demorasse um pouco mais e ficasse um pouco cansado, achei que não havia muito risco. Até porque, pela primeira vez, fez sol na região, então o dia estava bom para caminhar, apesar do frio.


Depois de uns 10 minutos de caminhada, consegui uma carona espontânea (não precisei nem pedir) até Jahorina, que ajudou bastante para chegar mais descansado. Me deixaram em frente a uma loja de aluguel de esquis e o resto eu resolvi por conta própria


Sobre a estação de esqui, posso afirmar com certeza que Jahorina "não é para os fracos", isto é, não foi feita para principiantes, embora hajam pistas teoricamente destinadas para quem não sabe descer, conforme as pistas azuis abaixo mostram:


Mapa das Pistas de Jahorina. Só fui nas azuis
Olhando assim, parece até que tem pistas tranquilas. Na verdade não é bem assim. Todos os teleféricos vão até o topo da montanha, o que aumenta bastante a probabilidade de haver descidas íngremes. De fato, as descidas tem inclinações bastante variáveis. Pode estar tranquilo numa hora e depois aparecer uma descida cega, isto é, não dá para ver o que vem logo depois. Para quem não conhece o lugar, isso atrapalha um pouco, para quem faz tempo que não anda de alpino então... é tomar muito cuidado para não arranjar uma contusão. Sabendo disso, as pistas "fáceis" são bem sinalizadas pelo pessoal de lá porque, se errar o caminho, a chance de entrar em uma pirambeira sem volta é grande.


Além das pistas, outra coisa que me chamou a atenção foram os esquis e os bastões. Tudo bem que fazem 6 anos que não andava, mas me pareceu que ambos encolheram muito! Os bastões praticamente só servem para apoiar quando está parado e os esquis parece que estão vivos. Fiquei impressionado como, apesar de pequenos, eles cravam na neve, mesmo quando você está cruzando uma ladeira íngreme para chegar em outra pista. Mesmo quando estava parado, sem querer que eles andassem, era só mexer as pernas para frente ou para trás que os esquis começavam a andar.


Considerando tudo isso, até que o dia foi bom. Deu para pegar o controle dos esquis nas descidas mais fáceis, poucas quedas, e uma boa percepção sobre como minhas pernas são diferentes em relação a força. Enquanto a direita conseguia fazer as curvas sem grandes problemas, a esquerda parecia que não saia do lugar. Embora estivesse fazendo alpino, foi bom para ajudar posteriormente na hora de voltar para o cross country, pois é importante que as DUAS pernas estejam bem fortalecidas para poder ajudar na hora de manter o equilíbrio.


Almocei por lá mesmo, experimentando a tal da Pita, uma espécie de salgado servido junto com uma coalhada e fiquei esquiando até o final do dia, quando achei melhor encerrar os trabalhos pouco antes do final do expediente deles porque já estava ficando um pouco cansado. Foi bom poder andar por conta própria, me misturando com os nativos (embora o casaco escrito "Brasil" bem grande nas costas dava na pinta de que eu era turista), que eram praticamente unanimidade na pista. O fato de haver pouquissimos turistas de fora provavelmente são resultado da falta de divulgação e pelos problemas que o país passou.


Devolvi os esquis, fui caminhando até que achei um ponto de taxi. Nunca os meus marcos conversíveis foram tão bem gastos. Objetivo cumprido. Faltava apenas um dia antes de voltar e decidi que iria dar uma volta por Sarajevo. Porém, isso fica para o próximo post.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Sorria, você está na Bósnia... quer dizer, na Sérvia... não, na Bosnia mesmo... peraí...

Esse negócio de poder é um troço engraçado, faz com que as pessoas tomem atitudes totalmente irracionais e geram um problema durante anos e com possibilidade de piorar o que já está ruim. Esse é o caso da ex-Iugoslávia e todos os seus países que foram desmembrados.

A primeira vez que eu vi que algo estava estranho foi quando eu fui procurar no mapa onde ficava o hotel em Dvorista. Embora o hotel fosse localizado na Bósnia, para chegar até la, teoricamente, o mapa apontava uma estrada que passava pela Sérvia. Como não achava lógica nisso, acreditava que era apenas um erro do mapa.

Porém, eu fiquei mais intrigado ainda quando eu cheguei em Sarajevo e o rapaz que trabalha no hotel me levou do aeroporto até Dvorista. Saindo da cidade, subindo a montanha, tinha uma placa dizendo "Bem vindo a República da Sérvia", como se fosse algo do tipo "Sorria, você está na Barra" (quem é do Rio, ou já passou pela placa sabe do que eu estou falando). Eu perguntei para o rapaz "Afinal, estamos na Sérvia ou na Bósnia?", e ele respondeu "Na Bósnia". Nessa hora eu vi que a questão dos países da ex-Iugolávia era BEM mais complicada do que eu imaginava, e aí fui dar uma olhada sobre o que aconteceu durante a guerra da Bósnia.

Quem fez vestibular no início da década de 1990 (e provavelmente nos anos seguintes), deve se lembrar de que um dos assuntos que poderia cair em Vestibular era justamente a guerra da Bósnia. Talvez por conta da polêmica (normalmente questões de geografia e/ou história sempre são tendenciosas no Vestibular), nunca caiu uma questão de prova sobre isso, mas também com tanta matéria para estudar, não tinha muito conhecimento sobre o problema.

