segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Crise? Que crise?

Desde quando eu comecei a vir para cá para esquiar, por uma coincidência de datas e calendários disponíveis, só tenho ido a países que estão passando de forma mais ou menos tranquila pela crise. E olha que eu comecei a vir em 2009, logo depois que a crise financeira estourou. Primeiro foi na República Checa, depois na Macedônia, agora na Suécia, daqui a pouco na Noruega, só falta ver se a Bósnia está indo bem. Deixando um pouco a discussão econômica de lado, mas algo em comum a todos esses países é que nenhum deles adota o Euro como moeda, o que de uma certa forma dá uma pista de que alguma coisa está errada dentro da Zona do Euro. Em compensação, essas moedas diferentes para quem viaja é uma droga, porque não pode ficar com sobra nenhuma de dinheiro porque senão corre um sério risco de ficar com um mico na mão depois que voltar.

Falando especificamente da Suécia, ela vai muito bem obrigada. Sofreu um pouco no início da crise, mas agora vai crescendo com déficit equilibrado e exportando papel, ferro e máquinas pesadas como nunca. E, assim como o Brasil, vai aproveitando o crescimento chinês enquanto ele dura.


Vista do lago Storsjon, o 5o maior (de muitos) da Suécia, e a ilha de Fronson a esquerda
Dentro desse cenário, a cidade de Ostersund, vai bem obrigado. Fundada no final do século XVIII, ela sempre foi caracterizada como uma cidade de "comércio" (na verdade, o local antes de virar uma cidade de fato já era entreposto na região). Idas e vindas, hoje além do comércio, o que vai mantendo a cidade funcionando bem é o fato de que mais de 10% da população local é de... funcionários públicos. Considerando que o déficit fiscal do país não é problema no momento, não é de estranhar que a cidade esteja indo bem, já que, de fato, não tem uma fábrica perto daqui.



Típica rua residencial de Ostersund
A cidade é bastante espalhada, cheias de casas todas quase iguais as outras (mas não tão iguais quanto na República Tcheca por exemplo). Hoje fui dar um passeio pelo "Centro" da cidade, que consiste basicamente de duas ruas: a Storgatan e a Prastgatan. Dentre as duas, a segunda é A rua do comércio, onde inclusive tem um trecho fechado para carros. Nada muito chique, mas é aonde as pessoas circulam durante o dia (considerando o frio que faz é algo bastante significativo). Pelo que li na internet, o centro já foi bem mais arborizado mas, aparentemente, o progresso andou fazendo umas mudanças estruturais na cidade.

Prastgatan, a principal rua do comércio de Ostersund, parcialmente fechada para pedestre
As duas ruas ficam entre duas referências da cidade. De um lado, a praça da cidade, que sedia alguns dos eventos anuais (durante o verão principalmente), do outro, a igreja luterana, construída durante a II Guerra Mundial, que é bastante imponente. 



Stortorget, a praça da Cidade (a única)
Igreja (aqui a religião é a Igreja Luterana da Suécia)
Por fim, os outros dois marcos da cidade, já que outras atrações ao ar livre estão fechadas nessa época (ou seja, nem querendo muito da para visitar): a prefeitura e a enorme caixa d´agua. A primeira está completando 100 anos, e apesar de já ser imponente, teve um pedaço derrubado uns 40 anos atrás. A segunda, que eu já tinha comentado no post anterior, ainda está em pleno funcionamento e funciona também para aquecer a água da região. O pessoal daqui aproveitou que ela é bem alta (65 metros) e fizeram um restaurante com "vista panorâmica". Como eu falei antes, cada um tem a sua praia para mostrar...



Prefeitura (feia, não é mesmo?)



Caixa d´água recauchutada e com o restaurante no topo
As luzes vão trocando ao longo dos dias e, supostamente, deveria lembrar a aurora boreal, que passa bem longe daqui.


Outra atividade que a cidade vem desenvolvendo é exatamente os esportes de inverno. Tanto que já batizaram a cidade como a "cidade dos esportes de inverno". Inclusive já houve tentativas de organizar os Jogos Olímpicos aqui, mas sempre perderam na votação final, sendo que a mais apertada por para os Jogos de 1994, que foram para o país vizinho por dois votos. O forte daqui são os esportes de neve, mas parece que tem uma pista de patinação de velocidade oficial (coisa rara).


No geral, a cidade é bastante agradável. Claro, a temperatura não ajuda muito, bem como muitas pessoas provavelmente iriam estranhar o sol nessa época do ano, que fica sempre de lado durante as poucas horas de luz, mas é bem organizada e tenta atrair os turistas com o que tem. Enquanto a economia do país continuar indo bem, ela parece que está bem organizada, como aliás é a fama que os suecos têm ao redor do mundo.

Um comentário:

Anônimo disse...

2% a umidade relativa!
tem pista de tobogã?
AHR