De fato, mesmo agora, mais de 15 anos depois do fim da guerra, a questão ainda é confusa, principalmente quanto a questão territorial. Portanto, se você não entender de primeira, não se preocupe, o negócio é meio complicado mesmo.

Resumindo, para quem, como eu, não prestou muita atenção na época para o problema da ex-Iugoslávia e sem entrar em polêmicas (que eu não fui besta de perguntar para um local porque até hoje a questão é delicada):

- Com o fim do comunismo, os diversos países que formavam a Iugoslávia resolveram se emancipar: Eslovênia, Croácia, Macedônia, Bosnia e Herzegovina, etc...
- Aparentemente a Sérvia não concordava muito com a ideia, mas enquanto não podia fazer muita coisa nos países que era minoria, no caso da Bósnia era diferente, porque os sérvios ocupavam quase metade do território bósnio
- Apesar disso, a Bósnia resolveu fazer um plebiscito e votou pela emancipação territorial, que incluía a área de domínio sérvio. Somente os bósnios votaram, enquanto os bósnios sérvios (eu sei, a coisa fica confusa, mas tentem seguir o raciocínio), isto é, os sérvios que moravam na bósnia, não foram as urnas. Obviamente que o "sim" ganhou por ampla maioria
- Os sérvios não gostaram nada do resultado e convenceram os bósnios sérvios a lutar pela união territorial entre Bósnia e Sérvia. Resultado: o pau quebrou durante quase 4 anos.
- Sarajevo ficou sitiada e os prédios altos viraram tiro ao alvo dos tanques sérvios, que não podiam entrar na cidade porque as ruas eram muito estreitas para os tanques.
- Em 1995, bósnios e sérvios fizeram um tratado de paz para acabar com a guerra, a Bósnia manteve o seu território intacto, mas depois disso o país ficou dividido em três regiões:
  1. Federação da Bósnia
  2. República da Sérvia
  3. Distrito de Brčko
Os dois primeiros são regiões autonômas, o terceiro pertence aos dois, mas não é governado por nenhum deles e o governo local funciona através de um sistema descentralizado.

Isto significa que, por exemplo, a República da Sérvia, que fica na Bósnia, tem governo próprio, capital própria (embora aleguem que fica em Sarajevo, na prática fica em Banja Luka), TV própria, empresa de telefonia própria, quase tudo mais próprio, só não tem moeda própria que, pelo menos por enquanto, ainda é o Marco Conversível, e exército próprio, que foi unificado alguns anos atrás.

Ou seja, atualmente temos uma situação no mínimo esdrúxula, onde temos a "Sérvia" (território da Bósnia) que não fica na Sérvia (país), e a Bósnia (território da Bósnia) que fica dentro da Bósnia (país). Simples, não é mesmo?

Tudo isso poderia ser resolvido se o território da República da Sérvia (na Bósnia) fosse anexado a Sérvia (país), mas além da questão da perda de território, ainda tem a questão das reservas naturais de ferro, que tem ajudado bastante a República da Sérvia a crescer a um ritmo razoável, considerando o desastre que foi a década de 1990. Bom senso ainda está muito longe de acontecer por aquelas bandas.

De qualquer forma, essa distorção não chega a ser surpresa, afinal de contas, como eu escrevi a dois anos atrás, a República da Macedônia, outra ex-república da Iugoslávia, não fica na Região da Macedônia. Portanto, a situação da Bósnia faz todo o sentido considerando a lógica da região, não acham?

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

FIS Race - Sarajevo - Jahorina/Dvorista 10 km Individual Livre - #FAIL

Lamento que este post nao seja la muito alegre, mas infelizmente nao estou la muito contente depois de tudo o que aconteceu... Antes de mais nada, estou bem, apenas cansado, triste e desanimado. De tras para frente, revendo tudo o que aconteceu nos ultimos dois dias.

Pouco mais de 48 horas atras: Cheguei em Sarajevo depois de um voo um pouco cansativo de Oslo. Principalmente pelo fato de que tinha treinado na noite anterior com o Enrico nos arredores de Oslo e tive que madrugar para pegar o voo ate aqui. Do aeroporto ate Dvorista foi rapido e assim que cheguei cai na cama para dormir. Como voces vao ver a seguir foi a melhor opcao porque treinar nao era possivel. A primeira impressao foi boa, o pessoal do hotel me pegou e trouxe ate aqui (basicamente tem eu e mais uma familia dormindo no hotel, digamos que o movimento nao esteja exatamente agitado) e a busca por um lugar proximo da pista nao poderia ser melhor: a pista fica a uns 10 minutos caminhando.

30 horas atras: Fui dar uma olhada na pista para, quem sabe, treinar um pouco. Quando cheguei, a imagem nao era das melhores: 25 cm de neve fofa, que nao parava de cair, na area do estadio. A informacao era que, a tarde, a maquina ia passar e deixar a pista em um estado razoavel (quando a neve esta nessa condicao, uma passagem da maquina e quase inutil). O jeito foi almocar, descansar e aguardar a tarde.

Estado da pista ontem de manha: impraticavel
26 horas atras: Voltei a pista preparado para treinar. Tinham me falado que a pista estava pronta para andar. Chegando la, a mesma imagem que esta acima. Pior: encontrei com a delegada da FIS responsavel por fiscalizar a prova. E veio a noticia: as provas de sabado e domingo foram canceladas e somente haveria uma prova de 10 km no dia seguinte. Sem poder reconhecer a pista, nao muito animado com os resultados da Noruega, fiquei bastante chateado e revoltado, ja que nao foram capazes de avisar com antecedencia

23 horas atras: Fui a reuniao dos capitaes. E a reuniao onde o pessoal tira as ultimas duvidas para a prova. Normalmente nao iria, mas queria saber a razao oficial do cancelamento. A informacao era de que por "problemas financeiros" da Federacao, a prova, que era de categoria Continental (valida pela Balkan Cup) foi adiada para marco. Como se fosse possivel voltar aqui em marco. Tirando essa informacao, o resto foi o  de sempre: horario de largada, previsao do tempo, etc, etc...

9 horas atras: Acordo, desco para tomar o cafe da manha... e nao tem ninguem ainda para servir. Depois de algumas cenas surreais tentando pedir para a moca que cuida do hotel e nao fala uma palavra de ingles para comer alguma coisa, pois a prova seria 2 horas depois, consegui comer e fui me arrumar para a prova.

8 horas atras: Chego na pista e faco o reconhecimento dela. A dificuldade nao e la grande coisa: umas subidas longas, mas que dariam para fazer em um ritmo bom, uma subida final que era um paredao, mas considerando que a pista tinha 2,5 km era ate esperado. O problema era que, como imaginava, a maquina passou apenas uma vez e a neve estava extremamente fofa. Para se ter uma ideia, tinha que fazer forca na descida! Tudo bem que era igual para todo mundo, mas eu sabia que ia sofrer mais.

7 horas atras: Hora da largada. Pelo estado das mulheres que largaram antes (e fizeram apenas 5 km), ja tinha ideia de que ia ser complicado, mas larguei. Confesso que nao tem muito o que escrever, apenas o fato de que nunca tinha ficado tao cansado antes. Umas duas quedas meio bobas, mas nada que tivesse influenciado muito o resultado. Simplesmente, nao deu. Quando eu completei a 3a volta e vi o tempo, lembrei que tinha feito esse tempo ha dois anos atras completando 4 voltas (embora o tempo de todo mundo na prova foi alto). A ultima volta estava sozinho na pista e ate que foi um pouco melhor porque nao precisava abrir para os que vinham mais rapido, o que significava ir para a neve mais fofa. Porem, no geral foi horrivel. Nem parecia que tinha treinado por tanto tempo, passado 3 semanas esquiando, feitos tantos sacrificios para estar aqui. A caminhada de volta para o hotel foi longa e solitaria, parecia que nao chegava nunca. Cheguei no hotel, tomei banho, cai na cama exausto e aqui estou.

Enfim, no momento e isso. No momento, a cabeca esta a mil. O resultado ja saiu e nem melhorar a pontuacao da Noruega eu consegui. Estou muito triste porque ao menos imaginava que dava para repetir o resultado de dois anos atras, ou fazer melhor, o que poderia dar oportunidade para pensar mais alto. Contudo, com o resultado das provas, foi um balde de gelo na cabeca. Nao da para culpar ninguem a nao ser eu mesmo, porque nem perto do resultado que eu fiz dois anos atras eu consegui fazer. Vim para ca animado e nao consegui atingir nada do que eu queria, entao acho que voces entendem que nao estou muito feliz neste momento. 

O que da para garantir e que os proximos dois dias nao vou pegar os esquis da bolsa, ate porque nao tem nem aonde treinar (porque a pista esta totalmente destruida apos a prova e a maquina nao vai passar amanha, afinal de contas nao estao com "problemas financeiros"?). Vou esfriar a cabeca e depois quando chegar no Brasil pensar com mais calma para analisar tudo o que deu errado. Ate porque o meu resto do ano no Brasil sera bastante agitado. Lamento nao poder ter dado boas noticias, mas na vida as vezes as coisas nao saem como esperado. Paciencia, vida que segue...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Por que ninguem pensa em Oslo na hora de viajar?

Ja que estava em Oslo, o negocio era fazer uma visita aos pontos turisticos da cidade. O pais, como eu falei antes, vai bem obrigado. Petroleo em alta e disciplina fiscal fazem com que o pais esteja nadando de bracada no momento. Tanto que em Oslo tem um bairro, Fornebu, que esta saindo praticamente do zero e onde estao sendo construidos varios predios novos tanto voltados para a industria de petroleo (a Statoil e a principal daqui) quanto tambem para a industria de TI.  O porto da cidade vem passando por uma mudanca parecida com o que vai acontecer no porto do Rio, transformado em bairro residencial. Ou seja, nao deveria ter melhor momento para visitar a cidade.


Embora seja um lugar bastante agradavel para visitar, ainda falta muito para que Oslo seja uma capital turistica, e isso nao tem nada a ver com a temperatura (talvez outras pessoas fiquem mais preocupadas com o frio, mas para mim isso nao e um problema).


Comecamos com o parque mais famoso daqui, o Vigeland. La estao expostas ao ar livre as principais obras de Gustav Vigeland. As obras sao bastante interessantes, em especial a regiao onde esta o monolito, que lembra um... uma... bom, nem ele sabia dizer o que era, entao cada um fica com a sua interpretacao. O fato e que, apesar de bem feitas, as estatuas sao um tanto ao quanto repetitivas: e um tal de gente enroscada fazendo mil posicoes diferentes, lembrando um monte de formas e objetos. So tinha uma coisa que nao deu para ver por causa da neve, um enorme labirinto montado no chao ao redor do chafariz. Eu ia ficar um tempao tentando achar a saida.


Detalhe do monolito no Centro, tentem ampliar a foto para ver o que ele esculpiu...
Depois de Vigeland Park, a outra atracao da cidade e o Museu Nacional, que hoje esta espalhado ao redor de alguns quarteiroes, existem planos de fazer um enorme museu... exatamente, na regiao do porto. La esta a obra mais famosa do pintor noruegues mais famoso: Edward Munch e o seu "Grito". Esse nao tem foto porque a unica sala do museu onde nao pode bater fotos e onde estao as principais obras dele. Ate porque nas outras tambem nao tem la grande coisa para ver. O museu inteiro, considerado o maior acervo da Noruega, da para ver em uma hora, ainda assim parando para ler todas as explicacoes. Obviamente que nao da para comparar com o Louvre, mas o acervo nao e muito grande. Falta um pouco de sustancia para o Museu. Porem, para quem esta aqui, vale a visita.


Outros lugares para visitar incluem a nova Opera de Oslo, inaugurada uns 5 anos atras, muito bonita, mas serve mais pela vista da baia do que para visitar o interior dela (tambem muito bonito, e o palco deve ser tambem, mas nao dava para entrar). Fui tambem no Museu Kon-Tiki, dedicado a expedicao de mesmo nome e ao explorador Thor Heyerdahl, que botou as mangas de fora para provar a tese de que era possivel haver semelhancas entre povos dos dois lados do Pacifico. Fazia uns 25 anos que eu li sobre isso (na "Biblioteca do Escoteiro Mirim", alias unica vez que eu li sobre o assunto, faz tempo...) e depois nunca mais soube nada sobre a expedicao. Mais um museu pequeno mas interessante de ver para quem esta aqui, e gosta do assunto, mas nao justifica vir para ca so por causa disso. O documentario da expedicao ganhou o Oscar em 1951! Para reavivar a memoria de todos, esse ano vai ter um megafilme recontando a historia da expedicao, vale a pena ver quando sair. Outro museu diferente e o dos navios vikings, mas tambem pequeno.


As outras referencias da cidade sao o Teatro Nacional, o Parlamento, a Catedral de Oslo (para quem mora no Rio e covardia comparar o interior dela com qualquer igreja do Centro) e a Rua Carl Johan, rua mais movimentada da cidade. Tudo legal de ver, mas nada que me faria vir para ca apenas por isso. Ah, tem tambem a questao dos precos. Para quem mora no Rio, ate a diferenca nao e exatamente absurda, mas os servicos e alimentos sao mais caros (alguma coisa entre 50% e 75% dependendo do lugar). Roupas, no entanto, achei mais barato do que no Brasil e o preco dos imoveis ate que nao estao tao ruins (uns R$ 10 mil o metro quadrado em lugares "normais" e R$ 20 mil em lugares novos como a Tjuvholmen, na regiao do porto que parece com o Downtown da Barra).


Resumindo, Oslo e uma cidade legal de visitar, uns dois dias na cidade estariam de bom tamanho, e deve ser muito boa para morar tambem. Apesar de nao trazer boas recordacoes, por conta das provas, eu gostei bastante de passar uns dias. A unica coisa e que falta atrativos para o turista tradicional, com tantas outras opcoes ao redor do mundo, pensar em Oslo como opcao de viagem.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Em Oslo, faca como os... os... ah, como eles

Depois das provas em Nes, tudo o que eu queria era descansar um pouco. Entretanto, tinha algo a ser feito que tinha que ser no domingo. Se o carioca tem o costume de ir a praia quando esta sol, o morador de Oslo (seja la como eles se denominam) quando esta frio e com neve vai esquiar. E nao era em qualquer pista da cidade (so como registro, tem mais de 2000 kms de pistas ao redor da cidade). Em toda a Oslomarka (floresta de Oslo, onde ficam as pistas), tinha que ser na Meca dos esquiadores: Holmenkollen. Ainda mais que dia 22 foi denominado pela FIS o "Dia Mundial da Neve" (para falar a verdade, eles estavam enchendo o saco desse tal dia faz mais de um ano, ainda bem que chegou), onde fizeram varias atividades para as pessoas entrarem em contato com o esqui e o snowboard. Cansado ou nao, tinha que dar uma conferida.


Nao foi algo simples, pois tive uma manha a-gra-da-bi-lis-si-ma com o pessoal do Santander, pois o meu cartao simplesmente nao estava mais sacando dinheiro do caixa e eles nao conseguiam me dar uma explicacao razoavel para o problema (e nao conseguiram resolver o problema). Resolvi acionar minhas reservas internacionais (Euros) senao ficava encalhado no hotel.


O Enrico, que mora aqui ha 7 anos, tinha dito que as pessoas iam de metro ate Holmenkollen e adjacencias totalmente vestidas, de bota e tudo, prontas para esquiarem. Como ainda nao tinha visto a cena, achei que era exagero dele. Nao era. Me arrumei e fui ate o metro. Quando cheguei dentro da estacao pude comprovar que era verdade, tinham varios tambem arrumados para esquiar.


Assim, eu e os outros pegamos o metro e fomos fazer o programa tipico do... do... do morador de Oslo, como se estivesse pegando o onibus para ir a praia. Ao contrario do Rio, nada de pagode, cerveja e farofa, mas o metro ficou cheio de esquis logo e a viagem de uns 30 minutos ficou meio apertada. Quase nao acreditava que estava no meio de tanta gente que tambem ia esquiar.


O plano inicial era ir ate a estacao final da linha, em Frogerseteren, e descer ate Holmenkollen. Porem, ao chegar la, vi que tinha duas alternativas, e a que ia direto para Holmenkollen ficou cheia de criancas com seus trenos de brinquedo. Nao ia dar certo. Entao fui passear pelo bosque, na direcao de Ullevalseter, uma cabana de apoio que funciona como restaurante durante o dia.


Voces podem nao acreditar, mas tinha gente de tudo quanto e tipo esquiando: jovem, cachorro (empurrando o dono), patricinha, imigrante, turista, senhoras (imaginem duas senhoras conversando no meio  do calcadao caminhando e voce tendo que desviar delas, agora imagine elas com um par de esqui cada uma  batendo papo no meio da pista de esqui), atletas, criancas, enfim, as pistas estavam cheias. O fato tambem era que estava um belo dia para esquiar. Mesmo assim, foi legal de ver que o cross country e uma atividade que todos podem fazer, e fazem, independente da tecnica, se tem o ultimo modelo de esqui, ou qualquer outra frescurisse. E bastante democratico.


Fui ate Ullevalseter, parei um pouco para comer alguma coisa, mas ja era um pouco tarde, 14:30 para ser mais exato. Considerando que tinha mais uns 90 minutos de luz, estava tarde. Entao fui pegar o caminho ate o estadio de Holmenkollen, pela tradicional pista que tem a prova mais tradicional da Copa do Mundo, os 50 km de Holmenkollen. Infelizmente, os noruegueses nao sao muito bons de placas, e acabei voltando para  Ullevalseter. Pelo horario, acabei descendo junto com o povo e fui parar em.... Sognsvann, onde para outra linha de metro, uns 5 km de distancia de Holmenkollen.


Nao pude ver o estadio nem a nova rampa de salto que foi tao comentada no Mundial Nordico que aconteceu la ano passado, mas valeu pelo passeio.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

FIS Scandinavian Cup Sprint Classico - Neve Pesada

Considerando o desempenho do dia anterior, e o fato de que a minha técnica de clássico ainda e pior do que a de skating, não estava esperando muito do resultado do sprint. Ainda dolorido do dia anterior, a boa noticia e que a prova dura menos de 10 minutos (menos de 5 para os mais rápidos . A ma e que eu tinha que participar depois do desastre do dia anterior.

Por isso, não fui com muitas expectativas. O circuito era bem mais fácil do que o do dia anterior, como da para ver aqui, mas ainda assim, não faltava emoção com umas curvinhas apertadas. Isso era mais ou menos esperado. 

O que nao se imaginava era a quantidade de neve que caiu desde a manha. O suficiente para tornar a pista bem mais lenta. Foi bom por um lado porque tornou as descidas mais lentas (e mais seguras consequentemente). Entretanto, sendo um dos últimos a partir, ia passar pela pior condição de pista possível  principalmente nas curvas, onde a neve fica uma papa tao grande que não da para saber direito para onde ir. 

Novamente, o mesmo ritual do dia anterior: chegar, preparar o esqui, aquecer e correr. Novamente não estava me sentindo bem, então entrei no "modo de segurança : nada de se matar na prova porque não ia adiantar muita coisa. 

A prova de sprint e dividida em classficação e eliminatórias  Na primeira fase, que eu participei, faz-se uma tomada de tempo. Os 30 melhores se classificam e vão disputando as eliminatórias ate a final. No meu caso, era mais do que claro que só participaria da classificatória (alias, ainda não teve um brasileiro que conseguiu chegar ate a fase eliminatória de qualquer prova FIS).

Sendo um dos últimos a largar, ao menos não tinha muita gente atras para me passar, o que tornou a vida bem mais fácil nesse ponto, mas a pista estava pesada. Tão pesada que não dava para aproveitar o deslize na neve. Era esforço o tempo todo. Considerando tudo isso, consegui passar incólume pela prova, e até que não fui mal usando apenas os bastões (movimento onde só se usa os bastões  conhecido como "double pole"), bem melhor do que na ultima prova de clássico que eu fiz em Ushuaia, mas estava tao lento que, antes de eu completar a prova eles deram a largada para a fase eliminatória feminina! Tudo para respeitar o horário programado. De qualquer forma, ninguém saiu prejudicado.

O resultado foi uma pontuação "milionária" (acima de 1000 pontos - eu sei, eu sei, 1.000 não e 1.000.000), mas ao menos o esforço foi menor e deu para aproveitar alguma coisa da prova. Ao menos o pessoal daqui não ridiculariza os amadores, e a turma gosta de dar apoio para os mais lentos. Nisso, a turma aqui da Noruega e campeã. O negocio agora e pegar leve e descansar (e fazer um pouco de turismo, que ninguém e de ferro).

domingo, 22 de janeiro de 2012

FIS Scandinavian Cup 15km Individual Livre - O "Monstro" do lago Nes

Enfim, depois de dois anos tentando, finalmente consegui participar de uma prova FIS. Adiantando desde agora que nao foi exatamente aquilo que eu esperava, mas paciencia, ja foi. Portanto, vamos aos detalhes:


Tudo comecou na vespera, dia 19 (quinta), quando fui junto com o Enrico, brasileiro que mora aqui em Oslo e que tambem participou das provas, ate o lugar da prova em Nes, um vilarejo que fica a uma hora de carro de Oslo que tem um lago proximo. A ideia era fazer um reconhecimento da pista que, pelo mapa, parecia inofensiva. Muitas retas, algumas subidas que talvez fossem complicadas, mas nada que no papel fosse dificil. Aqui da para ver como e o percurso (logo na primeira pagina). Tranquilo, certo?


Pois e, o problema estava nos detalhes. As subidas eram mais ou menos dentro do esperado, claro que sempre vao ser mais dificeis do que aparece no papel, mas ate ai tudo bem, o problema sao as descidas. Eram varias, mas tinham 3 que eram realmente complicadas. Vamos chama-las de A, B e C para identificar. A pior de todas era a B, que alem de rapida era cheia de lombadas no meio da descida. Imagine voce sentir ficar sem chao em uma montanha russa. Pois e, agora imagine descer sem o carrinho para te segurar enquanto voce fica quicando no meio da descida. Para piorar a situacao, TODAS as descidas acabam em curvas que subiam. Por um lado pode ser bom porque reduz a velocidade, por outro, dependendo do angulo, voce te jogar para fora da pista. Todas elas se encaixavam dessa forma, umas piores do que as outras, mas essa descida B era a pior.


Ou seja, apesar do percurso no papel nao ser sinuoso, na pratica nao dava para descansar nenhum momento, tanto na subida quanto, principalmente, na descida, quando deveria ser melhor.


Considerando o "reconhecimento", podem imaginar como foi meu sono de vespera. Para piorar, eu ainda estava me sentindo cansado e com muito pouca vontade para encarar 3 voltas naquele percurso.


A prova era valida pela Copa Escandinava, o nivel e fortissimo. Imaginem como se fosse a selecao brasileira (a dos bons tempos nao essa porcaria que esta ai). Tem tanto esquiador bom que poderia estar disputando a Copa do Mundo mas nao pode por causa do limite de atletas por pais. Entao sobra gente boa. Isso ja era esperado, o negocio era tentar melhorar o meu desempenho de dois anos atras.


No dia da prova estava frio, bem frio. Quando chegamos no estacionamento, fazia -13 graus. Depois a temperatura esquentou um pouco. Durante a prova, no lugar mais alto, fazia -8, no lugar mais baixo, -12. So mais um ingrediente para juntar aos outros. Enceramos o nosso esqui em uma casinha junto com os Finlandeses que vieram para a prova. A comparacao obviamente e inutil, mas ainda impressiona a quantidade de pares de esqui que eles levam para a prova (quando puder boto algumas fotos aqui). Fomos para o aquecimento. Na hora eu vi que a coisa ia ser sofrida. Me sentia pesado, sem coordenacao nenhuma, mas paciencia, vamos la.


No papel, a prova masculina tinha uns 200 participantes, gente para burro. Considerando que cada um larga em um intervalo de 30 segundos e voces veem que durante mais de uma hora nao para de largar gente. Os mais lentos largam primeiro, o que torna o sofrimento mais curto, evitando a longa espera para largar. Na pratica, largaram uns 130. Isso e bom para quem e mais lento porque menos gente passa por voce, o que torna tudo mais simples para os retardatarios, que sempre tem que dar espaco para os mais rapidos.


13:05, chegou a minha vez, la fui eu. O negocio era tentar sobreviver a prova sem arranjar nenhuma contusao por queda. O resultado ja era detalhe a essa hora. A prova inteira foi sofrida, mas as subidas me deixaram arrebentado (tive que parar umas duas vezes no meio da subida para me recuperar). A minha tecnica estava uma droga, totalmente sem coordenacao. Nada do que eu tinha treinado em Ostersund estava funcionando. V1, V2, V1 alternado, tudo parecia um amontado. Me sentia um principiante.


Porem, o meu foco principal eram as descidas, por uma questao de sobrevivencia. Toda vez que tinha uma o pensamento era jogar o quadril (em bom portugues, o traseiro) para frente para melhorar o equilibrio. Pequena explicacao: quando se esquia, por conta da velocidade, o centro de gravidade muda, de tal forma que voce tem que projetar o corpo para frente para manter o mesmo equilibrio. E, quando se entra em panico no esqui, a tendencia natural e jogar o corpo para tras, o que so piora a situacao. Por tanto, alem de tentar controlar a descida, o negocio era jogar o quadril para frente e torcer para que de certo.


Ao menos nesse ponto, o "intensivao" de descida serviu para alguma coisa. Nao sem os sustos. Na primeira volta, cai na descida B, a pior de todas, mas levantei e fui embora. O problema foi na 2a volta, na descida A. Como eu falei, as descidas sempre acabam em subida. Nesse momento, o esqui pegou uma neve mais fofa, perdi o equilibrio e cai de frente, batendo com o peito na neve. Fiquei sem respirar direito com o impacto por uns 10 segundos. Ate me recuperar, levantar, ir ate um ponto mais baixo para recomecar a subida e voltar para a prova demorou sei la quanto tempo (depois eu vejo no GPS o tamanho do estrago). Doi ate agora, mas parece que ficou so no susto mesmo.


Voltando para a prova, o negocio foi completar sem ter maiores quedas. E depois desse incidente, as coisas correram razoavelmente bem, exceto por uma meia queda na ultima volta, mas me recuperei rapido e fui em frente. No final, ja estava fazendo a descida C, uma sequencia de descidas que levava para o estadio, com alguma seguranca, o que significa que treinando da para melhorar nisso (o problema e fazer isso no Brasil, mas isso veremos depois).


Finalmente, mais de uma hora depois, completei a prova, dei entrevista no microfone do evento (nao passou na TV, mas tinha o pessoal que estava comentando a prova la mesmo) e voltei todo dolorido para o hotel. Definitivamente ficou muito abaixo do que eu esperava, mas agora nao tem volta, espero que la em Sarajevo tenha melhor sorte.

sábado, 21 de janeiro de 2012

As Ultimas de Ostersund

Ja estou aqui em Oslo e ja corri as provas, mas antes vamos as ultimas notas de Ostersund. Adiantando que, por enquanto, nada de fotos no blog, porque ainda nao consegui achar um lugar que aceite entrada para cartao de memoria.


-  Eu tinha comentado antes sobre as arquibancadas do estadio de Ostersund e que elas tinham uma caracteristica diferente dos estadios, digamos, "normais". E que praticamente nao ha lugares para sentar. Sim, existem degraus, mas espaco para sentar nao tem. O motivo e que ninguem e besta de sentar com o frio que faz por aqui. Falando por experiencia propria, ja que eu ja vi uma prova em 2006 "sentado" em uma arquibancada, de fato e bem melhor ver de pe e depois ir para uma tenda e sentar em um banco quentinho.


- O custo de vida na Suecia e relativamente parecido com o do Brasil. Pelo menos quem mora em Ostersund. O preco da comida, por exemplo, e mais ou menos o mesmo do que no Brasil, exetuando certos alimentos em particular (tipo frango). O que me chamou atencao foi o preco do metro quadrado em Ostersund: 4,5 mil reais. Considerando que e uma cidade de 50 mil pessoas e o que nao falta na cidade e espaco, achei caro.


- Faltou falar sobre o tal Mattias. O nome completo dele e Mattias Nilsson e, ate a temporada passada, ele era biatleta da equipe principal da Suecia. O problema foi que ele descobriu um problema cardiaco e acabou tendo que parar. Para piorar a situacao, alem de ficar sem emprego, ainda tinha acabado de ser pai. Pelos contatos com o pessoal da Suecia, o pessoal da CBDN descobriu que ele estava disponivel para treinar a turma do Brasil e, por isso, ele esta treinando a Mirlene e a Gabriela, a nova (e mais jovem) integrante da equipe brasileira. Muito gente boa, considerando a parte o jeitao sueco dele.


- Com o inverno, e de se esperar que nao haja animais andando pela floresta. De fato, durante todo o periodo na Suecia, nao vi sequer um alce perdido na floresta. Exceto uma vez de manha antes de sair, quando eu vi pegadas de um passaro. O pessoal que cuida do Camp Sodergren explicou que os passaros vao atras de lixo, mesmo com frio e tudo, por isso o recomendado era sempre jogar o lixo na lixeira, em uma casinha isolada, para que eles nao ficassem zanzando por ali. Em uma amostra do humor sueco, um tempo atras, eles falaram para a equipe chinesa de que nao era recomendavel deixar o lixo do lado de fora por causa dos ursos (que ficam bem longe dali), que ficariam remexendo no lixo. Os chineses parece que nao entenderam direito a piada e passaram a treinar o tempo todo juntos para evitar um eventual ataque de algum urso que nao esta hibernando...


- 1o Mundo e outra coisa. Nada como chegar no aeroporto e ver que, no caso dos desembarques domesticos, as malas sao retiradas do lado de fora do desembarque, no corredor comum onde qualquer pessoa poderia passar e pegar a mala. Alias, outra coisa curiosa e ver que a turma que trabalha no aeroporto vai de um lado para o outro de... patinete! Homens, mulheres, jovens, senhoras, de vez em quando surge um passando de patinete do seu lado.


- Por fim, um pequeno comentario esportivo. O jornal sueco fez um quadro com favoritos a medalha na Olimpiada de Londres. Para o salto com vara feminino eles colocaram como favorita Fabiana Murer... da "Alemanha"

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Crise? Que crise?

Desde quando eu comecei a vir para cá para esquiar, por uma coincidência de datas e calendários disponíveis, só tenho ido a países que estão passando de forma mais ou menos tranquila pela crise. E olha que eu comecei a vir em 2009, logo depois que a crise financeira estourou. Primeiro foi na República Checa, depois na Macedônia, agora na Suécia, daqui a pouco na Noruega, só falta ver se a Bósnia está indo bem. Deixando um pouco a discussão econômica de lado, mas algo em comum a todos esses países é que nenhum deles adota o Euro como moeda, o que de uma certa forma dá uma pista de que alguma coisa está errada dentro da Zona do Euro. Em compensação, essas moedas diferentes para quem viaja é uma droga, porque não pode ficar com sobra nenhuma de dinheiro porque senão corre um sério risco de ficar com um mico na mão depois que voltar.

Falando especificamente da Suécia, ela vai muito bem obrigada. Sofreu um pouco no início da crise, mas agora vai crescendo com déficit equilibrado e exportando papel, ferro e máquinas pesadas como nunca. E, assim como o Brasil, vai aproveitando o crescimento chinês enquanto ele dura.


Vista do lago Storsjon, o 5o maior (de muitos) da Suécia, e a ilha de Fronson a esquerda
Dentro desse cenário, a cidade de Ostersund, vai bem obrigado. Fundada no final do século XVIII, ela sempre foi caracterizada como uma cidade de "comércio" (na verdade, o local antes de virar uma cidade de fato já era entreposto na região). Idas e vindas, hoje além do comércio, o que vai mantendo a cidade funcionando bem é o fato de que mais de 10% da população local é de... funcionários públicos. Considerando que o déficit fiscal do país não é problema no momento, não é de estranhar que a cidade esteja indo bem, já que, de fato, não tem uma fábrica perto daqui.



Típica rua residencial de Ostersund
A cidade é bastante espalhada, cheias de casas todas quase iguais as outras (mas não tão iguais quanto na República Tcheca por exemplo). Hoje fui dar um passeio pelo "Centro" da cidade, que consiste basicamente de duas ruas: a Storgatan e a Prastgatan. Dentre as duas, a segunda é A rua do comércio, onde inclusive tem um trecho fechado para carros. Nada muito chique, mas é aonde as pessoas circulam durante o dia (considerando o frio que faz é algo bastante significativo). Pelo que li na internet, o centro já foi bem mais arborizado mas, aparentemente, o progresso andou fazendo umas mudanças estruturais na cidade.

Prastgatan, a principal rua do comércio de Ostersund, parcialmente fechada para pedestre
As duas ruas ficam entre duas referências da cidade. De um lado, a praça da cidade, que sedia alguns dos eventos anuais (durante o verão principalmente), do outro, a igreja luterana, construída durante a II Guerra Mundial, que é bastante imponente. 



Stortorget, a praça da Cidade (a única)
Igreja (aqui a religião é a Igreja Luterana da Suécia)
Por fim, os outros dois marcos da cidade, já que outras atrações ao ar livre estão fechadas nessa época (ou seja, nem querendo muito da para visitar): a prefeitura e a enorme caixa d´agua. A primeira está completando 100 anos, e apesar de já ser imponente, teve um pedaço derrubado uns 40 anos atrás. A segunda, que eu já tinha comentado no post anterior, ainda está em pleno funcionamento e funciona também para aquecer a água da região. O pessoal daqui aproveitou que ela é bem alta (65 metros) e fizeram um restaurante com "vista panorâmica". Como eu falei antes, cada um tem a sua praia para mostrar...



Prefeitura (feia, não é mesmo?)



Caixa d´água recauchutada e com o restaurante no topo
As luzes vão trocando ao longo dos dias e, supostamente, deveria lembrar a aurora boreal, que passa bem longe daqui.


Outra atividade que a cidade vem desenvolvendo é exatamente os esportes de inverno. Tanto que já batizaram a cidade como a "cidade dos esportes de inverno". Inclusive já houve tentativas de organizar os Jogos Olímpicos aqui, mas sempre perderam na votação final, sendo que a mais apertada por para os Jogos de 1994, que foram para o país vizinho por dois votos. O forte daqui são os esportes de neve, mas parece que tem uma pista de patinação de velocidade oficial (coisa rara).


No geral, a cidade é bastante agradável. Claro, a temperatura não ajuda muito, bem como muitas pessoas provavelmente iriam estranhar o sol nessa época do ano, que fica sempre de lado durante as poucas horas de luz, mas é bem organizada e tenta atrair os turistas com o que tem. Enquanto a economia do país continuar indo bem, ela parece que está bem organizada, como aliás é a fama que os suecos têm ao redor do mundo.